Freitag, Mai 25, 2007

I'll take a quiet life and a handshake of carbon monoxide...

A teoria de que eu sou uma garota incrivelmente vazia veio à tona. Foi mais simples do que eu achei que fosse provar isso. Estava eu em um concurso de redação, teria que fazer uma dissertação e o fiz. Obra-prima, extraordinário. Até saber que eu não fui convocada, meu Deus como eu fui esquecer que dissertações tem que ser vazias?!
A verdade é que eu nunca consegui escrever uma dissertação, se consegui com certeza foi com muito esforço e pressa. Acontece que quando se é vazia (como eu, claro), os textos saem com um espírito tão malogrado que parece até que o texto cria vida e pede ajuda. Meus textos pedem ajuda, eu não.
Sem mais dramas mexicanos, simplicidade... Acho que a simplicidade é prenúncio da paz. Não que seja condenável estilo de vida agitado, mas essa paz...De acordar de manhã respirando fundo, apreciar cada fio de cabelo, sorrir para seus amigos ( ou o que vocês acham que são seus amigos), fazer as coisas com calma e precisão. Sem alterações, sem medos, sem falhas. Vida, me dá mais uma chance?

Mittwoch, Mai 16, 2007

Meu egocentrismo ainda é muito falho

Parece até TOC ficar esperando algo que não se deve esperar. Fazer os mesmos movimentos, os mesmos pensamentos, as mesmas ilusões e enfim as mesmas decepções somadas a confusões. As minhas confusões se somam tanto que acabo exausta jogada na cama sem saber o que é bom ou ruim, para mim ou para vós? Vós? Não era nós? E seria nós dois ou nós três? Ou haveria um quarto(a)?!
Dentro disso tudo me sobra um pouquinho de vontade de entender...Entender, largar, abrir um livro, passar no vestibular, fazer o projeto voluntariado para hospícios e enfim poder dizer que posso procriar, pois fiz algo que valesse a pena com todo esses átomos de carbono (negativos) que me compõem...

Freitag, Mai 11, 2007

Help me, Newton!

1- A lei da inércia: meus sentimentos são constantes à medida que você não os anula criando amor malogrado por hipopótamos (só Deus sabe o que eu quero dizer com "hipopótamos"...) e estourando minha cota pré-inicial para humanos de imbecilidade.

2- A lei da aceleração: a aceleração de um corpo é diretamente proporcional à força que age sobre ele e inversamente proporcional à sua massa. Injusto, até em massa somos antagônicas mas se levarmos em conta a massa cerebral e estética, até que eu saio no lucro...tsc...tsc

3- A lei da reação: a cada ação corresponde uma reação de valor igual e de sentido contrário, ou seja, tenha a capacidade imbecil de se importar com acerebrados(as) e eu enxerei a cara no botequim da esquina (puxa vida, duas ações idiotas e de mesmo valor!).

Dienstag, Mai 08, 2007

A outra aula de Geografia no Colégio novo

E o professor começa seu discurso no meio da aula sobre Industrialização:

"Os países periféricos não estão no mesmo patamar industrial dos países desenvolvidos pelo fato do capitalismo ser perverso! Os países ricos não querem que os países pobres cresçam!"
[...]

" A China é um grande exemplo do Socialismo que deu certo!"

O meu dedo criando vontade própria pronto para se auto-levantar. O cérebro inchando de tanta retórica, o último suspiro antes da boca abrir e soltar inúmeros protestos direitistas. Mas não, respirei fundo e decidi que na próxima aula vou levar um MP3.

É...Certas coisas nunca mudam.

Dienstag, Mai 01, 2007

Náusea: o retrato da apatia

Antoine Roquentin, meia-idade, burguês. É em torno desse personagem que Sartre faz encarnar a profunda apatia. O Sr. Roquentin mora só em um hotel localizado em Bouville, cidade pequena na França. Faz o desjejum sozinho, almoça sozinho e janta sozinho. Tudo isso em Cafés espalhados pela cidade e ao som de "Some of these days", um jazz.
Roquentin narra o livro queixando-se incansavelmente de uma "náusea", que aparece sorrateiramente quando ele pára e analisa as pessoas e coisas à sua volta. O que fica subentendido é que essa "náusea" é produto de uma degradação emocional que ocorreu aos poucos, podemos ver no seguinte trecho: " Já não posso duvidar de que alguma coisa me aconteceu. Isso veio como uma doença, não como uma certeza comum, não como uma evidência. Instalou-se pouco a pouco, sorrateiramente: senti-me um pouco estranho, um pouco incômodo, e isso foi tudo. Uma vez no lugar, não mais se mexeu, ficou quieto e pude me persuadir de que não tinha nada, que era um alarme falso. E eis que agora a coisa se expande."
Ele passa horas na biblioteca na ânsia de ler todos os livros, mas também escreve, quer dizer, tenta escrever um livro de história sobre o Sr. de Rollebon. Devido a constante náusea somada às inúmeras reflexões existenciais, ele não consegue terminar o livro, desistindo de escrevê-lo. A biblioteca também é freqüentada pelo Autodidata, também homem de meia-idade que passa horas lendo e tem como diversão "alisar" rapazinhos mais novos.
Apesar da profunda indiferença com o mundo em si, Antoine ama Anny, uma antiga namorada um tanto excêntrica que vivia buscando "momentos perfeitos", como se as pessoas em determinada situação tivessem que interpretar quadros e figuras. No auge de sua debilidade, Anny culpava Antoine por estragar seus momentos perfeitos e afinal de contas, quem é apático não tem espiritualidade e nem ânimo para interpretar "momentos perfeitos", não tem a capacidade de delirar na própria imbecilidade. Pobre Anny...
Anny volta depois de alguns anos, querendo reencontrar Antoine. Depois de tanta apatia, tal fato desperta algum ânimo nele mas não por muito tempo. Quando se encontram, ela lhe explica a teoria dos momentos perfeitos e em seguida pede que Antoine se vá. Na despedida, ela o beija alegando que queria ter a lembrança de seus lábios. Inconformado, ele vai até a estação de trem para vê-la partir, como se quisesse ver sua desgraça se concretizar e se concretiza. Anny vai embora.
Em seus passeios pela pequena Bouville, vendo a paisagem, os humanos, a cor do céu e a natureza, ele concretiza a verossimilhança de todas as coisas existentes: " Todo ente nasce sem razão, se prolonga por fraqueza e morre por acaso." Outra máxima: " A existência é uma plenitude que o homem não pode abandonar." Concluindo que a existência não é ilusória mas apenas patética e relevante quando muito, incompreensível.
Quando Roquentin se prepara para partir para Paris, visita pela última vez a biblioteca e se depara com um infeliz episódio. O Autodidata é visto em situação suspeita com um rapazinho e em seguida surrado pelo corso da biblioteca que possuído pela revolta moral, sai distribuindo socos no Autodidata. E é nesse episódio que podemos ver a empatia e humanidade de Roquentin, pois ele pega o corso pelo pescoço para defender seu companheiro de leitura, ao qual mal dirigia a palavra e evitava encontrar. Mas o que é mais comovente, é Roquentin desprezar o ato pedófilo do Autodidata e compartilhar a desgraça alheia, pois a biblioteca era a vida do Autodidata.
Enfim, a hora da despedida chega e ele faz sua última refeição no Café que freqüentava. Se despede de sua amante, a dona do Café. Ele está partindo porque não lhe resta mais nada: " Sou livre: já não me resta nenhuma razão para viver, todas as que tentei já cederam e já não posso imaginar outras. Ainda sou bastante jovem, ainda tenho força bastante para recomeçar. Mas recomeçar o quê? Só agora compreendo o quanto, no auge de meus terrores, de minhas náuseas, tinha contado com Anny para me salvar. Meu passado está morto. O Sr. de Rollebon está morto, Anny só retornou para me tirar toda esperança. Estou sozinho nessa rua branca guarnecida de jardins. Sozinho e livre. Mas essa liberdade se assemelha um pouco à morte." E a atendente pergunta se ele não quer escutar pela última vez aquele jazz, Some of these days.
Apesar de velho, vesgo e comunista ( como diria um amigo meu), Sartre conseguiu sensibilidade o suficiente para criar um personagem mórbido, sozinho e cheio de dignidade que nos mostra que a existência é irreal, que as pessoas sempre têm que partir e que os momentos reflexivos são náuseas a nos queimar o esôfago.


A voz canta:

Some of these days
You'll miss me honey

Freitag, April 20, 2007

À amiga ruiva e pré-esquizofrênica (de muito perto...)

Parece que foi a algumas horas que eu via você caminhar tranqüilamente até o hall do meu prédio, ajeitando a franja ruiva, dando o último gole na lata de cerveja e olhando em volta para ver se achava lixo para jogá-la. E me lançava um sorriso travesso, me abraçava e girava e girava para matar as saudades.
Você foi a única pessoa que eu vi ser consumida pelos próprios traumas, e isso para mim é bastante doloroso, já que os seus traumas são os meus traumas e isso quer dizer que eu posso ser a próxima. Para tentar lhe dar um pouco da minha força que na verdade não é força, e sim, um resto de bom senso e preguiça de suicídio, eu fui até você. Eu mal sabia onde você morava, andei de lá para cá, perguntei aos vizinhos até chegar embaixo do seu prédio. Só embaixo, pois você não me deixou sair de lá.
Não se desespere, minha querida! Eu não estou brava! Eu sei bem como é ter medo da alelobiose ao ponto de não reconhecer a sua outra metade da esquizofrenia... Mas foi tão difícil ver a sua mãe tão confusa e escutá-la dizer que você não suporta a idéia de falar ou ver alguém. mesmo que esse alguém seja eu. Eu mandei-a dizer a você que eu estava aqui para o que precisasse, mas eu sei que você não vai me procurar. Nem a mim e nem a ninguém e isso me apavora. O problema não seria eu ir e voltar do seu prédio de mãos vazias e sim eu ir até lá e um dia você não estar mais lá.
Se você quiser partir para sempre eu sei que eu não poderei impedir, mal consigo retardar sua dor. Eu só queria que você se espelhasse em mim, para poder ver que a desgraça pode sim ser digerida, não eliminada, mas o acumulo dela pode favorecer seus anti-corpos contra o mundo em si. A grande verdade é que eu estou tão fascinada pela dor como você, mas se você não mudar sua situação você vai morrer, por favor, não morra.

Donnerstag, April 05, 2007

A janela do ônibus

Mais um fim de tarde em um boteco sujo beira de esquina. Depois de milhares de copos esvaziados, ela se jogou na grama do Shopping e ficou a olhar o horizonte que revelava muitas luzes dos edifícios do outro lado do mar. Luzes coloridas que iam se misturando e formando um mix de cor pelos seus olhos já marejados.
- Vamos Mari, já está na hora.
E ela puxou sua amiga tanto ou mais embriagada que ela, deixou-a no ponto e foi para o seu. Entrou no ônibus e, quando este foi andando rezou para o seu estômago não revirar mais do que já estava revirando. E o ônibus passou pela rodoviária...Mil imagens passaram na sua cabeça como num flashback. A janela do ônibus refletiu a sua face. Um rosto abatido e com a maquiagem derretida se revelou diante do reflexo. "Deve ser isso" - pensou. Então teve a certeza que a atual, apesar de choldra não era tão complexa quanto ela.

Freitag, März 30, 2007

Fim de linha para mim

O tombo foi tão grande que a dor nem veio. Morri de vez. Eu vi meu futuro me dar adeus (puxa, logo meu futuro!), eu não pude fazer nada para impedir que ele se despedaçasse enquanto tentava caminhar para longe de mim. A imagem ridícula de planos e sonhos renegarem a própria criadora e irem se quebrando um a um sem auto-piedade.
E com isso tudo veio a depressão negra...A paranóia obsessiva e a esquizofrenia que nunca desiste de distorcer minha realidade. E eu não posso mais perguntar " E agora?"; já que não há mais perguntas também não há mais respostas, e eu não passo de um monte de moléculas que ainda se mexe por pura lei física e biológica.

Sonntag, März 25, 2007

Ode ao comunista!

Eu insulto o comunista! O comunista - comunista
O comunista vermelho!
A digestão bem-feita de Cuba!
O homem-foice! O homem-sangrento!
O homem que sendo russo, cubano ou alemão
é sempre um invejoso!

Eu insulto a choldra selvagem!
Os ignorantes! Os intelectobostas! Os gananciosos!
Que vivem dentro de corpos proletários,
e gemem sangue de alguns pobres coitados
para dizerem que nós capitalistas que os exploramos
e fazem manifestos sem um ideal digno!

Eu insulto o comunista biltre!
O indigesto feijão com arroz, dono da simplicidade insana!
Fora os que matam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à inveja!
Morte às crueldades em seu cérebro!
Morte ao comunista-mensal!
Ao comunista-cinema! Ao comunista- partido!

Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas imorais!
Oh! cabelos nas ventas! Fuças viscerais
Ódio aos temperamentos mesquinhos!
Ódio aos fingimentos morais! Morte à infâmia!
Ódio à subtração! Ódio aos secos e molhados
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao comunista piolhento,
cheirando ao ateísmo!
Ódio financeiro! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Tu! Fora o mau comunista!
E que Mário de Andrade aceite meu cuspe em seu túmulo de bom grado!

Samstag, März 24, 2007

Perder é o que há

Mais um de meus sonhos se desmoronou bem na minha frente. Foi incrivelmente rápido, deu até para bater uma tristezinha, levando-se em consideração que eu não sinto mais nada além do meu corpo reclamando do calor. É exasperante ver do jeito que as coisas mudam de rumo, que promessas são apenas palavras pronunciadas de forma bonita e que até aquele juramente feito com os olhos e com o sentimento deixam de existir simplesmente por nada.
Pode ficar com seu tecido adiposo de estimação, eu não ligo, juro. O que eu queria era outra coisa, bem mais simples do que você achava que era. Enquanto ao meu último sonho desmoronado, eu vou lutar por ele, se eu perder isso o que irá me restar?! (Aos que disseram nada, parabéns).

Dienstag, März 13, 2007

Adeus você...

Eu hoje vou pro lado de lá...
Eu tô levando tudo de mim que é pra não ter razão pra chorar.
Vê se te alimenta e não pensa que eu fui por não te amar...

Eu queria poder dizer que é para você, mas seria como assinar o meu atestado de fracasso. Meu alter-ego não deixaria eu dar a segurança para a "Sra. Insegura". Deixa ela sofrer aos quatro cantos...Enquanto eu alimento a minha perda de todos os dias assim , calada.

Montag, März 12, 2007

Todo mundo precisa de um amor...

Hoje quando vi no fotolog da Ju o texto sobre como ela fica infeliz em casamentos, logo me bateu a mesma infelicidade também. Ora essa, Anna! Você se acha o centro de tudo, só se ocupa com você e ainda por cima não alimenta sentimentos nem por um bichinho de estimação ( eu devolvi meu gato de estimação depois de 1 semana).
Será que eu conseguiria dividir minha vida com alguém?! Sabe, eu até conseguiria...Mas é como um sonho e esse sonho escapa tão rápido que fica só o cheirinho dele no ar...Porque até sonhos tem cheiro e gosto também, que depois de algum tempo passa a ser tão amargo que seu estômago revira á procura de algo para expelir em um vômito mitológico.
Só nos resta ir aos casamentos, falar mal do vestido da noiva, enxer a bolsa de salgadinhos na festa e se iludir dizendo "Ainda bem que eu não me amarrei.", sendo que queríamos nos amarrar e até suportar o hálito matinal terrível da pessoa, sabendo que seria como o mais caro perfume.

Samstag, März 10, 2007

E o resultado do meu teste psicológico foi:

Your Results:
Disorder Rating Information
Paranoid: Very High
Schizoid: High
Schizotypal: High
Antisocial: High
Borderline: Very High
Histrionic: Very High
Narcissistic: Very High
Avoidant: Very High
Dependent: High
Obsessive-Compulsive: High


É confortante saber que eu sou ignorável, doente e desequilibrada mental. Ok, considere apenas o "desequilibrada mental", porque me ignorar eu admito que não é fácil (e o pedantismo ataca novamente...).

Montag, Februar 26, 2007

Falling down...And down...And down...

Aquela teoria de "poderia ser pior" já caiu e muito no meu conceito. Não tenho mais para onde cair, até Satã rejeitaria a minha alma agora. E a sensação de que não haverá reviravolta ou segundo tempo para recuperar o jogo, me faz ficar mais paranóica e mais indisposta.
Chego da escola morta, me jogo na cama completamente encharcada de suor. Para trocar de roupa é um trabalho que só vendo...Primeiro tiro a primeira perna da calça e só depois de meia hora tiro a outra perna. Até vestir uma roupa qualquer, tomar um banho, entrar na internet e ver que as coisas continuam cruelmente iguais. Voltei á época do autismo por oção.
Não posso fazer mais nada, além de não fazer mais planos e nem ter mais sonhos. Faço agora o que me vêm na cabeça. E meu cabelo vai acabar ficando roxo novamente ao invés desse loiro quase aguado de agora. Se o meu corpo pudesse criar vida própria e se separar de mim... Mas todo mundo tem que viver sua vida e só Deus sabe como eu devo viver a minha...



Você se tornou cego, surdo e mudo. Eu lamento que você em vez de me tirar essa dúvida cruel , apenas finja que está sendo educado... Afinal de contas, o desprezo não é nenhum tipo de educação, meu caro. Que tipo de " monstrinho" você se tornou?! Ou o "monstrinho" é apenas a minha pseudo-esquizofrenia tentando me enganar pela milésima vez?! Oh, meu Deus...

Mittwoch, Februar 21, 2007

Back from carnaval

Viagem, mar, sol e areia grudada nos pés. Pela manhã todo sono do mundo, à tarde o mar...E só o mar! Um mar calmo, claro e salgado. Quando o sol estava quase chegando ao fim eu sentava bem na beirada da areia ou perto do pier e ficava olhando aquela visão linda do pôr-do-sol que me deixava fascinada com tanta beleza.
Quando chegava de noite era aquela agitação. Samba e axé, pois é carnaval. Então, larguei Placebo, Radiohead e Pavement de mão. Todos felizes, nenhuma preocupação, nenhuma competição e nenhuma frustração. Mas tudo isso só durou três dias.
Chegando em casa, fui me olhar no espelho depois de tanto tempo sem encará-lo. Tomei um susto. O colo antes branco e sem vida se tornou levemente bronzeado, o rosto antes macilento e pálido estava corado com o nariz levemente avermelhado e não era de choro, era de descanso e satisfação e os olhos...Se tornaram doces e expressivos. Voltei completamente centrada e calma, segura de mim mesma e toda amargura sumiu (ao menos parece). Sou outra, ou talvez o que eu fui um dia.

Mittwoch, Februar 14, 2007

A rotina cretina

Andava pela calçada meio cimentada, meio terrosa. Suas pernas ficavam bambas, pois estava no meio fio e, quando um carro passava sua excitação aumentava, até que passou um caminhão. " É agora! Vou me jogar na frente, vou ser deliciosamente esmagada."- disse. Mas estava com tanta vontade de viver mais um pouco( talvez viver o suficiente para tingir o cabelo, ou provar uma cerveja nova ou conhecer outros lugares) que não se atirou ao caminhão, apenas abriu o portão do prédio e entrou.
Foi direto ao banheiro, abriu a torneira e viu de relance o espelho, que evitou talvez por se detestar tanto que não conseguia suportar sua própria imagem refletida em qualquer lugar, ainda mais no espelho, onde as imagens aparecem claras. Não sabia se lavava ou não o rosto, pois não sabia se estava suja ou suada... Havia muito tempo que ela não sabia mais de nada. Apenas se sentou e comeu. Comeu pouco, a comida ia de um lado para o outro da sua boca e acabava entalada no esôfago.
Tinha tão pouco dentro de si que não sabia se a vitória tinha algum gosto e qual gosto era. Mas sabia o que não suportava: a si mesma. Estava raspando as pernas enquanto pensava cinicamente nisso tudo e... Vaps! Acabou fazendo um cortezinho na perna. O corte aumentou, escorria sangue de todos os lados e ia se tornando pouco a pouco uma ferida enorme e tenebrosa.
Ela caiu ao chão, pois sua perna estava consumida em uma poça densa de sangue e esse sangue escorria de um vermelho tão rubro que lhe saltava aos olhos.
De repente se deu conta que não havia sangue algum e nem corte. Sua perna estava intacta e sadia. Foi quando teve a certeza que a era esquizofrênica.

Mittwoch, Februar 07, 2007

Aula de Geografia

Meu professor com uma sutileza de elefante a falar sobre a situação mundial: "O capitalismo é explorador! O capitalismo é esquizofrênico! Vocês sabem o que é um esquizofrênico? É a pessoa que acha que vê coisas. Ele causa a fome de milhares de pessoas porque é cruel!"
Eu engoli a raiva e a retórica com tanta força e rapidez que meu estômago pesou. Pensei em falar com o cretino após a aula : "Escute professor, primeiramente o senhor não faz idéia do que é esquizofrenia! E segundo que o capitalismo não é cruel, ele é democrático. Eu estou certa e você, errado! E não há nada que o senhor possa fazer sobre isso." Mas daí vi que não ia dar em nada...Comunistas ou pré-comunistas ou são canalhas ou ignorantes demais para poder entender qualquer coisa. Me contentei em anotar as respostas e a pedir que Deus me desse paciência e santidade.

Donnerstag, Februar 01, 2007

A Prova de Verão

Acordei cedo e minha cabeça doía...Não por ter acordado às 6:00 horas, mas porque era tanta fórmula grudada no meu cérebro que parecia que ele ia criar vida própria e sair da minha caixa craniana. Cheguei na escola e fiquei horas parada, esperando chamarem para a prova.
E lá estava eu sentada na primeira carteira, batendo a lapiseira cor-de-rosa e cheia de glitter na mesa. Fazendo as questões...Humm! Os raios betas diminuem sua carga negativa ao novo átomo e pronto! Entreguei a prova com o estômago quase saindo pelo reto.
Nada importava naquele momento e nem agora, o verbo esquecer ganhou tanta forma e vivacidade para mim que eu realmente pude conjugá-lo em voz alta: Eu esqueci. Mas tu esquecestes? Ele esqueceu? Nós esqueceremos, meu bem? Acho melhor eu escolher o outro verbo, quem sabe o verbo desintegrar. E os raios betas ,por acaso, somam e não diminuem sua carga...É...acho que vou parar na dependência escolar.

Mittwoch, Januar 24, 2007

Ego painted grey

As cores cintilantes do lustre do quarto se misturaram quando seus olhos ficaram marejados. Ela estava tão vazia e tão cheia, que não sabia a diferença entre o branco e o preto. Se esvaziava quando o vento úmido lhe cortava a face da pele, que era tão branca e tão macia, fazendo com que pensasse que tudo era extremamente fácil. Se enxia quando, sentia que estava perdendo algo, que não sabia bem o que era, mas sabia que ia fazer falta algum momento e fazê-la berrar de melancolia.
Ela não conseguia entender o por quê de nada, nem mesmo o de ainda estar mentalmente sã, mas espere, ela não estava mentalmente sã. A esquizofrenia a julgava, a fazia delirar em seus próprios medos que eram infantis, mas pareciam tão reais e tão importantes que seus olhos avermelhavam a cada lembrança dolorosa.
Talvez ela achasse que tinha encontrado algo valioso. Repetia para si: " Oh Deus! Meu Deus bondoso e misericordioso! Obrigada por me presentear com essa jóia de valor incalculável!". Mas o que ela jurava que era jóia, era apenas uma bijuteria falsa, que alucinava seus olhos, fazia-a entorpecer diante do que era real e jogar-se aos pés da ilusão. Era apenas a paranóia juntada a uma semi-esquizofrenia, que a fazia ver tudo no momento como se fosse duradouro e valioso.
Mas não era, então ela quis chorar. Não pode. Não sabia por que...Mas a demonstração de seus sentimentos tinham virado simples arrepios gelados a lhe percorrer o corpo. O seu corpo de 1 milhão de dólares, que não lhe tinha trazido nada senão uma redoma de elogios luxuriosos. Mas o que ela não tinha percebido era que, no fundo, não importava se ela fosse linda ou feia, inteligente ou burra. Todos sempre a deixariam sem algum vestígio de culpa na consciência, pois ela estava condenada a ficar só e a delirar em sua própria loucura.

Montag, Januar 22, 2007

Matt e as suas verdades que me fizeram ainda mais pedante

Matt: Sabe, você está sendo bem má.
Eu: Eu??!! Mas eu sou estou respondendo aos ataques!
Matt: Você tem que fazer a pessoa se sentir mal.
Eu: Já fiz isso...Acontece que me permitem ir além disso!
Matt: Sua destruidora de lares!

Em relação a todo esse assunto, eu não tenho nada dizer senão: Não consigo sentir nada, pois não sei de nada. Tudo que posso fazer é manter meu sarcasmo e bom humor diante do fato de ter uma gorda feiosa invejando tudo que eu tenho e que ela nunca vai ter. Porque afinal de contas eu sou magra, linda e incondicionalmente um intelecto brilhante. Aff, estou mais pedante a cada dia que passa...