Donnerstag, Januar 14, 2010

Para um ano já cansado

Todos que me vêem põe a culpa nos livros que li por toda a minha vida, e tem sido uma vida longa e plena, ao menos essa canseira no peito acusa longos anos. E duros anos. Só que eu não sei bem aonde arranjei essa dureza de dias, quando se vê a metástase se deu e não há muito o que se fazer, não é mesmo? Eu sempre me canso dos conceitos que proponho. Cansei de falar da mentira, do amor segundo São Paulo, do sépia que é a vida por aqui e até de ter uma vida e não ter muito o que fazer com ela. E até há o que fazer: juntar trezentos pedaços que eu não sei como se desintegraram, tirar a poeira do vestido e arriscar um passinho de dança, quiçá de balé para continuar o caminho com alguma dignidade. Mas não é mais questão de dignidade, menos ainda de resignação. Ainda não sei do que se trata. Há algo de errado por aqui, não, não é bem errado, há algo que falta. Não, não é algo que falta. Tá. Há algo que não se encaixa. Não. Porque nada se encaixa nessa vida. Enquanto não descubro no que a vida se transformou continuo tentando. Não, mentira, nem tento. Por fim, se alguém estiver aí pare de remoer. Mais-que-droga-não-quero-ser-a-zombie-de-ninguém! Me faltam Cortázar, Dostoievski, Baricco para dizer com mais doçura que chega, quer dizer, de que adianta se meu nome ainda existe? As pessoas deveriam ser mais generosas e deixarem as outras livres, ao invés de prendê-las (melhor, tentar prendê-las) no corpo de outras. Liberdade. Achei, é isso que tem me faltado, mesmo que me remeta a medo.

1 Kommentar:

paul hat gesagt…

iedereen verdient vrijheid jou gun ik het een beetje meer dan anderen..... tot ooit