Donnerstag, Januar 28, 2010

Consciência (sem a desintegração)

"Que seja clemente o castigo, por tanto desperdício."
(Baricco)



Às vezes eu me pergunto para quê eu tenho raciocínio. Sério, eu consegui entender Dostoiévski mas isso vai fazer uma diferença mínima, levando-se em conta que entender Dostoiévski consiste em jogar na sua própria face que ou você é Marmieládov, ou você mata uma idosa fascista ou você entra no cemitério e começa uma conversa de humor negro com os mortos - levando em consideração cada opinião deles, claro - . Acabo de voltar de um estupro (isso é lacônico, diga-se de passagem) e com a impressão de ter a vida nas minhas mãos, não a minha, claro. O Walter, um menino aleatório por aí (mentira, madruguei para ir até o Galeão e tomar uma Heineken divina com ele, acompanhada de Camel, claro) não acha graça em eu ter vida alheia em mim, ele sabe que está certo. "De você eu espero tudo, Aninha"; acho que não só ele, tenho vivido de loucuras e nem são loucuras loucuras, são loucuras de uma intensidade de se descrever em algum livro que eu leria e isso é péssimo por consistir em loucuras que sem querer são auto-destrutivas. Eu não percebo os golpes duros que dou em mim mesma, acho que tenho usado maquiagem demais. Acho que não posso ter outra vida em mim, uma desintegração já basta. Haverá perdão para nós? Termino o post sentindo a carruagem por cima de mim em alguma rua de São Petersburgo.

1 Kommentar:

Waltinho Castro hat gesagt…

Você tá usando maquiagem demais. E isso serve tanto denota como conotativamente. E eu te amo.