Freitag, Februar 05, 2010

Do Orgulho, ou regeneração do Grande Ego

Tenho uma bolsa preta que está desbotada. Ela cheira a tabaco, na verdade, há restos de tabaco em toda a bolsa. Há restos de tabaco também nas outras bolsas, nos cantos de minha gaveta, às vezes em meus bolsos. Meu cabelo cheira a xampu, mas também cheira a tabaco. Kicilla disse que "essas coisas não passam!"; e meus olhos lavaram o celular. Kicilla ficou preocupada com meu olhar-de-animal-em-caçada para fora da janela do ônibus. Eu não aceitei o abraço dela, eu disse um "não!" sonoro, porque na pior das hipóteses a única coisa pior que não estar bem é aparentar não estar bem e ganhar um bônus por isso.
Querem falar sobre saudade? Richtig. Ela vai sumir, não a saudade, mas a palavra. Tem cada dia mais e mais beirado a nostalgia. Porque ela só tem doído em todos nós, ela tem sido lembranças, ela tem remetido à tristeza pura e simples. Construímos nossas vidas arrancando os órgãos do passado, ambos saímos muito machucados. Tento imaginar a cara do passado quando eu lhe arranco os pedaços, a imagem que me vem é a de um velho resignado. Ambos sentindo auto-comiseração até resolver fechar o acordo da não-memória. E ainda falam mal do Grande Ego; ora, estou salvando o passado. Meu passado está inteiro, com uma expressão vívida e feliz. Ele parece não gostar, eles parecem não gostar. O passado tem uma vida e não sabe como vivê-la. Alguma parte de mim sente saudade; eu disse saudade, não nostalgia. Incrível como certas coisas são muito inteiras dentro de mim. As pessoas acham que têm que decorar o Houaiss para falar comigo, viverei de aforismos e uma grande pose: cara de passado sendo dilacerado, um cigarro na mão e um conhaque na outra; pra não deixar de ser doce.

1 Kommentar:

paul hat gesagt…

so wie du vielleicht weisst übersetze ich dein schreiben immer aber ich verstehe es nie nicht das ich dof bin oder das du blöd bist diesen google scheisse functioniert einfach nicht

liebe dich