Samstag, August 22, 2009

O verdadeiro fantoche

Texto em homenagem à Edu Levy, grande escritor a quem devo metade ( ou mais) do meu acervo cultural.


Diante de grandes reportagens acerca do vício em internet me veio à tona a verdade pura e simples: ela é apenas uma ferramenta a qual usamos a bel-prazer. Ao contrário de toda a paranóia em que há a confirmação de que ficamos bitolados e até mesmo de que somos controlados pelos meios de comunicação, o fato é totalmente reverso. O vício está completamente presente, no entanto, ele começa com uma simples necessidade de auto-afirmação online, meios em que colocamos fotos nossas que não são nossas, compartilhamos gostos que nem ao menos conhecemos e mantemos vínculos superficiais com pessoas as quais falamos menos que Grüβ Gott!.
Quanto ao caso das fotos, isso já está em níveis de cara de pau. Meninas à beira da obesidade se tornam musas malhadas, quase um corpo esculpido na época da Roma antiga. Quando vemos a versão real, alguma coisa cai em nós - e os homens sabem exatamente do que estou falando, com o perdão da piada-. Com os gostos pessoais então a situação é gritante, se metade das pessoas escutassem Sigur Rós ou Pavement como vejo pelos perfis orkutianos, eu garanto, essas bandas já teriam se apresentado no Citibank Hall ( com o NX Zero fazendo a abertura, digno!).
Sabe-se que isso tudo vai muito além da auto-projeção perfeita de meros mortais flagelados pelo bullying ou pela falta de uma dieta decente. Já vi pessoas fantásticas terem a sua moral e dignidade enlameadas por pura fofoca e má interpretação, e pior, por pessoas que desconhecem qualquer nível de qualidade adjetiva. Outra: já fui endeusada e também tive minha existência questionada; aliás, uns meses atrás fui dada como morta pelo orkut, até meus amigos reais creram em tal fato.
Entretanto, o melhor de tudo são os recalcados com os antigos relacionamentos. Esses rendem risos durante pelo menos o resto da semana ( experiência própria). Aliás, melhores amigos, cuidado!, agora com o orkut não cabem mais a vocês brincarem de disse-me-disse. Quer chamar a atenção do(a) ex? É so atualizar seu profile! E ainda pode escolher se vai xingar, reclamar, dizer quantas vezes o cretino broxou, ou ainda, você pode fingir que amadureceu com o fim do relacionamento e pagar de intelectual com alguma frase do Pessoa. Ou tirar fotos com um amigo gay e trocar o status para commited, "estamos muito felizes, ele me traz bombons todos os dias, danke schön!". Como se pudessem escolher uma Julieta, uma Beatriz; já dizia Cortázar. Defitivamente, nós somos os ventrílocos.

Kommentare:

seizetheday hat gesagt…

Sabe que foram essas coisas que me fizeram ter ódio de internet? Ódio mesmo, de olhar pro computador e falar: "que merda que eu vou fazer aí?". Mas, o que eu acho legal, é que no meio de tantos laços superficiais e maquiados de super-amizade, a gente realmente acha pessoas com quem a gente se identifica. Tipo você, pra mim, a Marília, a Mari e a Juliana. Mas, mesmo assim, por mais que gente goste dessas pessoas, eu, pelo menos, penso duas vezes antes de vir pro pc falar com elas ou pensar em algo melhor pra fazer. Tantos livros, né? Tanto mundo, tanto vento, tanto sol, e essa prisão aqui... Eu tô com uma vontade bem grande agora de te dar um abraço e dizer que eu gosto mesmo, mesmo!, de você.

Roberto Borati hat gesagt…

por isso que nada é tão real como a realidade estampada em minha face....



beijos.

beto.