Sonntag, Dezember 13, 2009

Ao meu bem

Você fica realmente muito bonito rodando, é uma das poucas coisas de que lembro daquela praça cinzenta que ficou mais cinzenta porque era noite. E você já me disse, redisse, remoeu até não aguentar mais que eu tenho que ir embora, "du musst gehen, Ana!", tudo isso. Eu sei que eu já deveria ter ido, eu forço passos como um paraplégico para que eu finalmente vá e não vou. De que adianta eu ir, não ligar mais, não amar mais se eu vou ficar aí para sempre, às vezes você é mais do que burro, você é burro-orgulhoso e eu sempre te digo e mo digo. E nem há muito o que fazer por nós, estamos sempre chorando, longe ou perto. Ou você realmente acha que eu não vi seu rosto vermelho inflamando de dor cada vez que olhava para o relógio e eu dizia "vou ter que ir, vou ter que ir."? Só Deus sabe o esforço que você fez para não chorar e pior: olhar nos meus olhos e não chorar. Acho que você se afundava no sofá-fofo-marrom e chorava o que podia enquanto eu acendia o meu Camel na janela. Também foi bonito você chorando-rindo quando eu me atirei pra você, você não faz idéia de como o seu sorriso rasgou o rosto e iluminou tudo e poderia não haver mais nada, nem mais cerveja, nem mais Camel e nem mais brigas dentro do táxi. Aliás, acho que você odeia táxis e nem é uma questão de pão-durisse, é porque nós ficamos mais filmes ainda dentro de um táxi. O meu problema com você é que eu xingo, grito e choro demais contigo; você também, mas você grita nas piores horas e às vezes nem é preciso que grite para mostrar a imensidão da sua grosseria, mas você é tão lindo e sorri tão imenso que eu até perdôo. Está vendo? Consegui achar bondade em mim, bem ou mal me tornei imensa igual a ti. Não, não há o que fazer por nós, mas você tem idéia de que estamos destruídos, não é? Que não tem mais volta e pode achar qualquer um ou uma em qualquer esquina: estamos destruídos. E você não vai sarar, droga!, não seja burro ao ponto de não saber que não vai sarar. Acho que você continua comendo aspartame, e todo mundo te ama assim: fenilcetonúrico abastado de aspartame. Acho que para as pessoas é muito mais jogo você ser retardado, mas eu te vejo imenso e sorrindo e chorando. E vejo o sofá-fofo-marrom e está com meu cheiro. Você tem que se mudar daí, tem que parar de ser imenso, aliás não preciso pedir para parar de ser imenso, eu sei que você só mostra a faceta imensa comigo. Com o resto você é todo e tão-só aspartame. Então, que que eu vou dizer ao Caio?

Kommentare:

Lyanna Carvalho hat gesagt…
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Lyanna Carvalho hat gesagt…

Hahaha, sorry, eu tenho que comentar: esse texto é meu!, rsrsrs.

Aim, e eu gosto demais demais do seu blog, nossa. Voce está escrevendo muito!

Beijo beijo,