Samstag, April 04, 2009

Do fundo do baú, o grande mestre fala:

"Mentiroso compulsivo é aquele que, desmascarado, não dá o braço a torcer: persiste na mentira, adorna-a de novos floreios, jura, esbraveja, argumenta, e tanto insiste que acaba deixando o interlocutor em dúvida. Porém mais perverso ainda, um sociopata em toda a linha, é aquele que, em tal situação, se faz de desentendido e continua falando no tom da maior normalidade e segurança, como se nada tivesse acontecido. Aí a mentira singular se transmuta em impostura permanente, estrutural, alterando de uma vez o quadro das relações humanas e quebrando, na alma do ouvinte, não a confiança nesta ou naquela verdade em particular que ele julgava conhecer, mas no próprio valor da verdade em geral. No primeiro caso, a mentira buscava imitar a verdade, parasitando o seu prestígio; agora ela se impõe por seus próprios méritos, como um valor em si, independente e superior à verdade. Perplexo e atordoado pelo fascínio da insanidade, o ouvinte se vê atraído para dentro de uma espécie de teatro mágico, onde o preço do ingresso é a abdicação não só do poder, mas do simples desejo de conhecer a verdade." ( Olavo de Carvalho; 'Da mentira à impostura').


Compreende-se de forma muito ampla a ação de criminosos. Assim como Raskólhnikov matou a velha sovina para se tornar um homem extraordinário, acreditando que estava fazendo um bem e ainda, ganhar um mérito próprio de dever cumprido. Muito diferente de crimes que não têm propósito ou funcionalidade dentro de uma lógica racional.
Sócrates mesmo elogiava a 'mentira nobre', como necessidade. A mentira e os crimes podem ser até analisados, quando há algo de consistente por trás destes. Agora, uma mentira, tão-somente mentira, para exaltar um ego recalcado, ou ainda, um ego que não há, é mais uma vergonha do que uma mentira. Como sei que a mediocridade não mede esforços, apenas digo: poupem-me dessa vergonha.

Montag, März 30, 2009

Pashernate love

"Meras tentativas nós. Mas doces." (C. F. Abreu)


Você só falava anencefalias. Você costumava morrer de rir de tudo o que eu dizia, ou seja, eu sentia que não era apenas uma intelectobostinha cheia de sarcasmos. Você brigava por tudo: pelo meu time ter ganho do seu, por ciúmes do Fabz e tudo o mais. Você sempre foi um bebê chorão, quase um menino-moça.
Você acendia cigarros da marca que eu fumava só para tentar aparecer para mim. Você odiava a gramática, porque sabia que nunca ia escrever como eu. Você me fez querer ter uma família: sete filhos e um carro do comercial da televisão ("A primeira tem que ser uma menina bem sapeca, Ana!"); e só Deus sabe porque eu achava aquilo tão bonito.
Você morria de vontade de berrar aos céus o quanto me amava, mas ficava receoso de que eu o achasse um pândego. Você reclinava a cabeça no ônibus e pensava numa forma de me abraçar logo, e disfarçava o choro, para que o passageiro ao lado não te achasse um maricas. Você fez com que o foco deste blog fosse de mim para você, parabéns!, conseguiu por um minuto quebrar meu egocentrismo. Você dizia que eu era a mulher da sua vida, um sonho e pior: ainda o diz. Você não acreditou nem por um momento que eu fosse capaz de qualquer ato sórdido, mas quis crer, talvez assim conseguisse me esquecer. Anyway, você ainda é um fenilcetonúrico após a ingestão de muito aspartame.

Samstag, März 28, 2009

How to disappear completely

That there, that's not me...


Tinha dormido com a sensação de corpo estranho. Mas estranho era aquele céu cinza-alvejado-brilhante, sem dúvidas. E mais estranho ainda era encarar aquele céu tão feio e que quase me cegava, sendo que não havia vento, ou melhor, até o vento era abafado.
Anteontem acordei saturada. Não que seja uma grande novidade eu estar completamente insatisfeita com tudo, mas incomodava. Da saturação originou-se a tristeza, da tristeza um certo desgosto, do desgosto uma raiva que não veio de mim. Foi inserida por outrens, e mal inserida. O que eu ainda não sabia é que a raiva provocava risos. Ou ainda, que ela fosse tão forte ao ponto de estragar minhas veias. Entretanto, metaforicamente, a substância branca que passeava entre minhas veias transportou o que eu tinha esquecido naquelas horas para meus queridos: dor.
Hoje acordei e basta, tão-só. O céu continua cinza-alvejado-brilhante e a saturação foi substituída pela vergonha de ter percebido que sou tão amada e tão querida por amigos que não tenho o direito de desintegrar, pelo menos não tão visivelmente. Eu sinto muito e como diria Kírilov : "Está tudo bem."

Dienstag, März 24, 2009

Minha alma gêmea come churrasco

Igor: Venha para Porto Alegre, Ana. Assim tenho com quem conversar nos intervalos.
Ana: Fumamos um cigarro...
Igor: Talvez. Conversar sobre literatura, filosofia e política. Sem esquerdismos baratos. Com pedantismos em língua e muito olhar de desprezo.
Ana: Tão-somente. rs

Donnerstag, März 19, 2009

Commercial for levi

Eu sempre impliquei com você. Por usar all star, você era um poser. Por ter um pentagrama você era um falso-wicca. Por usar luvas e meias trançadas você era gay. Mas eu achava divertido te pintar com meu lápis de olho, te emprestar minha cinta-liga preta, a qual eu nunca deixei você cortar e costurar. Porque era a minha favorita, e eu não queria gastar mais dinheiro com o que não fosse bebida.
Eu sempre impliquei com você, e quando percebi que você ria e aplaudia, ao invés de me recriminar por eu berrar, chorar e fumar todos os seus cigarros, bem... percebi que não era tão ruim assim ter uma companhia e deixar o egocentrismo de lado. Percebi que encostar meu rosto - por estar chorando - na sua blusa tão branca e cheirosa de perfume e, manchá-la com meu batom sempre vermelho era confortável, era bonito. Hoje você está fazendo um dos tantos anos de vida que passamos juntos, nos paraísos de concreto, nos bares em que urinávamos sem respirar, por serem tão imundos. Eu nunca mais implicarei com você.



"Drunk on immorality
Valium and cherry wine
Coke and ecstasy
You're gonna blow your mind..."

Placebo.

Freitag, März 13, 2009

Sexta-feira

Hoje é aniversário de minha mãe e acordei pesada. E nem foi pesada de cansaço, ou de tentativa, ou de malogro. Apenas sono que se assemelhou muito ao que virá ser o sopor aeternus. A louça estava toda para lavar e o que parecia preguiça se tornou um serviço rápido, não vejo passar o tempo.
Hoje é aniversário de minha mãe, minhas pernas parecem braços e meus braços parecem palitos de fósforo com nervos que permitem o movimento de levar o cigarro até a boca. No ponto de ônibus vi uma criança-menina que comprava balas acompanhada da mãe. A moça de meia idade sorria bondosamente para a filha, esperando-a escolher os doces. Achei bonito e doído. E o monóxido de carbono dos ônibus somados a esta cena fez meu rosto afoguear.
Subi as escadas do prédio e no próprio corredor acendi meu cigarro. Tragava e olhava para o verde imenso do campus, poucos estudantes no bloco de Letras, vazio. Nunca gostei de verdades, ainda menos de mentiras. Não gosto de mentiras porque sinto o cheiro delas de tão longe... E isso faz meu estômago revirar e queimar. Então caço verdades, mas quando as digo pareço falar em aramaico ou ainda, uma grande piada.
Hoje é aniversário de mamãe e acordei pesada. Dei-lhe um abraço e um beijo. Guardei meu maço de cigarros na caixinha vermelha de sempre, está pela metade. Devorei um salgadinho de camarão e fui ver o espetáculo dos relâmpagos e trovoadas. Não limpei meus olhos, nunca limpo e eles ficam delineados para um todo sempre. Mamãe chamou, limpei o rosto, porém ele estava vermelho. " Ah, filha...De novo?" - um muxoxo.

A voz canta:

Who's gonna save my soul now....
Who's gonna save my soouul noow?!

Mittwoch, März 11, 2009

Who's gonna save my soul?

http://www.youtube.com/watch?v=mhxK2IOywVE


Did I never stop to wonder
Was it possible you were hurting worse than me?
Still my hunger turns to greed
Cause what about what i need?
And oooh...!
Who's gonna save my soul now?
Who's gonna save my soul now?
Oh, I know I'm out of control now
Tired enough to lay my own soul down...

Freitag, März 06, 2009

Sai breguisse!

Um imbecil perto de outro imbecil é capaz de graduar sua imbecilidade.

Que o amor era cego eu já sabia, mas vê-lo tão hipócrita foi uma surpresa. E não foi uma surpresa desagradável, foi uma daquelas surpresas as quais esfregamos os olhos, perguntamo-nos "é isso mesmo?!", e caímos de rir. Eu com 19 anos - quase uma anciã-, quero (quero?!) um relacionamento com seus altos e baixos. Com brigas, dias apaixonados, beijos ao pôr-do-dol, porres e, por que não?, barracos ( incluindo garrafas quebradas e queixas na polícia, ah Lei Maria da Penha!).
Entretanto, os altos e baixos de um relacionamento são medidos pelo orkut. Amar é ter um álbum cheio de corações, fotos com legendas baratas de pagode, ou ainda, " I love you so much, my baby!". Quando se muda o status "namorando" para "solteiro", você ganha 15 minutos de fama, pois todos perguntam: " mas como assim vocês terminaram?". No fundo, creiam em mim, essas pessoas estão gargalhando de você. Só riem mais quando o status muda para "casado". Aí sim o circo, que é o orkut, fica completo. Quer dizer, ambos se traem, não se amam nem de longe, nem ao menos vêem qualidades um no outro. Mas têm um belo álbum e macacos de auditório ( amigos) que dão uma forcinha para a coisa não desandar (?).
Palavras são apenas fonemas. É, eu tenho que parar com essa mania de ver metáforas em tudo. Alguns tentam dar significados a mais às coisas. Não que realmente tenham, é que se a outra pessoa achar que tem, bem ou mal vai estar presa a isso, lamentavelmente vencida pela esquizofrenia e longe da exatidão. Enfim, que armem o circo para o palhaço morrer queimado de vez. E biltres, mil vezes biltres, os fabricantes de cerveja preta que põem tão pouco álcool nela.

Dienstag, März 03, 2009

No surprises


Mesmo com o pesar de afundar-se obrigatoriamente - a outra opção seria o tédio -, mesmo com a visão embaçada pela opaca película da mentira, mesmo torcendo os pulmões para aguentar o evanescer e toda essa nicotina barata, mesmo sabendo que emergir só piora pelas ações voltarem-se mais à demência do que à sensatez. Ainda assim, é doce.

Samstag, Februar 21, 2009

Eu finjo tanto que vou além do fingimento

Só agora consigo compreender de um todo o que o Arthur quis me dizer com " você tem que admitir que está triste". Não era para eu me olhar no espelho, encarar mais uma vez o rosto macilento e já gasto por tanta maquiagem e dizer: " Estou triste, ok?"; ou ainda, não convencida de tal estado, berrar com imperatividade: " Você está triste sim, olhe bem!".
Era só para eu não levantar minha sobrancelha direita, era para eu não fazer o olhar de calma-desdém, era para eu não ter prendido as lágrimas de forma tão brusca que vazaram para dentro dos olhos e se perderam nas glândulas, secaram. Acontece que nunca secam. E se não é lágrima agora, será um sangramento profundo após a certeza de que continuamos vivendo sem o que nos mantinha vivos. Então, somos fantasmas do que um dia quisemos ser, do que um dia sonhamos. Talvez nem fantasmas, porque esses pelo menos vagam pelo infinito, enquanto nossos sonhos têm que ser esmagados por nós mesmos, para que possamos continuar, para que possamos ser a Ana, para que possamos escutar do melhor amigo: " você tem que admitir que está triste."
Chego agora do bar, nem ao menos tirei os brincos, as mãos anda estão cheirando a Lucky Strike. Aqui, de frente para todos, meus olhos pesam em desgraça, minha maquiagem borra. Meus braços já caíram há muito em cima do teclado, cansados do esforço de tentar não sei o quê. Canto: Estou doente de coração e é assim que as coisas são.

Samstag, Februar 14, 2009

O ritual do eterno

Há um ano atrás:

Ventos balançavam os cabelos do casal. Eles dançavam ao ritmo dessa ventania marítima como se fosse um ritual. Croissants e cafés entre beijos. Cigarros. "Isso um dia ainda vai te matar"; dizia ele. Ela ria e desdobrava a fumaça de seus pulmões na face do amado, uma provocação amorosa que logo levava-os para a cama.



Parece que nunca mais ventou. Ela se recostava no banco do ônibus sem bem saber porquê tinha pego o ônibus. Não estava preocupada, pois nunca há preocupações depois do fim. Olhou para o lado e viu um bebê. Quis chorar, mas riu para a criança, e esse misto de lágrimas e riso a fez parecer ainda mais bonita. Dizem por aí que não há nada como a beleza de um mártir.
Pintou as unhas, depilou as pernas, deu o último trago no cigarro e entrou num banho morno. Vestiu-se, maquilou-se com cuidado e fechou a porta rumo à igreja. Aquela cidade era muito pequena, não havia vento, ou, parecia que o vento tinha se enraivecido da cidade e resolvera nunca mais voltar. Ela tentava equilibrar as sandálias naqueles milhões de paralelepípedos. Mas já estava feito. Talvez fosse culpa dos paralelepípedos, talvez.
Era arroz para todo o lado, os noivos saíam de braços dados da igreja. A noiva com um sorriso rasgando-lhe a face e criando dois pés-de-galinha, o noivo com um sorriso que mais parecia uma interrogação. Se o padre tivesse esperado... Se ela pudesse responder a pergunta: " Fale agora ou cale-se para sempre!". Não pôde ao menos escolher, calou-se, portanto.
Escondeu-se atrás do poste e observou o movimento. Pra quê dissimular a amargura? Ela estava estampada em seu rosto, e o desgosto quase fez seu corpo desfalecer. E se todos vissem esse estado, poriam as mãos no rosto e desesperados perguntariam como um rosto tão malogrado, tão choroso, suplicante e envolvido por pura dor, poderia ser tão lindo, tão iluminado. Uma obra de arte que uma das maldades que a vida traz pintou. Caiu de joelhos, o paralelepípedo lhe ralou.
No dia seguinte, de tardezinha, arrastou-se da cama do hotel. O mesmo vestido, a mesma maquiagem, olhos esfumaçados pelo lápis de olho. Saiu pela rua. Ele estava no barzinho da esquina, a noiva ficara em casa arrumando as panelas. Parou na direção dele. Quando ele olhou, não acreditou. O mesmo vestido indiano bordado, com decote até o umbigo. Os cabelos estavam mais longos, o rosto ainda respirava uma inocência que não existia. Sorriu derrotada. Um amigo chegou, postou-se diante dele tirando-lhe a atenção por alguns segundos. E, de repente, ela não estava mais lá, e em nenhuma parte da rua.
Ele esfregou as mãos na face sentado. Uma fumaça de cigarro invadiu seu rosto, era seu amigo sem querer. Teve vontade de chorar. Como milagre, ventou forte e ainda por cima com cheiro de maresia. Ele olhou para o nada com os cabelos bagunçados. Ela, há muitos metros, teve o vestido sacudido pelo vento. Cigarro, vento, amor: ritual do eterno.

Samstag, Februar 07, 2009

There's the light that never goes out



São 17:21 e eu estou terminando de pintar as unhas de vermelho. Não sei que orgulho é esse de boêmia que não me permite ficar sentada no sofá de casa vendo tv, ou ainda, esparramada na cama de mamãe folheando algum texto. Acho que é porque o dia está quente como há muito não era. Mentira. Mesmo que as ruas estivessem encharcadas, mesmo que houvesse uma grande enchente, eu estaria me descabelando para beber e fumar algo.
Provavelmente, vou me atirar como louca na pista de dança e depois passar o resto da noite sentada - na cadeira mais distante, fato - terminando meus últimos cigarros, e deixando apenas um para fumar de manhã antes de voltar para casa. Já passou da hora de me arrumar, ainda estou nas unhas vermelhas e meu delineador acabou - gastei metade do delineador escrevendo uma carta-. E uma carta que nem mandei. Pra ficar bonito. Porque nosso final é feliz-triste-com-uma-cereja-em-cima.
Agora são 20:02, estou terminando de puxar a meia preta até a cinta-liga. Pronto, abaixei o vestido e calcei as sapatilhas. Não vou passar batom, os olhos estão pretos demais. Vou comprar dois maços de cigarros e ainda vai faltar cigarros para mim. Que o meu pulmão padeça, então.






Mittwoch, Februar 04, 2009

Soma

Título referente à droga de "Admirável Mundo Novo" , Huxley.

Estou cansada de encontros e desencontros. Ir e vir e dar passos de dança enquanto se vem e se vai dói. Estou cansada de toda essa beleza triste, dessas de filmes e livros que as menininhas românticas por aí tanto almejam, é menos doce e mais amargo do que parece. Estou cansada de finais bonitos, porque percebi há tempos que não há final bonito sem ser final triste, pois é assim que não há final, só significados que perduram apunhalando durante toda a vida.
E eu nem pedi grande coisa da vida não. Acho que um útero fértil e um coração saudável é direito de todos que fazem respiração celular, acho. Mas vejo por aí e ninguém quer isso, só eu. A maioria quer o que eu tenho recebido da vida. Não vale a pena. Dir-se-ia que uma vida de sucesso é uma vida junkie, uma vida de noites, de conquistas, de paixões, de vômitos. Eu trocaria tudo isso para ver meu ventre inchar, para descansar a cabeça em algum ombro que não seja o meu, ou ainda, que não seja um dos ombros desconhecidos que tanto conheço por aí.
Estou cansada de contos de fada. Eles na verdade nada tem da leveza e suavidade que tanto nos encantam quando somos crianças. As princesas morrem envenenadas, os príncipes nem se lembram das princesas, a bruxa e madrasta são apenas metáforas do que é nosso destino e o "feliz pra sempre" é um aprendizado, quase um fardo. De ter que transformar sempre as quedas em passos de valsa.

Sonntag, Februar 01, 2009

Eu não preciso parar de beber, eu preciso de verdades

Então o que insistia em incomodar não eram suas lembranças, mas as lembranças alheias. Como era possível sentir tanto por um córtex cerebral que nem era seu? Não é mais questão de não ter vivido, do "ciclo das coisas não acontecidas", como diria Baricco. Não é mais questão nenhuma. Talvez por isso incomode, talvez. Porque se não é nada, não tem como curar, amenizar.
A cidade está aqui, os bares não saíram do lugar e nem o meu fígado ( apesar dos anos tentando destroçá-lo). É tão vazio que ultrapassa os limites do vazio. É espaço grande, é denso mas não preenche. Que diferença faz se estou no álcool ou no crack, meu bem? Eu mo falo: nem isso irá ocupar algum espaço, preencher.
Com que direito você acha que pode falar que me ama? Tirou a Ana sóbria de mim e ficou com a doce. E ainda fica andando acompanhado pensando em quando poderá me falar coisas de amor. Injustiça. Contigo, com quem te acompanha. A dor é de uma grosseria tremenda, não aceitou nem um chá quando lhe ofereci. Mas como eu estava falando... Ciclo das coisas não acontecidas, não é mesmo? Que guarda o significado de tudo aquilo que é! - berra Baricco aqui da janela.

Freitag, Januar 30, 2009

" Hoje acordei lúcido" ; Pessoa

O filtro amarelo do Camel continuava entre meus dedos. Cílios úmidos, apertados. Sentada com "perninha-de-índio", mas acho que os índios não têm pernas tão finas. Tentei levantar, entretanto, antes mesmo que os dois pés firmassem no chão eu caí com as pernas cruzadas e lá fiquei. Morria de medo de me olhar no espelho, porque o tempo estava nublado e a luz fria desse tempo me deixa mais branca, quase azulada, igual a uma imagem, uma figura decorativa. E é tudo o que tenho sido nos últimos anos, daqui do pedestal.
A Ludy disse que não merece nenhuma das desgraças que lhe acontecem. Eu concordo. Mas nem posso arquejar e falar que também não mereço, porque mereço e muito. E a cada palavra, cada ação, estremeço ao imaginar o revés que me aguarda. Na verdade, mesmo que eu nada fizesse ou falasse resultaria em malogro. É o preço a se pagar por ter virado as costas à natureza, essa dívida eu nunca pude pagar e por isso sempre ajoelho diante do crucifixo pedindo uma audiência. Deus com toda sua doçura me traz paz, paciência. Ele até mostra com sutileza os caminhos que virão. De quê adianta? Como disse Neruda: "Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos."
O Rê sempre fala entre risos que nossa vida nunca foi fácil. Não foi, mas era cômico, sem as complicações que a vida traz. Os problemas aumentam, ou melhor, os problemas deixam de ser problemas para se tornarem incertezas. Se perdem de nós, então, nunca conseguimos resolvê-los. Com o tempo misturam-se ao nosso sangue, saem, coagulam impedindo que respiremos, dando a sensação de que algo está errado, mas não pode ser visto, tocado ou eliminado. Repito uma quase-paráfrase de um post anterior: hoje acordei lúcida, não como se estivesse para morrer, mas como se nunca houvesse existido.

Mittwoch, Januar 28, 2009

Cadê Hitler quando eu preciso dele?

É brincadeirinha, tá?


Não bastasse a frente fria ter voltado à Niterói, eu ter sido chutada pela Banca da UFRJ, ter ficado sem falar com minha melhor amiga por uma semana inteira pela TPM, ter dado o maior bafón de todos os tempos na madrugada em que dormi na casa de uma outra amiga, ter ligado pro quase-ex-que-nunca-vai-ser-nem-ex-e-nem-atual e não só ter ouvido como repetido todas as juras pela zilhonésima vez, agora o governo está pensando em aprovar uma lei para cotas de afro-descendentes em cargos públicos e privados. Ah, Lula... Ah!

Montag, Januar 26, 2009

Último romance

O problema é que o " eu te amo" sempre explode antes mesmo de ser pronunciado. E sai assim, como se fosse uma imposição, um engasgo, um segredo vergonhoso, uma necessidade. De que me adianta não te escutar, fechar a porta na sua face? Sempre abro novamente a porta, saio correndo, pulo em seu colo e os olhos lacrimejam, e sou obrigada a escutar repetidas vezes o "eu te amo" dito com tanta força que me atravessa e faz eu enxergar novamente o mundo, me tirando de meu egocentrismo.
E sei que a culpa nem é sua. Migalhas que o destino nos oferece e que não temos como recusar. Não tem como - e eu nunca permitiria que você o fizesse- jogar tudo para o alto e correr para os braços de quem você sempre quis, da "mulher da sua vida" - não é assim que você costuma me chamar?-. O problema é que eu não saí dessa categoria, o que traz mais dúvida, mais sofrimento pra ti. Confesso que não sofro mais, já estou acostumada com os agravos que a vida traz sempre para tomar algum sentimento e fazer a situação escapar totalmente do nosso controle.
Ainda estou me recuperando daquela madrugada. Passei tanto dos limites que a cara de pau sumiu e até estou sentindo um pouco de vergonha. Talvez o álcool faça com que nós abracemos nossos sonhos novamente, mesmo que eles estejam voando com o vento em forma de pó. Mesmo que eles abram buracos na alma e acabem na mesma coisa : " eu te amo".


Do nosso amor a gente é que sabe, pequeno.

Sonntag, Januar 25, 2009

Os risos garantidos da semana

No MSN:

" Não vai dar pra esse idiota, né?!" - Mari.

Na rave:

" Droga! Show do Tristania de novo?!" - Renan, quando os metaleiros chegaram.


" Up the irons!" - Eu, quando avistei um "tr00".


Na minha casa:

" Estão com esse preconceito todo só porque eles são muçulmanos?! Ah, porque eles não mudam de religião?!" - Mamãe.

Dienstag, Januar 20, 2009

Outro pecado

Andar, andar, escovar os cabelos, parar na cama de mamãe abraçando os joelhos sem vontade de acender a luz. Ver os prédios iluminados - através da janela- se transformarem em uma mistura de cores enquanto as próprias pestanas tentam tragar as lágrimas.
Tentar fazer um cego enxergar foi o limite da minha arrogância para com os céus. Ou inocência-boa-vontade minha. Ou ainda, tentativa malograda de usurpar Jesus. Porque o único que fez um cego enxergar acabou na cruz, não? E eu nunca, nunca poderia fornecer perdão ou abraços. Jamais conseguiria receber o beijo de Judas já sabendo previamente o que ele tinha feito. Penso que jogaria a primeira pedra em Maria Madalena, espalmaria minhas mãos ao ar para proferir maldições aos romanos.
É muita arrogância, é muito peso. Que venha um tempo de doçura.

Freitag, Januar 16, 2009

"Só Deus sabe quanto amei você.’’ (Márquez - tirado do profile da Ly)

Só por um momento - por favor-, não entendam a frase como o que ela quis dizer. E se entendessemos não como uma declaração, mas como se só Deus soubesse o quanto vocês amam e apenas só ele soubesse, só. Realmente, só Deus sabe porque nem eu sei. Talvez alguns de vocês cheguem a esse ponto um dia: saber-se amado, procurar sentimentos dentro de si e não achar. Como se estivessem se escondendo. Meus sentimentos têm medo de mim ou meus sentimentos se retiraram por compaixão?
E se Deus deixar de saber? Às vezes acho que há um complô entre os anjos, como se todos eles cochichassem entre si quando me vêem. " Olha lá, é aquela..." ; " Não fale alto, Gabriel!"; " Ela não tem sensibilidade para nos escutar mais, Miguel!".
Não faz mais sentido. Lembro quando meu fígado não doía e tudo fazia grande sentido pra mim - e com grandes significados-. Era aquilo: sorrisos de longe, mas não doídos como o são hoje. Meu Deus, será que eu me tornei tão egocêntrica assim?



Senhor, pare por favor. Eu já aprendi, eu juro que já aprendi. Mas chega. Os vestidos estão largos, os braços cada dia mais finos. Jatos de sangue saem pela garganta, fígado dói. haverá alguma chance ainda?


Alguém aí?

Montag, Januar 12, 2009

"Agora ainda vives pra mim porque te sei." ( V. Ferreira)

Que adianta o amor ter chegado? Ou ainda : que adianta o amor ter ido embora? Que adianta o amor permanecer? E continuar? E criar outro? E criar frutos? Tenho tentado inserir em mim mesma alguma explicação - que beira à fé de que há algo pela frente- sobre como ter motivos sim para fazer os próprios pés caminharem acompanhando uma estrada em que não há chegada, fim, saída, descanso e nem ao menos banheiro.
Ontem mal acordei e já fui surpreendida por um jato de sangue que saía de minha garganta. Câncer do cigarro? Talvez. Pneumonia-tuberculose devido às noites de boemia? Facto. Castigo de Deus? Bem, eu sou campeã em pegar castigos que nem são para mim, só de intrometida mesmo, então, não o é. Chorar-se-iam meus amigos se soubessem destas possibilidades. Chorar-me-ia se por acaso eu conseguisse achar algum carinho por mim mesma. Se eu conseguisse recuperar minhas emoções, ou, minha vontade.

Dienstag, Januar 06, 2009

Ella canta...


... com intensidade não comprada em refis de supermercado. Penso sobre como ainda prefiro ser uma alcólatra em estado terminal que engole verdades -ao invés de atirá-las-, do que ter a profundidade de um vaso sanitário. Não passe mais em minha porta, seu passaporte ao mundo dos "com-cérebro" já expirou. Ou ainda, minha vacina anti-mediocridade já perdeu o efeito, sinto-me enjoada e contagiada.

Donnerstag, Januar 01, 2009

Do 31 ao 1

Foi incrível como o sol tentava furar o céu de nuvens para que ninguém desanimasse em comemorar. A garrafa de bebida até o fim da viagem, outra garrafa de bebida e outra e outra. E guimbas de cigarros que se perdiam no calçadão e na areia. Meus pés, meu corpo se mexiam ao som da música agitada, todos loucos. Uns de forma natural, outros sinteticamente.
A contagem regressiva que não foi contada, percebi que era outro ano apenas pelos fogos que explodiam por toda a parte, e pelo abraço coletivo dos amigos-fofura. Delineador borrado - que foi escondido pelos enormes óculos- , rosto de sono e a madrugada estava virando dia. O céu estava tão cinzento que achei que o mundo fosse cair em chuva. Mas não. Os tênues raios logo apareceram e o céu ficou assim: cinzento com raios de sol forçosos pelo chão... Agora ele está tentando ficar azul no esforço de fazer o primeiro dia ficar bonito. Deus é de uma doçura sem tamanho.

Sonntag, Dezember 28, 2008

Some hearts are true

O mundo caía em chuva quando você percebeu que a culpa não era sua. A voz tinha virado algo que parecia um barulho de algum filhote assustado dentro de uma caixa de papelão, eu não entendia nada. Mas tentava entender e desvendar já que não eram barulhos de filhote e sim algum dialeto de malogros. Quando então o dialeto virou choro e só choro, e a voz logo reapareceu fina, suplicante de alguma coisa que certamente não seria resolvida.
Então, eu respirei para tentar fazer tudo ficar bem. O gás carbônico saiu e não trouxe nenhuma palavra de conforto com ele. Só restava desligar o meio de comunicação desejando melhoras, como se fosse doença. Um dos personagens de Mann dizia isso, "vai até as trevas e volta em forma de doença." E não curou. E todos estavam chorando por você, por ver uma pele tão jovem se desmanchar em rugas de preocupação, e ainda, por ver que não havia de ser feito nada.
Não, não era justo e eu sei que não era, meu amor. Não contigo. Sua alma não era daquelas feitas em moldes para aturar as desgraças e as maldades que o mundo traz. Eu me pergunto até agora por que não eu? - todo mundo também se perguntou isso-. Eu que permanecia de pé, eu que fui chamada de monstro sagrado a vida toda, eu que sempre dizia para o destino: " Te pego lá fora!". Mas foi você. Você que estava quase sempre sozinha e não estava acostumada à solidão. A vida tinha desses maldades: mandar ficar em pé quem não tinha muitas chances de ficar. E eu ficaria não é, amor? Eu quebraria minhas próprias pernas só pelo prazer de empinar o nariz e exclamar:"Olha aqui!".
Pra quê e por que toda essa lição se estava claro que você não estaria disposta a aprender? Tão sensível, sua alma era a de uma criança que saía abraçando todos, porque todos eram bons e não iam lhe causar mal algum. Até que ela se perdeu. Talvez estivesse nas ruas procurando o colo de algo que parecesse materno, talvez. Está aí o motivo pelo qual meu nariz amanheceu inflamado novamente: a dor de meus braços que se esticavam para tentar aliviar você do mundo, e a garganta que doía ainda mais por tentar transformar minha voz quase inexistente em algo berrante, só para você me escutar.

Freitag, Dezember 26, 2008

Feliz Natal

- E que blusa era aquela? PelamordeDeus...
- Ana, eu te entendo.
- Aposto que devia estar combinando com umas sandálias ridículas de borracha.
- Eu te entendo...

[ Ela põe uma das mãos em meu ombro]

- Pior que idiotia pura, só falta de gosto no guarda-roupa...
- Chega! Entendeu? Chega! Eu te entendo, eu juro que entendo!

[ Olhar baixo. Ela me puxou para uma abraço forçado. Meu nariz estava vermelho e eu tentava me desvencilhar do abraço]

- Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu entendo...Eu entendo...

Freitag, Dezember 19, 2008

As mentiras da geopolítica

Nos três anos em que cursei o Ensino Médio, sempre ouvi os mesmos discursos nas aulas de Geografia - em todas as aulas, principalmente em Geopolítica-, sobre quão o sistema capitalista é injusto e gera desigualdades por si só.
Não contentes com seus discursos inflamados, cheios de retóricas tiradas das orelhas da Carta Capital, eles ainda se propunham a citar Smith. Mas qual o problema em citar Smith? Ora pois, problema algum, quando não se utilizam de sofismas para isso, claro.
Era um tal de "Maximização das capacidades individuais que dizia que um vendedor de bananada teria que ser o melhor vendedor de bananada", que a coisa ficou mais ridícula do que eu previa. Smith via a "maximização das capacidades individuais" como a forma mais simples de gerar riqueza e prosperidade não só para o trabalhador, como também para a sociedade. Isso até hoje é uma medida certa e eficaz e não sou eu quem está dizendo. É só assistir ao Globo Repórter ou observar os judeus.
Ok, mas " as relações burguesia X proletariado são injustas, desumanas, insalubres!" Smith que foi um dos maiores pensadores capitalista diz:

"Não é porém difícil ver qual das duas partes tem, em ocasiões normais, vantagem nessa disputa e pode forçar a outra a aceitar um contrato nos termos que mais lhe interessam. Os patrões, sendo em número mais reduzido, podem facilmente chegar a um entendimento entre si a fim de manterem um dado nível de salários; aliás, são os próprios regulamentos que os autorizam, ou melhor, que não proíbem as suas combinações, enquanto que já proíbem as dos trabalhadores. Nunca assistimos a atos do parlamento contra as decisões de baixar os preços do trabalho; mas já soubemos de muitos contra as decisões de os aumentar. Em todas essas disputas os patrões podem aguentar-se muito mais tempo. Um proprietário, um agricultor, um industrial ou um comerciante, mesmo que não empreguem nenhum operário, podem normalmente viver um ano ou dois gastando os capitais já anteriormente adquiridos. Mas poucos trabalhadores poderiam resistir uma semana, menos ainda um mês, e quase nenhum um ano inteiro sem renovar pelo trabalho os meios de sua subsistência. A longo prazo, o trabalhador pode ser tão necessário ao seu patrão como este o é para aquele; mas tal necessidade não se verifica de imediato." ( "A riqueza das nações", p.63).

Fica aí claro que não se trata de injustiça, mas de fatos. O que pode tornar o sistema capitalista injusto não são as práticas capitalistas, mas o caráter de quem as pratica. Qualquer dúvida leiam o Riqueza das Nações e fechem o Manifesto, porque afetação comunista já está mais do que "last week".

Dienstag, Dezember 16, 2008

Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me

Eu tinha então 17 anos. Meus cabelos caíam na testa e eu ainda era um menino. E os meus olhos costumavam brilhar com a chuva ou quando eu jogava bola com os amigos. Até que a conheci. Com seus tantos anos a mais de vida, com a sua experiência, com o seu organismo danificado pelas drogas. Achava-a doce, tão doce que eu costumava viajar para onde ela estava nas minhas noites de insônia.
Eu queria ser ela, ou simplesmente poder sentí-la, vê-la. Nem que fosse só para saber que não era alguma miragem, alguma ilusão. Quando eu sumia, sonhava com ela todas as noites. Quando ela me ligava só me restava não só abrir meu coração, mas dilacerá-lo em juras de amor eternas, em planos de um futuro bom. Pensei em largar tudo só para poder viver ao seu lado.
Mas eu menti. Nunca a amei. Apenas o meu egoísmo de menino pouco conhecedor dos causos do destino me guiava até a destruição dela. Ela era tudo para mim, mas não porque eu a amasse, não. Eu queria vê-la completamente destruída. Eu a via se desintegrar, mas eu queria ter esse prazer, eu queria arrancar daqueles grandes olhos lágrimas que jamais se dissipassem. Queria provar que ela tinha um coração, não para amar, mas para aguentar todas as dores que eu poderia lhe proporcionar... Entretanto, também haveria de humilhá-la! Só por todas as vezes que ela com a sua paciência e serenidade me explicava as coisas ou me dava broncas por ser um afetadinho.
Parti o seu pedestal me entregando à outra paixão. Fui aproveitando cada silêncio dela nas conversas, silêncios que eu tinha certeza que eram de choro. Mas eu simplesmente não poderia vê-la chorando, não? Eu tinha que ter a certeza de meu mal. Como não havia jeito de saber, me contentei em metralhá-la com todos os absurdos infantis do mundo. Então, ela sumiu. Na verdade ela havia ido embora... E agora? O meu trabalho não havia acabado. Insisti em machucá-la, acho que consegui. Talvez ela esteja com um suéter lilás agora, talvez o céu cinza-brilhante de chuva esteja iluminando seus olhos marejados e talvez sua boca esteja contraída até agora de dor, talvez.


Acordei e meus cabelos não batiam na testa, eram longos. Eu não tinha nada de menino e já tinha dezenove anos fazia 1 mês. E eu não havia me machucado, não havia dor alguma. Ludmilla me avisava por mensagem : " Foi só um sonho ruim...Foi apenas um sonho ruim, ma belle..."


Player: Keane - A Bad Dream

Freitag, Dezember 12, 2008

E é assim que as coisas são

A Ludmilla e eu tivemos uma discussão homérica ontem. Ela falava, aliás berrava, sobre como o mínimo de reembolso que Deus poderia dar a ela é ser canonizada. Se a conversa tivesse sido concebida pessoalmente, provavelmente eu espalmaria minhas mãos ao ar, declamaria todos os malogros de minha vida e por fim amanheceria envenenada, só para testar a ordem divina, ou ainda, para tentar copiar Mynheer Peeperkorn.
De engraçado ficou amargo. Ela falava sobre como tudo - não só nesse momento- está sendo difícil, e teve o básico ataque de pedantismo-depressivo de dizer que só ela sofre, que sua dor era a maior e que achava o cúmulo da patotinha esses jovens "humanóides" considerarem as suas poucas misérias alguma dor. A essa altura já estávamos chutando uma a costela da outra.
Talvez por isso hoje eu tenha acordado arrasada. Não que meus olhos estivessem marejados, não. Porque eles estavam secos. O rosto não tinha expressão. O coração parecia ter se volatilizado. E o corpo, bem, o corpo não se movia e eu não tinha forças para brigar com a inércia e movê-lo. Me contentei em ficar na cama, olhando a janela cinza. Ameaçava chover.
Então, lembrei de quando eu era um pouco mais nova. Uma vez corri de meus amigos, já muito ébria, e parei estática numa pracinha que fica de frente para a Baía de Guanabara. Era noite e estava relativamente frio. Eu explodi, meu nariz inflamou de coriza e meus olhos começaram a ficar manchados de delineador. Estava doendo. O meu rosto se desfigurava na maquiagem enquanto as ondas da Baía batiam perto.
E não era uma dor do tipo dor. Porque se fosse apenas dor, um bom psicólogo e muitas caixas de Rivotril resolveriam. A principal questão é o referencial. O meu referencial é tão amplo que engloba a dor de cada pedacinho de ser humano que passa por mim. O idoso sem dentes procurando atendimento no hospital, o olhar triste que vi em um mendigo ( ele devorava algo que parecia um doce de padaria com tanto desgosto...), os amores de minha vida que não me querem e também não me deixam seguir e claro, o Grande Ego que controla tudo com seus tentáculos. Eu não alimento meu ego, ele me alimenta.
O referencial não pára de crescer. Talvez eu imite Édipo Rei e fure meus olhos na esperança de uma cegueira completa, quase alienação, ao contrário do que queria o personagem. Talvez eu continue acordando arrasada, sem saber exatamente o porquê. Alguma coisa, alguma lenbrança...Eu não sei o que é. Está aqui, mas foi absorvida pelo Grande Ego de tal forma que eu realmente não me lembro quem ou o quê fez isso. Grande Ego, se era um sonho...devolva.

Montag, Dezember 08, 2008

A Ludy me odiava, fato

... Sinceridades que me fariam matá-la de forma silenciosa...

Ana : Eu não sou idiota! Eu não sou idiota!
Ludy: Nem eu, mas sempre acabamos sendo...
Ana: Você. Eu não. Eu sou aluna de Olavo de Carvalho e Levy, jamais serei idiota. ( ataque de pedantismo).
Ludy: E se aparecesse?
Ana: Eu poria um enorme saco de papel na cabeça, relembrando os tempos de misantropia.
Ludy: Escrito " tô aqui, pega".
Ana: Vai...

(...)

Ludy: Sabe, eu te odiei um dia.
Ana: Como foi isso?
Ludy: Em um dia que ele demorava a me responder, e voltava rindo dizendo que estava falando contigo. Eu sabia que você era a menina que gostava dele.
Ana: Sério? O Grande Ego agradece, vou dormir feliz agora.
Ludy: Peste diabólica... Arruinou uma noite de minha vida!
Ana: Que glória!

(Ludy começou a escutar "What goes around...Comes around" do Justin Timberlake)

Ana: Era brincadeira. Não precisa escutar essa música e planejar minha morte. Até porque você teria que entrar na fila e herdaria milhões publicando meus textos...
Ludy: Anazinha :)

Samstag, Dezember 06, 2008

Inércia

Quando chego a vomitar de fome, o alimento vai até a boca mas não desce. Escapa a tão famosa ânsia da boca de um cardíaco. Os shorts estão largos, os seios sumindo e o egocentrismo voltando. Na verdade, não sei decidir o que é meu egocentrismo : se a minha arrogância de achar que tudo é direcionado à mim, ou, achar que não há nada para ser superado.

Freitag, November 28, 2008

" Show me, show me, show me how you do that trick..?"

Definitivamente o acontecimento mais fúnebre do ano - e talvez de toda a minha vida - : meus amigos saíram para comemorar o aniversário sem mim. Mamãe, como sempre, procurou descamar todas as suas dores para cima da pessoa aqui. Olho o céu que já está quase todo limpo, a semana toda ele pareceu carregado. Limpou pelo propósito da natureza me mostrar o quanto pode me bater, me machucar e voltar a machucar sempre...
Meus queridos amigos. Comemorando mais um ano meu de vida com a minha ausência. Deve ser difícil para eles, como minha morte. Talvez seja apenas um treinamento prévio para minha total desintegração, porque eu sempre pensei que fosse ficar perdendo pedacinho por pedacinho e esses pedacinhos eram infinitos. Mas não são. E pensar na possibilidade de catar um a um deles aumenta o rumo do malogro...
Na mesa do bar: " Um brinde à Ana!" E uma lágrima de saudade ébria nos olhos de cada um. Do outro lado da cidade, meus olhos inchados. E o show do Nando Reis sendo ouvido em meu estado totalmente sóbrio : dores.

Sonntag, November 23, 2008

Sobre o meu aniversário

Os braços estavam pesados de sono. Os braços, não os olhos. Uma voz antiga e baixinha sussurrou em meu ouvido, combinada a uma respiração que lembrava alguma região de clima temperado: "Aufwachen meine Tochter." Então, abri meus olhos. Pude ver a luz fria de fora que invadia o quarto e me deparei com ele. A expressão dura, os cabelos já tão brancos e os olhos pequeninos que mesmo antigos brilhavam.
Depois de vestir o suéter fomos ao parque da cidade. Não chovia, os bancos estavam secos e passamos a manhã toda aspirando algo. Ele o seu cachimbo de anos, eu um cigarro de canela. Arthur me repassou toda a sua filosofia, mas de forma tão viva, tão convincente que os livros que já tinha lido pareceram meros livros de receita de algo que não se pode realizar. Ele também me falou sobre a dor de caminhar tantos anos, sobre como acusar certas verdades - e não digo verdades políticas- não era tão compensante assim : "Schmerzen akkumulieren ..." Eu o interrompi: " Meu alemão está atrasado." Ele com um muxoxo e com o sotaque arrastado prosseguiu: " Uma pessoa sofrida é o mesmo que uma pessoa gorda. Não consegue parar de acumular dor/gordura, é duro. Ambos acabam com sua saúde, mas da mesma forma que há dietas, há também alívios."
O dia todo observando àquela grama mal espalhada e cheia de folhas. Ao final da tarde, ele deitou sua xícara de chá enquanto me observava. Meu Deus, o que eu tentava comer? Um muffin? Tentei abraçar a vontade de me alimentar e devorar aquele muffin, mas quando a boca estava cheia me subiu algo. Enjôo e algo subindo...E subia, subia... Levei minha mão à boca. Arthur disse: "Die Übelkeit que se escapa da boca de um hipocondríaco que dos Anjos tanto falava, não?" Mas não era. Algo veio á tona sim, mas não vinha do esôfago. O sistema respiratório se anulou e eu estava vermelha. Ele me olhou surpreso. Talvez decepcionado. A verdade é que não era digno alguém da sua extirpe ainda ter certas reações. Mas os olhos estavam secos e tudo foi apenas mera encenação de um choro que poderia ter acontecido sim, mas dir-se-ia que não era de minha natureza, não mesmo.
Com um bolo em mãos cheio de velas suas últimas palavras foram: " Nada de desejos. Desejos beiram à vontade e eu critiquei isso minha vida inteira. Apenas assopre, como que para longe, meine Tochter." Também me entregou um embrulho e nele havia espinhos, mas em formato de coroa, deu uma piscadela: "Enquanto o palhaço do Nietzsche chorava mágoas para Cristo eu peguei "emprestado" essa coisinha, haha." E eu assoprei e acordei com o despertador que tocava. Foi sonho e o gosto amargo da saliva matinal já me enjoava. Mas quando olhei para o criado mudo havia uma garrafa de whisky. Sobressaltei-me. Na porta quase encostando ele me olhava, sorria de longe e seu sorriso parecia familiar. Os cabelos brancos viraram-se e a porta fechou. Um dia começava.

Samstag, November 22, 2008

A esquizofrenia de meus amigos

Primeiro, Schopenhauer encarnado na Ludy:

"Quando te conheci nosso nível evoluiu.... Teve mutação no DNA... E cada vez mais e mais nos tornaremos um mito.Somos irredutíveis, o mundo nos amará e curvará sobre nós Anazinha."


Depois, quase sem afetação, o Matt:

" Eu não sei se você consegue ou apenas finge que consegue. Um pedaço de bife acebolado no lugar do coração, é isso! Você é capaz de levar o maior tombo, levantar cheia de escoriações e com um sorriso ( aquele seu sorriso de longe) dizer que não foi nada. Eu queria lamentar por você, a verdade é que todos queriam. Mas você montada nesse sorriso e arrogância, chuta Sísifo da montanha, se suicida no lugar do Kirilov que você tanto fala... E o pior: desde que te conheço você disputa como criança mimada a coroa de espinhos com Cristo."

Mittwoch, November 19, 2008

A pior das metáforas

Visualizem em seu córtex cerebral uma criança por algum canto. A mãe a deixa para fazer alguma coisa como ver a panela, pegar alguma fralda, etcétera. Então, como ser inocente ela avista um grande bolo de fezes de cachorro no quintal. Ela pega nas fezes, passa em suas bochechas rosadas, lambe com sua pequenina língua e feliz olha para as paredes, toda defecada, toda feliz.
A criança acaba fedendo até o céu de tanta "brincadeira fecal". A mãe volta, horrorizada, acolhe a criança, lava-a e passa talcos e colônias até ela parar de feder. E até pára, mas a questão é : por que mexer em algo que saiu de dentro de alguém foi tão horrorizante?




Aluísio Azevedo deve estar batendo palmas do túmulo, eu sei.

Freitag, Oktober 31, 2008

"Come away, Oh human child..."

É, daquele filme. E ressuscitem em suas memórias o menininho debaixo de um balde de ácido berrando: " Não me queimem! Não me queimem! Eu sou um menino..."
Mas não cabia a ele escolher o seu fardo, aliás, o problema era não ter fardo. Talvez eu me pregue debaixo de um balde de ácido também e berre, talvez. Mas berrar seria admitir e admitir não está nos planos, nunca está. Ou ainda, talvez minha fada azul seja fada verde ( alusão ao absinto, caso alguém desconheça a expressão).

..."For the world’s more full of weeping than you can understand."

Sonntag, Oktober 19, 2008

Absurdo

Eu apertava o cigarro entre os lábios meio secos enquanto olhava o cinzento-azul do céu. O filtro amarelo estalava sutilmente na boca a cada massiva tragada, e eu pensando sobre como até a chuva tinha preguiça de chover. Algumas gotas caíam, a maioria delas parecia querer ficar escondidas nas nuvens carregadas. Agora não temos nem mais a certeza de quando abrir o guarda-chuva.
Precisam-se de pessoas-paracetamol ( alívio imediato! - como diria a Ly), e não pessoas-antibiótico. O paracetamol demora tão pouco tempo para anestesiar e tanto tempo para deixar a dor voltar... Os antibióticos destroem o estômago, demoram a agir e podem não fazer efeito dependendo do grau da doença. Sem levar em conta de que se mantermo-nos com paracetamol o corpo pode reagir por si próprio e os males ficarem para trás.
Então, olhem no espelho e digam: " Eu te amo." O efeito da frase saindo de si ou de outrem não muda muito. O que dá significado à frase não é a ênfase com que é dita, e sim as ações que derivam desta. E para cada ação derivará uma reação de mesma direção e sentido contrário que será o significado da replicação: " Também te amo." Física pura e analogia biológica. O que de fato não muda muito o rumo que tudo toma.

Montag, Oktober 13, 2008

O domingo mais domingo de minha vida

Acordei bocejando com os olhos ainda embaçados pelo sono, mas quando a luz matinal entrou pelo quarto dei um pulo. Andar, andar pela casa até ir ao quarto de mamãe e ir ver se o resfriado tinha passado. Não passou.
Aconcheguei-me ao colchão, fiquei olhando e forçando um sorriso. Mamãe olhou-me dura e soltou um : " Agora só restam mais duas chances." Nariz vermelho, olhos escorrendo e o recorde de em menos de cinco minutos depois de acordada começar a chorar e a doer.

Montag, September 15, 2008

Maybe i don't really want to know...

Trocando as pernas na volta para casa -depois de desviar de todos os olhares que diziam: " céus, uma criança bêbada!"-, e correndo para o telefone. " Você não faz o mínimo esforço, blábláblá..." Que injusto. Muito injusto. A vergonha deve ser mesmo totalmente solúvel em álcool.
Nariz vermelho e fungante, olhos imersos naquela solução aquosa-meio-salgada, manchas de delineador preto por todos os lados.

Substituindo a frase final pela máxima de um ex: " Ana, você ama é um caralho!"

Freitag, September 05, 2008

Nostalgia

Ontem eu lembrei qual era a cor e textura do seu cabelo. Lembrei do tipo de olhar que me lançava quando estava envergonhando mas comovido. Da suas mãos que ultrapassavam as minhas e mesmo grandes eram graciosas e tinham medo de me machucar. Também da sua saliva com gosto de tabaco e da sua preferência por vodka. Do sorriso que raramente surgia mas iluminava e me deixava tranqüila, sobre como eu não tinha dito/feito alguma bobagem. Lembro dos trajes sempre pretos, do ódio ao verão muito quente. E todas as conversas que sempre terminavam e começavam em risos estratosféricos.
Agora, só resta a mim transformar tudo em peças de quebra-cabeça de minha vida. Quebra-cabeça que eu não sei ao certo se causou um curativo enorme em alguma parte e, ainda se causou, o por quê disso. E montá-lo. Porque não dá para viver sem passado. E cada toque de reencontro talvez seja seguido de algum berro de dor, cheio de afetação. Pelo fato de não ser mais tudo novo, ser apenas continuação. Detestamos continuar, acho que é porque dá muita preguiça de tudo. A preguiça de persistir ainda é maior que o medo de qualquer coisa nova.
Porém, não dá para simplesmente passar o resto de vida deitada tendo fé de que " recordar é viver", sendo que a verdade é que " viver é recordar" - e algumas partes criar algo novo que mais tarde será revivido, claro-. Estamos sempre chorando no colo do passado implorando por mais. " Mais" o quê? Se vai chegar finalmente o dia em que não há de se querer mais. E vai sobrar o menos, menos de si mesmo diante de qualquer tentativa. Outrem cheio de expectativas por experiências vai querer mais, mais e mais. O que há de se fazer quando só se tem menos diante de quem quer mais? Nada. O que é pior... pois, em seu próprio malogro e subterfúgio de todas as coisas possíveis o outrem vai se encantar diante de tanta miséria. Serão: um menos e outro menos, menos.

Sonntag, August 31, 2008

Nem deve valer

Febre, febre, febre. Tanta coisa para ler que meus olhos estão caindo de vermelhos. E esticar as mãos para tentar arrancar o último pedaço da tentativa de vida. Nem habitantes meus sonhos tem mais. Sonhos : leve desconforto no estômago para ler ou falar sobre.
Olhar não para trás, mas para o meio do caminho. Bem ao centro. E saber que agora sim é tempo de cair de joelhos e agradecer, e chorar, e chorar nas bases de um crucifixo sobre como você tem sido bom comigo, meu Deus. E não saber agradecer com ações, mas sim com mais um malogro sobre como há algum ego em mim que é mais do que eu mesma.
Vão sobrar não as tentativas, mas o olhar por cima do ombro de nojinho e a fala toda, toda pedante: " I don't give a damn." Ou ainda, a dúvida que não vai se calar diante do grande mal-feito : " Era assim mesmo?"

Dienstag, August 26, 2008

" Não posso trazer o passado de volta? É claro que posso!" Jay Gatsby

Um pouco após fazer esta afirmação, Gatsby foi assassinado. Espelhando-me nisso, não vou tentar arrancar o passado de trás e pô-lo em minhas mãos futuras, como quem guarda cartas na manga para ganhar o pôquer.
Nem mesmo posso pegar experiências passadas para tentar aprimorar os novos atos. Isso só dá certo quando se trata de um sabor de sorvete, ou restaurante ou algo que não seja abstrato. Em todas as tentativas, tento prender com os braços e dizer como fazer tudo, como as coisas em si funcionam. Mas não é assim que funciona e eu me perderia no infinito de lições de dizer como se portar diante de mim.
O pior é poder adivinhar exatamente o futuro - até nos pequenos gestos e palavras que serão feitos-ditos-, e saber que poderia ter sido diferente ( sempre sabemos, mas nunca conseguimos mudar certos rumos). Entretanto, vou fingir ser cega por dias... E por quê eu não o fiz enquanto você errava? Ah, ok. Aquela coisa de dignidade, ou ainda, orgulho.

Samstag, August 16, 2008

Algo sobre paralelismo

Fazendo um paralelo perfeito comparando o post " 1 ano" com aquela frase que ficou ressoando na cabeça dos leitores do blog: " Hoje eu vi alguém que era como você costumava ser." Com o fato de que o "alguém" agora sou eu.
E não é que é exatamente como eu costumava ser? Toda a boa vontade, a dúvida sobre como se portar, a ingenuidade perante o relacionamento. Somando-se a afetação mais graciosa do mundo, claro.

Freitag, August 08, 2008

Cause evebody has a poison heart...

A vida, os dias vão passando junto com o desgosto de solidão obrigatória. O fato de estar tudo ensolarado até revigora algo, mas não o suficiente para maquiar as rugas de tédio e vícios. Você está gastando suas últimas horas de lazer em um meio de comunicação que alcança milhares de seres humanos e, de repente, em sua frente aparece algo novo. Algo não, alguém.
Você está cansada de relacionamentos rápidos e objetivos, ele quer algo sério. Aliás, muito além do sério: ele quer casar. Porque acredita que você é a mulher da vida dele. Você quer procriar, passar seus genes adiante e, olhe só: ele quer filhos, ele também quer filhos! Você quer não a esperança, mas a certeza de que tudo vai dar certo, pois vida é isso: fazer dar certo; e ele fraqueja diante desse fato, da distância. O que faz que seu espírito esperançoso fique ativo novamente, o que possibilita que você possa não somente proferir verdades otimistas, mas também acreditar nelas e reunir suas últimas forças contra a inércia.
E, de repente também, você lembra que foram lições demais diante da caminhada. Que talvez você não possa se doar tanto quanto ele mereça. Que mesmo que todos os sonhos com toda a certeza dos céus possam ser realidades, não faz tanta diferença assim que sejam.
Não posso esquecer, não posso esquecer...

Montag, Juli 21, 2008

" Será que vai explodir?!"

Foi o que eu disse em pensamento enquanto fumava meu último cigarro naquela calçada suja. Com uma das mãos no peito, olhos vidrados no desespero de olhar tudo como se fosse cenário de algo que não é real. Doía muito.

Freitag, Juli 18, 2008

Eu fingi na hora de rir

O que fazer com o sorriso que entrepôs todas as lágrimas? E de tudo fica a sensação de ter sido lida como um livro, interpretada e editada para um novo ser.
Respondendo a minha própria pergunta, talvez sirva para usar na hora do purgatório, no item " como não procriei". Porque é óbvio ululante que dessa vez meu ego não teve nada a ver com o despedaçar de nada. E ainda escapa do estômago uma verdadeira ânsia, que veio do desgosto absurdo de como o tempo transforma tudo ao nosso favor na época em que não são mais nossas. Época em que toda vontade inexiste. Mas, voltando a parte do "purgatório": eu tentei, meu Deus, como estou tentando!

Dienstag, Juli 01, 2008

Como o Dimmy já dizia:

" Vou ter que voltar a cheirar clorofórmio!"


E a minha vida se precipitou diante de mim. Virou-se e deu um sorriso de quem já foi tarde. Arrastando-me, tentei alcançá-la, mas ela continuava sem mim, como se em todo meu esforço-fracasso ela necessitasse encontrar outra que fizesse sentido ao seu nome: Vida.
Quando olhei para trás, todos punham a mão na cabeça e diziam: " Meu Deus, era a sua vida, menina....Era a sua vida!". Todos eles esperavam que eu fizesse algo a respeito, mas havia mais abnegação do que vontade em mim.




Fica o poema que foi recomendação da Lyanna:

"Não tem nome de amor. Nem se parece a mim. Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso. Dançarino e novo, ter nome de ninguém. E preferir ausência e desconforto .Para guardar no eterno o coração do outro. "

Hilda Hilst

Dienstag, Juni 17, 2008

" Se eu morresse amanhã..."

E ficam todos os lamentos possíveis e impossíveis diante de tanta falta de consideração comigo mesma. Confesso que desta vez fui longe demais na trilha de malefícios do monóxido de carbono e confesso também que estou implorando ao Senhor por alguma esperança ou chance de vida e ainda assim uma qualidade nela.

Mas se não...

" Foi poeta, sonhou e amou em vida!"

Donnerstag, Juni 05, 2008

" A má influência dos signos do zodíaco...."

As lágrimas fazem cócegas nas pálpebras e eu simplesmente não sei o que fazer. E isso é perfeito, já que eu não vou juntar meia dúzia de insultos para sair atirando na cara do primeiro que aparecer. Agora meu ego se conforma com um "está bem, está bem", ou ainda, alguma frase sem sentido mas cheia de ironias.
A cabeça dói a cada manifestação do grande ego. Eu não aguento mais - juro que não...- meu grande ego que mais se parece com um polvo cheio de tentáculos a agarrar tudo que vê pela frente. Eu queria estar tão calma quanto aparento, e queria que os dois olhos tristes fossem prenúncio ou reflexo de algo semelhante a "tristeza pacífica". Agradecimentos à boca por não se manifestar diante de tanta inércia e preguiça e ao estômago, por aguentar tanta miséria.

Sonntag, Juni 01, 2008

Algumas explicações ao Paulo Victor...

...A arrogância-pedantismo foram tantas para com ele que talvez um post não cure...



1º - O "te amo, mas não muito" foi só uma tentativa malograda do meu ego se estabilizar. Vai ver que eu te amo tanto que estou brigando com o meu 'eu' para não amar sei lá pelo quê.

2º - É claro que eu sei que você me ama muito, "mas do que a mim mesmo", como você sempre diz, e eu também não necessito de milhões de "eu te amo" para poder entender ou subentender isso. E nem qualquer declaração do mesmo tipo direcionado de ou a outra pessoa me faz duvidar deste fato. Acontece que às vezes me dão uns ataques de ser humano e eu chego a acreditar que estou morta de ciúmes, entretanto, para quê ciúmes se está tudo subentendido?

3º- Eu acredito em você, mesmo.


Desculpas:

- Por ser tão egocêntrica e não dar sempre a atenção que você merece.
- Por te ligar bêbada e pela madrugada.
- Por ser tão pedante ao ponto de fazer você querer me impressionar sempre.
- Por não reconhecer sempre - eu tento...- seus esforços para me impressionar e sempre desdenhar disso.



Eu também amo você...Tanto ou mais do que você me ama, bobo.

Mittwoch, Mai 28, 2008

Tanta gentileza...

E se foi. Assim como já estava mais do que subentendido que iria... Eu sabia desde o começo, mas simplesmente não dá para jogar a toalha. Cheguei a conclusão que nessa vida não conseguimos nem ao menos desistir, pois é ciclo e não depende de nós.
Sim, eu via todas as vezes o seu rosto desgastado implorando para entender-me - só Deus sabe como eu tentava explicar...- mas na minha frieza era apenas desgate das leituras ou do trabalho. É, você também sempre soube que eu era mais matéria do que sentimento. Sabia, mas queria tentar. E foi tão, mas tão lindo seus esforços tão preciosos a cada momento comigo. Eu pude sentir cada vez que sua voz abaixava humilhada diante de tanto pedantismo, e eu tentava consertar passando as mãos em seus cabelos, entretanto, meu toque não podia pegar minhas palavras no ar e jogá-las de volta às cordas vocais.
Talvez um dia eu me perdoe por tanto sofrimento causado, ou, talvez eu já tenha pago com minha voz sempre embargada pelo choro, o nariz sempre entupido e vermelho e ainda o olhar que retrata todo malogro humano que se possa suportar.
Entende? No fim das contas você está salvo. Pode andar por aí que a sua ferida vai fechar em semanas... Não precisa fazer como eu e fingir que "estou bem, estou bem". É a proporção das coisas, o azar de andar de mãos dadas comigo e a sorte de se libertar de uma vez por todas de tanto desperdício.

Montag, Mai 12, 2008

Mais um círculo não fechado

A indignação emudece qualquer voz que surgiria a partir de minhas cordas vocais. E é melhor assim, do que armar a maior discórdia do mundo por algo que já devia ter sido entendido e enterrado. Talvez eu finalmente entenda que pouco importa o que acontecer daqui para frente, já que o mundo é redondo, círcunlóquio e conseqüentemente volta tudo... Claro que depois de invernos e primaveras, situações atrás não voltam do mesmo jeito que deixamos, entretanto, é bom se acalmar com esse infortúnio.
A cerveja continua descendo amarga, já que na falta dos sentimentos não dá para criar uma metáfora de " como estou engolindo minha própria desgraça". E depois de tanto, tanto penar eu continuo completamente com o olhar mais brando, confuso e inocente do mundo diante de tantas ações e palavras que parecem decentes mas acabam falhando....Como um experimento furado que obviamente nunca dará certo ou ainda assim algum resultado.
Tenho acordado com a sensação de que não há mais nada a se fazer por mim mesma. Rezo para que Deus tenha alguma solução ou ainda aponte para mim e fale " agora sim! agora sim!"; mas talvez não haja planos...Talvez eu seja mesmo um enorme e denso desperdício de tempo. O rosto branco-pálido e o corpo exageradamente magro não me deixa mentir. Tomara que seja apenas resquício de drama adolescente, ou, uma última dor diante da dimensão do que há por vir. Não estou pronta, não desta vez.

Donnerstag, Mai 01, 2008

Único parágrafo

É como se o corpo ganhasse vida, porém, apenas para vagar na estrada. Quando o corpo movimenta-se desse jeito a vontade há muito já não é mais atuante e sim, a natureza dizendo que "vai caminhar sim e ponto final". Deseja-se escrever no escuro, mas os olhos mal enxergam na luz com as lágrimas acumulando. Talvez eu tente aprender braile no desperdício de tempo ou, por puro sarcasmo ou ainda para jogar-me a cara o quanto não se pode medir nada e que sempre que vamos tentar caminhar com as mãos no intuito fracassado de pegar os próprios restos que foram se decompondo pelo caminho. Um parágrafo. Foi o mais longo que escrevi. Talvez seja a única coisa que eu possa ter certeza até o final desse ano. Vocês realmente acharam que a esquizofrenia havia ido embora?!

Maio, maio! Chorar nenhuma lágrima, enquanto o vento tenta espalhar células para alguma salvação.

Montag, April 28, 2008

Então,

mostrar-lhe-ei com quantas desilusões fazem-se cacos de coração.

Sonntag, April 13, 2008

O sábado ensolarado triste

Era um sol escaldante. Termina de fazer a curva com o delineador dos olhos e sai. Pelas ruas, pessoas voltando dos shoppings. Talvez cinema. Talvez, a compra de um novo eletrodoméstico. Tanto faz.
E chega-se ao bar de sempre, cumprimenta-se o dono - freguesa assídua, de chegar ,sentar e o garçom já saber até a marca da cerveja que deve descer - e senta. Uma, duas, 6 cervejas. Ainda é pouco, toma-se muito mais na esperança de se afoguear um pouco. Tira o milésimo Marlboro para fumar, mas o clima lá dentro é tão abafado que tem-se que ir para fora acender o cigarro e fumá-lo.
Falta alguma coisa, todos estão quietos. Aliás, eles são o único grupo jovem dentro do bar. O resto são apenas pessoas mais velhas vindo de suas casas tomar algo e assistir ao futebol, eles devem pensar : "Tão jovens, velhos fígados". E nas ruas, apenas proletários agradecendo por ser sábado. Fora isso, as ruas estavam completamente vazias e quentes.
Tomar banho e conversar com amigos de muito longe, tão longe...longe....longe... Talvez não fossem tão amigos e tão queridos se não estivessem tão longe. Talvez. E acordo no domingo, assim, beijando os ares e sorrindo à janela. O sol chega a ofuscar minha retina. A cidade toda iluminada pelos raios, tão quente. Ficou a promessa de se livrar do Marlboro e de todos os cigarros existentes. A reabilitação nunca dá certo.




Você fez uma ferida enorme... E eu ando com ela por aí. O peito esmigalhado, mil tecidos rasgados. Com o nariz ainda exorbitante, como se fosse sã. O vento bate na ferida e arde, mas cerra-se os dentes e a vida continua a prosseguir. Como se eu não soubesse que o que eu não admito, você sente, de todo coração. E o medo não é da minha reação, mas da tua. Medo de cair de joelhos e rezar por mais manchas do meu batom vermelho.

Dienstag, April 08, 2008

Delirius tremens

Trancou-se no banheiro. Mal fechou a porta e caiu estarrecida naquele azulejo liso. Como conseguiria se reerguer se azulejos são lisos e suas mãos além de não serem aderentes, estavam mortas e trêmulas?
Abraçava as costas com as mãos, mordia os lábios como se estes atos fossem fazer a ansiedade parar. Saiu e jogou-se na cama imensa e desarrumada. Cabelos desgrenhados, banho não tomado e mãos se torcendo. Esfregava seu rosto nos lençóis, mordia-se mas aquilo não passava. Foi quando teve a certeza de que se a bebida não lhe tinha deixado louca, provavelmente a sua falta a deixaria.

Freitag, April 04, 2008

A culpa é toda da Ludy!

- Anaaa! Acha aquela foto sua tomando sorvete?
- Por que?!
- Porque eu ADORO ela!

E lá fui procurar a tal foto, não achei, entretanto, me deparei com um post de muitos meses atrás. Li o post, li o comentário abaixo do post. Os olhos começaram a fica pesados, as graças do rosto a enrubescer... Os lábios se apertaram e logo todos os sintomas de algum sentimentalismo no maior estilo "contra-reforma" desapareceram. Mostrando o post a Ludy:
-Nossa, que lindo! é pra chorar mesmo.
- Eu juro que tentei...
- Ana engraçadinha, humpf.

Donnerstag, April 03, 2008

E a verdade bate na cara

Meu Deus, como fui usada. E usada com um largo sorriso de orelha a orelha e ainda, pedindo por mais, "por favor".

Dienstag, April 01, 2008

O que é um humano?

Babador de ovo estratosférico. Ou, blasè enlatado ou ainda blasè mistificado. A parte do mistificado é porque os outros acreditam que é mas não é, porque não quer ser, só.

Sonntag, März 23, 2008

E fica a certeza de que...

...se eu tivesse o dom de ser mais articulada e abraçar minhas vontades, como quem tem mais fome do que vontade de comer, talvez a sua fuga certa não tivesse sido tão certa e tão rápida. Nem o meu amor iria se desintegrar enquanto caminhava para longe do corpo.
Hoje, além dessa certeza, fica outra de que o que restou foram algumas garrafas como companhia e consolo. O pulmão que agora é cinzeiro e plantação. O rosto que correu para o envelhecimento muito antes do corpo, acompanhando o espírito. As mãos que antes ávidas, agora caem mortas no esforço de qualquer coisa, só reacordam para segurar a caneta, e claro, o corpo cada dia mais magro, e parece que não pára de emagrecer, em uma inanição psicológica.
E não há viajem que pague, ou, faça retornar. Pois, aquilo tudo era como uma garrafa irretornável de plástico, que se deixa beber todo conteúdo e falece em algum monte de detritos. Meu anjo, me perdoe. Se eu conseguisse enfrentar a inércia, você não estaria à procura de algo que nunca mais vai achar e se achar vai durar por tempo ínfimo, e nem eu seria dado como caso perdido pelos psiquiatras, como um ser ineadaptável.


"Teria no lugar do coração uma pedra, ou seus sentimentos estariam secos e murchos para sempre?"

[Trecho de " O Idiota"; Dostoiévski]

Freitag, März 21, 2008

Desarrumando as malas

Porque o carro quebrou no meio da estrada e logo, a viajem foi cancelada. Talvez, porque nada sumiu e eu, apesar de estar olhando fixamente para a porta do elevador, escutava a voz e o pensamento que me levaram a quilômetros de distância. Apertei os olhos, mas certas coisas vemos em lembranças e não em imagens.
Então, sem beira-mar, fui seguindo a direção do bar. É um caminho que eu nunca erro. Bebidas, cigarros e a dor na consciência de ainda não poder controlar os vícios.

Março, março! Chorar todas as lágrimas, enquanto o sol derrete corações.

Donnerstag, März 20, 2008

Arrumando as malas

Indo ao encontro do sol, ruas de paralelepípedo e beira-mar. Quem sabe assim, a minha lembrança suma de uma vez por todas. Hoje eu vi alguém que era como você costumava ser novamente, mas ao invés de observar, meu olhar ficou fixo e duro na porta do elevador. Quando ela se abriu, saí aliviada, como quem escapa de um assalto.
Tudo ficou para trás, isso já não dói tanto quanto antes, aliás, nem dói. Eu costumava abraçar amplamente e com todas as forças o passado, como se fosse o último refúgio, só porque o presente não estava muito bom e o futuro prometia más-novas. Agora, independente do que há por vir, não importa tanto... Quando se passa por tanta coisa assim, quando se é perseguida a vida inteira, quando não há mais o que perder não se sobra nem medo, só nada.
Desejo um feriado doce para todos.


Fevereiro, fevereiro! Será que já chorei todas as lágrimas?

Donnerstag, März 13, 2008

[ ]

E nada sai já que até o silêncio é calado. O peito que nunca explode de mágoa ou saudade, mas não deixa claro o que um ser é para o outro. A rotina que engole o corpo, porém dá orgulho. O corpo que de tão cansado, fica leve e emudece o peito. O cérebro que faz contas, treina memória mas esquece rostos e trejeitos.

Sonntag, März 02, 2008

E o ser humano é...

A Vontade que vira procura. A procura que vira afinidade. A afinidade que vira sentimento. O sentimento que vira boa-aventurança. A boa-aventurança que vira esperança. A esperança que vira ilusão. A ilusão que vira desespero. E o desespero vira vício. O vício vira choro. O choro seca e vem a indiferença, e esta varre o espírito.
A única vez que criei coragem e, assim, sorrindo ao digitar no teclado o "eu te amo", fiquei paralisada. Não era medo da resposta, apenas excitação, porque eu sabia que só ia dizer-lhe isso uma vez.
Agora o medo é constante. Eu não posso absolutamente pôr o coração pequenino em suas mãos. Pois, não há coração. Há ainda um resto de algo, como as cinzas que sobram de alguém cremado. Se eu pôr essas cinzas a tua frente, você iria assoprar? E as cinzas poderiam voar para tão longe que eu nem me lembraria de meus restos novamente. Não posso perder meus restos... Seria como renunciar a última chance e quem tem uma chance de sobreviver pula todas as chances de felicidade.
Sabe-se que precisa de maior coragem para atirar do que para servir de alvo. Então, sou por excelência uma covarde. Portanto, fica aqui a afirmação - que eu espero que salve alguma outra cinza - de que se exalte a vivência covarde para poupar rugas, dor, esquizofrenia e tão logo o holocausto maior: tédio.

Donnerstag, Februar 28, 2008

A linha que se cruzou

- Alô?
A voz soou tão presente que tive de olhar para os lados para saber se ele não estava atrás de mim e, ao mesmo tempo, a mesma voz soou passado, do tipo distante. Do que era e estava voltando a ser.
Depois de tanto malogro literalmente comprado e inalado, pareceu-me que tinha restado ainda algo daquele ser humano. A surpresa veio no estado inteiro em que se encontrava e meus ouvidos que naquele instante estavam substituindo meus olhos - os mesmo olhos que resplandeciam no escuro - formava a última das imagens.
Foi então que a massa cinzenta mandou uma mensagem: " Eu lembro..." Tentando formar uma frase, porém constrangida. Pois, eu me lembro dos ematomas, o corpo sem banho, os cabelos multicolores e desgrenhados e a roupa que parecia ter vindo de alguma caridade. Lembro e não gosto. Dá piedade e a piedade é um sentimento muito doce para se afundar no meu estômago ácido e irônico.
A conversa telefônica estava fora de sintonia. Parecia mais uma linha que se cruzou e tentava desfazer a trombada. Os olhos percorriam o exterior da janela brilhante de sol, procurando algo a ser comentado e as mãos se retorciam no conflito da decisão para a resposta. As cordas vocais vacilavam e a língua conseqüentemente enrolou-se.
- Não posso ver-lhe, minha garganta dói.
Se pudesse dizer que simplesmente a misantropia estourara a sua conta nos últimos meses...Mas o problema maior era o outro lado conseguir decifrar nas entrelinhas que não havia abraço ou melhora que pudesse estapear Newton e quebrar a inércia e ócio.
- É a garganta que dói?
Foi quando entendi que tudo no mundo era dor, tão dolorido que só havia remédio e cura para dor e não para a inadaptação.

Dienstag, Februar 26, 2008

Como eu quero?

Sentar no parque e balançar as perninhas finas e brancas do lado de não sei quem, ou, em uma praça de alimentação de Shopping, com muita batata frita e chicletes. O sacrifício? Apenas criar outra personalidade, que não seja Felluina, nem Ana e nem Carol.
Usar a si mesmo na espera de que algo mude se você mudar, construir castelos em ares rarefeitos... Almejar alguém que não tenha - também - o fígado e o pulmão estragados e mais ainda, que não tenha o estômago tão ácido. Deixar as maquiagens e as rendas que deixavam os garotos tão elétricos e optar por algo cristalino. E agora eu pergunto, com todas as forças, se isso diminuirá ou não a desgraça, se essa é a luz que eu tento abraçar no fundo do poço. E que a esperança seja de não ficar com os braços vazios novamente, ou apenas mais uma vez entre tantas que virão.

Samstag, Februar 23, 2008

Down in the ocean....

A sensação é de sufocamento. Puxa-se o ar e só vem monóxido de carbono, tento apertar o coração com as mãos pequeninas mas só piora quando eu vejo que está algo vazio preenchido por sujeira.
Meu corpo se esvaziou e está repleto de doenças e chagas. A língua que empurra a saliva pra dentro, e a saliva volta em forma de catarro e nem ao menos é um catarro verde desses de gripes...É catarro translúcido que vem de prenúncio de como se deixa chegar a aquele ponto.
E o mesmo sufocamento cala as palavras de desgraça, antes tão pronunciadas com altivez e vivacidade e que agora desaparecem como se desaparecer não fosse o esforço, mas sim o existir. Hoje eu acordei muito lúcida, não como se estivesse para morrer, mas como se nunca tivesse existido.

Freitag, Februar 15, 2008

Meus oito anos

Nenhuma saudade tenho
Dos tempos que não mais voltam
E piores hão de vir

A infância ou vida
Pêndulo miserável
A tilintar de lado a outro

E passam de hora
E escorrem os meses
Já sinto o bafo quente da indesejada
Porque o hálito frio...foi a vida.

Freitag, Januar 25, 2008

Estamos sempre fugindo de casa

...Sobre como eu diminuo até cair ou desaparecer...


Era mais um dia nublado, poderia ser sol ou meio-termo, já não importava muito. Abrir os olhos que resplandeceram a noite toda e bocejar com a boca mais amarga da face existente. Anteontem e ontem eu era só a garota mais deprimida do mundo, hoje sou apenas um holocausto. O holocausto de 1,58m, rosto pálido de fazer-se internar e grande sarcasmo, que não serviu de muita coisa até agora.
Encontra-se ainda amigos existentes na rua, na escola e na internet. Porém, de que adianta ter amigos quando não se pode apreciá-los?! Foi assim que eu aprendi a vê-los de longe, crescerem sem mim. Nunca fui de afundar, não precisava, afundaram-me por mim. Não é assim que se empurra com a barriga os anos a fio? A dona de casa a lavar louças, o empresário teclando no laptop até ter uma tendinite e ainda um operário a perder um membro e ainda conseguir no maior malabarismo alimentar seus 728 filhos.
Os dedos aflitos tentam ainda em vão substituir a boca amarga e a voz que vem de muito longe... Voz que não diz, voz de medo, na verdade, era para ser uma grande voz de perdão mas narcisismo serve para isso, para não nos deixar por baixo quando estamos realmente por baixo. Então, os dedos batem devagar as teclas na certeza de que se salvará ainda alguma parte pelo nada. Os olhos enormes olham ao redor, tão medrosos e suplicantes! Dedos não dizem o que a alma ordena, quando se perde a própria essência então a coisa toma proporções maiores. Não passo de muitos nervos, alguns os remédios, lamentações e a esquizofrenia destruíram.
Tudo em ordem. Na vida, eu nunca chuto o olho da pessoa ao qual eu rio sem vontade. Isso não faz diferença quando se é indiferente, entretanto, quando não se têm mais nada a perder...Bem, quando não se têm mais nada a perder é melhor dormir, o sono tenta enganar o choro, as lágrimas ficam em poças na fronha do travesseiro... E o nome...Qual era mesmo o meu nome?

Sonntag, Januar 20, 2008

E de tudo...

Não sobrou nada além da veia ferida pelos medicamentos, o estômago que virou um poço de acidez fazendo a pepsina se sentir inútil e uma certeza única, essencial, infelizmente essencial porque sustenta todo resto.
No hospital foi difícil. Dias deitada naquela cama eletrônica e ficava brincando com o controle remoto dela. O calor insuportável que nem o ar condicionado ponderava, o pescoço escorrendo, mas o rosto...O rosto era o mesmo, porém mudado. Estava tão branco e tão inocente como se tivesse 10 anos novamente. Eu estava envelhecendo dentro daquele quarto, menos meu rosto.
A camisola rosinha de gatinho talvez tenha ajudado ao fato das enfermeiras acharem que eu era da pediatria. Já nas últimas, quando o braço já estava inchado, mas inchado de não se aguentar mais, eu chorei. Chorei como há anos não fazia, porque normalmente meu choro se baseia em olhos marejados e em lágrimas retidas. Uma vez me disseram que quando eu choro o mundo pára para assistir, como uma peça de teatro. Dito e feito, a enfermeira ficou tão cheia de piedade que tirou o catéter do meu braço inchado.
Depois do calvário, a redenção. E a volta para casa, a cidade maravilhosa que na verdade é tão cinza quanto a nossa vizinha São Paulo, estava me esperando. Monóxido de carbono, estômago ardido, esquizofrenia, mentiras, olheiras, palidez e sofrimento. Eu sou um holocausto.

Montag, Januar 07, 2008

E os olhos resplandeceram imensos

Aquela tarde seria o total, ela sabia. Não passava em sua massa encefálica nem a provável idéia de desistir, era fato e conseqüência certos. Andara tanto pelas ruas, subidas e descidas atrás daquela coisinha que talvez nem espalhasse pelo seu sangue, mas todo esforço era válido.
O quarto negro, as persianas balançantes e o ventilador em seu rosto. O cinzeiro em mãos, a cada trago uma dormência. E como se o tempo não tivesse se movido, já atravessava a porta em direção à rua. O vento batia em seu rosto e olhos, mas ela não sentia seus olhos. Era como se fosse cega, mas enxergasse com algum mecanismo das fibras oculares. Os ombros tão dormentes e nada caídos.
Algum tipo de auto-confiança em restinhos verdes acenderam-se nela. Olhar calmo, confiante, mas não era altivo como outrora. Passeava assim até encontrar seu amigo de infância: short, all star e uma blusa caída nos ombros com as alças do sutiã à mostra.

- Olhe bem para mim. - disse ela.

Ele olhou-a, deu uma leve risada confiante e os dois saíram juntos, completamente verdes e calmos.

Dienstag, Januar 01, 2008

01/01/2008

Depois do encontro, da cerveja e logo depois do porre de tequila e Absolut, sobra a certeza de pelo menos um início de ano novo muito próspero. E do ano anterior sobra as amizades, as músicas e os porres. E se vai - ou já até foi - a inércia e a importância que certas coisas devidamente não têm e insistem em se fazer presentes. A presença que se funde na esperança de cada minuto por cada palavra. Palavras que não necessariamente o tempo leva, mas a própria vontade de ter como o dito que não foi dito, mas foi e só porque não é mais não quer dizer que se perca em tempo ou espaço.
Para os que não puderam estar com os amigos se divertindo ou simplesmente acharam que não havia nada a comemorar que saibam que deixar para trás não só os próprios erros mas também os erros alheios já é um grande passo. Felicidade e sucesso para todos aqueles que merecem meus cumprimentos.



"Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade"

Los Hermanos.

Sonntag, Dezember 30, 2007

Os lamentos fanfarrões

Não se contentam mais em apenas alisar franjas ou pintar os olhos para fingir as densas olheiras. Agora o novo cliché a nova "onda" da estação são os lamentos imperecíveis, daqueles que fazem os filmes água com açúcar cults parecem cheios de mensagens subliminares de até 4º grau.
Um indíviduo usa-se das medíocres aulas de descrição/narração que aprendeu muito mal na escola e descreve como se estivesse na própria cena que inventou, um lugar simples, com glamour decadente, achando-se o desgraçado do momento, o grande Gatsby! Quando na verdade mal sabem o que é um rabo de galo ( se quiserem saber, peçam em um balcão de bar), ou, nem mesmo sabem acender um cigarro. O que critico não é o indivíduo não fumar ou beber, mas quem não se utiliza de pelo menos um desses artifícios realmente sabe o que é estar nesses lugares de glamour decadente?! Obviamente não. E isso enxe o saco, até não poder mais e cria uma superávit de amolações emocionais falsos, imaginários-abstratos.
No fim, pessoas como eu e vários outros amigos que vivem ou viveram em desgraça, estiveram em bares imundos e nas situações descritas por esses losers, acabamos nos vendo descritos por seres que estão escrevendo sobre a desgraça alheia e recebendo todos os aplausos. Talvez daí significará a expressão "rir da desgraça alheia".

Donnerstag, Dezember 27, 2007

Assim, sem nada

- Mas quando a noite chegar e você chorar...
- Eu não choro.
- E quando você se sentir sozinha...
- Eu sou misantropa.
- E quando você se sentir...
- Não, não e não! Eu não sinto.

Montag, Dezember 17, 2007

Para a causa dos desalentos e dos marionetes

Não, vocês não fazem idéia do que é dor ou crueldade, meus baratos. Isso, porque crueldade e dor não estão em refis à disposição em todos os supermercados ou então em chapinhas a R$19,90 no puxadinho da cidade ou ainda em make up's mal-feitas.
Dor e crueldade são palavras que não se limitam a fins de relacionamento com sentimentos profanos, são sentimentos que se perdem à proporção do entediamento e inércia que causam ao ser dolorido. Mas você por acaso sabe o que é sentimento, choldra?! Sabe, e sabe porque é idiota. Idiota o suficiente para achar que o real não é real, que tudo é refutação abstrata, que tudo vai voltar para o devido lugar, que coração tem correntes quando na verdade sabemos que ele bombeia sangue muito de má vontade, pois depois pára e você precisa por uma ponte de safena.
Não adianta dar tudo o que tiver que dar ( e até o que você nunca terá para dar), certas coisas não dependem de destino ou esforço. E acaba assim, a garota aqui a qual você não consegue escrever igual e nem falar como ela (eu), acaba ficando com o que você tanto quer e não vai ter de volta. Porque é isso o que acontece com os genéricos e com os (as) quebrados(as).
E malditos, mil vezes malditos, os blogueiros medíocres que tentam disfarçar com frases de efeito tiradas do google o que não pensam, mas sentem ( os idiotas!).

Dienstag, Dezember 04, 2007

O novo mendigo na rua

O sol escondido atrás das nuvens cheias e cinzas tentava luzir em meus olhos. Na calçada do condomínio me deparo com a criatura. Já idoso, sentado na calçada e com uns olhos tão meigos e piedosos que não saiu mais da minha cabeça.
Eu acho que o novo mendigo da rua conquistou meu coração. Isso mesmo. Arrebatou-me violentamente. Simplesmente não consigo evitar de chorar toda vez que passo por ele. Aqueles olhos...Meu Deus! Aqueles olhos!
Na semana, já não estava mais na calçada. Logo no dia que eu decidi prontamente ir comprar-lhe um lanche na lancheria da rua, ele já não estava lá. No lugar da calçada que era seu, um brioche e um copo de café largados. Entretanto, não foram largados de má vontade, apenas deixados lá como se ele agradecesse e fosse voltar. Só espero que ele tenha voltado para casa, ou, encontrado algo melhor para se hospedar. E que a desgraça caia sobre outras cabeças, e que rolem, e que essa coisa de destino-maktub-estava-escrito-por-Alah vá para as favas. Porque quem merece o que merece não são idosos de olhos meigos...Aqueles olhos!

Samstag, November 24, 2007

"Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes"

Não interessa se não mudar, ou, se não voltar ao pretérito mais-que-perfeito. Eu não me importo e não digo isso como uma despeitada ou como uma raposa de La Fontaine que esnoba uvas verdes.
Passou, passou e foi só ver algumas fotos-lembranças para ver que nada faz falta mais do que meu egocentrismo. Tenho mantido meus olhos muito fechados de dia para não ter que me ver ou cuidar-me. Abro-os à noite, e eles resplandecem e causam pena, quase repugnância.
E doa a quem doer, Belo Horizonte e São Paulo aí vou eu. Chega de promessas não cumpridas e fatos internéticos, eu sou de carne e osso e não tenho mais medo ou vergonha de ser.

Mittwoch, November 21, 2007

Happy Birthday To Me

Bolo e guaraná, acordei muito cansada como sempre. Tomei banho e fui até o ponto de ônibus com os cabelos ainda molhados como sempre. Não copiei o dever, como sempre. Porém, minhas amigas muito fofas de sala me fizeram uma festinha surpresa. O bolo/torta muito over e que ninguém conseguiu engolir, o que fez com que distribuíssemos para todos os funcionários do colégio e o guaraná que ajudou a empurra o bolo/torta guela abaixo.
Bolo e guaraná, a Ju me buscando na escola com um sorriso enorme e me deixando perplexa me dando parabéns ( Ju nunca dá parabéns a ninguém).

- Ora essa, Carol! Eu não gosto de você, por isso te dou parabéns! - disse.

Bolo e guaraná, a cerveja única que podemos pagar hoje, dias de semana nos deixam duras. Os rapazes da UFF saindo da aula e nos desviando olhares, o sol tão forte e tão quente que me fez lembrar Novembro. Ressoando na cabeça N O V E M B R O!

Bolo e guaraná, para todos os outros que tiveram o privilégio de nascer no mesmo dia que a criadora da criatura Felluina.

E o post foi alterado mais uma vez, porque toda tentativa de fazer algo certo sempre irá por água abaixo.

Montag, November 19, 2007

Querer muito e saber que não é poder

Eu sei que você precisa de ajuda. Talvez precise até mais do que eu e considerando que eu sou uma maníaca depressiva pré-esquizo, bem, isso é ruim. Porque cansa - e muito- fica horas pensando e despensando como e o que eu posso fazer para te tirar dessa apatia, desse ceticismo. Não posso, definitivamente.
Queria tanto, mas tanto - mas tanto!- que certas coisas nunca mudassem, como éramos crianças bobas e bêbadas e não tínhamos essa de " pensadores". Quem pensa, se ferra, essa é a verdade. Entretanto, já passou a hora de trocar de cérebro e atitude, não há mais jeito. E vou continuar a assistir você se desintegrar, sem poder lhe oferecer a mão [já que sei que seu machismo não vai deixar você agarrá-la]. Estamos lúcidos, como se tivéssemos para morrer. Ah, Pessoa! Cale a boca novamente!

Sonntag, November 18, 2007

Preto e Branco

A minha analogia agora é preto no branco. Sim, porque as coisas, gostos e pessoas estão com o ego cinza. E não é um preto e branco das fotos que disfarça imperfeições e dão charme à imagem.
Posso dizer que o mundo poderia estar colorido e super bandeira gay, mas não faz mais tanta diferença. Todos eles que eu tanto prezava e que deixei um a um se desintegrar como se tivessem alguma meia-vida. Mesmo querendo ainda morar no miocárdio de cada um deles.
Preto, branco e colorido, poderia até ser sepia, porém não muda o rumo de algo. Percebem? Eu utilizei "rumo" ao invés de "sentido", porque não há mais. E saber que o que poderia ter sido e não foi e nunca vai ser, e mais ainda, que eu não sou nada a não ser pelos meus sonhos, cansa. E não quero mais explicar o por quê, também cansa. Cansa na insignificância de saber que o lindo já se foi e o que é e vai ser ruim, ainda está por vir. Viver e só. A outra opção é deixar que os vermes façam o trabalho da meia-vida. Eu não sou nada. Não há sonhos. Pessoa, cale a boca.

Donnerstag, November 08, 2007

I'm so tired. I can't sleep (2)

Porque a hipnopédica não funciona mais, já que eu não posso nem dormir. Mas durmo e acordo como se nada tivesse acontecido ou como se tivesse perdido parte da minha vida em algumas horas. Mais uma paranóia.
O grito que não sai porque o choro preso na garganta não o deixa sair, a garganta que é seca e faz engasgar em poeira e sofrimento. Os olhos; "Olhos tão tristes" - como diria a Laís, perderam até a tristeza na tentativa de tentar salvar partes irreparáveis.


E a outra parte do post se foi, porque o choro conseguiu sair e fazia doer os olhos quando eu olhava para a lâmpada do banheiro. Os braços agarrando as pernas brancas e logo depois tentando agarrar as paredes planas, os azulejos... Mas todo mundo tem que viver sua vida e só Deus sabe como eu devo viver a minha.

Dienstag, November 06, 2007

A quase doce terça-feira

Ônibus, 7:10 da manhã. Hoje foi um dia nublado, mas com os raios solares tímidos por trás das densas nuvens cinzas. Uma menininha entra no ônibus, devia ter seus 8 ou 9 anos, senta-se do lado do que parecia ser um homem estranho. Não era. A menina sentou-se ao seu lado e lhe deu um abraço tão apertado e um beijo tão carinhoso que eu até fiquei comovida de algum modo.
Logo, a menina teve que descer para a escola. Eles se olharam e o homem que devia ser algum parente da menininha lhe olhou como se a fosse ver pela última vez. Um último beijo e um último abraço bem apertado e ela desapareceu sob a neblina de chuva.
Na volta da escola, me deparo com um mendigo na calçada. Ele estava desmaiado - provavelmente de muito bêbado- e um denso rio de vômito escorria-lhe da boca. Eu levei meu punho delgado até a boca, como se eu fosse vomitar com a cena. Como se realmente eu já não tivesse passado por situações - e pessoas - enojantes.
Depois do abraço, vem o vômito.

Samstag, November 03, 2007

Chá e vermute

Ela repousou seu chá na mesa de mogno e deu um suspiro profundo. Tamborilando com os dedos e decidindo como transformar um dia abafado em algo produtivo. Já menina ficava horas com o olhar voltado para as chuvas de julho, chuva densa e suave em toda a sua magnificência. E estendia suas mãozinhas delgadas e se deixava encharcar, fascinada.
Abandonou o chá na pia de mármore e se atirou ao chuveiro. Ainda com os longos cabelos molhados, jogou por cima camiseta e calça, do tipo Levy's. " Jeans de hippie"; já dizia sua mãe. Foi ao Jack's Bar, há um bairro de distância. Sentou, pediu um vermute e engoliu de uma só tragada. Acendeu seu Camel e tragava como se fosse o último.
O garçom de dentes amarelados ofereceu outra dose. Quando já estava na 8ª dose, seus cotovelos repousavam no balcão, as nádegas se aconchegaram ao banco confortável mas tudo girava absurdamente. Apesar do ambiente á meia-luz, da porta de vidro dava para ver as luzes da cidade. Luzes que se misturavam e formavam cores que chamavam mas feriam os olhos.
Lágrimas surgiram. Não se sabe como e nem o por quê, mas surgiram. E lavavam seu rosto pálido como se quisessem refrescá-lo do calor. Voltou ao seu apartamento. As lágrimas ainda não tinham ido embora. Ela sentou, de cocoras no chão. " Meu sofá! Meu sofá! Ele só tem três lugares!". E se descabelava e grunhia e se espalhava ao chão. Talvez nesta metáfora trançoeira ela quisesse enganar-se contra o próprio abandono.

Sonntag, Oktober 28, 2007

Hipnopédica

Eu não estou aqui e isto não está acontecendo comigo.



Cansada de todos tentarem ser modelo no orkut, de toda a pressão para um vestibular que não irá se concluir nem que eu queira e da inércia total. Morrendo para tentar crescer, ou, ser a vida que não fui antes de ter que dançar o último tango.

Sonntag, Oktober 21, 2007

E de tudo sobraram três coisas...

A certeza de que um post não bastaria para os acontecimentos mais horrendos estratosféricos, a certeza de que a tal da semente da discórdia faz parte do conto da carochinha e a certeza absoluta e única que vilões de novela mexicana não são reais, mas pelo menos dá para imitar a make up.

Beth Lugosi is dead

Talvez eu também e não saiba. A cerveja pela metade no bar imundo. O maço de cigarros de cereja esgotados e minhas amigas implorando para que eu ficasse mais um pouco. A antipatia com todo ser humano que viesse dirigir a palavra a mim, a cara de sono, os pés cansados e o coração rachado de alguma forma nada convencional.
A ânsia de vômito que foi substituída pela ânsia de voltar para casa. "Estamos sempre voltando para casa"; já dizia a Lyanna. E o calor que faz as axilas escorrerem, a maquiagem derreter e o cabelo despentear até eu ficar tão depreciativa comigo mesma que queira ficar calada e surda. Além do amargor, sobraram as ótimas piadas e a mancada de ter confundindo um doente com um skinhead.

Freitag, Oktober 12, 2007

1 ano

Hoje eu vi alguém que era como você costumava ser. Não é novidade eu ver algo que não é e fora do lugar, pois ele estava no ponto de ônibus, rindo com uma garota que provavelmente era sua namorada. Contudo, fiquei hipnotizada com a cena.
Relembro e remôo as ondas do mar, muito espumantes e nada altas. As mãos dadas em um calor de provavelmente 38ºC, os sorrisos nos rostos e, nos rostos alheios apenas uma satisfação de maresia. A noite quente e enluarada, tranqüila apesar do trânsito fora do quarto. Eu queria de bom grado dançar o último tango, mas você me guia em rodopios rápidos por esse salão de infinidades alheias. Tão rápidos e precisos, como tiros no cérebro, facas em pulmões. E fica cada pouquinho para mais tarde, como se realmente fossemos até lá e mesmo se chegassemos,
estaríamos completamente despedaçados, não há de se negar.
Hoje eu vi alguém que era como você costumava ser. E não era. Os olhos grudaram na janela do ônibus e eu pude alcançar a sua réplica. Cabelos escorridos até o pescoço e sinais de barba no rosto. Eu beijei-o com os olhos. A saudade é do que eu fui e do que eu via, não te amo não. Minto, te amo pouco e é muito amar pouco para um coração seco. Padeçamos.