Tirado preciosamente do blog da Ly:
"Qualquer caminho para fora do meu apartamento guia a um erro incomensurável."
Sonntag, September 26, 2010
Mittwoch, September 15, 2010
Yes, we can talk about it now
Seus olhos são simplesmente os mais glaucos que já vi. Faço até esforço vivendo depois de acordar só por causa deles. Alegria simples de ser absurdamente feliz tendo um caráter de natureza triste.
No, we can't talk about it now
Um despertar singular o de hoje. Cabelos castanho claros espalhados pelos ombros, pelas costas; o sol lutando para abrir uma brecha no nublado de começo de dia e um sono interrompido que não foi interrompido, foi se extinguindo até o corpo se dar conta que estava satisfeito. Nada de aula de francês hoje, desculpa fenomenal de que eu sei que o faire fica faisiez na terceira do L'imparfait de l'indicatif e assisti tv, como se o dia nunca fosse ultrapassar as 8 horas da manhã, como se nem ao menos houvesse mundo.
Ficou ressoando por aqui o refrão da música do Death Cab, "you're beautiful but you don't mean a thing to me"; como se a música tivesse sido feita para a própria vida em si. Tratar a vida como um ser humano tem me causado problemas, e sim vida você é linda mas nunca consegue significar muito para mim, ao menos não por muito tempo. E eu sei bem dessa beleza que enche nossos olhos e põe nossos braços em formato de arcos, abertos, imensos e prontos para se fecharem no que quer que seja o tamanho. Nossos braços sempre serão cômodos para todas as coisas existentes, daí a preocupação do Calvino -ler abaixo do título do blog -. Pena que eles desintegram antes das coisas, então somos aleijados, cruzando o dedo dos pés para que a 8 horas da manhã não se prolongue.
Ficou ressoando por aqui o refrão da música do Death Cab, "you're beautiful but you don't mean a thing to me"; como se a música tivesse sido feita para a própria vida em si. Tratar a vida como um ser humano tem me causado problemas, e sim vida você é linda mas nunca consegue significar muito para mim, ao menos não por muito tempo. E eu sei bem dessa beleza que enche nossos olhos e põe nossos braços em formato de arcos, abertos, imensos e prontos para se fecharem no que quer que seja o tamanho. Nossos braços sempre serão cômodos para todas as coisas existentes, daí a preocupação do Calvino -ler abaixo do título do blog -. Pena que eles desintegram antes das coisas, então somos aleijados, cruzando o dedo dos pés para que a 8 horas da manhã não se prolongue.
Sonntag, September 12, 2010
Desmistificando Werther
A obra de Goethe guiada pelo Romantismo alemão e da tendência Sturm und Drang apresenta erros graves seguidos do sentimentalismo e sensibilidade randômicos. Werther apresenta-se como figura carismática em explosões de emoções, daí a grande recepção livro-personagem. Entretanto, pelas atitudes falhas ao longo do livro vê-se claramente a sua personalidade mesquinha e muitas vezes medíocre.
Começando pela relação de Werther com os nobres e bem-sucedidos, há o menosprezo do personagem contido no fato puro e simples dos nobres ignorarem a sua presença e avaliarem a sua conduta como exagerada. Ora essa, nobres e burgueses não se misturavam na época pelos primeiros acharem o manejo com dinheiro sujo, coisa incompreensível atualmente mas um costume na época. Assim, Werther se dedicava a pessoas de origem mais humilde acrescentando ao caráter dessas adjetivos exaltivos, maravilhosos. A mesma relação da fábula de La Fontaine, em que a raposa desdenha das uvas. Ele é como a continuação da fábula, no caso a raposa cospe nas uvas e cata "gravetos saborosíssimos" para se alimentar.
O estopim dessa relação chega quando um de seus humildes amigos do vilarejo comete homicídio contra o atual namorado de sua amada. O homem é capturado e Werther adentra a sala defendendo seu amigo com argumentos pífios e infantis, querendo justificar o fato de um inocente ter sido assassinado. Até onde chega o nosso herói: força uma relação com uma mulher comprometida, sabendo de antemão que ela tem um noivo, não obstante ainda se põe - com a desculpa de uma amizade duvidosa - entre Charlotte e o noivo (que posteriormente vira esposo), e ainda defende um assassino por pura e simplesmente este ter cometido um crime passional. Crime é crime. Se até Raskolnikov pagou na Sibéria pelo übermenschianismo de matar a velha usurária, por que teria que ser diferente com um despeitado?
Especificando a parte Werther-Charlotte, a obra toma proporções pateticamente catastróficas. Werther alimenta um amor cismante por Lotte, não é que o amor tenha acontecido, ele que escolheu amá-la. Ela era bela e meiga, como a maioria da população feminina na Alemanha da época; o que ressalto é: o amor nutrido era artificial e só servia para Werther martirizar a si mesmo e alimentar a sua própria afetação para que ele pudesse sentir que era um homem diferente, out of line. Charlotte, diante da persuasão e devoção de Werther, acabou por amá-lo à sua forma; mas foi um amor que não passou pelo caminho da beleza antes de virar amor, e sim pela piedade de ter que amar.
Saindo um pouco do enredo da história e entrando na parte de raciocínios errados de Werther (querendo ser aforismos), mostro um trecho: "E então, por mais limitado que seja, guarda sempre no coração a doce sensação de liberdade, sabendo que poderá livrar-se do cárcere quando quiser". Só nos cresce a sensação de liberdade quando estamos em cárcere obrigatório ou em inércia, esse sentimento não é natural, não se estabelece sozinho; e quando se estabelece ele não tem nada de 'doce sensação' e sim tristeza, algo como uma grande espera inquietante. A liberdade só se transforma em algo belo quando é alcançada, em seguida se metamorfoseia em paz de espírito.
Chegamos então ao suicídio de Werther, ao final da obra. Aí vemos o tamanho de sua mesquinhez, uma eterna criança mal-criada batendo os pés no chão pelo relevante, eis Werther. Antes do suicídio deixa uma carta para a sua amada penalizando-a sentimentalmente: "Vê, Charlotte!Não estremeço ao tomar nas mãos a fria e terrível taça, da qual deverei sorver a embriaguez da morte! Tu mesma ma ofereceste, e não hesito por um momento sequer". Ele estava errado desde os primeiros momentos, mas quis atribuir sua culpa à segundos, terceiros. Vemos a mediocridade desta obra mais nitidamente quando comparamos com "Noites Brancas" de Dostoiévski, em que o personagem também sofre de um amor renegado e sofre um golpe muito pior do que Werther: depois de arduamente ter esperado sua querida Nástienhka e finalmente tê-la conseguido para si, no dia seguinte ela volta para seu antigo pretendente, abandonando-o. O que o herói de Noites Brancas faz? Abre um doce sorriso e exclama: "Meu Deus! Um momento de felicidade! Sim! Não será isso o bastante para preencher uma vida?" O personagem de Goethe é aí nocauteado ferozmente pelo personagem de Dostoiévski.
Contudo, fecho com a única passagem bela que encontrei no livro e que realmente merece crédito: "É como se um véu se tivesse rasgado diante de minha alma, e o palco da vida infinita transforma-se, para mim, no abismo de um túmulo eternamente aberto. Poderás dizer: 'É assim mesmo!' Quando tudo passa? Quando tudo deixa de existir e desaparece com a rapidez de um raio, tão raramente sendo dado aos seres viver até se esgotarem as suas forças, quando eles, ai, são arrastados pela correnteza, engolfados por ela e destroçados de encontro aos rochedos? Não há um momento em que não destrua a ti e aos teus, em que não sejas, necessariamente, também tu um destruidor. Um simples passeio custa a vida de milhares de pobres vermezinhos, uma passada desmantela as construções penosamente erigidas pelas formigas, e condena a um túmulo ignominioso todo um pequeno universo."
Boa sorte na leitura - e muita paciência -.
Começando pela relação de Werther com os nobres e bem-sucedidos, há o menosprezo do personagem contido no fato puro e simples dos nobres ignorarem a sua presença e avaliarem a sua conduta como exagerada. Ora essa, nobres e burgueses não se misturavam na época pelos primeiros acharem o manejo com dinheiro sujo, coisa incompreensível atualmente mas um costume na época. Assim, Werther se dedicava a pessoas de origem mais humilde acrescentando ao caráter dessas adjetivos exaltivos, maravilhosos. A mesma relação da fábula de La Fontaine, em que a raposa desdenha das uvas. Ele é como a continuação da fábula, no caso a raposa cospe nas uvas e cata "gravetos saborosíssimos" para se alimentar.
O estopim dessa relação chega quando um de seus humildes amigos do vilarejo comete homicídio contra o atual namorado de sua amada. O homem é capturado e Werther adentra a sala defendendo seu amigo com argumentos pífios e infantis, querendo justificar o fato de um inocente ter sido assassinado. Até onde chega o nosso herói: força uma relação com uma mulher comprometida, sabendo de antemão que ela tem um noivo, não obstante ainda se põe - com a desculpa de uma amizade duvidosa - entre Charlotte e o noivo (que posteriormente vira esposo), e ainda defende um assassino por pura e simplesmente este ter cometido um crime passional. Crime é crime. Se até Raskolnikov pagou na Sibéria pelo übermenschianismo de matar a velha usurária, por que teria que ser diferente com um despeitado?
Especificando a parte Werther-Charlotte, a obra toma proporções pateticamente catastróficas. Werther alimenta um amor cismante por Lotte, não é que o amor tenha acontecido, ele que escolheu amá-la. Ela era bela e meiga, como a maioria da população feminina na Alemanha da época; o que ressalto é: o amor nutrido era artificial e só servia para Werther martirizar a si mesmo e alimentar a sua própria afetação para que ele pudesse sentir que era um homem diferente, out of line. Charlotte, diante da persuasão e devoção de Werther, acabou por amá-lo à sua forma; mas foi um amor que não passou pelo caminho da beleza antes de virar amor, e sim pela piedade de ter que amar.
Saindo um pouco do enredo da história e entrando na parte de raciocínios errados de Werther (querendo ser aforismos), mostro um trecho: "E então, por mais limitado que seja, guarda sempre no coração a doce sensação de liberdade, sabendo que poderá livrar-se do cárcere quando quiser". Só nos cresce a sensação de liberdade quando estamos em cárcere obrigatório ou em inércia, esse sentimento não é natural, não se estabelece sozinho; e quando se estabelece ele não tem nada de 'doce sensação' e sim tristeza, algo como uma grande espera inquietante. A liberdade só se transforma em algo belo quando é alcançada, em seguida se metamorfoseia em paz de espírito.
Chegamos então ao suicídio de Werther, ao final da obra. Aí vemos o tamanho de sua mesquinhez, uma eterna criança mal-criada batendo os pés no chão pelo relevante, eis Werther. Antes do suicídio deixa uma carta para a sua amada penalizando-a sentimentalmente: "Vê, Charlotte!Não estremeço ao tomar nas mãos a fria e terrível taça, da qual deverei sorver a embriaguez da morte! Tu mesma ma ofereceste, e não hesito por um momento sequer". Ele estava errado desde os primeiros momentos, mas quis atribuir sua culpa à segundos, terceiros. Vemos a mediocridade desta obra mais nitidamente quando comparamos com "Noites Brancas" de Dostoiévski, em que o personagem também sofre de um amor renegado e sofre um golpe muito pior do que Werther: depois de arduamente ter esperado sua querida Nástienhka e finalmente tê-la conseguido para si, no dia seguinte ela volta para seu antigo pretendente, abandonando-o. O que o herói de Noites Brancas faz? Abre um doce sorriso e exclama: "Meu Deus! Um momento de felicidade! Sim! Não será isso o bastante para preencher uma vida?" O personagem de Goethe é aí nocauteado ferozmente pelo personagem de Dostoiévski.
Contudo, fecho com a única passagem bela que encontrei no livro e que realmente merece crédito: "É como se um véu se tivesse rasgado diante de minha alma, e o palco da vida infinita transforma-se, para mim, no abismo de um túmulo eternamente aberto. Poderás dizer: 'É assim mesmo!' Quando tudo passa? Quando tudo deixa de existir e desaparece com a rapidez de um raio, tão raramente sendo dado aos seres viver até se esgotarem as suas forças, quando eles, ai, são arrastados pela correnteza, engolfados por ela e destroçados de encontro aos rochedos? Não há um momento em que não destrua a ti e aos teus, em que não sejas, necessariamente, também tu um destruidor. Um simples passeio custa a vida de milhares de pobres vermezinhos, uma passada desmantela as construções penosamente erigidas pelas formigas, e condena a um túmulo ignominioso todo um pequeno universo."
Boa sorte na leitura - e muita paciência -.
Freitag, August 27, 2010
Coisa linda!
E sabe-se lá porque lidar com tanta perfeição não tem sido um custo ou um martírio. Porque nem nos maiores erros você faria doer, para você sempre é uma questão de 'tá, não gostei' e não repetir nunca mais. E você não repete, você parece ter um banco de dados de idiotias. Ou pior: você aprende com os erros; e é fácil imaginar a vida sem você: andar afundando o pé em buracos até torcê-los tanto a ponto de ter que engatinhar com as mãos, depois se arrastar. Deus sabe o quanto dói se arrastar pela vida com a boca na lama. Fácil agora ter 1,80m de caminho que sempre se prolongará, tamanha generosidade. Agora eu fico andando pela vida na ponta dos pés, sempre lembrando que o caminho parece tanto com você; claríssimo e apertável - como em um balé.
Sonntag, August 08, 2010
Ao pequeno garoto púrpura
"Y aprendi a quitar al tiempo los segundos,
Tu me hiciste ver el cielo aún más profundo..."
Shakira , Antologia.
Cinco semanas, foi extremamente curto para viver tudo de uma vez só e muito amplo para termos consciência que essa coisa da gente viver um sem o outro não vai ter chance mesmo, no way. Era acordar todo dia ao lado de um rapaz que passou a noite inteira sem dormir única e exclusivamente para passar esse tempo te admirando em sono, contando os intervalos de sua respiração, achando tudo muito doce; até o fato de dormir pouco e ficar até tarde bebendo cerveja do lado de gente que não fala seu idioma.
Recebia também sete beijos seguidos entre as minhas costelas antes de pensar em levantar da cama, escovar os dentes e tomar banho; e com a cascata de cabelos loiro-acinzentados nos meus olhos. Era divertido dormir com uma das suas blusas listradas que só você tem. Descer do ônibus de madrugada para fumar um cigarro completamente agasalhada e ainda assim morrendo de frio - eu realmente achei que ia perder meus dedos - , e me deparar com você sem agasalho achando que não estava frio, apenas fresco. Em seguida você se entupia de iogurte na lanchonete da rodoviária, sem dúvida as pessoas deveriam aprender a tomar iogurte da forma fofa como você faz. Aliás, todo mundo devia imitar você todo tempo, você é de uma doçura invejável. É tão doce que eu só consigo imaginar a vida te apertando, apertando, apertando e dizendo 'ain-oin-nhoin-hoin' e olhando olhando, até os olhos ficarem estrábicos. O que contrasta com a frieza que seus olhos exalam de vez em quando, nada demais, herança do velho continente.
Forma fria que desapareceu naquela manhã, do quarto completamente ensolarado, quando você chorava, chorava, medroso do futuro sem a Ana. Te chamei de Mädchen e quase disse para você ter fé e ver coragem no amor, mas não dá pra traduzir isso com a emoção merecida pro seu idioma. Infelizmente temos o Atlântico, meu ócio e desvios da vida em nosso caminho, mas quer saber? Quer saber de verdade? Pela primeira vez não estou prevendo nenhuma sapecagem da vida ou coisa do tipo. Porque você é limpo e me fez praticar aquele tipo de amor-não-devo-nada-a-ninguém. A maioria das pessoas ama para os outros e esquece de que se tratava o começo. E você nunca me deixará esquecer, com seus imensos olhos azuis marejados. Ondas no mar, t'aí uma boa definição para quando você chora: ondas, mas daquele tipo bem brando, não uma coisa praiana, mas sim algo que recorde o oceano, tamanha a imensidão. Fica a minha saudade feliz - eu nem sabia que existia saudade feliz, até isso você me ensinou - dos dias mais simples da minha vida, obrigada pela felicidade, foi um presente tão magistral quanto o livro do Amós que você me deu. De mim fica o barquinho vermelho, para a sua coleção, barquinho na correnteza, Deus dará, citando Caio. Não dá para me utilizar do cliché de que "você me ensinou a amar', porque isso você não fez, já tinha aprendido e acumulado péssimas experiências do passado, que eu até visitava de vez em quando. Você fez o mais importante: me ensinou a viver sóbria.
Tu me hiciste ver el cielo aún más profundo..."
Shakira , Antologia.
Cinco semanas, foi extremamente curto para viver tudo de uma vez só e muito amplo para termos consciência que essa coisa da gente viver um sem o outro não vai ter chance mesmo, no way. Era acordar todo dia ao lado de um rapaz que passou a noite inteira sem dormir única e exclusivamente para passar esse tempo te admirando em sono, contando os intervalos de sua respiração, achando tudo muito doce; até o fato de dormir pouco e ficar até tarde bebendo cerveja do lado de gente que não fala seu idioma.
Recebia também sete beijos seguidos entre as minhas costelas antes de pensar em levantar da cama, escovar os dentes e tomar banho; e com a cascata de cabelos loiro-acinzentados nos meus olhos. Era divertido dormir com uma das suas blusas listradas que só você tem. Descer do ônibus de madrugada para fumar um cigarro completamente agasalhada e ainda assim morrendo de frio - eu realmente achei que ia perder meus dedos - , e me deparar com você sem agasalho achando que não estava frio, apenas fresco. Em seguida você se entupia de iogurte na lanchonete da rodoviária, sem dúvida as pessoas deveriam aprender a tomar iogurte da forma fofa como você faz. Aliás, todo mundo devia imitar você todo tempo, você é de uma doçura invejável. É tão doce que eu só consigo imaginar a vida te apertando, apertando, apertando e dizendo 'ain-oin-nhoin-hoin' e olhando olhando, até os olhos ficarem estrábicos. O que contrasta com a frieza que seus olhos exalam de vez em quando, nada demais, herança do velho continente.
Forma fria que desapareceu naquela manhã, do quarto completamente ensolarado, quando você chorava, chorava, medroso do futuro sem a Ana. Te chamei de Mädchen e quase disse para você ter fé e ver coragem no amor, mas não dá pra traduzir isso com a emoção merecida pro seu idioma. Infelizmente temos o Atlântico, meu ócio e desvios da vida em nosso caminho, mas quer saber? Quer saber de verdade? Pela primeira vez não estou prevendo nenhuma sapecagem da vida ou coisa do tipo. Porque você é limpo e me fez praticar aquele tipo de amor-não-devo-nada-a-ninguém. A maioria das pessoas ama para os outros e esquece de que se tratava o começo. E você nunca me deixará esquecer, com seus imensos olhos azuis marejados. Ondas no mar, t'aí uma boa definição para quando você chora: ondas, mas daquele tipo bem brando, não uma coisa praiana, mas sim algo que recorde o oceano, tamanha a imensidão. Fica a minha saudade feliz - eu nem sabia que existia saudade feliz, até isso você me ensinou - dos dias mais simples da minha vida, obrigada pela felicidade, foi um presente tão magistral quanto o livro do Amós que você me deu. De mim fica o barquinho vermelho, para a sua coleção, barquinho na correnteza, Deus dará, citando Caio. Não dá para me utilizar do cliché de que "você me ensinou a amar', porque isso você não fez, já tinha aprendido e acumulado péssimas experiências do passado, que eu até visitava de vez em quando. Você fez o mais importante: me ensinou a viver sóbria.
Samstag, Juli 31, 2010
Da morte
Não é uma grande boa nova de que tudo me dói, o engraçado foi não doer na hora, nem depois. Não que não doa, mas esqueceu de doer, o sofrimento às vezes esquece da gente de uma maneira muito avulsa. Não doeu de uma maneira como se eu já soubesse e não soubesse. Porque eu não sabia, mas meu corpo fazia esforço para entender os traços da vida, as sutilezas de sinais e reagia como podia.
Nada de calafrios, grandes lágrimas ou "creio em Deus pai todo poderoso"; apenas uma tristeza de que tão aguda era transversal a mim. Como meu corpo já está acostumado a todas as sensações ruins existentes, não dei bola. É exagero no álcool, deve ser isso. E era apenas perda, t'aí!, como era perda e nisso eu sou pós-graduada eu não dei a mínima, devido ao costume exagerado a essa sentimento. Daí um milagre: a perda só é percebida quando a contam. Se você não souber da perda ela nunca existirá, eu não sei se esse raciocínio é válido para todos ou só para os que tem a alma deformada como a minha. Por fim, de tudo ficaram ensinamentos valorosos. Nosso organismo é coordenado pelo nosso espírito; a perda de tão desgastada está banalizada e não mais sentida; e o terceiro...bem, eu esqueci o terceiro. Vocês entendem, muitos anos de álcool, hão de me dar licença. O que eu quis dizer o texto todo foi: meu irmão alcólatra morreu e se eu não me der jeito também vou causar estranhezas em organismos alheios.
Nada de calafrios, grandes lágrimas ou "creio em Deus pai todo poderoso"; apenas uma tristeza de que tão aguda era transversal a mim. Como meu corpo já está acostumado a todas as sensações ruins existentes, não dei bola. É exagero no álcool, deve ser isso. E era apenas perda, t'aí!, como era perda e nisso eu sou pós-graduada eu não dei a mínima, devido ao costume exagerado a essa sentimento. Daí um milagre: a perda só é percebida quando a contam. Se você não souber da perda ela nunca existirá, eu não sei se esse raciocínio é válido para todos ou só para os que tem a alma deformada como a minha. Por fim, de tudo ficaram ensinamentos valorosos. Nosso organismo é coordenado pelo nosso espírito; a perda de tão desgastada está banalizada e não mais sentida; e o terceiro...bem, eu esqueci o terceiro. Vocês entendem, muitos anos de álcool, hão de me dar licença. O que eu quis dizer o texto todo foi: meu irmão alcólatra morreu e se eu não me der jeito também vou causar estranhezas em organismos alheios.
Samstag, Juli 03, 2010
Wochenende
Assim como a Ly, eu não sei como cheguei inteira no final do semestre, ou ainda, como ele finalmente terminou. Meses tão duros que eu estou aqui gozando de plena liberdade e não consigo me movimentar ou ter a percepção de alguma coisa. O que eu consigo resumir é que meu cabelo está ultrapassando a cintura, eu estou mais magra - como se fosse possível - e o cansaço se multiplicou de forma irreversível e tornou-se lição: fechar os olhos e parar de respirar na maioria dos momentos, tão-somente. Daqui há algumas horas eu vou voltar aos abraços do homem mais feliz que já conheci em vida, e assim, com nenhum esforço e muita ajuda divina tentar fechar os olhos, parar de respirar e em nenhuma possibilidade lembrar que a Ana existe. Auf wiedersehen.
Sonntag, Juni 20, 2010
Silent edges
"You run around and groove like a baggy
You're only here just out of habit."
(Kinky Afro - Happy Mondays)
Entrar em qualquer tipo de explicação ou lógica já saiu há muito de controle. Vou tentar simplificar, é assim: eu sou um ser humano, carne-osso-carbono, simples. E eu tenho inércia. E não é daquelas inércias simples, só aquela dificuldade sempre de fazer qualquer coisa para mudar qualquer estado. Aliado à inércia tenho falta de vontade total. Então até tento me levantar e ir embora, sair. Mas quando tento a vida trata de me dar uma pancada muito forte, bem no meio do estômago; logo vomito e ando para trás, porque se eu estava sentada agora estou ao chão. Não se trata mais de não poder se mover, mas de medo de se mover e ter que vomitar de novo.
Não faço idéia do que há de errado e não digo para mim, porque até agora não estou vendo nada de errado e isso é atemorizante. A vida quando é vida tem muita coisa de errado, mesmo com aquela história toda da desmistificação. Estou completamente errada e não sei nem ao menos o porquê. Só sinto muito por todo mundo e sério o sinto de verdade, talvez o fato de me sentir errada esteja tomando proporções catastróficas no meu Id. Não posso fazer nada, empurrar a pedra até o topo já não é mais tão digno assim. Um momento de felicidade? Já não preenche nenhuma vida. Preencherá, mas isso ainda está muito longe. Enquanto a felicidade não vem eu a vejo assim, bonita, enquadrada, belíssima; da agonia de vê-la, estender os dedos, achar em delírios que a toco e dormir no cansaço de todas as tentativas. Quando ela finalmente chegar me acordem. Se conseguirem.
You're only here just out of habit."
(Kinky Afro - Happy Mondays)
Entrar em qualquer tipo de explicação ou lógica já saiu há muito de controle. Vou tentar simplificar, é assim: eu sou um ser humano, carne-osso-carbono, simples. E eu tenho inércia. E não é daquelas inércias simples, só aquela dificuldade sempre de fazer qualquer coisa para mudar qualquer estado. Aliado à inércia tenho falta de vontade total. Então até tento me levantar e ir embora, sair. Mas quando tento a vida trata de me dar uma pancada muito forte, bem no meio do estômago; logo vomito e ando para trás, porque se eu estava sentada agora estou ao chão. Não se trata mais de não poder se mover, mas de medo de se mover e ter que vomitar de novo.
Não faço idéia do que há de errado e não digo para mim, porque até agora não estou vendo nada de errado e isso é atemorizante. A vida quando é vida tem muita coisa de errado, mesmo com aquela história toda da desmistificação. Estou completamente errada e não sei nem ao menos o porquê. Só sinto muito por todo mundo e sério o sinto de verdade, talvez o fato de me sentir errada esteja tomando proporções catastróficas no meu Id. Não posso fazer nada, empurrar a pedra até o topo já não é mais tão digno assim. Um momento de felicidade? Já não preenche nenhuma vida. Preencherá, mas isso ainda está muito longe. Enquanto a felicidade não vem eu a vejo assim, bonita, enquadrada, belíssima; da agonia de vê-la, estender os dedos, achar em delírios que a toco e dormir no cansaço de todas as tentativas. Quando ela finalmente chegar me acordem. Se conseguirem.
Donnerstag, Juni 03, 2010
Como perder um homem em 4 horas e meia
Ou: "Welcome to my life"
Ou ainda: Kate Hudson, senta lá!
1º Comece conversando sobre você, seu ego, sobre o Grande Ego e sobre como todas as pessoas acham você Deus.
2º Encha a cara, afinal de contas, você é uma alcólatra.
3º Use drogas na frente dele, principalmente sabendo que ele não suporta cheiro de marijuana.
4º Fale de todas as vergonhas e situações caóticas que você já passou na vida.
5º Sente no colo dele e chame-o para ir ao motel (primeiro encontro, remember?).
6º Beba mais.
7º Você bebeu muito, tá a capa do Batman!; então vá até a sarjeta e fique lá jogada às traças enquanto ele (bonitinho!) te compra água.
8º Vá para casa, agarre-se à privada e faça de lá seu colo de mãe.
Ou ainda: Kate Hudson, senta lá!
1º Comece conversando sobre você, seu ego, sobre o Grande Ego e sobre como todas as pessoas acham você Deus.
2º Encha a cara, afinal de contas, você é uma alcólatra.
3º Use drogas na frente dele, principalmente sabendo que ele não suporta cheiro de marijuana.
4º Fale de todas as vergonhas e situações caóticas que você já passou na vida.
5º Sente no colo dele e chame-o para ir ao motel (primeiro encontro, remember?).
6º Beba mais.
7º Você bebeu muito, tá a capa do Batman!; então vá até a sarjeta e fique lá jogada às traças enquanto ele (bonitinho!) te compra água.
8º Vá para casa, agarre-se à privada e faça de lá seu colo de mãe.
Donnerstag, Mai 27, 2010
Sujando Caio
.

Já fiz um texto aqui reclamando uns absurdos com o Caio. Tanto faz, minha vingança foi você cair na boca lamacenta da galera whatever. A foto acima foi tirada minutos antes da prova de Morfologia, ando gostando de Morfologia, apesar de ser melhor em literatura do que em gramática. Agora descobri que meu forte é literatura russa. Povo forte, sofrido, miserável e sonhador. Tá, problema meu se vou prestar vestibular de novo para letras-russo na UFRJ e me cansar mais do que já me canso, e fumar mais do que já fumo fazendo só uma faculdade. Cigarro é uma despesa idiota, bebida também. Eu não fui ver o filme sobre Perseus (só ia ver pela Medusa mesmo) e parei no bar de onde não saí tão cedo. Dê adeus à dignidade, pobre fígado.
Por falar em dignidade tenho visto coisas vergonhosas. Assim, eu ponho a culpa no álcool, e é uma culpa verdadeira, mas há quem faça sóbrio. Acho perda de tempo e de senso crítico montar um espaço para imbecis. Dá desespero, sério. Blábláblá. Blábláblá. Ninguém sabe mais prestar homenagens bonitas. Até as demonstrações de amor são puramente egoístas, não é uma questão de fulano, é uma questão sua; aliás, é uma questão minha, para mim. Tanto faz, vai tudo cair em meus ombros; imbecis costumam achar digno e bonito ações mais imbecis ainda providas de outro imbecil. Que cansaço. Que cansaço. Que can-sa-ço!
Minha nossa, é surreal como as coisas voltam. Senti o mundo totalmente limitado e redondo agora. Como pode? É inexplicável, sempre o foi. E Caio sempre alimentou, o maldito (bem feito!, caiu na boca da patuléia!). É extra-surreal, na verdade. É absurdo. E vendo aqui, ain, péra... nossa, que saudade. É essa a palavra exata, saudade. Como o Drew vendo o Mitch morto no caixão e tentando saber qual palavra usar. É saudade e não faço idéia de quê. Se eu tirasse o acento do 'quê' ficaria muito Padre Pluche com as orações. Caquinha! Falei besteira, lembrei besteira. Definitivamente, o Grande Ego ficou fora disso há muito tempo, logo não posso explicar. Talvez seja mais do que visceral, visual ou sentimental. Acho que é da providência divina, só tenho essa explicação para tão pouca clemência com meus pés.
Tudo costumava ser muito bonito, mesmo. E nem era tão bonito assim, enfeitado e afetado; só era bonito e leve. Eu era a que precisava menos, sempre fui. Grandes erros da soberba descomedida, do desapego e indiferença exacerbados. Pura hýbris. Sem a kléos, claro. Remoendo aqui no pc achei um vídeo que fiz de presente de aniversário pra Mayzóca. O meu olhar era mais brando, como é fim de semestre e por si só já sou naturalmente arrasada eles estão, hmm, não sei. Só estão colados no rosto. Hmm, aqui o vídeo:

Já fiz um texto aqui reclamando uns absurdos com o Caio. Tanto faz, minha vingança foi você cair na boca lamacenta da galera whatever. A foto acima foi tirada minutos antes da prova de Morfologia, ando gostando de Morfologia, apesar de ser melhor em literatura do que em gramática. Agora descobri que meu forte é literatura russa. Povo forte, sofrido, miserável e sonhador. Tá, problema meu se vou prestar vestibular de novo para letras-russo na UFRJ e me cansar mais do que já me canso, e fumar mais do que já fumo fazendo só uma faculdade. Cigarro é uma despesa idiota, bebida também. Eu não fui ver o filme sobre Perseus (só ia ver pela Medusa mesmo) e parei no bar de onde não saí tão cedo. Dê adeus à dignidade, pobre fígado.
Por falar em dignidade tenho visto coisas vergonhosas. Assim, eu ponho a culpa no álcool, e é uma culpa verdadeira, mas há quem faça sóbrio. Acho perda de tempo e de senso crítico montar um espaço para imbecis. Dá desespero, sério. Blábláblá. Blábláblá. Ninguém sabe mais prestar homenagens bonitas. Até as demonstrações de amor são puramente egoístas, não é uma questão de fulano, é uma questão sua; aliás, é uma questão minha, para mim. Tanto faz, vai tudo cair em meus ombros; imbecis costumam achar digno e bonito ações mais imbecis ainda providas de outro imbecil. Que cansaço. Que cansaço. Que can-sa-ço!
Minha nossa, é surreal como as coisas voltam. Senti o mundo totalmente limitado e redondo agora. Como pode? É inexplicável, sempre o foi. E Caio sempre alimentou, o maldito (bem feito!, caiu na boca da patuléia!). É extra-surreal, na verdade. É absurdo. E vendo aqui, ain, péra... nossa, que saudade. É essa a palavra exata, saudade. Como o Drew vendo o Mitch morto no caixão e tentando saber qual palavra usar. É saudade e não faço idéia de quê. Se eu tirasse o acento do 'quê' ficaria muito Padre Pluche com as orações. Caquinha! Falei besteira, lembrei besteira. Definitivamente, o Grande Ego ficou fora disso há muito tempo, logo não posso explicar. Talvez seja mais do que visceral, visual ou sentimental. Acho que é da providência divina, só tenho essa explicação para tão pouca clemência com meus pés.
Tudo costumava ser muito bonito, mesmo. E nem era tão bonito assim, enfeitado e afetado; só era bonito e leve. Eu era a que precisava menos, sempre fui. Grandes erros da soberba descomedida, do desapego e indiferença exacerbados. Pura hýbris. Sem a kléos, claro. Remoendo aqui no pc achei um vídeo que fiz de presente de aniversário pra Mayzóca. O meu olhar era mais brando, como é fim de semestre e por si só já sou naturalmente arrasada eles estão, hmm, não sei. Só estão colados no rosto. Hmm, aqui o vídeo:
Por fim, a vida não anda fácil. Limite? Talvez. Cansei dessa liberdade ilusória, eu preciso de caminhos de verdade e não ficar traçando minha vida aqui, sentada, levantando de vez em quando, acendendo um cigarro. Enquanto meus olhos não voltam eu espero eles aqui, abarrotada de saudade. Até o céu.
Dienstag, Mai 18, 2010
Um respeito ao Grande Ego
"Já são quase 5 da manhã
Por que ainda insiste?
Faz muito tempo
Que não tenho o que dizer..."
(Moptop- Aonde quer chegar)
Não faz falta e nem ao menos se faz perceptível. A não ser nas horas de muito cansaço, muito sono e muito álcool; talvez eu não seja mais eu mesma nessas horas e sobre um pouco de adeus irredutível grudados dentro de mim e alguma alma estranha apertando as teclas.
Assim, talvez seja um desses rasgões que fazemos por aí nos pés, nos braços e que não percebemos que estão ali e nem doem, e se curam sozinhos. O fato é que não amo mais, não mesmo e sim já amei mas se foi e todos estão muito bem com isso, ao menos em um pedaço de aparência, em alguma engrenagem que faz o tempo continuar a funcionar e não damos a mínima. Todo mundo cansou de tanta maldade gratuita sem ter o porquê, e um grande anjo - o mesmo que te acolheu no auge do sofrimento - deu aval de liberdade para que se enxergasse tanta mentira boba, e por fim os rasgos nos pés se tornaram aquelas casquinhas tão gostosas de se arrancar.
Agora os pés estão limpos, brancos e prontos para encharcarem-se de poeira nesse tanto de caminhos que eu tenho e que você, por atitudes tão vis e que não vão fazer a mínima diferença na vida de ninguém que por excelência é bom e merecedor de todas as doçuras da vida, não vai ter sequer a oportunidade de provar. Mas não estou aqui para lhe fazer julgamentos que me falta peso nas mãos e ar nos pulmões (já congestionados pela nicotina) para sentenciar. Apenas escute: eu não te amo, não é insistência e não há sonhos acerca de você, pois não se constrói sonhos com monstros: faltaria beleza e isso eu tenho a acrescentar graças à Deus! Outra: da próxima vez que for encenar cuidar da pessoa que gosta, faça-o com sinceridade. Não faça mais de mim um meio, um caminho para todo esse inferno que você - por vontade própria - guarda em si. Tão-somente.
Por que ainda insiste?
Faz muito tempo
Que não tenho o que dizer..."
(Moptop- Aonde quer chegar)
Não faz falta e nem ao menos se faz perceptível. A não ser nas horas de muito cansaço, muito sono e muito álcool; talvez eu não seja mais eu mesma nessas horas e sobre um pouco de adeus irredutível grudados dentro de mim e alguma alma estranha apertando as teclas.
Assim, talvez seja um desses rasgões que fazemos por aí nos pés, nos braços e que não percebemos que estão ali e nem doem, e se curam sozinhos. O fato é que não amo mais, não mesmo e sim já amei mas se foi e todos estão muito bem com isso, ao menos em um pedaço de aparência, em alguma engrenagem que faz o tempo continuar a funcionar e não damos a mínima. Todo mundo cansou de tanta maldade gratuita sem ter o porquê, e um grande anjo - o mesmo que te acolheu no auge do sofrimento - deu aval de liberdade para que se enxergasse tanta mentira boba, e por fim os rasgos nos pés se tornaram aquelas casquinhas tão gostosas de se arrancar.
Agora os pés estão limpos, brancos e prontos para encharcarem-se de poeira nesse tanto de caminhos que eu tenho e que você, por atitudes tão vis e que não vão fazer a mínima diferença na vida de ninguém que por excelência é bom e merecedor de todas as doçuras da vida, não vai ter sequer a oportunidade de provar. Mas não estou aqui para lhe fazer julgamentos que me falta peso nas mãos e ar nos pulmões (já congestionados pela nicotina) para sentenciar. Apenas escute: eu não te amo, não é insistência e não há sonhos acerca de você, pois não se constrói sonhos com monstros: faltaria beleza e isso eu tenho a acrescentar graças à Deus! Outra: da próxima vez que for encenar cuidar da pessoa que gosta, faça-o com sinceridade. Não faça mais de mim um meio, um caminho para todo esse inferno que você - por vontade própria - guarda em si. Tão-somente.
Samstag, Mai 15, 2010
Da miséria colhida
"É verdade, minha senhora: atormento-me demasiadamente."
(Tristão - T. Mann)
Toda essa completude ensaiada não chega bem a me dar nos nervos. É que se fosse vice-versa seria surreal do mesmo jeito. Deus, às vezes, adormece. Com um sorriso nos lábios e uma expressão benevolente; quando acorda já é tarde demais: estamos em misérias. Não é que o mundo esteja de cabeça para baixo, é que somos os avessos de nós mesmos cada vez mais afundados no vício e sem ter meios de sair. Quem não têm vícios logo arruma vários, machucamo-nos por assim conseguir sustentar uma abnegação e assim nos sentimos imensos, completos.
Não é também que eu seja a maior reclamona da paróquia; mestre Olavo me ensinou a não deixar a imbecilidade se graduar de forma alguma, mas se a imbecilidade não é nossa que custa deixarmos ela criar pernas? Custa o convívio, custa ego, desgaste emocional e nocional. Tenho visto muita coisa por aí que não me agrada, como os castigos que colho por outrens. Eu estou aqui, de braços cruzados, puxando um cigarro de vez em quando e aguardando e... nada. Pasmante dever tanto assim e não ser castigada e ser preenchida. A verdade é que dá pra sair com vida dessa vida, mas com os olhos repletos de revolta. Não estou satisfeita com as atitudes divinas, talvez por isso nunca mais rezei. E fico triste, assim, muito, por não poder mais rezar de tão chateada. E me sinto humana. E tomo atitudes humanas. O problema é que as conseqüências até seriam banais, talvez apenas um "olá, sou o destino e estou vivo" não seja suficiente e nunca o será. Egos são coisas caras demais e o mais dolorido disso tudo é que as melhores pessoas o quebram ou deixam por aí em alguma calçada, do lado da garrafa (vazia, claro); não entendo como se dá de presente o sono dos justos pra quem tanto falta com essa vida. Mamãe me comprou um escapulário, logo irei fazer as pazes com Seu Zé Céu e assistiremos aos pagamentos, finalmente satisfeitos.
(Tristão - T. Mann)
Toda essa completude ensaiada não chega bem a me dar nos nervos. É que se fosse vice-versa seria surreal do mesmo jeito. Deus, às vezes, adormece. Com um sorriso nos lábios e uma expressão benevolente; quando acorda já é tarde demais: estamos em misérias. Não é que o mundo esteja de cabeça para baixo, é que somos os avessos de nós mesmos cada vez mais afundados no vício e sem ter meios de sair. Quem não têm vícios logo arruma vários, machucamo-nos por assim conseguir sustentar uma abnegação e assim nos sentimos imensos, completos.
Não é também que eu seja a maior reclamona da paróquia; mestre Olavo me ensinou a não deixar a imbecilidade se graduar de forma alguma, mas se a imbecilidade não é nossa que custa deixarmos ela criar pernas? Custa o convívio, custa ego, desgaste emocional e nocional. Tenho visto muita coisa por aí que não me agrada, como os castigos que colho por outrens. Eu estou aqui, de braços cruzados, puxando um cigarro de vez em quando e aguardando e... nada. Pasmante dever tanto assim e não ser castigada e ser preenchida. A verdade é que dá pra sair com vida dessa vida, mas com os olhos repletos de revolta. Não estou satisfeita com as atitudes divinas, talvez por isso nunca mais rezei. E fico triste, assim, muito, por não poder mais rezar de tão chateada. E me sinto humana. E tomo atitudes humanas. O problema é que as conseqüências até seriam banais, talvez apenas um "olá, sou o destino e estou vivo" não seja suficiente e nunca o será. Egos são coisas caras demais e o mais dolorido disso tudo é que as melhores pessoas o quebram ou deixam por aí em alguma calçada, do lado da garrafa (vazia, claro); não entendo como se dá de presente o sono dos justos pra quem tanto falta com essa vida. Mamãe me comprou um escapulário, logo irei fazer as pazes com Seu Zé Céu e assistiremos aos pagamentos, finalmente satisfeitos.
Dienstag, Mai 04, 2010
Da semana
Mutter comprou persianas cor mostarda para sala, de modo que passo a tarde toda vendo em sépia. Todo o cansaço da UFF se extinguiu, voltamos a ser sorridentes e esperançosos (com um copo de cerveja na mão, é claro). A genialidade sem trabalho duro não é genialidade, vide minha prova de alemão. Hmm, dona Rafaga me ensinou da forma mais doce até o céu que a racionalidade é sempre a melhor escolha. Não quer dizer, de longe, que você será sistemático ou mecânico; apenas que haverá uma visualização melhor da vida, mais paz, mais doçura, mais descanso do sofrimento maior - conseqüentemente o afastamento de psicopatas e gente que finge que prossegue (com a cabeça totalmente voltada pra trás). O sol voltou, não estamos de bem, ele derrete meu blush em poucas horas e ainda aguardo a volta do cinzento. Dona Medusa deitou suas asas de ouro em minhas costas, plim!, enormes até as costelas e imensas. Comigo ela pode facilitar a proximidade sem medo algum; ensinei-a que não "é preferível morrer e tornar-se monstro", mas viver em espera e assim sê-lo por tempo demais. Voltei a escutar Sigur Rós, projetos de tatuar a frase "Ágaetis Byrjun" nos pés e mantê-los descalsos, dançantes de Ella Fitzgerald. No mais a empatia com a língua grega continua, com suas declinações tão fofuras e os significados das palavras e verbos tão belos, tão grandes. Auf wiedersehen.
Donnerstag, April 22, 2010
A quem confiar minha tristeza?
A frase-título é um versículo de um canto da Igreja Russa. Os ortodoxos têm se mostrado imensos e me dando uma perspectiva grande de caminhos. Não que haja caminho para andar, mas há caminho para ver e dentre andar ou ver temos sorrisos ligeiros e cansaços eternos. Tenho estado orgulhosa de mim por fazer ver e entender a maioria de que a intuição vale muito mais que a sistematização, que se fosse o contrário Raskolnikóv teria matado a velha e ficado com as jóias, mas ele as escondeu e não quis mais saber delas; logo a coisa toda não remetia à fome mas ao desespero consciental. Mas a imbecilidade evolui tanto quanto a própria inteligência e de vez em quando me deparo com asneiras torpes, há pessoas que acham que possuem o poder de analisar e acertar como se fosse jogar na roleta. Não é uma questão de você escutar uma história, é a questão de não ser um pobre idiota crédulo de sensitividade aguda e que pode dividir o rio e guiar os hebreus. Essa minha moda "deus" está contagiando as pessoas mesmo. Daí cito Tchekov : "Se alguém escreve mal, não se procura explicar-lhe em que consiste o defeito mas dizem-lhe, simplesmente: De novo, este filho da mãe escreveu bobagem!" ; não dá pra ficar vociferando "imbecil vil!" por toda a minha eternidade, desculpem.
Letras está cada dia mais casa. Tanto que sinto-me enorme naqueles blocos que agora parecem tão pequenos. Não há mais beleza ou dor a se descobrir lá, acabou e só sobrou alguma faísca de esperança por um behaviorismo que não me canse na metade e me entretenha por um bom tempo. Todos estamos fartos de dias, todos. Não sei como alguém farto consegue ter a facilidade de fingir para si mesmo que está tudo nuvens de algodão, quando se carrega uma dor daquelas. É sofrimento de deformar a alma e deixá-la moldada e imersa em desgraça. Lembrei agora da aula de grego em que a professora explicava que em grego não há a palavra "pecado" só a palavra "falta". Não há como atingir aos deuses porque estes são superiores demais, logo só podemos cometer atrocidades com nós mesmos (o sentido de falta humana para os gregos é muito maior que o de pecado para nós). Não havia mais como me atingir e por isso tantas faltas contra mim. Queria entender porque tudo em mim remete ao paradoxo, nunca é só uma coisa, são as duas. Tantas opções e nenhuma salvação. Algum dia houve fé aqui neste blog, algum dia houve vida e até mesmo alguma importância aos sentimentos. Tudo ultrapassa o abstrato para mim agora, como em Pde. Antônio Vieira: "(...) em pó, em nada."
Letras está cada dia mais casa. Tanto que sinto-me enorme naqueles blocos que agora parecem tão pequenos. Não há mais beleza ou dor a se descobrir lá, acabou e só sobrou alguma faísca de esperança por um behaviorismo que não me canse na metade e me entretenha por um bom tempo. Todos estamos fartos de dias, todos. Não sei como alguém farto consegue ter a facilidade de fingir para si mesmo que está tudo nuvens de algodão, quando se carrega uma dor daquelas. É sofrimento de deformar a alma e deixá-la moldada e imersa em desgraça. Lembrei agora da aula de grego em que a professora explicava que em grego não há a palavra "pecado" só a palavra "falta". Não há como atingir aos deuses porque estes são superiores demais, logo só podemos cometer atrocidades com nós mesmos (o sentido de falta humana para os gregos é muito maior que o de pecado para nós). Não havia mais como me atingir e por isso tantas faltas contra mim. Queria entender porque tudo em mim remete ao paradoxo, nunca é só uma coisa, são as duas. Tantas opções e nenhuma salvação. Algum dia houve fé aqui neste blog, algum dia houve vida e até mesmo alguma importância aos sentimentos. Tudo ultrapassa o abstrato para mim agora, como em Pde. Antônio Vieira: "(...) em pó, em nada."
Freitag, April 16, 2010
Do mais sensível da Almayer
"The end is in the beginning and yet you go on."
(Endgame - Beckett)
"Você não sabe o que é lutar. Você não sabe m-e-s-m-o o que é lutar, Ana!" (joga o cigarro no chão e sai indignado da mesa do bar).
Ele tem mais fé e vê mais coragem no amor que eu. E definitivamente eu não sei lutar mesmo. Todas as minhas declarações de amor são egoístas, não tem uma que se pareça ao menos com uma declaração de amor de bom grado. É tudo pra mim. A idéia de onipresente e onisciente ainda está em mim, daí a maioria me achar tão parecida com Deus, mesmo nunca tendo visto seu rosto. Vêem o meu cheio de arrogância-doçura e acham que é isso mesmo: Deus. Mais: porque vêem meu rosto tão machucado e tão cansado dessa vida que associam a algum tipo de martírio pessoal. E não há. Eu posso não ser a pessoa mais feliz do mundo (e só Deus sabe o quanto eu tenho todos os motivos para ser a mais feliz), mas eu sou livre; e nunca vou abdicar dessa liberdade, nunca. Eu ensino as pessoas a sonharem, mas não as ensino a voar. E é tão fácil. Ou é pra quem não tem mais nada a perder? Não sei. Tá, sou cansada, livre e orgulhosa. Eu até queria, queria de verdade, perder meu precioso e sagrado (sim, sagrado, segundo algumas pessoas eu sou Deus, então é sagrado! rs) tempo com o ser que me ama, mas não dá. É que no amor eu sempre prefiro manter uma distância educada. Talvez eu tenha nascido na época errada, talvez se eu tivesse nascido no séc. XVII eu pensasse "poultz!, nasci com o sexo errado!"; é tudo muito errado. Ah!, e claro!, quando resolvo extrair de mim para lhe dar acabo sendo espetáculo para todos, porque não são quaisquer palavras, são as palavras da Ana, então todos querem ver, todos querem tocar o papel, o maço de cigarro, o isqueiro, quiçá qualquer guimba que deixei por aí. Relíquias. Engraçado isso, além de ser tratada como Deus sou tratada como morta.
(Endgame - Beckett)
"Você não sabe o que é lutar. Você não sabe m-e-s-m-o o que é lutar, Ana!" (joga o cigarro no chão e sai indignado da mesa do bar).
Ele tem mais fé e vê mais coragem no amor que eu. E definitivamente eu não sei lutar mesmo. Todas as minhas declarações de amor são egoístas, não tem uma que se pareça ao menos com uma declaração de amor de bom grado. É tudo pra mim. A idéia de onipresente e onisciente ainda está em mim, daí a maioria me achar tão parecida com Deus, mesmo nunca tendo visto seu rosto. Vêem o meu cheio de arrogância-doçura e acham que é isso mesmo: Deus. Mais: porque vêem meu rosto tão machucado e tão cansado dessa vida que associam a algum tipo de martírio pessoal. E não há. Eu posso não ser a pessoa mais feliz do mundo (e só Deus sabe o quanto eu tenho todos os motivos para ser a mais feliz), mas eu sou livre; e nunca vou abdicar dessa liberdade, nunca. Eu ensino as pessoas a sonharem, mas não as ensino a voar. E é tão fácil. Ou é pra quem não tem mais nada a perder? Não sei. Tá, sou cansada, livre e orgulhosa. Eu até queria, queria de verdade, perder meu precioso e sagrado (sim, sagrado, segundo algumas pessoas eu sou Deus, então é sagrado! rs) tempo com o ser que me ama, mas não dá. É que no amor eu sempre prefiro manter uma distância educada. Talvez eu tenha nascido na época errada, talvez se eu tivesse nascido no séc. XVII eu pensasse "poultz!, nasci com o sexo errado!"; é tudo muito errado. Ah!, e claro!, quando resolvo extrair de mim para lhe dar acabo sendo espetáculo para todos, porque não são quaisquer palavras, são as palavras da Ana, então todos querem ver, todos querem tocar o papel, o maço de cigarro, o isqueiro, quiçá qualquer guimba que deixei por aí. Relíquias. Engraçado isso, além de ser tratada como Deus sou tratada como morta.
Dienstag, April 13, 2010
Tristeza
"Errei pela primeira vez quando me pediu a palavra amor, e eu neguei.
Mentindo e blefando no jogo de não conceder poderes excessivos, quando o único
jogo acertado seria não jogar: neguei e errei."
C.F. Abreu
Lápis de olho borrado no papel higiênico do banheiro do bar, nariz fungante e olhos no espelho. Água escorrendo pela torneira, mãos apoiadas na pia. Quando é que você irá ficar de bem comigo, vida?
Mentindo e blefando no jogo de não conceder poderes excessivos, quando o único
jogo acertado seria não jogar: neguei e errei."
C.F. Abreu
Lápis de olho borrado no papel higiênico do banheiro do bar, nariz fungante e olhos no espelho. Água escorrendo pela torneira, mãos apoiadas na pia. Quando é que você irá ficar de bem comigo, vida?
Sonntag, April 11, 2010
Do psicopata que só faz bem para mim:
- Isso foi depois da nossa última conversa... Em qual das categorias me enquadro? Família ou amores?! Eu estava falando das fotos nuas da Milla Jovovich! Mas já que falou das suas, tudo bem, o casaco de duas listras deve esconder algo apetitoso por baixo. (...) Quando era criança a palavra nerd nem mesmo existia, e mesmo assim tentava mover as pedras com a Força! Meus irmãos foram assistir "O Império Contra-Ataca", quando foi lançado no cinema, não pude ir junto pela idade. Chorei a noite inteira... E sonhei que tinha um sabre de luz embaixo da cama. Cheguei a escutar o som dele. Mas peguei no sono e ele se perdeu para todo o sempre. Minha predileta dos Beatles é quase todas: Dear Prudence, Dig a Pony, várias. Estou aqui conversando ao vento com seu avatar, muito interessante!
- Olá, Dré! rs. Então, você se enquadra na categoria 'amigos', uai! Estava querendo fazer parte da categoria 'amores-da-vida-da-Ana'? rs,rs. Bem, levando-se em conta que o mocinho ficou hmm 10 minutos?, olhando para meu avatar emiéssiênico e conversando sozinho, só pode ser loucura da paixão mesmo! Bem vindo ao fã clube da Ana, haha! Brincadeira. Há algo de apetitoso por debaixo do moletom, claro. Na verdade, seja lá quem for e o que esteja vestindo sempre há uma forma de ser apetitoso a alguém, temos um maldito plano espiritual-amoroso nessa vida, rs. Estou morrendo de rir da história do Guerra nas Estrelas, rs. Chorar pelo Darth Vader é no mínimo muito digno, estou orgulhosa... Veja bem eu!, reles mortal querendo comprar um Adidas Star Wars enquanto você chora dignamente. Sim, "Yesterdays" continua sendo a melhor, quando você fizer tanta besteira na vida que não der conta vai ser a sua também! rs.
Post scriptum: Seu vizinho do Wireless continua sendo um canalha vil, rs.
- Olá, Dré! rs. Então, você se enquadra na categoria 'amigos', uai! Estava querendo fazer parte da categoria 'amores-da-vida-da-Ana'? rs,rs. Bem, levando-se em conta que o mocinho ficou hmm 10 minutos?, olhando para meu avatar emiéssiênico e conversando sozinho, só pode ser loucura da paixão mesmo! Bem vindo ao fã clube da Ana, haha! Brincadeira. Há algo de apetitoso por debaixo do moletom, claro. Na verdade, seja lá quem for e o que esteja vestindo sempre há uma forma de ser apetitoso a alguém, temos um maldito plano espiritual-amoroso nessa vida, rs. Estou morrendo de rir da história do Guerra nas Estrelas, rs. Chorar pelo Darth Vader é no mínimo muito digno, estou orgulhosa... Veja bem eu!, reles mortal querendo comprar um Adidas Star Wars enquanto você chora dignamente. Sim, "Yesterdays" continua sendo a melhor, quando você fizer tanta besteira na vida que não der conta vai ser a sua também! rs.
Post scriptum: Seu vizinho do Wireless continua sendo um canalha vil, rs.
Mittwoch, April 07, 2010
Pés descalços
A chuva de onde moro matou mais de cem, enquanto as pessoas morriam soterradas eu comia salgadinhos de camarão e bebia cerveja com a Rafaga e o Vinícius. Isso mesmo, caía o mundo lá fora do bar e eu nem me dava conta de nada. Irônico isso, não? Na verdade é maldade pura da vida mesmo. O certo seria eu estar soterrada e toda gente que luta estar comendo salgadinhos e tomando cervejas. Eu não sou excessão à regra, há muitas pessoas que não deveriam ter tido a sorte de um cordão umbilical e desfilam por aí, como se fossem dignas de um nariz puxante de oxigênio. Sou do movimento "oxigênio não é para todos"; no mínimo podiam fazer fotossíntese e depender de luz; aí que me dou conta de que tem que ser humano mesmo, porque luz é uma coisa que essa gente não tem. Sabe, não morri e meu all star azul-marinho-acinzentado secou facilmente no dia seguinte. Eu não morri e a Rafaga disse que eu sou extrema-mega-ultra-dupa sensível e que isso desacarretou a quebra da linha da cabeça (quebra de consciência dostoievskiana pura!). Esse post está demais a cara do André, só falta mesmo o humor. Vamos lá: eu não morri porque sou o Ikki de Fênix! Eu sou onipotente, onipresente, onimodapresente (essa eu também inventei, Dré). Espera, vou deixar isso com a cara da Ana. Eu não morri porque eu sou Pégasus, o cavalo com asas. Você sabe quem era Pégasus antes de ficar vistoso e fofura? Ele era a Medusa, o monstro castigado (antes era uma deusa belíssima que foi estuprada) por Zeus que não podia ao menos tocar ou olhar para os próprios filhos. Eu não morri e meus braços estão vazios.
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