A frase-título é um versículo de um canto da Igreja Russa. Os ortodoxos têm se mostrado imensos e me dando uma perspectiva grande de caminhos. Não que haja caminho para andar, mas há caminho para ver e dentre andar ou ver temos sorrisos ligeiros e cansaços eternos. Tenho estado orgulhosa de mim por fazer ver e entender a maioria de que a intuição vale muito mais que a sistematização, que se fosse o contrário Raskolnikóv teria matado a velha e ficado com as jóias, mas ele as escondeu e não quis mais saber delas; logo a coisa toda não remetia à fome mas ao desespero consciental. Mas a imbecilidade evolui tanto quanto a própria inteligência e de vez em quando me deparo com asneiras torpes, há pessoas que acham que possuem o poder de analisar e acertar como se fosse jogar na roleta. Não é uma questão de você escutar uma história, é a questão de não ser um pobre idiota crédulo de sensitividade aguda e que pode dividir o rio e guiar os hebreus. Essa minha moda "deus" está contagiando as pessoas mesmo. Daí cito Tchekov : "Se alguém escreve mal, não se procura explicar-lhe em que consiste o defeito mas dizem-lhe, simplesmente: De novo, este filho da mãe escreveu bobagem!" ; não dá pra ficar vociferando "imbecil vil!" por toda a minha eternidade, desculpem.
Letras está cada dia mais casa. Tanto que sinto-me enorme naqueles blocos que agora parecem tão pequenos. Não há mais beleza ou dor a se descobrir lá, acabou e só sobrou alguma faísca de esperança por um behaviorismo que não me canse na metade e me entretenha por um bom tempo. Todos estamos fartos de dias, todos. Não sei como alguém farto consegue ter a facilidade de fingir para si mesmo que está tudo nuvens de algodão, quando se carrega uma dor daquelas. É sofrimento de deformar a alma e deixá-la moldada e imersa em desgraça. Lembrei agora da aula de grego em que a professora explicava que em grego não há a palavra "pecado" só a palavra "falta". Não há como atingir aos deuses porque estes são superiores demais, logo só podemos cometer atrocidades com nós mesmos (o sentido de falta humana para os gregos é muito maior que o de pecado para nós). Não havia mais como me atingir e por isso tantas faltas contra mim. Queria entender porque tudo em mim remete ao paradoxo, nunca é só uma coisa, são as duas. Tantas opções e nenhuma salvação. Algum dia houve fé aqui neste blog, algum dia houve vida e até mesmo alguma importância aos sentimentos. Tudo ultrapassa o abstrato para mim agora, como em Pde. Antônio Vieira: "(...) em pó, em nada."
Donnerstag, April 22, 2010
Freitag, April 16, 2010
Do mais sensível da Almayer
"The end is in the beginning and yet you go on."
(Endgame - Beckett)
"Você não sabe o que é lutar. Você não sabe m-e-s-m-o o que é lutar, Ana!" (joga o cigarro no chão e sai indignado da mesa do bar).
Ele tem mais fé e vê mais coragem no amor que eu. E definitivamente eu não sei lutar mesmo. Todas as minhas declarações de amor são egoístas, não tem uma que se pareça ao menos com uma declaração de amor de bom grado. É tudo pra mim. A idéia de onipresente e onisciente ainda está em mim, daí a maioria me achar tão parecida com Deus, mesmo nunca tendo visto seu rosto. Vêem o meu cheio de arrogância-doçura e acham que é isso mesmo: Deus. Mais: porque vêem meu rosto tão machucado e tão cansado dessa vida que associam a algum tipo de martírio pessoal. E não há. Eu posso não ser a pessoa mais feliz do mundo (e só Deus sabe o quanto eu tenho todos os motivos para ser a mais feliz), mas eu sou livre; e nunca vou abdicar dessa liberdade, nunca. Eu ensino as pessoas a sonharem, mas não as ensino a voar. E é tão fácil. Ou é pra quem não tem mais nada a perder? Não sei. Tá, sou cansada, livre e orgulhosa. Eu até queria, queria de verdade, perder meu precioso e sagrado (sim, sagrado, segundo algumas pessoas eu sou Deus, então é sagrado! rs) tempo com o ser que me ama, mas não dá. É que no amor eu sempre prefiro manter uma distância educada. Talvez eu tenha nascido na época errada, talvez se eu tivesse nascido no séc. XVII eu pensasse "poultz!, nasci com o sexo errado!"; é tudo muito errado. Ah!, e claro!, quando resolvo extrair de mim para lhe dar acabo sendo espetáculo para todos, porque não são quaisquer palavras, são as palavras da Ana, então todos querem ver, todos querem tocar o papel, o maço de cigarro, o isqueiro, quiçá qualquer guimba que deixei por aí. Relíquias. Engraçado isso, além de ser tratada como Deus sou tratada como morta.
(Endgame - Beckett)
"Você não sabe o que é lutar. Você não sabe m-e-s-m-o o que é lutar, Ana!" (joga o cigarro no chão e sai indignado da mesa do bar).
Ele tem mais fé e vê mais coragem no amor que eu. E definitivamente eu não sei lutar mesmo. Todas as minhas declarações de amor são egoístas, não tem uma que se pareça ao menos com uma declaração de amor de bom grado. É tudo pra mim. A idéia de onipresente e onisciente ainda está em mim, daí a maioria me achar tão parecida com Deus, mesmo nunca tendo visto seu rosto. Vêem o meu cheio de arrogância-doçura e acham que é isso mesmo: Deus. Mais: porque vêem meu rosto tão machucado e tão cansado dessa vida que associam a algum tipo de martírio pessoal. E não há. Eu posso não ser a pessoa mais feliz do mundo (e só Deus sabe o quanto eu tenho todos os motivos para ser a mais feliz), mas eu sou livre; e nunca vou abdicar dessa liberdade, nunca. Eu ensino as pessoas a sonharem, mas não as ensino a voar. E é tão fácil. Ou é pra quem não tem mais nada a perder? Não sei. Tá, sou cansada, livre e orgulhosa. Eu até queria, queria de verdade, perder meu precioso e sagrado (sim, sagrado, segundo algumas pessoas eu sou Deus, então é sagrado! rs) tempo com o ser que me ama, mas não dá. É que no amor eu sempre prefiro manter uma distância educada. Talvez eu tenha nascido na época errada, talvez se eu tivesse nascido no séc. XVII eu pensasse "poultz!, nasci com o sexo errado!"; é tudo muito errado. Ah!, e claro!, quando resolvo extrair de mim para lhe dar acabo sendo espetáculo para todos, porque não são quaisquer palavras, são as palavras da Ana, então todos querem ver, todos querem tocar o papel, o maço de cigarro, o isqueiro, quiçá qualquer guimba que deixei por aí. Relíquias. Engraçado isso, além de ser tratada como Deus sou tratada como morta.
Dienstag, April 13, 2010
Tristeza
"Errei pela primeira vez quando me pediu a palavra amor, e eu neguei.
Mentindo e blefando no jogo de não conceder poderes excessivos, quando o único
jogo acertado seria não jogar: neguei e errei."
C.F. Abreu
Lápis de olho borrado no papel higiênico do banheiro do bar, nariz fungante e olhos no espelho. Água escorrendo pela torneira, mãos apoiadas na pia. Quando é que você irá ficar de bem comigo, vida?
Mentindo e blefando no jogo de não conceder poderes excessivos, quando o único
jogo acertado seria não jogar: neguei e errei."
C.F. Abreu
Lápis de olho borrado no papel higiênico do banheiro do bar, nariz fungante e olhos no espelho. Água escorrendo pela torneira, mãos apoiadas na pia. Quando é que você irá ficar de bem comigo, vida?
Sonntag, April 11, 2010
Do psicopata que só faz bem para mim:
- Isso foi depois da nossa última conversa... Em qual das categorias me enquadro? Família ou amores?! Eu estava falando das fotos nuas da Milla Jovovich! Mas já que falou das suas, tudo bem, o casaco de duas listras deve esconder algo apetitoso por baixo. (...) Quando era criança a palavra nerd nem mesmo existia, e mesmo assim tentava mover as pedras com a Força! Meus irmãos foram assistir "O Império Contra-Ataca", quando foi lançado no cinema, não pude ir junto pela idade. Chorei a noite inteira... E sonhei que tinha um sabre de luz embaixo da cama. Cheguei a escutar o som dele. Mas peguei no sono e ele se perdeu para todo o sempre. Minha predileta dos Beatles é quase todas: Dear Prudence, Dig a Pony, várias. Estou aqui conversando ao vento com seu avatar, muito interessante!
- Olá, Dré! rs. Então, você se enquadra na categoria 'amigos', uai! Estava querendo fazer parte da categoria 'amores-da-vida-da-Ana'? rs,rs. Bem, levando-se em conta que o mocinho ficou hmm 10 minutos?, olhando para meu avatar emiéssiênico e conversando sozinho, só pode ser loucura da paixão mesmo! Bem vindo ao fã clube da Ana, haha! Brincadeira. Há algo de apetitoso por debaixo do moletom, claro. Na verdade, seja lá quem for e o que esteja vestindo sempre há uma forma de ser apetitoso a alguém, temos um maldito plano espiritual-amoroso nessa vida, rs. Estou morrendo de rir da história do Guerra nas Estrelas, rs. Chorar pelo Darth Vader é no mínimo muito digno, estou orgulhosa... Veja bem eu!, reles mortal querendo comprar um Adidas Star Wars enquanto você chora dignamente. Sim, "Yesterdays" continua sendo a melhor, quando você fizer tanta besteira na vida que não der conta vai ser a sua também! rs.
Post scriptum: Seu vizinho do Wireless continua sendo um canalha vil, rs.
- Olá, Dré! rs. Então, você se enquadra na categoria 'amigos', uai! Estava querendo fazer parte da categoria 'amores-da-vida-da-Ana'? rs,rs. Bem, levando-se em conta que o mocinho ficou hmm 10 minutos?, olhando para meu avatar emiéssiênico e conversando sozinho, só pode ser loucura da paixão mesmo! Bem vindo ao fã clube da Ana, haha! Brincadeira. Há algo de apetitoso por debaixo do moletom, claro. Na verdade, seja lá quem for e o que esteja vestindo sempre há uma forma de ser apetitoso a alguém, temos um maldito plano espiritual-amoroso nessa vida, rs. Estou morrendo de rir da história do Guerra nas Estrelas, rs. Chorar pelo Darth Vader é no mínimo muito digno, estou orgulhosa... Veja bem eu!, reles mortal querendo comprar um Adidas Star Wars enquanto você chora dignamente. Sim, "Yesterdays" continua sendo a melhor, quando você fizer tanta besteira na vida que não der conta vai ser a sua também! rs.
Post scriptum: Seu vizinho do Wireless continua sendo um canalha vil, rs.
Mittwoch, April 07, 2010
Pés descalços
A chuva de onde moro matou mais de cem, enquanto as pessoas morriam soterradas eu comia salgadinhos de camarão e bebia cerveja com a Rafaga e o Vinícius. Isso mesmo, caía o mundo lá fora do bar e eu nem me dava conta de nada. Irônico isso, não? Na verdade é maldade pura da vida mesmo. O certo seria eu estar soterrada e toda gente que luta estar comendo salgadinhos e tomando cervejas. Eu não sou excessão à regra, há muitas pessoas que não deveriam ter tido a sorte de um cordão umbilical e desfilam por aí, como se fossem dignas de um nariz puxante de oxigênio. Sou do movimento "oxigênio não é para todos"; no mínimo podiam fazer fotossíntese e depender de luz; aí que me dou conta de que tem que ser humano mesmo, porque luz é uma coisa que essa gente não tem. Sabe, não morri e meu all star azul-marinho-acinzentado secou facilmente no dia seguinte. Eu não morri e a Rafaga disse que eu sou extrema-mega-ultra-dupa sensível e que isso desacarretou a quebra da linha da cabeça (quebra de consciência dostoievskiana pura!). Esse post está demais a cara do André, só falta mesmo o humor. Vamos lá: eu não morri porque sou o Ikki de Fênix! Eu sou onipotente, onipresente, onimodapresente (essa eu também inventei, Dré). Espera, vou deixar isso com a cara da Ana. Eu não morri porque eu sou Pégasus, o cavalo com asas. Você sabe quem era Pégasus antes de ficar vistoso e fofura? Ele era a Medusa, o monstro castigado (antes era uma deusa belíssima que foi estuprada) por Zeus que não podia ao menos tocar ou olhar para os próprios filhos. Eu não morri e meus braços estão vazios.
Mittwoch, März 31, 2010
Equinócio
Só para constar que sofrer como mártir não está com nada, podem largar suas pseudo-coroas de espinhos caso tenha passado pela cabeça colocá-las e fazer uma grande expressão de dignidade. Só estou muito triste, do mesmo jeito que eu estava há algum tempo olhando para a tela do pc absorta, sem conseguir pronunciar uma palavra. Daí se seguiram dias, chorando baixinho, molhando o travesseiro, empurrando garfadas de comida goela abaixo e tudo o mais. Não poderia ter sido diferente, não para mim. Porque eu já compreendi que vocês nunca vão compreender que eu sou de carne, osso e excentricidade, que sim eu sinto muito e foi lindo e me fez falta por muito tempo; e o verbo no passado é só porque a inércia e a tristeza em excesso não me permitem transformar passado em presente e me lembro do Gatsby de novo esmurrando o ar e tentando provar para si mesmo que podia fazer o passado retornar sim. Ou fazer como a Dra. Grey andar pelos corredores cabisbaixa e sair do elevador com um olhar triste-digno murmurando baixinho para ele "sinto saudade". Mas eu tenho um queixo orgulhoso e um olhar que poucos aguentam, se até minha mãe me chamou de arrogante eu nunca poderia esperar que vocês entendessem que... ain, cansei, só me abraça (se ainda houverem braços depois de tanto sofrimento). E eu sei que esse cansaço, esse martírio-jeitinho-brasileiro não parte só de mim, eu sou menos indiferente do que pareço. Eu só estou realmente muito cansada, e dormir ou morrer também não adiantaria de muita coisa; um grande buraco negro sugando todas as possibilidades de vida, eis a Ana.
Donnerstag, März 25, 2010
Páthos
Termo grego que designa sofrimento ou experiência, sofrimento em grego também pode ser chamado de páskhó (daí a Páscoa que quer dizer sofrimento maior e não ovos de chocolate que eu tanto amo ganhar, rs). É que eu estava fazendo a transliteração de palavras na aula e daí surgiu páthos, queria realmente que meu teclado permitisse eu escrever os termos em grego que são tão bonitinhos-fofura, sério, conquistam. Então, o campus anda cada dia mais vazio. Não fazemos mais aulas lá, estamos aprendendo tudo no mesa do Bin Laden; nós: todos juntos, cada um com seu copo, os não-fumantes respeitando os fumantes e a lei anti-fumo foi-se ralo abaixo.
Nós ficamos lá e sempre adiamos mais tempo, achamos que se ficarmos no vício mais alguns segundos toda a nossa vida irá mudar. Esse é o pensamento de um viciado: só mais uma e a vida muda. Depois dos segundos tudo que nos sobra é muito tédio e uma inércia que nos impede de chegar em casa em um horário razoável. Eu adoeci assim, de repente o mundo ficou num borrão e acostumou assim, sem graça, sem visão. A cegueira não me assusta mais, eu até gosto dela, mas vejo; a maioria das vezes eu vejo e vivo assim: cega-vendo-tudo, muito sofrimento. É como se você visse mas não pudesse fazer mais nada e quando não podemos fazer mais nada a vida começa a se parecer muito com a morte, aliás, vai além dela e ninguém -ainda por cima- sente demais por você. A verdade é que eu posso fazer sim, mas o behaviorismo anda tão bom assim, mil dicionários, mil gramáticas, grego, alemão, língua portuguesa que começo a acreditar na antropomorfogia no amor.
A verdade é que não se acostuma a viver sem o essencial, os pés travam, a cabeça são só memórias e o pior de tudo é a comparação com o presente. Tudo transfigurado em algo muito pior, muito nojento de arrancar ânsias mas não tem jeito mesmo então se continua assim. O problema dos homens hoje em dia é quererem ser o que os heróis gregos não foram: comedidos. Que que tem de mais fazer uma hýbris de vez em quando, irritar os deuses do Olimpo, irritar todos em volta, passar vergonha e alcançar a glória eterna? Uma grande burrice-perda-de-tempo sermos heróis-filhos-namorados-amigos comedidos quando podemos ser deuses, mas nascemos tementes e presos, estamos realmente ferrados, meu amor.
Nós ficamos lá e sempre adiamos mais tempo, achamos que se ficarmos no vício mais alguns segundos toda a nossa vida irá mudar. Esse é o pensamento de um viciado: só mais uma e a vida muda. Depois dos segundos tudo que nos sobra é muito tédio e uma inércia que nos impede de chegar em casa em um horário razoável. Eu adoeci assim, de repente o mundo ficou num borrão e acostumou assim, sem graça, sem visão. A cegueira não me assusta mais, eu até gosto dela, mas vejo; a maioria das vezes eu vejo e vivo assim: cega-vendo-tudo, muito sofrimento. É como se você visse mas não pudesse fazer mais nada e quando não podemos fazer mais nada a vida começa a se parecer muito com a morte, aliás, vai além dela e ninguém -ainda por cima- sente demais por você. A verdade é que eu posso fazer sim, mas o behaviorismo anda tão bom assim, mil dicionários, mil gramáticas, grego, alemão, língua portuguesa que começo a acreditar na antropomorfogia no amor.
A verdade é que não se acostuma a viver sem o essencial, os pés travam, a cabeça são só memórias e o pior de tudo é a comparação com o presente. Tudo transfigurado em algo muito pior, muito nojento de arrancar ânsias mas não tem jeito mesmo então se continua assim. O problema dos homens hoje em dia é quererem ser o que os heróis gregos não foram: comedidos. Que que tem de mais fazer uma hýbris de vez em quando, irritar os deuses do Olimpo, irritar todos em volta, passar vergonha e alcançar a glória eterna? Uma grande burrice-perda-de-tempo sermos heróis-filhos-namorados-amigos comedidos quando podemos ser deuses, mas nascemos tementes e presos, estamos realmente ferrados, meu amor.
Dienstag, März 23, 2010
Feiertag
Sonntag, März 14, 2010
Os bafões do Paul
Paul é um querido que eu conheço há mais ou menos um ano e com quem vou ter filhos arianos de bochechas rosadas, rs. Ele contando dos causos dele quando foi a Alemanha:
- I ever told really funny! The first was a german guy asked me to close the window but it was really hot and I wanted to say: do it yourself; in dutch: do het zelf! I translate and said go to masturbate! (mach es disrselbst!). Second mistake: In dutch there is a word "bij-slapen", it means getting extra sleep like if you had a long party until 6 in the morning. Then you go sleep in the afternoon 1-2 hours. In dutch this means "bij-slapen". Now there was a german girl, in our office and she was sick a little. So, she went home and slept for few hours. Then I asked her later: hast du gut beigeschlafen? What means did you good sex!
( Rindo até agora).
- I ever told really funny! The first was a german guy asked me to close the window but it was really hot and I wanted to say: do it yourself; in dutch: do het zelf! I translate and said go to masturbate! (mach es disrselbst!). Second mistake: In dutch there is a word "bij-slapen", it means getting extra sleep like if you had a long party until 6 in the morning. Then you go sleep in the afternoon 1-2 hours. In dutch this means "bij-slapen". Now there was a german girl, in our office and she was sick a little. So, she went home and slept for few hours. Then I asked her later: hast du gut beigeschlafen? What means did you good sex!
( Rindo até agora).
Samstag, März 13, 2010
Vocês tinham que saber...
... que dormirei o sono dos justos, depois de tanto tempo. Sem peso na alma e com a certeza que há sim o amanhã e sem manchas, com sorrisos, com as folhas rolando pelos paralelepípedos da UFF ou os raios muito quentes atravessando minha janela. Assim. Em paz. Boa noite.
Dienstag, März 09, 2010
Do subtítulo do blog
Calvino (o Ítalo, não o João) tem sido um dos queridos nos últimos tempos. N'as cidades impossíveis é totalmente possível, e permitido, sonhar. Prestem atenção: sonhar, não fantasiar. Pus o parágrafo final do livro como subtítulo, pois é um parágrafo válido por e para toda a vida. O interessante é que você imagina e sonha o livro todo e no final Calvino mostra o contrário do livro todo: a realidade. Eu não tenho seguido a filosofia dele, é mais forte do que toda vontade e disponibilidade de paciência que me restam. Ao invés de reconhecer quem e o que não é inferno e dentre o que não é abrir espaço, eu abro espaço para o inferno; melhor dizendo o inferno abre espaço em mim. Acontece que eu não quero pular para a primeira opção e me adaptar ao inferno, eu não sou inferno, até minha expressão facial é branda (apesar do septo furado): quase sorriso de longe na face, digamos que um sorriso de um vencido. Sou amada, quase idolatrada por zilhões de seres vivos e tenho a pachorra de sustentar uma cara de mártir-quase-feliz; é meio absurdo, mas ainda assim brando.
"Até o ponto de deixar de percebê-lo"; e quando o inferno quer ser visto? O inferno é o inferno, ele é vaidoso, ainda mais comigo; ele quer espaço na Ana, aliás todo espaço. Isso me lembra o homem do subsolo, ele passava pelo oficial todos os dias, perseguia o oficial e este nunca nem ao menos lhe cedeu espaço para passar; o homem do subsolo resolveu esbarrar e nem assim o oficial notou sua presença. Eu já notei a sua, já ganhou post no blog com direito a Calvino, tire uma foto, mostre para as amigas e dê-se por satisfeita s'il vous plaît. Porque eu posso ter cinco overdoses seguidas, voltar aos meus vícios, ser vítima de grosserias dele, mas você nunca, nunca vai deixar de lembrar quem é a Ana, porque você não sou eu e é isso que te dói. Quanto a isso não posso fazer nada e sabe do mais? Você seria uma ótima pessoa se isso o que você é não fosse puramente interpretado, você não é boa e você sabe disso; aliás todo o mundo sabe. Ele finge que não sabe porque acha que gritando ou casando com quem quer que seja vai criar um enorme buraco mim, mas o buraco que há em mim foi ganho há muito quando ele nem sabia ser gente, e ainda não o sabe. O que eu quero, entenda, é poder imaginar que não respiramos o mesmo ar, porque não acho digno de mim; não quero ele, nunca vou querer, não o amo, acho que nunca amei. Impossível amar alguém sem talento quando se nasce com um. Anyway, eu e meu professor de Literatura Brasileira temos um ótimo contato visual.
"Até o ponto de deixar de percebê-lo"; e quando o inferno quer ser visto? O inferno é o inferno, ele é vaidoso, ainda mais comigo; ele quer espaço na Ana, aliás todo espaço. Isso me lembra o homem do subsolo, ele passava pelo oficial todos os dias, perseguia o oficial e este nunca nem ao menos lhe cedeu espaço para passar; o homem do subsolo resolveu esbarrar e nem assim o oficial notou sua presença. Eu já notei a sua, já ganhou post no blog com direito a Calvino, tire uma foto, mostre para as amigas e dê-se por satisfeita s'il vous plaît. Porque eu posso ter cinco overdoses seguidas, voltar aos meus vícios, ser vítima de grosserias dele, mas você nunca, nunca vai deixar de lembrar quem é a Ana, porque você não sou eu e é isso que te dói. Quanto a isso não posso fazer nada e sabe do mais? Você seria uma ótima pessoa se isso o que você é não fosse puramente interpretado, você não é boa e você sabe disso; aliás todo o mundo sabe. Ele finge que não sabe porque acha que gritando ou casando com quem quer que seja vai criar um enorme buraco mim, mas o buraco que há em mim foi ganho há muito quando ele nem sabia ser gente, e ainda não o sabe. O que eu quero, entenda, é poder imaginar que não respiramos o mesmo ar, porque não acho digno de mim; não quero ele, nunca vou querer, não o amo, acho que nunca amei. Impossível amar alguém sem talento quando se nasce com um. Anyway, eu e meu professor de Literatura Brasileira temos um ótimo contato visual.
Samstag, März 06, 2010
Has paid of well...
Essa coisa de "meu eu", "meu ser", "eu me lembro quando", já encheu. Somos, entendem? S-o-m-o-s! E não deixaremos de ser. Podemos no máximo dosar, talvez fazer o outro de nós pular para fora e duelar, quiçá abrir uma acordo para não sermos tanto ou muito pouco, apenas. Não adianta dar show e nem tentar usar quem sabe do que fala para tentar ilustrar teorias furadas e que cheiram a caca de gato. Conselho: entra no primeiro bar-pé-sujo da esquina, pede uma dose de pinga, acende um cigarro, dá uma olhada na estrutura da cidade e vire gente. Por favor, vire gente antes que eu vomite.
Montag, März 01, 2010
Nelson
Você entrou por aquele portão branco com a pele bronzeada de sol e mais magro, havia esperança nos seus olhos; ter saído daquele inferno de desconhecidos foi a melhor coisa que já lhe aconteceu, apesar dos olhares de desprezo de mamãe. Ela nunca gostou de você, sabe o que acontece quando se dá um passo fora da linha. Um copo a mais de cerveja, um cuba libre, vestígios de pó nas narinas, ninguém nunca se dignaria a te entender, por muito menos pregaram uma pessoa na cruz. E você não tinha fome, não queria café, não queria fazer barulho, não queria nem ao menos um lençol na cama, não queria também tomar banho. Mas era para não dar trabalho, para evitar o menosprezo do olhar e a culpa na consciência, afinal de contas você jamais poderia dormir o sono dos justos.
Antes zombávamos dos diferentes de você, agora zombamos de você porque você não tem mais coordenação motora, você a treme todo tempo, o que falta no fígado sobe para as mãos. E você fede, por isso não sentamos perto e jogamos sua toalha de banho no chão, como um porco imundo que nunca conseguirá atrair o mínimo de dignidade. E você pede desculpas por tudo, céus!, não adianta pedir desculpas, ela nunca vai te olhar com bondade e eu nunca vou olhar nos seus olhos porque você sou eu com os mesmos problemas e o mesmo fardo sem saída, sem solução. Eu prendo meu olhar para fora de ti, vou chorar, chorar de me acabar, chorar até você entender que não é culpa minha, não é culpa de mamãe, não é culpa de Deus e nem a culpa de ninguém, nem mesmo sua. Seu lábio inferior treme, suas roupas são para obesos, seu tênis está rasgado e você não se importa, você até dá uma risadinha de humildade; como se não houvesse mal algum estar em trapos, viver em trapos, viver por trapos e dispensar todas as chances de sair disso. Tanto que te acharam lá, naquele antro de pessoas como nós, vítimas do cansaço e da desmistificação, do trabalho rude que não tece mais as mãos e só serve para nos fazer suspirar até darmos conta que a vida não é um problema nosso. E costuma ser cruel com quem não acha. E vence. Eu choro todas as tardes com a sua imagem esparramada e constrangida no chão da sala, sem pedir um travesseiro, sem pedir ventilador, sem pedir nem um copo d'água, que não negaríamos se você não fosse quem você é, e eu sei que a negação até do copo d'água está no olhar; você nunca vai se dar uma chance de perdão: ou somos a vergonha absoluta ou lutamos contra a consciência da vergonha que sempre nos cerca, e para você nunca nunca haverão abraços.
Antes zombávamos dos diferentes de você, agora zombamos de você porque você não tem mais coordenação motora, você a treme todo tempo, o que falta no fígado sobe para as mãos. E você fede, por isso não sentamos perto e jogamos sua toalha de banho no chão, como um porco imundo que nunca conseguirá atrair o mínimo de dignidade. E você pede desculpas por tudo, céus!, não adianta pedir desculpas, ela nunca vai te olhar com bondade e eu nunca vou olhar nos seus olhos porque você sou eu com os mesmos problemas e o mesmo fardo sem saída, sem solução. Eu prendo meu olhar para fora de ti, vou chorar, chorar de me acabar, chorar até você entender que não é culpa minha, não é culpa de mamãe, não é culpa de Deus e nem a culpa de ninguém, nem mesmo sua. Seu lábio inferior treme, suas roupas são para obesos, seu tênis está rasgado e você não se importa, você até dá uma risadinha de humildade; como se não houvesse mal algum estar em trapos, viver em trapos, viver por trapos e dispensar todas as chances de sair disso. Tanto que te acharam lá, naquele antro de pessoas como nós, vítimas do cansaço e da desmistificação, do trabalho rude que não tece mais as mãos e só serve para nos fazer suspirar até darmos conta que a vida não é um problema nosso. E costuma ser cruel com quem não acha. E vence. Eu choro todas as tardes com a sua imagem esparramada e constrangida no chão da sala, sem pedir um travesseiro, sem pedir ventilador, sem pedir nem um copo d'água, que não negaríamos se você não fosse quem você é, e eu sei que a negação até do copo d'água está no olhar; você nunca vai se dar uma chance de perdão: ou somos a vergonha absoluta ou lutamos contra a consciência da vergonha que sempre nos cerca, e para você nunca nunca haverão abraços.
Donnerstag, Februar 25, 2010
Estamos sempre chorando no colo do passado
Eu disse isso em diversos textos e Calvino (o Ítalo, vejam bem) me reiterou:
" - Você avança com a cabeça para trás?- ou então: - O que você vê está sempre às suas costas?- ou melhor: - A sua viagem só se dá no passado?
Tudo isso para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar explicar a si mesmo ou ser imaginado explicando ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.
Marco entra numa cidade, vê alguém numa praça que vive uma vida ou um instante que poderiam ser seus; ele podia estar no lugar daquele homem se tivesse parado no tempo tanto tempo atrás, ou então se tanto tempo atrás numa encruzilhada tivesse tomado uma estrada em vez de outra e depois de uma longa viagem se encontrasse no lugar daquele homem e naquela praça.
Agora, desse passado real ou hipotético, ele está excluído; não pode parar; deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguarda por ele, ou algo que talvez fosse um possível futuro e que agora é o presente de outra pessoa. Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.
- Você viaja para reviver seu passado?- era, a esta altura, a pergunta do Khan, que também podia ser formulada da seguinte maneira: - Você viaja para reencontrar o seu futuro?
E a resposta de Marco:
- Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá."
("As cidades invisíveis" - Ítalo Calvino; p.28-29/ tradução: Diogo Mainardi)
" - Você avança com a cabeça para trás?- ou então: - O que você vê está sempre às suas costas?- ou melhor: - A sua viagem só se dá no passado?
Tudo isso para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar explicar a si mesmo ou ser imaginado explicando ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.
Marco entra numa cidade, vê alguém numa praça que vive uma vida ou um instante que poderiam ser seus; ele podia estar no lugar daquele homem se tivesse parado no tempo tanto tempo atrás, ou então se tanto tempo atrás numa encruzilhada tivesse tomado uma estrada em vez de outra e depois de uma longa viagem se encontrasse no lugar daquele homem e naquela praça.
Agora, desse passado real ou hipotético, ele está excluído; não pode parar; deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguarda por ele, ou algo que talvez fosse um possível futuro e que agora é o presente de outra pessoa. Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.
- Você viaja para reviver seu passado?- era, a esta altura, a pergunta do Khan, que também podia ser formulada da seguinte maneira: - Você viaja para reencontrar o seu futuro?
E a resposta de Marco:
- Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá."
("As cidades invisíveis" - Ítalo Calvino; p.28-29/ tradução: Diogo Mainardi)
Dienstag, Februar 23, 2010
Parafraseando Dostoiévski:
Ainda resta alguma centelha de mistificação...
A vida mostrou toda a sua imensidão nos últimos dias, de uma fluidez gritante. Ela continua com pernas enormes, sai correndo de mim; eu corro (com meu pulmão estragado) para alcançá-la, ela não me espera, eu paro e faço um sinal irônico de "sim, senhora!" à ela. O Pedro tem me dado ajudas estratosféricas para que a vida seja um pouco mais doce - mesmo que não haja mais sonhos -. Meus amigos dizem que eu estou livre, depois perguntam se eu realmente estou livre. O Paul está na Indonésia e eu morro de saudades, prometeu que quando voltar vem ao Brasil conhecer Mutter und Vater; talvez eu volte com ele para a Holanda, a verdade é que sinto o Brasil como uma caixa de papelão inútil e o calor excessivo deu corda a metáfora do "sufocamento", rs. O que eu mais queria, na verdade, é adornar meus olhos com toda a arquitetura antiga de Armstedã ou Nürberg; deitar no gelo e ver o céu completamente cinzento, sem lutas com o sol, um cinzento com uma dignidade que não encontro no céu daqui. Já recomeço a sonhar, catando partes da alma no velho continente.
A vida mostrou toda a sua imensidão nos últimos dias, de uma fluidez gritante. Ela continua com pernas enormes, sai correndo de mim; eu corro (com meu pulmão estragado) para alcançá-la, ela não me espera, eu paro e faço um sinal irônico de "sim, senhora!" à ela. O Pedro tem me dado ajudas estratosféricas para que a vida seja um pouco mais doce - mesmo que não haja mais sonhos -. Meus amigos dizem que eu estou livre, depois perguntam se eu realmente estou livre. O Paul está na Indonésia e eu morro de saudades, prometeu que quando voltar vem ao Brasil conhecer Mutter und Vater; talvez eu volte com ele para a Holanda, a verdade é que sinto o Brasil como uma caixa de papelão inútil e o calor excessivo deu corda a metáfora do "sufocamento", rs. O que eu mais queria, na verdade, é adornar meus olhos com toda a arquitetura antiga de Armstedã ou Nürberg; deitar no gelo e ver o céu completamente cinzento, sem lutas com o sol, um cinzento com uma dignidade que não encontro no céu daqui. Já recomeço a sonhar, catando partes da alma no velho continente.
Freitag, Februar 12, 2010
Arrumando as malas...
Now I never leave my zone we're both alone I'm going home...
I wish I'd never seen your face...
Elliot Smith - Waltz #1
Dessa vez para aqui perto, litoral. Todos meus vestidos e maquiagens não couberam na mala, ainda estou procurando meu bíquini verde de bolinhas brancas e está calor, muito calor. Amanhã eu levanto com o sol e sorrio pra vida; não estou indo abraçar ninguém. Bateu a saudade e eu vou para o mar.
(...)
Lá vai ventar como no sonho.
I wish I'd never seen your face...
Elliot Smith - Waltz #1
Dessa vez para aqui perto, litoral. Todos meus vestidos e maquiagens não couberam na mala, ainda estou procurando meu bíquini verde de bolinhas brancas e está calor, muito calor. Amanhã eu levanto com o sol e sorrio pra vida; não estou indo abraçar ninguém. Bateu a saudade e eu vou para o mar.
(...)
Lá vai ventar como no sonho.
Mittwoch, Februar 10, 2010
Eu como fracasso da mídia
Nasci um romance, tornei-me uma Capricho.
Abri este blog por influência de um amigo, o conservador de direita Levy, a quem devo metade de meu acervo cultural; também por influência da Ly, a quem devo metade de minha sensibilidade não só para mim, mas para com os outros. O primeiro texto desse blog é um artigo sobre um filme, um artigo que hoje em dia considero mal escrito, mas ainda assim um artigo. Logo, minha fama cresceu devido ao heterônimo Felluina, que se tratava apenas de um nome e tão-somente nome e alguns aforismos sarcásticos. Felluina arrebentou corações masculinos e femininos, levando-se em conta que os masculinos estavam acompanhados dos femininos, assim, uma leva de quase-fãs se formou. Era para eu ser imensamente grata por isso, não? Ora essa, nunca escrevi um livro, ainda me encontro em Língua Portuguesa III na Universidade e ainda nem li todas as obras dostoievskianas; mas obviamente, se tratando de mim, a coisa sempre vai para o lado mais vergonhoso da força. Sinto-me enojada. Sinto-me Avril Lavigne como salvação do rock, ainda: sinto-me Clarice Lispector que depois de tantos sofrimentos e devaneios escritos terminou servindo de lacuna a ser completada em orkuts medíocres. Claro que não levo orkut ou qualquer outro meio de comunicação a sério, mas um medíocre é um medíocre em qualquer lugar que pare. Mais além, um medíocre sempre será reconhecido por alguém com o verdadeiro talento. Já dizia o velho ditado romano: "In omni re uincit imitationem ueritas." Quando vi esta frase na aula de latim quase apontei e disse "é isso! é isso!"; a maioria dos meus amigos não me acham arrogante porque sabem do que falo, aliás, eles vêem a tentativa vã de novas "Anas" e "Felluinas" por aí, vêem e riem da minha cara perplexa diante de tanto amor (?) à minha pessoa. Nunca quis ser a dona da verdade, só queria escrever um livro, fazer alguns artigos e entender a verdade absoluta de cada livro. Ao invés disso, sou modelo de currículo para um bando de afetados sem talento, fazem qualquer notícia boba sobre mim virar um escândalo de página de jornal e ainda cospem no prato que comem. Sério, não seria mais educado sentar e pedir indicações minhas como eu fiz com os que me ensinaram parte de tudo? Porque uma coisa é nascer sem talento e persistir decentemente para montar aquilo que almeja, outra bem diferente é nascer sem talento (a indicação divina que eu tanto falo) e achar que copiando meus trejeitos, maquiagens e roupas é o suficiente. Terei o mesmo fim da Lispector: divorciada, com uma leva de fãs vergonhosos e um câncer.
Abri este blog por influência de um amigo, o conservador de direita Levy, a quem devo metade de meu acervo cultural; também por influência da Ly, a quem devo metade de minha sensibilidade não só para mim, mas para com os outros. O primeiro texto desse blog é um artigo sobre um filme, um artigo que hoje em dia considero mal escrito, mas ainda assim um artigo. Logo, minha fama cresceu devido ao heterônimo Felluina, que se tratava apenas de um nome e tão-somente nome e alguns aforismos sarcásticos. Felluina arrebentou corações masculinos e femininos, levando-se em conta que os masculinos estavam acompanhados dos femininos, assim, uma leva de quase-fãs se formou. Era para eu ser imensamente grata por isso, não? Ora essa, nunca escrevi um livro, ainda me encontro em Língua Portuguesa III na Universidade e ainda nem li todas as obras dostoievskianas; mas obviamente, se tratando de mim, a coisa sempre vai para o lado mais vergonhoso da força. Sinto-me enojada. Sinto-me Avril Lavigne como salvação do rock, ainda: sinto-me Clarice Lispector que depois de tantos sofrimentos e devaneios escritos terminou servindo de lacuna a ser completada em orkuts medíocres. Claro que não levo orkut ou qualquer outro meio de comunicação a sério, mas um medíocre é um medíocre em qualquer lugar que pare. Mais além, um medíocre sempre será reconhecido por alguém com o verdadeiro talento. Já dizia o velho ditado romano: "In omni re uincit imitationem ueritas." Quando vi esta frase na aula de latim quase apontei e disse "é isso! é isso!"; a maioria dos meus amigos não me acham arrogante porque sabem do que falo, aliás, eles vêem a tentativa vã de novas "Anas" e "Felluinas" por aí, vêem e riem da minha cara perplexa diante de tanto amor (?) à minha pessoa. Nunca quis ser a dona da verdade, só queria escrever um livro, fazer alguns artigos e entender a verdade absoluta de cada livro. Ao invés disso, sou modelo de currículo para um bando de afetados sem talento, fazem qualquer notícia boba sobre mim virar um escândalo de página de jornal e ainda cospem no prato que comem. Sério, não seria mais educado sentar e pedir indicações minhas como eu fiz com os que me ensinaram parte de tudo? Porque uma coisa é nascer sem talento e persistir decentemente para montar aquilo que almeja, outra bem diferente é nascer sem talento (a indicação divina que eu tanto falo) e achar que copiando meus trejeitos, maquiagens e roupas é o suficiente. Terei o mesmo fim da Lispector: divorciada, com uma leva de fãs vergonhosos e um câncer.
Freitag, Februar 05, 2010
Do Orgulho, ou regeneração do Grande Ego
Tenho uma bolsa preta que está desbotada. Ela cheira a tabaco, na verdade, há restos de tabaco em toda a bolsa. Há restos de tabaco também nas outras bolsas, nos cantos de minha gaveta, às vezes em meus bolsos. Meu cabelo cheira a xampu, mas também cheira a tabaco. Kicilla disse que "essas coisas não passam!"; e meus olhos lavaram o celular. Kicilla ficou preocupada com meu olhar-de-animal-em-caçada para fora da janela do ônibus. Eu não aceitei o abraço dela, eu disse um "não!" sonoro, porque na pior das hipóteses a única coisa pior que não estar bem é aparentar não estar bem e ganhar um bônus por isso.
Querem falar sobre saudade? Richtig. Ela vai sumir, não a saudade, mas a palavra. Tem cada dia mais e mais beirado a nostalgia. Porque ela só tem doído em todos nós, ela tem sido lembranças, ela tem remetido à tristeza pura e simples. Construímos nossas vidas arrancando os órgãos do passado, ambos saímos muito machucados. Tento imaginar a cara do passado quando eu lhe arranco os pedaços, a imagem que me vem é a de um velho resignado. Ambos sentindo auto-comiseração até resolver fechar o acordo da não-memória. E ainda falam mal do Grande Ego; ora, estou salvando o passado. Meu passado está inteiro, com uma expressão vívida e feliz. Ele parece não gostar, eles parecem não gostar. O passado tem uma vida e não sabe como vivê-la. Alguma parte de mim sente saudade; eu disse saudade, não nostalgia. Incrível como certas coisas são muito inteiras dentro de mim. As pessoas acham que têm que decorar o Houaiss para falar comigo, viverei de aforismos e uma grande pose: cara de passado sendo dilacerado, um cigarro na mão e um conhaque na outra; pra não deixar de ser doce.
Querem falar sobre saudade? Richtig. Ela vai sumir, não a saudade, mas a palavra. Tem cada dia mais e mais beirado a nostalgia. Porque ela só tem doído em todos nós, ela tem sido lembranças, ela tem remetido à tristeza pura e simples. Construímos nossas vidas arrancando os órgãos do passado, ambos saímos muito machucados. Tento imaginar a cara do passado quando eu lhe arranco os pedaços, a imagem que me vem é a de um velho resignado. Ambos sentindo auto-comiseração até resolver fechar o acordo da não-memória. E ainda falam mal do Grande Ego; ora, estou salvando o passado. Meu passado está inteiro, com uma expressão vívida e feliz. Ele parece não gostar, eles parecem não gostar. O passado tem uma vida e não sabe como vivê-la. Alguma parte de mim sente saudade; eu disse saudade, não nostalgia. Incrível como certas coisas são muito inteiras dentro de mim. As pessoas acham que têm que decorar o Houaiss para falar comigo, viverei de aforismos e uma grande pose: cara de passado sendo dilacerado, um cigarro na mão e um conhaque na outra; pra não deixar de ser doce.
Sonntag, Januar 31, 2010
Do abuso de nós mesmos
"Sinto falta do conforto de estar triste."
(Frances Farmer will have her revenge on Seattle - Nirvana)
Não é - de longe - a liberdade que nos conduz ao malogro maior, supremo. É o que acumulamos e isso não tem nome. Vivemos abraçados um no outro, abraçados, entendem? Não é encostados, é abraçados. Por isso não é susto o que tomamos, caindo para trás sem ter onde apoiar. Ficamos sem o calor que temos dentro de nós e que só conseguimos sentir quando outrem reflete. Assim, não nos vemos mais, perdemos a noção completa de quem somos, porque não há mais a reflexão de nós mesmos. E permanecemos cegos às mágoas, estamos inertes à dor completa, se dói não vai doer mais como costumaria doer; a dor encontrou uma forma nova de destruir: ela não se faz mais presente, ela é um câncer mudo. Caminhamos porque é a única coisa que nos restou a fazer, mas se nesse caminho vão haver estupros (físicos e mentais) ou desintegração física, só nos damos conta tarde demais. Estamos muito magros, estamos todos doentes, nossos olhos são só pupilas, nossos corpos não são mais templos de Cristo, são pedaços de miséria. Somos todos mortos andantes de braços estendidos à procura de nossa imagem em algum abraço - diga-se de passagem que obviamente já tem dono(a) , somos Bobók sem a recíproca conversa dos mortos, somos monólogos de desgraças.
(Frances Farmer will have her revenge on Seattle - Nirvana)
Não é - de longe - a liberdade que nos conduz ao malogro maior, supremo. É o que acumulamos e isso não tem nome. Vivemos abraçados um no outro, abraçados, entendem? Não é encostados, é abraçados. Por isso não é susto o que tomamos, caindo para trás sem ter onde apoiar. Ficamos sem o calor que temos dentro de nós e que só conseguimos sentir quando outrem reflete. Assim, não nos vemos mais, perdemos a noção completa de quem somos, porque não há mais a reflexão de nós mesmos. E permanecemos cegos às mágoas, estamos inertes à dor completa, se dói não vai doer mais como costumaria doer; a dor encontrou uma forma nova de destruir: ela não se faz mais presente, ela é um câncer mudo. Caminhamos porque é a única coisa que nos restou a fazer, mas se nesse caminho vão haver estupros (físicos e mentais) ou desintegração física, só nos damos conta tarde demais. Estamos muito magros, estamos todos doentes, nossos olhos são só pupilas, nossos corpos não são mais templos de Cristo, são pedaços de miséria. Somos todos mortos andantes de braços estendidos à procura de nossa imagem em algum abraço - diga-se de passagem que obviamente já tem dono(a) , somos Bobók sem a recíproca conversa dos mortos, somos monólogos de desgraças.
Donnerstag, Januar 28, 2010
Consciência (sem a desintegração)
"Que seja clemente o castigo, por tanto desperdício."
(Baricco)
Às vezes eu me pergunto para quê eu tenho raciocínio. Sério, eu consegui entender Dostoiévski mas isso vai fazer uma diferença mínima, levando-se em conta que entender Dostoiévski consiste em jogar na sua própria face que ou você é Marmieládov, ou você mata uma idosa fascista ou você entra no cemitério e começa uma conversa de humor negro com os mortos - levando em consideração cada opinião deles, claro - . Acabo de voltar de um estupro (isso é lacônico, diga-se de passagem) e com a impressão de ter a vida nas minhas mãos, não a minha, claro. O Walter, um menino aleatório por aí (mentira, madruguei para ir até o Galeão e tomar uma Heineken divina com ele, acompanhada de Camel, claro) não acha graça em eu ter vida alheia em mim, ele sabe que está certo. "De você eu espero tudo, Aninha"; acho que não só ele, tenho vivido de loucuras e nem são loucuras loucuras, são loucuras de uma intensidade de se descrever em algum livro que eu leria e isso é péssimo por consistir em loucuras que sem querer são auto-destrutivas. Eu não percebo os golpes duros que dou em mim mesma, acho que tenho usado maquiagem demais. Acho que não posso ter outra vida em mim, uma desintegração já basta. Haverá perdão para nós? Termino o post sentindo a carruagem por cima de mim em alguma rua de São Petersburgo.
(Baricco)
Às vezes eu me pergunto para quê eu tenho raciocínio. Sério, eu consegui entender Dostoiévski mas isso vai fazer uma diferença mínima, levando-se em conta que entender Dostoiévski consiste em jogar na sua própria face que ou você é Marmieládov, ou você mata uma idosa fascista ou você entra no cemitério e começa uma conversa de humor negro com os mortos - levando em consideração cada opinião deles, claro - . Acabo de voltar de um estupro (isso é lacônico, diga-se de passagem) e com a impressão de ter a vida nas minhas mãos, não a minha, claro. O Walter, um menino aleatório por aí (mentira, madruguei para ir até o Galeão e tomar uma Heineken divina com ele, acompanhada de Camel, claro) não acha graça em eu ter vida alheia em mim, ele sabe que está certo. "De você eu espero tudo, Aninha"; acho que não só ele, tenho vivido de loucuras e nem são loucuras loucuras, são loucuras de uma intensidade de se descrever em algum livro que eu leria e isso é péssimo por consistir em loucuras que sem querer são auto-destrutivas. Eu não percebo os golpes duros que dou em mim mesma, acho que tenho usado maquiagem demais. Acho que não posso ter outra vida em mim, uma desintegração já basta. Haverá perdão para nós? Termino o post sentindo a carruagem por cima de mim em alguma rua de São Petersburgo.
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