Mittwoch, Juli 29, 2009

Palmas à Cortázar!

Porque de longe é possível almejar, querer e até tentar trazer para si, mas nunca criar, remendar os maltrapilhos restos humanos e torná-los uma Julieta, uma Beatriz. E o mais fofurinha é que a Julieta dos dias de hoje é uma Atália, uma Maga. Ótimo, posso tirar meu espartilho.

Freitag, Juli 17, 2009

Deu até pena

Jogar frases ao nada como se essas pudessem salvar algo. Como se falar e falar fosse transformar o passado, o que já se foi, em algo que foi realmente importante. Mas não foi. E toda tentativa de tornar isso num encontro-desencontro bonito, cheio de romantismo e amor verdadeiro já caiu por água, aliás, nunca o foi.
A-m-o-r, como se em alguma parte disso houvesse existido, e nem é que não exista, é que não teve e você não se conforma. O pior das pessoas é que elas tentam associar sexo-palavras-bonitas a amor. Tem burrice maior do que essa? Tem, e acreditem, isso envolve soletrar meu nome.

Mittwoch, Juli 08, 2009

Hybris

"Diazepam (that's valium);
Tamazepam... lithium,
...hrt, ect
how long must I stay on this stuff?"
( Something is squeezing my skull - Morrissey)


Em grego a significação fica em torno de excesso, desmedida. Uma das características humanas que eram severamente punidas pelos deuses: Aracne foi punida por Palas Atena por sua soberba, Sísifo pagou no Hades por suas desmedidas em vida. Mas houve aqueles que pagaram muito além do que deviam, aliás do que não deviam. O que percebe-se é que os soberbos pagaram muito aquém do que os altruístas pagaram. Édipo usou-se da razão, desvendou a esfinge e terminou em estado de desgraça inegualável. O sofrimento chegou a tal estado de loucura que arrancou os colchetes do vestido de sua mãe suicida e furou os próprios olhos. A mãe que outrora havia fecundado sem saber que era sua genitora.
Os antigos nos fazem reavaliar os próprios valores, pois se a soberba é punida, mas nem tanto assim e, a racionalidade e altruísmo nos arrastam nos caminhos de mártir, qual bem a graça de ter o mínimo de caráter? Agora compreendo amplamente como seres se desfazem da dignidade como se fosse até um estigma, uma vergonha. Porque ela não leva a nada para quem não compreende o mérito que se tem. Ninguém compreendeu Jesus Cristo quando ele se atirou aos romanos e se deixou ser crucificado. Ninguém decerto aprovou o facto de Aquiles ter preferido ter uma vida curta, seguida da "bela morte" através do combate singular para que se alcançasse finalmente a kléos (honra eterna após a morte).
Porque sempre é melhor doar um amor mais pobre. Desvendar e sentir complexidades nunca foi o forte do ser humano, quer dizer, ele é dotado de complexidade mas não sabe. Basta saber da cadeia de DNA e tantas enzimas, isso é o suficiente. E realmente não precisa ser nada que remeta à calma, é só algo que não faça sacudir os ânimos, berrar com os olhos cheios ou rasgar um sorriso no rosto de maneira que ele não queira sair, e nem saber da onde veio o sorriso. Não se pode mexer com as emoções, não é para isso que elas servem mais. Daí caímos no excesso, louvamos Dioníso, damos um pontapé em Sísifo e agarramos a rocha que ele empurrava. Com tanta vontade e coragem de que vamos fazê-la fincar no alto que chega a causar pena. Tolos, pensamos em todo mártir com resignação, respeito. Nós somos eles, todos.

Dienstag, Juni 30, 2009

Você

Você já acorda com a face banhada em pranto, e fica ora olhando as pernas compridas e magras, ora a janela. E você olha tão densamente a paisagem que acaba por se tornar uma, todos ficam encabulados e sem entender bem o que se passa, como alguém pode manter por tanto tempo esse olhar raso.
Você fecha os dedos no ar para tentar sentir as imagens e termina assustada, amuada e acusada de loucura. Ninguém consegue compreender que realmente não faz sentido e que é preciso tocar para que não se sinta enganado pela vida. Mas é miragem, você chora e quando se comovem trata logo de abrir duas covinhas no rosto cor-de-leite.
Você costumava ser feliz e viver a vida, tão-somente vida, sem mistificação. Você costumava perdoar, você costumava chorar. Você costumava se importar também e enxergar. Você costumava até sorrir, mas não era como um reflexo, era verdadeiro. Eu não sou mais você, porque afinal de contas "eu" ou "você" é quem está com a palavra e permaneço muda. Cega e surda, porque as imagens e sons distorcidos, irreais e controlados pelo Grande Ego também são uma invalidez. Cega, surda, louca, chorosa. Você. Permaneço muda.

Montag, Juni 29, 2009

Parafraseando Camus:

(...)




É preciso imaginar Ana feliz.

Sonntag, Juni 28, 2009

Mutter II

"Mas Jesus me fez, então
Jesus me salve da pena, da compaixão
E das pessoas comentando sobre mim"
( November spawned a monster - Morrissey)



"Olá, mamãe?", foi o que tentei dizer forçando um sorriso, com os pequeninos lábios ainda cobertos de batom e com os cantos feridos pelas bofetadas, mamãe. E quando levei os dedos à boca para secar as gotículas de sangue, pude notar que meus braços outrora tão brancos estavam com grossos ematomas roxos que poderiam ter sido evitados, mas você mal me olhou no rosto, mamãe... Pegou-me pelos braços e as palavras e vírgulas eram na verdade tapas e esmurros, e então eu caí de joelhos, mamãe.E tudo isso contrastando com meu vestido florido já amassado da noite, o sutiã preto rendado por debaixo e o delineador escorrendo me fez ficar triste, te fez ficar triste e todos choramos juntos.
Mas por que seus braços me sacodem desse jeito, mamãe? Pare. Eu não estou entendendo muito bem todas as coisas: dos objetos à seu rosto inflamado de fúria; e não sei se é resquício do whisky barato ou se o mundo agora parece confuso com seus gritos. Eu não queria mamãe, mas não sei muito bem o que não queria, pois não me vem à memória nada de tão vergonhoso ou errado. Ah mamãe...! Vem, assim... Não precisa chorar, eu sei que você não queria, eu sei. Ninguém tem culpa: eu não tenho, você não tem, muito menos Deus... Você sabe que se eu pudesse eu nasceria novamente, mamãe. Roupas decentes, nenhuma tatuagem, fígado e pulmão intactos; eu o faria por você... juro que faria. No entanto, isso seria retroceder e quando voltamos ao passado ele sempre nos esmaga, e eu prefiro sempre a forma mais lenta para decair, mamãe.
Eu lhe dei tudo, mamãe. Sei que não foi nada, porque tudo que há em mim fica para mim e só Deus sabe o quanto é bom eu guardar o que é meu só para mim. Pois isso explica de maneira óbvia porque você não me quer tanto assim. Você algum dia quis? Algum dia... você... poderia?

Montag, Juni 22, 2009

Com o perdão dos clichés

"Manchei o mapa quotidiano
jogando-lhe a tinta de um frasco
e mostrei oblíquas num prato as maçãs do rosto do oceano."
{ Maiakóvski}


Somos pedaços do que um dia iríamos ser. Nietzsche tinha razão em considerar a tragédia uma imitação perfeita da vida, que seria irreversivelmente descontínua. Por isso bradamos com os olhos cheios d'água ao ver uma cena de teatro com aforismos. É exigir demais do nosso organismo emocional essa expansão de sentimentos já tão mortos, mortos? Não... desgostosos mesmo. Quando um alimento sem gosto rola pela boca, cuspimos ou engolimos. E nem conotem de forma positiva: não é a pressa de se livrar, é que não faz mais nada então, rejeitado ele some.
Somos partículas de nada. Me pego, me olho. Grito meu nome. Falo com os transeuntes. Falo mais de uma vez. É como se carne, olhos e voz não fossem nada. É como o mito da raça de ouro de Hesíodo¹ : morremos fartos de dias e mesmo assim continuamos vagando como belos fantasmas. É como arrogância, que migrou para o egocentrismo, que migrou para uma indiferença doce mas ainda assim indiferença.
Esperei demais de mim e superei. Agora nada posso pedir de vocês, o que eu poderia? Já me dei tudo, já fui tudo, já me basto. Uma criancinha balança os gordos bracinhos para o pai: já sei o que me falta, mas perdeu o gosto, enrolou na boca, desceu direto e entupiu o coração.


¹ ver " Os trabalhos e os dias" Hesíodo.

Montag, Juni 15, 2009

Semi-ótica

- Eu te amo.
- Oi?
- Foi bom ter te encontrado.
- Quê?
- Você é linda...
- Oi?
- Eu me casaria com você.
- Quê?
- Eu tenho um problema...
[trago no cigarro]

- Oi?
- Eu tenho um problema.
- Quê?
- Eu-tenho-um-problema!
- Ah, meu bem...

Dienstag, Juni 02, 2009

Mutter

É mamãe, você esperava bem mais. Porque nove meses e um peso de três quilos foram coisas demais para se suportar em vão. E se você pudesse adivinhar dentre os ares tranqüilos que inspirava para dentro que eu não iria, de longe, ficar para sempre com bochechas rosadas e gordas, bem...Você não o faria. Na verdade você nunca o quis. Porque era para ser um menino e nem meu órgão genital correspondeu bem ao que você esperava. Assim como as minhas bochechas que são rosadas, mas de tanto blush.
Ah, mamãe!, você me ensinou os primeiros princípios do capitalismo. Me obrigou a decorar toda a tabuada quando eu só tinha 6 anos. Em troca, eu poderia ver o desenho. Espera, eu só tinha vinte minutos para decorar toda a tabuada e um cérebro inocente e pequeno demais para guardar tanta informação. Mas eu guardei, mamãe. Porque eu não suportaria mais um olhar de desprezo e hoje já me bastam estes que você me lança quando eu volto da rua tão bebum. Papai olha rindo, porque já sabe que não há muito o que se fazer, no entanto, você se sente fracassada diante de um fígado tão inchado. Qualquer um diria que eu sou uma maravilhosa jovem, mamãe. Mesmo a magreza excessiva, os olhos tão distantes e o corpo encharcado de entorpecentes fascinam as pessoas. Mas não contigo, mamãe, pois sempre estive muito aquém de lhe agradar.
Agora você sai da cozinha para fazer sua reza. Não que eu me importe, porque eu também rezo, mamãe. Para Jesus guardar um pouco sua dor para depois e te poupar da humilhação de ter gerado uma junkie. Os filhos das suas amigas não estudam, mas também não se destroem como eu, não é? E a linha entre não ter cérebro e não dar valor à própria existência nem chega a ser tênue. Você poderia, oh Deus...você poderia? Deus... me perdoar?

Donnerstag, Mai 28, 2009

"And now I know how Joan D'Arc felt..."

Finalmente pulamos da estante, compactamos nossos pés em pedaços de caminhos e suspiramos alto. Andamos. As mãos alcançam o coração, que bate através de uma felicidade louca. Felicidade? É incrível, mas ficamos tão desolados e cansados de permanecer sentados na estante que quando damos o primeiro pulo já não nos importamos tanto, a primeira impressão que fica é o alívio. Pés em passos pequenos, mas firmes. A certeza de que todas as tentativas foram malogradas, as situações iníquas e o fim, bem... não é o fim. No fundo, nós não temos o controle incondicional sobre a vida do outro.

Samstag, Mai 23, 2009

Ah, s'il vous plaît!

"Oh you can change your name and bleach your skin
Camouflage your accent so that even you don't recognise it
Because you are one ,because you live and breathe like one..."
{ The Slum Mums - Morrissey)


Porque é uma pilhéria que uma pessoa passe sua juventude tentando através de frases- que não conseguem manter uma vírgula no lugar - me atingir. Já não bastasse a vida ter-lhe pregado pontos de mediocridade por todo o âmago, ainda continua a se humilhar publicamente porque " não é como a Ana, mas não importa", ou ainda, manda recadinhos vulgares-ignaros. É de me causar uma certa piedade até.
Meu bem, sacode esse templo de bolinhos fritos e hambúrgueres que é o seu corpo e finge que está tirando a poeira da desgraça intelectual que se impregnou e não quer mais sair, ou, vá fazer uma lobotomia para ver se como um vegetal desmemoriado você encontra mais serventia no mundo. Saia dessa fossa, nem em um milhão de anos você deixará de ser quem é e photoshop algum esconde, entenda.

Sonntag, Mai 10, 2009

Náusea

"Take a thorn from my pride
And hand in hand we'll take a walk outside..."
{Who feels love? ; Oasis}




Porque um trecho do livro de Sartre me veio à memória e eu não pude deixar de fazer comparações, paralelos e tentar eliminar os mesmos. Estou cansada. E não é desse cansaço que horas dos sonos dos justos esvaem, é mais para desistir mesmo. Aliás, nem desistência, está mais para o fato de eu saber demais o que obviamente leva o ser humano a ser infinitamente infeliz. Não é infelicidade gerada por pessoas ou situações, é todo um conjunto.
Machado mostrava o homem com suas avarezas, Dostoievski mostrava o lado ruim que usava o lado bom como desculpa para algo heróico. Eu simplesmente passo o raio X, que mais prefere se tornar uma partícula gama e passar direto sem olhar, mostrar, demonstrar e refletir. Direto. Mas não passa e eu fico olhando para tudo com grandes olhos de recém-nascido sem muito saber o que fazer. As partículas gama são felizes. Se são feitas de átomos deveria haver algum parentesco conosco, não? É, não posso incluir ninguém nos meus malogros.
Acontece que esse cansaço-náusea-infelicidade advém da minha percepção de como vocês guiam as suas vidas. Sim, ainda é o problema da mentira. Eu não entendo e só Deus sabe o quanto tentei entender. Aliás, fui além tentando fazer a mesma pose, os mesmos gestos, quiçá os mesmos sentimentos; e não funcionou. Não é de todo ruim, mas acontece que não é bom e não leva a lugar algum e se é para chegar a lugar nenhum eu prefiro continuar com o Grande Ego e egocentrismo. Nossos pais sempre nos ensinam a não falar com estranhos. Falamos, pegamos em suas mãos, dormimos com eles, sorrimos à eles e às vezes até chegamos ao matrimônio. Agora entendo, é um aviso para que a geração futura não se assole em marasmos e erros. E continuamos errando, não há saída. Lembro agora de Joseph K. : " Como um cão!"

Freitag, Mai 08, 2009

I need some time in the sunshine...

Vai aqui alguns comentários básicos e aleatórios sobre o show do Oasis, aqui no Rio de Janeiro.


Saí atrasadérrima de casa, tirei o sono rodoviário de uma moça ao meu lado para perguntar onde era a tal Rua da Passagem. Resolvi ligar para Victor:
- Onde você está? Perimetral?
- Mas onde é a Perimetral?
- Rs,rs. Saindo da ponte, Ana... Saindo da ponte.

Dez minutos depois...
- O Flamengo fica antes do Botafogo, não é?
- Infinitamente, droga...

Mais dez minutos:
- Tcharam, cheguei!
- Onde você está?
- Em frente à padaria tal.
- É, meu prédio fica em cima, rs.

Depois de umas cervejas, conseguimos pegar o ônibus. Entretanto, nossas bexigas estavam quase estourando, juro que mais um quebra-molas e minha calça teria que ir para a janela secar... Enfim, saímos do ônibus, fomos à um barzinho, esvaziamos as bexigas e a surpresa: o engarrafamento estava tão intenso que pegamos o mesmo ônibus. Depois de fazer o caminho da Patagônia - a Barra da Tijuca fica tão longe...-, chegamos ao show. Luzes apagam, luzes acendem. Liam Gallagher aparece com o andar marrento-londrino, mascando chicletes. Guitarras e..."I live my life in the city,there's no easy way out..."; o público parecia que ia ter um infarte de tanta emoção. Braços levantados, todos pulando e cantando "Rock'n'roll star" impecavelmente.
A cada intervalo entre as músicas, Liam parava no palco para posar para as fotos. Também jogou sua toalha, mandou beijos e arremessou para alguém sua pandeireta.
No meio do show ninguém aguentava mais de tanto pulo, os pulmões pareciam que iam sair pela boca, mas ninguém desistia de cantar alto "supersonic", "champagne supernova" ou " Lyla". O momento mais bonito foi quando Noel cantou uma versão quase-acústica de " don't look back in anger", a multidão cantou o refrão sozinha, dando um descanso na voz do guitarrista principal da banda. Liam fazia gracinhas para a câmera e dialogava com alguns fãs da platéia. "Songbird" foi rápida mas perfeitamente cantada e tocada, de uma forma muito bonita. O show terminou com "I'm the Walrus", com o público perguntando se realmente tinha acabado e completamente estarrecido e emocionado com a banda. Só se ouvia o coro "Oasis! Oasis!" e os jovens saindo satisfeitos e felizes do Citibank Hall.

Sonntag, Mai 03, 2009

Tempo demais

Welcome I love you, don't you see?
Don't you see?
{ Fantastic Bird - Morrissey}


Ana contava com as mãos os papéis-textos, alguns manchados de café num acidente de sonolência. Já eram três da madrugada, as pálpebras pesavam e os cílios estavam úmidos. O maço de Marlboro já estava pelo fim, foi aí que se deu conta que tinha prometido parar de fumar. Nós sempre afogamos promessas, sacrifício remete à sofrimento e não à virtude.
Eduardo terminava seu conhaque, quer dizer, nunca terminava. Pois sempre que sumia a última gota de álcool daquele copo tão redondo ele enchia quase até a borda, na obrigação de evanescer os sentidos. Ele amava Ana, dos muitos cigarros e óculos de grau enormes.
Ana dava passos leves pela vida. Eduardo pisava desconfiado aonde quer que fosse. Ana adorava sorvete de casquinha ao final da tarde. Eduardo se limitava a uma soda. Ana gostava de copular com as cortinas fechadas. Eduardo gostava de enxergar cada centímetro daquela tez tão branca e tão frágil que até a luz poderia ferir. Além de tudo, ele gostava dos gemidos infantis e doces que ela costumava soltar. Ana gostava dos antebraços pálidos que envolviam a sua cintura estreita e que a rodava e rodava...
Uma lágrima. Ana não sabia se era sono, a brisa fria que acabara de atravessar a varanda ou saudade. Último cigarro, gole no café, empilhamento de textos e travesseiro. O travesseiro-amigo que sempre a ajudava a secar o rosto. Do outro lado da cidade, Eduardo adormeceu com a mão no copo e a face esborrachada na mesa. Acordaria mais tarde com um gosto amargo na boca.

Samstag, April 25, 2009

Para completar

Conversando com o Igor no MSN...

- Você está no laptop?
- Sim, e ele está in my lap. Adeus fertilidade!
- Vai para o blog.
- Sou coadjuvante do seu blog...
- Ah é!, o principal sou eu e o Grande Ego.
- Dois e dois são quatro.

Reeditando ( Ou " Sou lerda!"):

- Gostaria de poder retribuir as gentilezas e eu retribuiria da melhor maneira possível.
- Não entendo.
- Sorrisos, olhares.
- Não entendo, parte II.
- Gostaria de poder mostrar pessoalmente o quanto gosto de sua companhia.
- Não entendo - o confronto final. Mentira, mentira.

Sexta-Sábado

Ana se enche de delineador, sai do elevador do prédio puxando a meia sete oitavos e chega atrasada ( para variar) ao bar ( também chamado de "casa", rs). Depois de 7449479 cervejas, 3 maços de cigarro, fazer a ducentésima piada com o garçom - que nunca nos atende!-, invento de entrar na fila do banheiro para homens. Victor indignado, Ju já pegando o celular para gravar e mandar pro Youtube e eu gritando: " Eu tenho um pênis! Eu tenho um pênis!"; shame is the name. Não satisfeita com o bafón - nem com a quantidade de álcool-, compro uma Heineken e começo a passear aleatoriamente pela rua. Davi: " Comassim-má-onde-é-que-a-mocinha-estava?!"; " Eu? Passeando...".
Hoje, depois de desviar de todos os pivetes do Centro do RJ, chego ao Centro Cultural e sou abordada por um poeta : " Você é modelo fotográfica?!"; eu: " Ain, super que não."; ele: " Devia seguir a carreira, hein!"; eu: " Ih, é a maquiagem, super que argamassa! rs!"; e saio rodando pelo Centro. Meu celular toca:
- Alô?
- Oie.
- Quem é?
- Quem é que está falando?
- É a Ana, uai.
- Ah Ana! É o Léo, poxa!
- Passa aqui?
- Passo.

Meu cabelo já está quase na cintura, passo delineador até para ir na padaria, jogada na cadeira, cheia de livros em cima, com as unhas descascando e com o livrinho de poesias que o poeta me deu. É, a semana em dois dias.

Ain, tão cansada.

Montag, April 20, 2009

Algum dia você poderia?


E você? Poderia
algum dia
por seu turno tocar um noturno
louco na flauta dos esgotos?
{Maiakóvski}



A Baía de Guanabara neste momento está recebendo grossos raios de sol de fim de tarde, que se espalharam por suas águas e a deixaram meio sépia. Todos estão fora e pela primeira vez em muito tempo não ouço berros e barulhos de louça pela casa.
Sabe a não-dor? É o que você sente quando já se passou tanta coisa que não faz mais tanta diferença assim. Afinal de contas, o que é dor, mentira ou sofrimento para quem já passou por ainda mais que isso há muito e ainda olha como se fosse um tipo de happy hour ou ainda, hora do rush? Lembro que o Matt me chamou de esquizofrênica do tipo delirante há alguns meses. Certamente, isso é passado, pois não vejo mais nada fora do lugar, não escuto, não sinto e não lembro. Pior, até lembro e isso me faz ter um surto de consciência e o coração até chega a ficar meio mole, sabe? Mas esse coração é tão abstrato que o meu próximo "eu te amo!" vai ser desenhado num papel ofício com canetinhas coloridas. Ou quem sabe com tinta a óleo em um quadro. Talvez, arte moderna. Não. Vai para o dadaísmo mesmo.
A verdade absoluta sobre a dor ( a verdadeira), é que ela nunca te acompanha - não por muito tempo-. Ela vai dentro de pouco tempo para o lado do passado, é o seu braço direito. E como nós sempre corremos ávidos e chorosos para o colo do passado acabamos por reencontrar nossas dores e todas intactas. Por isso estamos sempre muito inertes, por isso a vida tem se resumido a suspiros que não limpam o pulmão - e nem a alma-. Mas as pontes são infindas e ainda há um pouco de verde pela cidade. O telefone está tocando, vou pegar um café. Pelo menos assim eu consigo levantar ( eu poderia?).
Post Scriptum: O poema acima trata-se de um convite à loucura e ao "underground".

Dienstag, April 14, 2009

Então, então

- Vou amarrar uma corda no pescoço, escrever um poema, amassar, colocar no bolso...
- Essa foi a pior! rs
- Meu passado não importa.
-
Você tem que esmagar seu passado para que ele não volte, digo as coisas ruins.
- De vez em quando voltam lembranças da infância. Daquelas que você sente o tato, cheiro.
- Por que qualquer lembrança nos enche de cólera?
- Por que?

(...)


- As pessoas são estúpidas naturalmente?
- É natural. Assim como a inteligência é por indicação divina, a idiotia também o é.
- Sinto algo maior me ajudando ás vezes, mas não sei dizer o que é.
-
Hoje discuti com minha professora de Teoria da Literatura...Argumentei que um clássico traz consigo um significado único e por isso a nossa concepção muda durante os anos, porque adquirimos a maturidade e aí sim o entendemos.
- E o que ela disse?!
- Disse que estava errada e tinha dito isso na primeira aula... que nenhum livro possui uma verdade absoluta, significado único. Apenas pode ser interpretado em diferentes tempos de formas diferentes...

- E?
- Alguns colegas concordaram comigo. Ela começou a se contradizer, então, distorceu o que eu disse. Na verdade ela não compreendeu o que eu disse, mas não admitiu, lógico. Todos sabem que é falta de respeito tirar a conclusão que quiser de uma obra. Há algo maior, há verdades absolutas e os que nasceram para dizê-las.
- Sua paneleira...
- É, eu tenho seguidores. Por isso evito abrir a boca, não quero ser o próximo Mussolini.
- Eu também tenho. Sou o messias, ou, a besta. Ou o falso profeta. rs
- Deixe isso para os afetados.


Montag, April 13, 2009

Estrelas até o céu



O ônibus acelerava e freava de acordo com os pardais eletrônicos que ameaçavam uma multa. Arranhava o asfalto já tão gasto e tão maltratado pelas erosões do clima - e da imperfeita obra-. Não havia mais tantas luzes. Era manhã e os postes estavam apagados. O sol não chegava ao chão e nem passava perto das folhas de árvores. Engraçado isso, ele só ilumina as folhas, não as seca.
Cidade pequena, casa cheia. Uma garota branca, de óculos enormes e de tranças nos cabelos seria algo tão estranho assim? Talvez a garrafinha de água em mãos e o ar aluado a fizesse parecer uma estrangeira, talvez. Enfim, almoço de família, não? O " como você cresceu!", foi substituído pelo " como você está magra!"; lamentos. E a priminha de colo sorria e sorria. Olhos enormes, tênues. Com os olhos tênues e enormes talvez ela engolisse cada um por um e ninguém pudesse fazer-lhe mal, por isso ria para todos e babava.
Passos arrastados pela varanda e os olhos alcançaram o céu enorme e negro. Na cidade ele é negro, lá não. É azul-cor-de-céu-bonito. E enfeitado com estrelas que preenchem as pupilas e as fazem não parecer tão grandes assim. Afinal de contas, as veias nunca carregam sangue puro. Está sempre muito batizado e já desistiu há tempos de eliminar quaisquer das substâncias inseridas ao longo de anos, até o sangue é vítima do ócio proporcionado pelo monóxido de carbono. Os pés afundam na areia: maresia. Como há quatro anos, não é, meu amor? Mas os pés não afundavam assim tão puros na areia. O que afundou foi o corpo, na água salgada, e eu na sua cama toda vomitada; pior: o vômito era meu.
Tentar fechar a mala e carregá-la até em casa. "Estamos sempre voltando para casa", como diz uma amiga. Aqui o céu não possui estrelas, mas os edifícios possuem. E com poucas lágrimas e o sangue impuro, essas luzes-estrelas ganham mais vida e nós ficamos aqui. Deixamos os caminhos de terra e a vegetação sós. Entretanto, é no asfalto que os pés queimam e acumulam rasgos. Impossível de caminhar, por isso nos arrastamos. Aliás, por isso nos contorcemos em pedaços, para não ter que andar.

Freitag, April 10, 2009

Afetação

"Aquele que mantém a calma diante de todas as adversidades da vida mostra simplesmente ter conhecimento de quão imensos e múltiplos são os seus possíveis males, motivo pelo qual ele considera o mal presente uma parte muito pequena daquilo que lhe poderia advir: e, inversamente, quem sabe desse facto e reflecte sobre ele nunca perderá a calma. "

Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Ser Feliz".




Por isso que eu sempre faço troça quando algum anencéfalo fala que "Schopenhauer era muito pessimista!", absurdo. Não entendo até hoje porque rotulam o velho germânico ranzinza como "pessimista". Nenhuma de suas obras faz uma previsão fora do normal sobre a sociedade e suas conseqüências. Ou ainda, não sei se minha visão também é pessimista ao ponto de não reparar esse tipo de afirmação explícita em seus textos. E aí está o problema de ler tão-somente as orelhas dos livros. Você se submete a uma interpretação superficial de outra pessoa que pode ter entendido ou não a obra. Tira todo o brilho e todo o mérito do escritor e de suas obras, é diretamente e impiedosamente uma falta de respeito.