O mundo caía em chuva quando você percebeu que a culpa não era sua. A voz tinha virado algo que parecia um barulho de algum filhote assustado dentro de uma caixa de papelão, eu não entendia nada. Mas tentava entender e desvendar já que não eram barulhos de filhote e sim algum dialeto de malogros. Quando então o dialeto virou choro e só choro, e a voz logo reapareceu fina, suplicante de alguma coisa que certamente não seria resolvida.
Então, eu respirei para tentar fazer tudo ficar bem. O gás carbônico saiu e não trouxe nenhuma palavra de conforto com ele. Só restava desligar o meio de comunicação desejando melhoras, como se fosse doença. Um dos personagens de Mann dizia isso, "vai até as trevas e volta em forma de doença." E não curou. E todos estavam chorando por você, por ver uma pele tão jovem se desmanchar em rugas de preocupação, e ainda, por ver que não havia de ser feito nada.
Não, não era justo e eu sei que não era, meu amor. Não contigo. Sua alma não era daquelas feitas em moldes para aturar as desgraças e as maldades que o mundo traz. Eu me pergunto até agora por que não eu? - todo mundo também se perguntou isso-. Eu que permanecia de pé, eu que fui chamada de monstro sagrado a vida toda, eu que sempre dizia para o destino: " Te pego lá fora!". Mas foi você. Você que estava quase sempre sozinha e não estava acostumada à solidão. A vida tinha desses maldades: mandar ficar em pé quem não tinha muitas chances de ficar. E eu ficaria não é, amor? Eu quebraria minhas próprias pernas só pelo prazer de empinar o nariz e exclamar:"Olha aqui!".
Pra quê e por que toda essa lição se estava claro que você não estaria disposta a aprender? Tão sensível, sua alma era a de uma criança que saía abraçando todos, porque todos eram bons e não iam lhe causar mal algum. Até que ela se perdeu. Talvez estivesse nas ruas procurando o colo de algo que parecesse materno, talvez. Está aí o motivo pelo qual meu nariz amanheceu inflamado novamente: a dor de meus braços que se esticavam para tentar aliviar você do mundo, e a garganta que doía ainda mais por tentar transformar minha voz quase inexistente em algo berrante, só para você me escutar.
Sonntag, Dezember 28, 2008
Freitag, Dezember 26, 2008
Feliz Natal
- E que blusa era aquela? PelamordeDeus...
- Ana, eu te entendo.
- Aposto que devia estar combinando com umas sandálias ridículas de borracha.
- Eu te entendo...
[ Ela põe uma das mãos em meu ombro]
- Pior que idiotia pura, só falta de gosto no guarda-roupa...
- Chega! Entendeu? Chega! Eu te entendo, eu juro que entendo!
[ Olhar baixo. Ela me puxou para uma abraço forçado. Meu nariz estava vermelho e eu tentava me desvencilhar do abraço]
- Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu entendo...Eu entendo...
- Ana, eu te entendo.
- Aposto que devia estar combinando com umas sandálias ridículas de borracha.
- Eu te entendo...
[ Ela põe uma das mãos em meu ombro]
- Pior que idiotia pura, só falta de gosto no guarda-roupa...
- Chega! Entendeu? Chega! Eu te entendo, eu juro que entendo!
[ Olhar baixo. Ela me puxou para uma abraço forçado. Meu nariz estava vermelho e eu tentava me desvencilhar do abraço]
- Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu entendo...Eu entendo...
Freitag, Dezember 19, 2008
As mentiras da geopolítica
Nos três anos em que cursei o Ensino Médio, sempre ouvi os mesmos discursos nas aulas de Geografia - em todas as aulas, principalmente em Geopolítica-, sobre quão o sistema capitalista é injusto e gera desigualdades por si só.
Não contentes com seus discursos inflamados, cheios de retóricas tiradas das orelhas da Carta Capital, eles ainda se propunham a citar Smith. Mas qual o problema em citar Smith? Ora pois, problema algum, quando não se utilizam de sofismas para isso, claro.
Era um tal de "Maximização das capacidades individuais que dizia que um vendedor de bananada teria que ser o melhor vendedor de bananada", que a coisa ficou mais ridícula do que eu previa. Smith via a "maximização das capacidades individuais" como a forma mais simples de gerar riqueza e prosperidade não só para o trabalhador, como também para a sociedade. Isso até hoje é uma medida certa e eficaz e não sou eu quem está dizendo. É só assistir ao Globo Repórter ou observar os judeus.
Ok, mas " as relações burguesia X proletariado são injustas, desumanas, insalubres!" Smith que foi um dos maiores pensadores capitalista diz:
"Não é porém difícil ver qual das duas partes tem, em ocasiões normais, vantagem nessa disputa e pode forçar a outra a aceitar um contrato nos termos que mais lhe interessam. Os patrões, sendo em número mais reduzido, podem facilmente chegar a um entendimento entre si a fim de manterem um dado nível de salários; aliás, são os próprios regulamentos que os autorizam, ou melhor, que não proíbem as suas combinações, enquanto que já proíbem as dos trabalhadores. Nunca assistimos a atos do parlamento contra as decisões de baixar os preços do trabalho; mas já soubemos de muitos contra as decisões de os aumentar. Em todas essas disputas os patrões podem aguentar-se muito mais tempo. Um proprietário, um agricultor, um industrial ou um comerciante, mesmo que não empreguem nenhum operário, podem normalmente viver um ano ou dois gastando os capitais já anteriormente adquiridos. Mas poucos trabalhadores poderiam resistir uma semana, menos ainda um mês, e quase nenhum um ano inteiro sem renovar pelo trabalho os meios de sua subsistência. A longo prazo, o trabalhador pode ser tão necessário ao seu patrão como este o é para aquele; mas tal necessidade não se verifica de imediato." ( "A riqueza das nações", p.63).
Fica aí claro que não se trata de injustiça, mas de fatos. O que pode tornar o sistema capitalista injusto não são as práticas capitalistas, mas o caráter de quem as pratica. Qualquer dúvida leiam o Riqueza das Nações e fechem o Manifesto, porque afetação comunista já está mais do que "last week".
Não contentes com seus discursos inflamados, cheios de retóricas tiradas das orelhas da Carta Capital, eles ainda se propunham a citar Smith. Mas qual o problema em citar Smith? Ora pois, problema algum, quando não se utilizam de sofismas para isso, claro.
Era um tal de "Maximização das capacidades individuais que dizia que um vendedor de bananada teria que ser o melhor vendedor de bananada", que a coisa ficou mais ridícula do que eu previa. Smith via a "maximização das capacidades individuais" como a forma mais simples de gerar riqueza e prosperidade não só para o trabalhador, como também para a sociedade. Isso até hoje é uma medida certa e eficaz e não sou eu quem está dizendo. É só assistir ao Globo Repórter ou observar os judeus.
Ok, mas " as relações burguesia X proletariado são injustas, desumanas, insalubres!" Smith que foi um dos maiores pensadores capitalista diz:
"Não é porém difícil ver qual das duas partes tem, em ocasiões normais, vantagem nessa disputa e pode forçar a outra a aceitar um contrato nos termos que mais lhe interessam. Os patrões, sendo em número mais reduzido, podem facilmente chegar a um entendimento entre si a fim de manterem um dado nível de salários; aliás, são os próprios regulamentos que os autorizam, ou melhor, que não proíbem as suas combinações, enquanto que já proíbem as dos trabalhadores. Nunca assistimos a atos do parlamento contra as decisões de baixar os preços do trabalho; mas já soubemos de muitos contra as decisões de os aumentar. Em todas essas disputas os patrões podem aguentar-se muito mais tempo. Um proprietário, um agricultor, um industrial ou um comerciante, mesmo que não empreguem nenhum operário, podem normalmente viver um ano ou dois gastando os capitais já anteriormente adquiridos. Mas poucos trabalhadores poderiam resistir uma semana, menos ainda um mês, e quase nenhum um ano inteiro sem renovar pelo trabalho os meios de sua subsistência. A longo prazo, o trabalhador pode ser tão necessário ao seu patrão como este o é para aquele; mas tal necessidade não se verifica de imediato." ( "A riqueza das nações", p.63).
Fica aí claro que não se trata de injustiça, mas de fatos. O que pode tornar o sistema capitalista injusto não são as práticas capitalistas, mas o caráter de quem as pratica. Qualquer dúvida leiam o Riqueza das Nações e fechem o Manifesto, porque afetação comunista já está mais do que "last week".
Dienstag, Dezember 16, 2008
Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me
Eu tinha então 17 anos. Meus cabelos caíam na testa e eu ainda era um menino. E os meus olhos costumavam brilhar com a chuva ou quando eu jogava bola com os amigos. Até que a conheci. Com seus tantos anos a mais de vida, com a sua experiência, com o seu organismo danificado pelas drogas. Achava-a doce, tão doce que eu costumava viajar para onde ela estava nas minhas noites de insônia.
Eu queria ser ela, ou simplesmente poder sentí-la, vê-la. Nem que fosse só para saber que não era alguma miragem, alguma ilusão. Quando eu sumia, sonhava com ela todas as noites. Quando ela me ligava só me restava não só abrir meu coração, mas dilacerá-lo em juras de amor eternas, em planos de um futuro bom. Pensei em largar tudo só para poder viver ao seu lado.
Mas eu menti. Nunca a amei. Apenas o meu egoísmo de menino pouco conhecedor dos causos do destino me guiava até a destruição dela. Ela era tudo para mim, mas não porque eu a amasse, não. Eu queria vê-la completamente destruída. Eu a via se desintegrar, mas eu queria ter esse prazer, eu queria arrancar daqueles grandes olhos lágrimas que jamais se dissipassem. Queria provar que ela tinha um coração, não para amar, mas para aguentar todas as dores que eu poderia lhe proporcionar... Entretanto, também haveria de humilhá-la! Só por todas as vezes que ela com a sua paciência e serenidade me explicava as coisas ou me dava broncas por ser um afetadinho.
Parti o seu pedestal me entregando à outra paixão. Fui aproveitando cada silêncio dela nas conversas, silêncios que eu tinha certeza que eram de choro. Mas eu simplesmente não poderia vê-la chorando, não? Eu tinha que ter a certeza de meu mal. Como não havia jeito de saber, me contentei em metralhá-la com todos os absurdos infantis do mundo. Então, ela sumiu. Na verdade ela havia ido embora... E agora? O meu trabalho não havia acabado. Insisti em machucá-la, acho que consegui. Talvez ela esteja com um suéter lilás agora, talvez o céu cinza-brilhante de chuva esteja iluminando seus olhos marejados e talvez sua boca esteja contraída até agora de dor, talvez.
Acordei e meus cabelos não batiam na testa, eram longos. Eu não tinha nada de menino e já tinha dezenove anos fazia 1 mês. E eu não havia me machucado, não havia dor alguma. Ludmilla me avisava por mensagem : " Foi só um sonho ruim...Foi apenas um sonho ruim, ma belle..."
Player: Keane - A Bad Dream
Eu queria ser ela, ou simplesmente poder sentí-la, vê-la. Nem que fosse só para saber que não era alguma miragem, alguma ilusão. Quando eu sumia, sonhava com ela todas as noites. Quando ela me ligava só me restava não só abrir meu coração, mas dilacerá-lo em juras de amor eternas, em planos de um futuro bom. Pensei em largar tudo só para poder viver ao seu lado.
Mas eu menti. Nunca a amei. Apenas o meu egoísmo de menino pouco conhecedor dos causos do destino me guiava até a destruição dela. Ela era tudo para mim, mas não porque eu a amasse, não. Eu queria vê-la completamente destruída. Eu a via se desintegrar, mas eu queria ter esse prazer, eu queria arrancar daqueles grandes olhos lágrimas que jamais se dissipassem. Queria provar que ela tinha um coração, não para amar, mas para aguentar todas as dores que eu poderia lhe proporcionar... Entretanto, também haveria de humilhá-la! Só por todas as vezes que ela com a sua paciência e serenidade me explicava as coisas ou me dava broncas por ser um afetadinho.
Parti o seu pedestal me entregando à outra paixão. Fui aproveitando cada silêncio dela nas conversas, silêncios que eu tinha certeza que eram de choro. Mas eu simplesmente não poderia vê-la chorando, não? Eu tinha que ter a certeza de meu mal. Como não havia jeito de saber, me contentei em metralhá-la com todos os absurdos infantis do mundo. Então, ela sumiu. Na verdade ela havia ido embora... E agora? O meu trabalho não havia acabado. Insisti em machucá-la, acho que consegui. Talvez ela esteja com um suéter lilás agora, talvez o céu cinza-brilhante de chuva esteja iluminando seus olhos marejados e talvez sua boca esteja contraída até agora de dor, talvez.
Acordei e meus cabelos não batiam na testa, eram longos. Eu não tinha nada de menino e já tinha dezenove anos fazia 1 mês. E eu não havia me machucado, não havia dor alguma. Ludmilla me avisava por mensagem : " Foi só um sonho ruim...Foi apenas um sonho ruim, ma belle..."
Player: Keane - A Bad Dream
Freitag, Dezember 12, 2008
E é assim que as coisas são
A Ludmilla e eu tivemos uma discussão homérica ontem. Ela falava, aliás berrava, sobre como o mínimo de reembolso que Deus poderia dar a ela é ser canonizada. Se a conversa tivesse sido concebida pessoalmente, provavelmente eu espalmaria minhas mãos ao ar, declamaria todos os malogros de minha vida e por fim amanheceria envenenada, só para testar a ordem divina, ou ainda, para tentar copiar Mynheer Peeperkorn.
De engraçado ficou amargo. Ela falava sobre como tudo - não só nesse momento- está sendo difícil, e teve o básico ataque de pedantismo-depressivo de dizer que só ela sofre, que sua dor era a maior e que achava o cúmulo da patotinha esses jovens "humanóides" considerarem as suas poucas misérias alguma dor. A essa altura já estávamos chutando uma a costela da outra.
Talvez por isso hoje eu tenha acordado arrasada. Não que meus olhos estivessem marejados, não. Porque eles estavam secos. O rosto não tinha expressão. O coração parecia ter se volatilizado. E o corpo, bem, o corpo não se movia e eu não tinha forças para brigar com a inércia e movê-lo. Me contentei em ficar na cama, olhando a janela cinza. Ameaçava chover.
Então, lembrei de quando eu era um pouco mais nova. Uma vez corri de meus amigos, já muito ébria, e parei estática numa pracinha que fica de frente para a Baía de Guanabara. Era noite e estava relativamente frio. Eu explodi, meu nariz inflamou de coriza e meus olhos começaram a ficar manchados de delineador. Estava doendo. O meu rosto se desfigurava na maquiagem enquanto as ondas da Baía batiam perto.
E não era uma dor do tipo dor. Porque se fosse apenas dor, um bom psicólogo e muitas caixas de Rivotril resolveriam. A principal questão é o referencial. O meu referencial é tão amplo que engloba a dor de cada pedacinho de ser humano que passa por mim. O idoso sem dentes procurando atendimento no hospital, o olhar triste que vi em um mendigo ( ele devorava algo que parecia um doce de padaria com tanto desgosto...), os amores de minha vida que não me querem e também não me deixam seguir e claro, o Grande Ego que controla tudo com seus tentáculos. Eu não alimento meu ego, ele me alimenta.
O referencial não pára de crescer. Talvez eu imite Édipo Rei e fure meus olhos na esperança de uma cegueira completa, quase alienação, ao contrário do que queria o personagem. Talvez eu continue acordando arrasada, sem saber exatamente o porquê. Alguma coisa, alguma lenbrança...Eu não sei o que é. Está aqui, mas foi absorvida pelo Grande Ego de tal forma que eu realmente não me lembro quem ou o quê fez isso. Grande Ego, se era um sonho...devolva.
De engraçado ficou amargo. Ela falava sobre como tudo - não só nesse momento- está sendo difícil, e teve o básico ataque de pedantismo-depressivo de dizer que só ela sofre, que sua dor era a maior e que achava o cúmulo da patotinha esses jovens "humanóides" considerarem as suas poucas misérias alguma dor. A essa altura já estávamos chutando uma a costela da outra.
Talvez por isso hoje eu tenha acordado arrasada. Não que meus olhos estivessem marejados, não. Porque eles estavam secos. O rosto não tinha expressão. O coração parecia ter se volatilizado. E o corpo, bem, o corpo não se movia e eu não tinha forças para brigar com a inércia e movê-lo. Me contentei em ficar na cama, olhando a janela cinza. Ameaçava chover.
Então, lembrei de quando eu era um pouco mais nova. Uma vez corri de meus amigos, já muito ébria, e parei estática numa pracinha que fica de frente para a Baía de Guanabara. Era noite e estava relativamente frio. Eu explodi, meu nariz inflamou de coriza e meus olhos começaram a ficar manchados de delineador. Estava doendo. O meu rosto se desfigurava na maquiagem enquanto as ondas da Baía batiam perto.
E não era uma dor do tipo dor. Porque se fosse apenas dor, um bom psicólogo e muitas caixas de Rivotril resolveriam. A principal questão é o referencial. O meu referencial é tão amplo que engloba a dor de cada pedacinho de ser humano que passa por mim. O idoso sem dentes procurando atendimento no hospital, o olhar triste que vi em um mendigo ( ele devorava algo que parecia um doce de padaria com tanto desgosto...), os amores de minha vida que não me querem e também não me deixam seguir e claro, o Grande Ego que controla tudo com seus tentáculos. Eu não alimento meu ego, ele me alimenta.
O referencial não pára de crescer. Talvez eu imite Édipo Rei e fure meus olhos na esperança de uma cegueira completa, quase alienação, ao contrário do que queria o personagem. Talvez eu continue acordando arrasada, sem saber exatamente o porquê. Alguma coisa, alguma lenbrança...Eu não sei o que é. Está aqui, mas foi absorvida pelo Grande Ego de tal forma que eu realmente não me lembro quem ou o quê fez isso. Grande Ego, se era um sonho...devolva.
Montag, Dezember 08, 2008
A Ludy me odiava, fato
... Sinceridades que me fariam matá-la de forma silenciosa...
Ana : Eu não sou idiota! Eu não sou idiota!
Ludy: Nem eu, mas sempre acabamos sendo...
Ana: Você. Eu não. Eu sou aluna de Olavo de Carvalho e Levy, jamais serei idiota. ( ataque de pedantismo).
Ludy: E se aparecesse?
Ana: Eu poria um enorme saco de papel na cabeça, relembrando os tempos de misantropia.
Ludy: Escrito " tô aqui, pega".
Ana: Vai...
(...)
Ludy: Sabe, eu te odiei um dia.
Ana: Como foi isso?
Ludy: Em um dia que ele demorava a me responder, e voltava rindo dizendo que estava falando contigo. Eu sabia que você era a menina que gostava dele.
Ana: Sério? O Grande Ego agradece, vou dormir feliz agora.
Ludy: Peste diabólica... Arruinou uma noite de minha vida!
Ana: Que glória!
(Ludy começou a escutar "What goes around...Comes around" do Justin Timberlake)
Ana: Era brincadeira. Não precisa escutar essa música e planejar minha morte. Até porque você teria que entrar na fila e herdaria milhões publicando meus textos...
Ludy: Anazinha :)
Ana : Eu não sou idiota! Eu não sou idiota!
Ludy: Nem eu, mas sempre acabamos sendo...
Ana: Você. Eu não. Eu sou aluna de Olavo de Carvalho e Levy, jamais serei idiota. ( ataque de pedantismo).
Ludy: E se aparecesse?
Ana: Eu poria um enorme saco de papel na cabeça, relembrando os tempos de misantropia.
Ludy: Escrito " tô aqui, pega".
Ana: Vai...
(...)
Ludy: Sabe, eu te odiei um dia.
Ana: Como foi isso?
Ludy: Em um dia que ele demorava a me responder, e voltava rindo dizendo que estava falando contigo. Eu sabia que você era a menina que gostava dele.
Ana: Sério? O Grande Ego agradece, vou dormir feliz agora.
Ludy: Peste diabólica... Arruinou uma noite de minha vida!
Ana: Que glória!
(Ludy começou a escutar "What goes around...Comes around" do Justin Timberlake)
Ana: Era brincadeira. Não precisa escutar essa música e planejar minha morte. Até porque você teria que entrar na fila e herdaria milhões publicando meus textos...
Ludy: Anazinha :)
Samstag, Dezember 06, 2008
Inércia
Quando chego a vomitar de fome, o alimento vai até a boca mas não desce. Escapa a tão famosa ânsia da boca de um cardíaco. Os shorts estão largos, os seios sumindo e o egocentrismo voltando. Na verdade, não sei decidir o que é meu egocentrismo : se a minha arrogância de achar que tudo é direcionado à mim, ou, achar que não há nada para ser superado.
Freitag, November 28, 2008
" Show me, show me, show me how you do that trick..?"
Definitivamente o acontecimento mais fúnebre do ano - e talvez de toda a minha vida - : meus amigos saíram para comemorar o aniversário sem mim. Mamãe, como sempre, procurou descamar todas as suas dores para cima da pessoa aqui. Olho o céu que já está quase todo limpo, a semana toda ele pareceu carregado. Limpou pelo propósito da natureza me mostrar o quanto pode me bater, me machucar e voltar a machucar sempre...
Meus queridos amigos. Comemorando mais um ano meu de vida com a minha ausência. Deve ser difícil para eles, como minha morte. Talvez seja apenas um treinamento prévio para minha total desintegração, porque eu sempre pensei que fosse ficar perdendo pedacinho por pedacinho e esses pedacinhos eram infinitos. Mas não são. E pensar na possibilidade de catar um a um deles aumenta o rumo do malogro...
Na mesa do bar: " Um brinde à Ana!" E uma lágrima de saudade ébria nos olhos de cada um. Do outro lado da cidade, meus olhos inchados. E o show do Nando Reis sendo ouvido em meu estado totalmente sóbrio : dores.
Meus queridos amigos. Comemorando mais um ano meu de vida com a minha ausência. Deve ser difícil para eles, como minha morte. Talvez seja apenas um treinamento prévio para minha total desintegração, porque eu sempre pensei que fosse ficar perdendo pedacinho por pedacinho e esses pedacinhos eram infinitos. Mas não são. E pensar na possibilidade de catar um a um deles aumenta o rumo do malogro...
Na mesa do bar: " Um brinde à Ana!" E uma lágrima de saudade ébria nos olhos de cada um. Do outro lado da cidade, meus olhos inchados. E o show do Nando Reis sendo ouvido em meu estado totalmente sóbrio : dores.
Sonntag, November 23, 2008
Sobre o meu aniversário
Os braços estavam pesados de sono. Os braços, não os olhos. Uma voz antiga e baixinha sussurrou em meu ouvido, combinada a uma respiração que lembrava alguma região de clima temperado: "Aufwachen meine Tochter." Então, abri meus olhos. Pude ver a luz fria de fora que invadia o quarto e me deparei com ele. A expressão dura, os cabelos já tão brancos e os olhos pequeninos que mesmo antigos brilhavam.
Depois de vestir o suéter fomos ao parque da cidade. Não chovia, os bancos estavam secos e passamos a manhã toda aspirando algo. Ele o seu cachimbo de anos, eu um cigarro de canela. Arthur me repassou toda a sua filosofia, mas de forma tão viva, tão convincente que os livros que já tinha lido pareceram meros livros de receita de algo que não se pode realizar. Ele também me falou sobre a dor de caminhar tantos anos, sobre como acusar certas verdades - e não digo verdades políticas- não era tão compensante assim : "Schmerzen akkumulieren ..." Eu o interrompi: " Meu alemão está atrasado." Ele com um muxoxo e com o sotaque arrastado prosseguiu: " Uma pessoa sofrida é o mesmo que uma pessoa gorda. Não consegue parar de acumular dor/gordura, é duro. Ambos acabam com sua saúde, mas da mesma forma que há dietas, há também alívios."
O dia todo observando àquela grama mal espalhada e cheia de folhas. Ao final da tarde, ele deitou sua xícara de chá enquanto me observava. Meu Deus, o que eu tentava comer? Um muffin? Tentei abraçar a vontade de me alimentar e devorar aquele muffin, mas quando a boca estava cheia me subiu algo. Enjôo e algo subindo...E subia, subia... Levei minha mão à boca. Arthur disse: "Die Übelkeit que se escapa da boca de um hipocondríaco que dos Anjos tanto falava, não?" Mas não era. Algo veio á tona sim, mas não vinha do esôfago. O sistema respiratório se anulou e eu estava vermelha. Ele me olhou surpreso. Talvez decepcionado. A verdade é que não era digno alguém da sua extirpe ainda ter certas reações. Mas os olhos estavam secos e tudo foi apenas mera encenação de um choro que poderia ter acontecido sim, mas dir-se-ia que não era de minha natureza, não mesmo.
Com um bolo em mãos cheio de velas suas últimas palavras foram: " Nada de desejos. Desejos beiram à vontade e eu critiquei isso minha vida inteira. Apenas assopre, como que para longe, meine Tochter." Também me entregou um embrulho e nele havia espinhos, mas em formato de coroa, deu uma piscadela: "Enquanto o palhaço do Nietzsche chorava mágoas para Cristo eu peguei "emprestado" essa coisinha, haha." E eu assoprei e acordei com o despertador que tocava. Foi sonho e o gosto amargo da saliva matinal já me enjoava. Mas quando olhei para o criado mudo havia uma garrafa de whisky. Sobressaltei-me. Na porta quase encostando ele me olhava, sorria de longe e seu sorriso parecia familiar. Os cabelos brancos viraram-se e a porta fechou. Um dia começava.
Depois de vestir o suéter fomos ao parque da cidade. Não chovia, os bancos estavam secos e passamos a manhã toda aspirando algo. Ele o seu cachimbo de anos, eu um cigarro de canela. Arthur me repassou toda a sua filosofia, mas de forma tão viva, tão convincente que os livros que já tinha lido pareceram meros livros de receita de algo que não se pode realizar. Ele também me falou sobre a dor de caminhar tantos anos, sobre como acusar certas verdades - e não digo verdades políticas- não era tão compensante assim : "Schmerzen akkumulieren ..." Eu o interrompi: " Meu alemão está atrasado." Ele com um muxoxo e com o sotaque arrastado prosseguiu: " Uma pessoa sofrida é o mesmo que uma pessoa gorda. Não consegue parar de acumular dor/gordura, é duro. Ambos acabam com sua saúde, mas da mesma forma que há dietas, há também alívios."
O dia todo observando àquela grama mal espalhada e cheia de folhas. Ao final da tarde, ele deitou sua xícara de chá enquanto me observava. Meu Deus, o que eu tentava comer? Um muffin? Tentei abraçar a vontade de me alimentar e devorar aquele muffin, mas quando a boca estava cheia me subiu algo. Enjôo e algo subindo...E subia, subia... Levei minha mão à boca. Arthur disse: "Die Übelkeit que se escapa da boca de um hipocondríaco que dos Anjos tanto falava, não?" Mas não era. Algo veio á tona sim, mas não vinha do esôfago. O sistema respiratório se anulou e eu estava vermelha. Ele me olhou surpreso. Talvez decepcionado. A verdade é que não era digno alguém da sua extirpe ainda ter certas reações. Mas os olhos estavam secos e tudo foi apenas mera encenação de um choro que poderia ter acontecido sim, mas dir-se-ia que não era de minha natureza, não mesmo.
Com um bolo em mãos cheio de velas suas últimas palavras foram: " Nada de desejos. Desejos beiram à vontade e eu critiquei isso minha vida inteira. Apenas assopre, como que para longe, meine Tochter." Também me entregou um embrulho e nele havia espinhos, mas em formato de coroa, deu uma piscadela: "Enquanto o palhaço do Nietzsche chorava mágoas para Cristo eu peguei "emprestado" essa coisinha, haha." E eu assoprei e acordei com o despertador que tocava. Foi sonho e o gosto amargo da saliva matinal já me enjoava. Mas quando olhei para o criado mudo havia uma garrafa de whisky. Sobressaltei-me. Na porta quase encostando ele me olhava, sorria de longe e seu sorriso parecia familiar. Os cabelos brancos viraram-se e a porta fechou. Um dia começava.
Samstag, November 22, 2008
A esquizofrenia de meus amigos
Primeiro, Schopenhauer encarnado na Ludy:
"Quando te conheci nosso nível evoluiu.... Teve mutação no DNA... E cada vez mais e mais nos tornaremos um mito.Somos irredutíveis, o mundo nos amará e curvará sobre nós Anazinha."
Depois, quase sem afetação, o Matt:
" Eu não sei se você consegue ou apenas finge que consegue. Um pedaço de bife acebolado no lugar do coração, é isso! Você é capaz de levar o maior tombo, levantar cheia de escoriações e com um sorriso ( aquele seu sorriso de longe) dizer que não foi nada. Eu queria lamentar por você, a verdade é que todos queriam. Mas você montada nesse sorriso e arrogância, chuta Sísifo da montanha, se suicida no lugar do Kirilov que você tanto fala... E o pior: desde que te conheço você disputa como criança mimada a coroa de espinhos com Cristo."
"Quando te conheci nosso nível evoluiu.... Teve mutação no DNA... E cada vez mais e mais nos tornaremos um mito.Somos irredutíveis, o mundo nos amará e curvará sobre nós Anazinha."
Depois, quase sem afetação, o Matt:
" Eu não sei se você consegue ou apenas finge que consegue. Um pedaço de bife acebolado no lugar do coração, é isso! Você é capaz de levar o maior tombo, levantar cheia de escoriações e com um sorriso ( aquele seu sorriso de longe) dizer que não foi nada. Eu queria lamentar por você, a verdade é que todos queriam. Mas você montada nesse sorriso e arrogância, chuta Sísifo da montanha, se suicida no lugar do Kirilov que você tanto fala... E o pior: desde que te conheço você disputa como criança mimada a coroa de espinhos com Cristo."
Mittwoch, November 19, 2008
A pior das metáforas
Visualizem em seu córtex cerebral uma criança por algum canto. A mãe a deixa para fazer alguma coisa como ver a panela, pegar alguma fralda, etcétera. Então, como ser inocente ela avista um grande bolo de fezes de cachorro no quintal. Ela pega nas fezes, passa em suas bochechas rosadas, lambe com sua pequenina língua e feliz olha para as paredes, toda defecada, toda feliz.
A criança acaba fedendo até o céu de tanta "brincadeira fecal". A mãe volta, horrorizada, acolhe a criança, lava-a e passa talcos e colônias até ela parar de feder. E até pára, mas a questão é : por que mexer em algo que saiu de dentro de alguém foi tão horrorizante?
Aluísio Azevedo deve estar batendo palmas do túmulo, eu sei.
A criança acaba fedendo até o céu de tanta "brincadeira fecal". A mãe volta, horrorizada, acolhe a criança, lava-a e passa talcos e colônias até ela parar de feder. E até pára, mas a questão é : por que mexer em algo que saiu de dentro de alguém foi tão horrorizante?
Aluísio Azevedo deve estar batendo palmas do túmulo, eu sei.
Freitag, Oktober 31, 2008
"Come away, Oh human child..."
É, daquele filme. E ressuscitem em suas memórias o menininho debaixo de um balde de ácido berrando: " Não me queimem! Não me queimem! Eu sou um menino..."
Mas não cabia a ele escolher o seu fardo, aliás, o problema era não ter fardo. Talvez eu me pregue debaixo de um balde de ácido também e berre, talvez. Mas berrar seria admitir e admitir não está nos planos, nunca está. Ou ainda, talvez minha fada azul seja fada verde ( alusão ao absinto, caso alguém desconheça a expressão).
..."For the world’s more full of weeping than you can understand."
Mas não cabia a ele escolher o seu fardo, aliás, o problema era não ter fardo. Talvez eu me pregue debaixo de um balde de ácido também e berre, talvez. Mas berrar seria admitir e admitir não está nos planos, nunca está. Ou ainda, talvez minha fada azul seja fada verde ( alusão ao absinto, caso alguém desconheça a expressão).
..."For the world’s more full of weeping than you can understand."
Sonntag, Oktober 19, 2008
Absurdo
Eu apertava o cigarro entre os lábios meio secos enquanto olhava o cinzento-azul do céu. O filtro amarelo estalava sutilmente na boca a cada massiva tragada, e eu pensando sobre como até a chuva tinha preguiça de chover. Algumas gotas caíam, a maioria delas parecia querer ficar escondidas nas nuvens carregadas. Agora não temos nem mais a certeza de quando abrir o guarda-chuva.
Precisam-se de pessoas-paracetamol ( alívio imediato! - como diria a Ly), e não pessoas-antibiótico. O paracetamol demora tão pouco tempo para anestesiar e tanto tempo para deixar a dor voltar... Os antibióticos destroem o estômago, demoram a agir e podem não fazer efeito dependendo do grau da doença. Sem levar em conta de que se mantermo-nos com paracetamol o corpo pode reagir por si próprio e os males ficarem para trás.
Então, olhem no espelho e digam: " Eu te amo." O efeito da frase saindo de si ou de outrem não muda muito. O que dá significado à frase não é a ênfase com que é dita, e sim as ações que derivam desta. E para cada ação derivará uma reação de mesma direção e sentido contrário que será o significado da replicação: " Também te amo." Física pura e analogia biológica. O que de fato não muda muito o rumo que tudo toma.
Precisam-se de pessoas-paracetamol ( alívio imediato! - como diria a Ly), e não pessoas-antibiótico. O paracetamol demora tão pouco tempo para anestesiar e tanto tempo para deixar a dor voltar... Os antibióticos destroem o estômago, demoram a agir e podem não fazer efeito dependendo do grau da doença. Sem levar em conta de que se mantermo-nos com paracetamol o corpo pode reagir por si próprio e os males ficarem para trás.
Então, olhem no espelho e digam: " Eu te amo." O efeito da frase saindo de si ou de outrem não muda muito. O que dá significado à frase não é a ênfase com que é dita, e sim as ações que derivam desta. E para cada ação derivará uma reação de mesma direção e sentido contrário que será o significado da replicação: " Também te amo." Física pura e analogia biológica. O que de fato não muda muito o rumo que tudo toma.
Montag, Oktober 13, 2008
O domingo mais domingo de minha vida
Acordei bocejando com os olhos ainda embaçados pelo sono, mas quando a luz matinal entrou pelo quarto dei um pulo. Andar, andar pela casa até ir ao quarto de mamãe e ir ver se o resfriado tinha passado. Não passou.
Aconcheguei-me ao colchão, fiquei olhando e forçando um sorriso. Mamãe olhou-me dura e soltou um : " Agora só restam mais duas chances." Nariz vermelho, olhos escorrendo e o recorde de em menos de cinco minutos depois de acordada começar a chorar e a doer.
Aconcheguei-me ao colchão, fiquei olhando e forçando um sorriso. Mamãe olhou-me dura e soltou um : " Agora só restam mais duas chances." Nariz vermelho, olhos escorrendo e o recorde de em menos de cinco minutos depois de acordada começar a chorar e a doer.
Montag, September 15, 2008
Maybe i don't really want to know...
Trocando as pernas na volta para casa -depois de desviar de todos os olhares que diziam: " céus, uma criança bêbada!"-, e correndo para o telefone. " Você não faz o mínimo esforço, blábláblá..." Que injusto. Muito injusto. A vergonha deve ser mesmo totalmente solúvel em álcool.
Nariz vermelho e fungante, olhos imersos naquela solução aquosa-meio-salgada, manchas de delineador preto por todos os lados.
Substituindo a frase final pela máxima de um ex: " Ana, você ama é um caralho!"
Nariz vermelho e fungante, olhos imersos naquela solução aquosa-meio-salgada, manchas de delineador preto por todos os lados.
Substituindo a frase final pela máxima de um ex: " Ana, você ama é um caralho!"
Freitag, September 05, 2008
Nostalgia
Ontem eu lembrei qual era a cor e textura do seu cabelo. Lembrei do tipo de olhar que me lançava quando estava envergonhando mas comovido. Da suas mãos que ultrapassavam as minhas e mesmo grandes eram graciosas e tinham medo de me machucar. Também da sua saliva com gosto de tabaco e da sua preferência por vodka. Do sorriso que raramente surgia mas iluminava e me deixava tranqüila, sobre como eu não tinha dito/feito alguma bobagem. Lembro dos trajes sempre pretos, do ódio ao verão muito quente. E todas as conversas que sempre terminavam e começavam em risos estratosféricos.
Agora, só resta a mim transformar tudo em peças de quebra-cabeça de minha vida. Quebra-cabeça que eu não sei ao certo se causou um curativo enorme em alguma parte e, ainda se causou, o por quê disso. E montá-lo. Porque não dá para viver sem passado. E cada toque de reencontro talvez seja seguido de algum berro de dor, cheio de afetação. Pelo fato de não ser mais tudo novo, ser apenas continuação. Detestamos continuar, acho que é porque dá muita preguiça de tudo. A preguiça de persistir ainda é maior que o medo de qualquer coisa nova.
Porém, não dá para simplesmente passar o resto de vida deitada tendo fé de que " recordar é viver", sendo que a verdade é que " viver é recordar" - e algumas partes criar algo novo que mais tarde será revivido, claro-. Estamos sempre chorando no colo do passado implorando por mais. " Mais" o quê? Se vai chegar finalmente o dia em que não há de se querer mais. E vai sobrar o menos, menos de si mesmo diante de qualquer tentativa. Outrem cheio de expectativas por experiências vai querer mais, mais e mais. O que há de se fazer quando só se tem menos diante de quem quer mais? Nada. O que é pior... pois, em seu próprio malogro e subterfúgio de todas as coisas possíveis o outrem vai se encantar diante de tanta miséria. Serão: um menos e outro menos, menos.
Agora, só resta a mim transformar tudo em peças de quebra-cabeça de minha vida. Quebra-cabeça que eu não sei ao certo se causou um curativo enorme em alguma parte e, ainda se causou, o por quê disso. E montá-lo. Porque não dá para viver sem passado. E cada toque de reencontro talvez seja seguido de algum berro de dor, cheio de afetação. Pelo fato de não ser mais tudo novo, ser apenas continuação. Detestamos continuar, acho que é porque dá muita preguiça de tudo. A preguiça de persistir ainda é maior que o medo de qualquer coisa nova.
Porém, não dá para simplesmente passar o resto de vida deitada tendo fé de que " recordar é viver", sendo que a verdade é que " viver é recordar" - e algumas partes criar algo novo que mais tarde será revivido, claro-. Estamos sempre chorando no colo do passado implorando por mais. " Mais" o quê? Se vai chegar finalmente o dia em que não há de se querer mais. E vai sobrar o menos, menos de si mesmo diante de qualquer tentativa. Outrem cheio de expectativas por experiências vai querer mais, mais e mais. O que há de se fazer quando só se tem menos diante de quem quer mais? Nada. O que é pior... pois, em seu próprio malogro e subterfúgio de todas as coisas possíveis o outrem vai se encantar diante de tanta miséria. Serão: um menos e outro menos, menos.
Sonntag, August 31, 2008
Nem deve valer
Febre, febre, febre. Tanta coisa para ler que meus olhos estão caindo de vermelhos. E esticar as mãos para tentar arrancar o último pedaço da tentativa de vida. Nem habitantes meus sonhos tem mais. Sonhos : leve desconforto no estômago para ler ou falar sobre.
Olhar não para trás, mas para o meio do caminho. Bem ao centro. E saber que agora sim é tempo de cair de joelhos e agradecer, e chorar, e chorar nas bases de um crucifixo sobre como você tem sido bom comigo, meu Deus. E não saber agradecer com ações, mas sim com mais um malogro sobre como há algum ego em mim que é mais do que eu mesma.
Vão sobrar não as tentativas, mas o olhar por cima do ombro de nojinho e a fala toda, toda pedante: " I don't give a damn." Ou ainda, a dúvida que não vai se calar diante do grande mal-feito : " Era assim mesmo?"
Olhar não para trás, mas para o meio do caminho. Bem ao centro. E saber que agora sim é tempo de cair de joelhos e agradecer, e chorar, e chorar nas bases de um crucifixo sobre como você tem sido bom comigo, meu Deus. E não saber agradecer com ações, mas sim com mais um malogro sobre como há algum ego em mim que é mais do que eu mesma.
Vão sobrar não as tentativas, mas o olhar por cima do ombro de nojinho e a fala toda, toda pedante: " I don't give a damn." Ou ainda, a dúvida que não vai se calar diante do grande mal-feito : " Era assim mesmo?"
Dienstag, August 26, 2008
" Não posso trazer o passado de volta? É claro que posso!" Jay Gatsby
Um pouco após fazer esta afirmação, Gatsby foi assassinado. Espelhando-me nisso, não vou tentar arrancar o passado de trás e pô-lo em minhas mãos futuras, como quem guarda cartas na manga para ganhar o pôquer.
Nem mesmo posso pegar experiências passadas para tentar aprimorar os novos atos. Isso só dá certo quando se trata de um sabor de sorvete, ou restaurante ou algo que não seja abstrato. Em todas as tentativas, tento prender com os braços e dizer como fazer tudo, como as coisas em si funcionam. Mas não é assim que funciona e eu me perderia no infinito de lições de dizer como se portar diante de mim.
O pior é poder adivinhar exatamente o futuro - até nos pequenos gestos e palavras que serão feitos-ditos-, e saber que poderia ter sido diferente ( sempre sabemos, mas nunca conseguimos mudar certos rumos). Entretanto, vou fingir ser cega por dias... E por quê eu não o fiz enquanto você errava? Ah, ok. Aquela coisa de dignidade, ou ainda, orgulho.
Nem mesmo posso pegar experiências passadas para tentar aprimorar os novos atos. Isso só dá certo quando se trata de um sabor de sorvete, ou restaurante ou algo que não seja abstrato. Em todas as tentativas, tento prender com os braços e dizer como fazer tudo, como as coisas em si funcionam. Mas não é assim que funciona e eu me perderia no infinito de lições de dizer como se portar diante de mim.
O pior é poder adivinhar exatamente o futuro - até nos pequenos gestos e palavras que serão feitos-ditos-, e saber que poderia ter sido diferente ( sempre sabemos, mas nunca conseguimos mudar certos rumos). Entretanto, vou fingir ser cega por dias... E por quê eu não o fiz enquanto você errava? Ah, ok. Aquela coisa de dignidade, ou ainda, orgulho.
Samstag, August 16, 2008
Algo sobre paralelismo
Fazendo um paralelo perfeito comparando o post " 1 ano" com aquela frase que ficou ressoando na cabeça dos leitores do blog: " Hoje eu vi alguém que era como você costumava ser." Com o fato de que o "alguém" agora sou eu.
E não é que é exatamente como eu costumava ser? Toda a boa vontade, a dúvida sobre como se portar, a ingenuidade perante o relacionamento. Somando-se a afetação mais graciosa do mundo, claro.
E não é que é exatamente como eu costumava ser? Toda a boa vontade, a dúvida sobre como se portar, a ingenuidade perante o relacionamento. Somando-se a afetação mais graciosa do mundo, claro.
Freitag, August 08, 2008
Cause evebody has a poison heart...
A vida, os dias vão passando junto com o desgosto de solidão obrigatória. O fato de estar tudo ensolarado até revigora algo, mas não o suficiente para maquiar as rugas de tédio e vícios. Você está gastando suas últimas horas de lazer em um meio de comunicação que alcança milhares de seres humanos e, de repente, em sua frente aparece algo novo. Algo não, alguém.
Você está cansada de relacionamentos rápidos e objetivos, ele quer algo sério. Aliás, muito além do sério: ele quer casar. Porque acredita que você é a mulher da vida dele. Você quer procriar, passar seus genes adiante e, olhe só: ele quer filhos, ele também quer filhos! Você quer não a esperança, mas a certeza de que tudo vai dar certo, pois vida é isso: fazer dar certo; e ele fraqueja diante desse fato, da distância. O que faz que seu espírito esperançoso fique ativo novamente, o que possibilita que você possa não somente proferir verdades otimistas, mas também acreditar nelas e reunir suas últimas forças contra a inércia.
E, de repente também, você lembra que foram lições demais diante da caminhada. Que talvez você não possa se doar tanto quanto ele mereça. Que mesmo que todos os sonhos com toda a certeza dos céus possam ser realidades, não faz tanta diferença assim que sejam.
Não posso esquecer, não posso esquecer...
Você está cansada de relacionamentos rápidos e objetivos, ele quer algo sério. Aliás, muito além do sério: ele quer casar. Porque acredita que você é a mulher da vida dele. Você quer procriar, passar seus genes adiante e, olhe só: ele quer filhos, ele também quer filhos! Você quer não a esperança, mas a certeza de que tudo vai dar certo, pois vida é isso: fazer dar certo; e ele fraqueja diante desse fato, da distância. O que faz que seu espírito esperançoso fique ativo novamente, o que possibilita que você possa não somente proferir verdades otimistas, mas também acreditar nelas e reunir suas últimas forças contra a inércia.
E, de repente também, você lembra que foram lições demais diante da caminhada. Que talvez você não possa se doar tanto quanto ele mereça. Que mesmo que todos os sonhos com toda a certeza dos céus possam ser realidades, não faz tanta diferença assim que sejam.
Não posso esquecer, não posso esquecer...
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