Definitivamente o acontecimento mais fúnebre do ano - e talvez de toda a minha vida - : meus amigos saíram para comemorar o aniversário sem mim. Mamãe, como sempre, procurou descamar todas as suas dores para cima da pessoa aqui. Olho o céu que já está quase todo limpo, a semana toda ele pareceu carregado. Limpou pelo propósito da natureza me mostrar o quanto pode me bater, me machucar e voltar a machucar sempre...
Meus queridos amigos. Comemorando mais um ano meu de vida com a minha ausência. Deve ser difícil para eles, como minha morte. Talvez seja apenas um treinamento prévio para minha total desintegração, porque eu sempre pensei que fosse ficar perdendo pedacinho por pedacinho e esses pedacinhos eram infinitos. Mas não são. E pensar na possibilidade de catar um a um deles aumenta o rumo do malogro...
Na mesa do bar: " Um brinde à Ana!" E uma lágrima de saudade ébria nos olhos de cada um. Do outro lado da cidade, meus olhos inchados. E o show do Nando Reis sendo ouvido em meu estado totalmente sóbrio : dores.
Freitag, November 28, 2008
Sonntag, November 23, 2008
Sobre o meu aniversário
Os braços estavam pesados de sono. Os braços, não os olhos. Uma voz antiga e baixinha sussurrou em meu ouvido, combinada a uma respiração que lembrava alguma região de clima temperado: "Aufwachen meine Tochter." Então, abri meus olhos. Pude ver a luz fria de fora que invadia o quarto e me deparei com ele. A expressão dura, os cabelos já tão brancos e os olhos pequeninos que mesmo antigos brilhavam.
Depois de vestir o suéter fomos ao parque da cidade. Não chovia, os bancos estavam secos e passamos a manhã toda aspirando algo. Ele o seu cachimbo de anos, eu um cigarro de canela. Arthur me repassou toda a sua filosofia, mas de forma tão viva, tão convincente que os livros que já tinha lido pareceram meros livros de receita de algo que não se pode realizar. Ele também me falou sobre a dor de caminhar tantos anos, sobre como acusar certas verdades - e não digo verdades políticas- não era tão compensante assim : "Schmerzen akkumulieren ..." Eu o interrompi: " Meu alemão está atrasado." Ele com um muxoxo e com o sotaque arrastado prosseguiu: " Uma pessoa sofrida é o mesmo que uma pessoa gorda. Não consegue parar de acumular dor/gordura, é duro. Ambos acabam com sua saúde, mas da mesma forma que há dietas, há também alívios."
O dia todo observando àquela grama mal espalhada e cheia de folhas. Ao final da tarde, ele deitou sua xícara de chá enquanto me observava. Meu Deus, o que eu tentava comer? Um muffin? Tentei abraçar a vontade de me alimentar e devorar aquele muffin, mas quando a boca estava cheia me subiu algo. Enjôo e algo subindo...E subia, subia... Levei minha mão à boca. Arthur disse: "Die Übelkeit que se escapa da boca de um hipocondríaco que dos Anjos tanto falava, não?" Mas não era. Algo veio á tona sim, mas não vinha do esôfago. O sistema respiratório se anulou e eu estava vermelha. Ele me olhou surpreso. Talvez decepcionado. A verdade é que não era digno alguém da sua extirpe ainda ter certas reações. Mas os olhos estavam secos e tudo foi apenas mera encenação de um choro que poderia ter acontecido sim, mas dir-se-ia que não era de minha natureza, não mesmo.
Com um bolo em mãos cheio de velas suas últimas palavras foram: " Nada de desejos. Desejos beiram à vontade e eu critiquei isso minha vida inteira. Apenas assopre, como que para longe, meine Tochter." Também me entregou um embrulho e nele havia espinhos, mas em formato de coroa, deu uma piscadela: "Enquanto o palhaço do Nietzsche chorava mágoas para Cristo eu peguei "emprestado" essa coisinha, haha." E eu assoprei e acordei com o despertador que tocava. Foi sonho e o gosto amargo da saliva matinal já me enjoava. Mas quando olhei para o criado mudo havia uma garrafa de whisky. Sobressaltei-me. Na porta quase encostando ele me olhava, sorria de longe e seu sorriso parecia familiar. Os cabelos brancos viraram-se e a porta fechou. Um dia começava.
Depois de vestir o suéter fomos ao parque da cidade. Não chovia, os bancos estavam secos e passamos a manhã toda aspirando algo. Ele o seu cachimbo de anos, eu um cigarro de canela. Arthur me repassou toda a sua filosofia, mas de forma tão viva, tão convincente que os livros que já tinha lido pareceram meros livros de receita de algo que não se pode realizar. Ele também me falou sobre a dor de caminhar tantos anos, sobre como acusar certas verdades - e não digo verdades políticas- não era tão compensante assim : "Schmerzen akkumulieren ..." Eu o interrompi: " Meu alemão está atrasado." Ele com um muxoxo e com o sotaque arrastado prosseguiu: " Uma pessoa sofrida é o mesmo que uma pessoa gorda. Não consegue parar de acumular dor/gordura, é duro. Ambos acabam com sua saúde, mas da mesma forma que há dietas, há também alívios."
O dia todo observando àquela grama mal espalhada e cheia de folhas. Ao final da tarde, ele deitou sua xícara de chá enquanto me observava. Meu Deus, o que eu tentava comer? Um muffin? Tentei abraçar a vontade de me alimentar e devorar aquele muffin, mas quando a boca estava cheia me subiu algo. Enjôo e algo subindo...E subia, subia... Levei minha mão à boca. Arthur disse: "Die Übelkeit que se escapa da boca de um hipocondríaco que dos Anjos tanto falava, não?" Mas não era. Algo veio á tona sim, mas não vinha do esôfago. O sistema respiratório se anulou e eu estava vermelha. Ele me olhou surpreso. Talvez decepcionado. A verdade é que não era digno alguém da sua extirpe ainda ter certas reações. Mas os olhos estavam secos e tudo foi apenas mera encenação de um choro que poderia ter acontecido sim, mas dir-se-ia que não era de minha natureza, não mesmo.
Com um bolo em mãos cheio de velas suas últimas palavras foram: " Nada de desejos. Desejos beiram à vontade e eu critiquei isso minha vida inteira. Apenas assopre, como que para longe, meine Tochter." Também me entregou um embrulho e nele havia espinhos, mas em formato de coroa, deu uma piscadela: "Enquanto o palhaço do Nietzsche chorava mágoas para Cristo eu peguei "emprestado" essa coisinha, haha." E eu assoprei e acordei com o despertador que tocava. Foi sonho e o gosto amargo da saliva matinal já me enjoava. Mas quando olhei para o criado mudo havia uma garrafa de whisky. Sobressaltei-me. Na porta quase encostando ele me olhava, sorria de longe e seu sorriso parecia familiar. Os cabelos brancos viraram-se e a porta fechou. Um dia começava.
Samstag, November 22, 2008
A esquizofrenia de meus amigos
Primeiro, Schopenhauer encarnado na Ludy:
"Quando te conheci nosso nível evoluiu.... Teve mutação no DNA... E cada vez mais e mais nos tornaremos um mito.Somos irredutíveis, o mundo nos amará e curvará sobre nós Anazinha."
Depois, quase sem afetação, o Matt:
" Eu não sei se você consegue ou apenas finge que consegue. Um pedaço de bife acebolado no lugar do coração, é isso! Você é capaz de levar o maior tombo, levantar cheia de escoriações e com um sorriso ( aquele seu sorriso de longe) dizer que não foi nada. Eu queria lamentar por você, a verdade é que todos queriam. Mas você montada nesse sorriso e arrogância, chuta Sísifo da montanha, se suicida no lugar do Kirilov que você tanto fala... E o pior: desde que te conheço você disputa como criança mimada a coroa de espinhos com Cristo."
"Quando te conheci nosso nível evoluiu.... Teve mutação no DNA... E cada vez mais e mais nos tornaremos um mito.Somos irredutíveis, o mundo nos amará e curvará sobre nós Anazinha."
Depois, quase sem afetação, o Matt:
" Eu não sei se você consegue ou apenas finge que consegue. Um pedaço de bife acebolado no lugar do coração, é isso! Você é capaz de levar o maior tombo, levantar cheia de escoriações e com um sorriso ( aquele seu sorriso de longe) dizer que não foi nada. Eu queria lamentar por você, a verdade é que todos queriam. Mas você montada nesse sorriso e arrogância, chuta Sísifo da montanha, se suicida no lugar do Kirilov que você tanto fala... E o pior: desde que te conheço você disputa como criança mimada a coroa de espinhos com Cristo."
Mittwoch, November 19, 2008
A pior das metáforas
Visualizem em seu córtex cerebral uma criança por algum canto. A mãe a deixa para fazer alguma coisa como ver a panela, pegar alguma fralda, etcétera. Então, como ser inocente ela avista um grande bolo de fezes de cachorro no quintal. Ela pega nas fezes, passa em suas bochechas rosadas, lambe com sua pequenina língua e feliz olha para as paredes, toda defecada, toda feliz.
A criança acaba fedendo até o céu de tanta "brincadeira fecal". A mãe volta, horrorizada, acolhe a criança, lava-a e passa talcos e colônias até ela parar de feder. E até pára, mas a questão é : por que mexer em algo que saiu de dentro de alguém foi tão horrorizante?
Aluísio Azevedo deve estar batendo palmas do túmulo, eu sei.
A criança acaba fedendo até o céu de tanta "brincadeira fecal". A mãe volta, horrorizada, acolhe a criança, lava-a e passa talcos e colônias até ela parar de feder. E até pára, mas a questão é : por que mexer em algo que saiu de dentro de alguém foi tão horrorizante?
Aluísio Azevedo deve estar batendo palmas do túmulo, eu sei.
Freitag, Oktober 31, 2008
"Come away, Oh human child..."
É, daquele filme. E ressuscitem em suas memórias o menininho debaixo de um balde de ácido berrando: " Não me queimem! Não me queimem! Eu sou um menino..."
Mas não cabia a ele escolher o seu fardo, aliás, o problema era não ter fardo. Talvez eu me pregue debaixo de um balde de ácido também e berre, talvez. Mas berrar seria admitir e admitir não está nos planos, nunca está. Ou ainda, talvez minha fada azul seja fada verde ( alusão ao absinto, caso alguém desconheça a expressão).
..."For the world’s more full of weeping than you can understand."
Mas não cabia a ele escolher o seu fardo, aliás, o problema era não ter fardo. Talvez eu me pregue debaixo de um balde de ácido também e berre, talvez. Mas berrar seria admitir e admitir não está nos planos, nunca está. Ou ainda, talvez minha fada azul seja fada verde ( alusão ao absinto, caso alguém desconheça a expressão).
..."For the world’s more full of weeping than you can understand."
Sonntag, Oktober 19, 2008
Absurdo
Eu apertava o cigarro entre os lábios meio secos enquanto olhava o cinzento-azul do céu. O filtro amarelo estalava sutilmente na boca a cada massiva tragada, e eu pensando sobre como até a chuva tinha preguiça de chover. Algumas gotas caíam, a maioria delas parecia querer ficar escondidas nas nuvens carregadas. Agora não temos nem mais a certeza de quando abrir o guarda-chuva.
Precisam-se de pessoas-paracetamol ( alívio imediato! - como diria a Ly), e não pessoas-antibiótico. O paracetamol demora tão pouco tempo para anestesiar e tanto tempo para deixar a dor voltar... Os antibióticos destroem o estômago, demoram a agir e podem não fazer efeito dependendo do grau da doença. Sem levar em conta de que se mantermo-nos com paracetamol o corpo pode reagir por si próprio e os males ficarem para trás.
Então, olhem no espelho e digam: " Eu te amo." O efeito da frase saindo de si ou de outrem não muda muito. O que dá significado à frase não é a ênfase com que é dita, e sim as ações que derivam desta. E para cada ação derivará uma reação de mesma direção e sentido contrário que será o significado da replicação: " Também te amo." Física pura e analogia biológica. O que de fato não muda muito o rumo que tudo toma.
Precisam-se de pessoas-paracetamol ( alívio imediato! - como diria a Ly), e não pessoas-antibiótico. O paracetamol demora tão pouco tempo para anestesiar e tanto tempo para deixar a dor voltar... Os antibióticos destroem o estômago, demoram a agir e podem não fazer efeito dependendo do grau da doença. Sem levar em conta de que se mantermo-nos com paracetamol o corpo pode reagir por si próprio e os males ficarem para trás.
Então, olhem no espelho e digam: " Eu te amo." O efeito da frase saindo de si ou de outrem não muda muito. O que dá significado à frase não é a ênfase com que é dita, e sim as ações que derivam desta. E para cada ação derivará uma reação de mesma direção e sentido contrário que será o significado da replicação: " Também te amo." Física pura e analogia biológica. O que de fato não muda muito o rumo que tudo toma.
Montag, Oktober 13, 2008
O domingo mais domingo de minha vida
Acordei bocejando com os olhos ainda embaçados pelo sono, mas quando a luz matinal entrou pelo quarto dei um pulo. Andar, andar pela casa até ir ao quarto de mamãe e ir ver se o resfriado tinha passado. Não passou.
Aconcheguei-me ao colchão, fiquei olhando e forçando um sorriso. Mamãe olhou-me dura e soltou um : " Agora só restam mais duas chances." Nariz vermelho, olhos escorrendo e o recorde de em menos de cinco minutos depois de acordada começar a chorar e a doer.
Aconcheguei-me ao colchão, fiquei olhando e forçando um sorriso. Mamãe olhou-me dura e soltou um : " Agora só restam mais duas chances." Nariz vermelho, olhos escorrendo e o recorde de em menos de cinco minutos depois de acordada começar a chorar e a doer.
Montag, September 15, 2008
Maybe i don't really want to know...
Trocando as pernas na volta para casa -depois de desviar de todos os olhares que diziam: " céus, uma criança bêbada!"-, e correndo para o telefone. " Você não faz o mínimo esforço, blábláblá..." Que injusto. Muito injusto. A vergonha deve ser mesmo totalmente solúvel em álcool.
Nariz vermelho e fungante, olhos imersos naquela solução aquosa-meio-salgada, manchas de delineador preto por todos os lados.
Substituindo a frase final pela máxima de um ex: " Ana, você ama é um caralho!"
Nariz vermelho e fungante, olhos imersos naquela solução aquosa-meio-salgada, manchas de delineador preto por todos os lados.
Substituindo a frase final pela máxima de um ex: " Ana, você ama é um caralho!"
Freitag, September 05, 2008
Nostalgia
Ontem eu lembrei qual era a cor e textura do seu cabelo. Lembrei do tipo de olhar que me lançava quando estava envergonhando mas comovido. Da suas mãos que ultrapassavam as minhas e mesmo grandes eram graciosas e tinham medo de me machucar. Também da sua saliva com gosto de tabaco e da sua preferência por vodka. Do sorriso que raramente surgia mas iluminava e me deixava tranqüila, sobre como eu não tinha dito/feito alguma bobagem. Lembro dos trajes sempre pretos, do ódio ao verão muito quente. E todas as conversas que sempre terminavam e começavam em risos estratosféricos.
Agora, só resta a mim transformar tudo em peças de quebra-cabeça de minha vida. Quebra-cabeça que eu não sei ao certo se causou um curativo enorme em alguma parte e, ainda se causou, o por quê disso. E montá-lo. Porque não dá para viver sem passado. E cada toque de reencontro talvez seja seguido de algum berro de dor, cheio de afetação. Pelo fato de não ser mais tudo novo, ser apenas continuação. Detestamos continuar, acho que é porque dá muita preguiça de tudo. A preguiça de persistir ainda é maior que o medo de qualquer coisa nova.
Porém, não dá para simplesmente passar o resto de vida deitada tendo fé de que " recordar é viver", sendo que a verdade é que " viver é recordar" - e algumas partes criar algo novo que mais tarde será revivido, claro-. Estamos sempre chorando no colo do passado implorando por mais. " Mais" o quê? Se vai chegar finalmente o dia em que não há de se querer mais. E vai sobrar o menos, menos de si mesmo diante de qualquer tentativa. Outrem cheio de expectativas por experiências vai querer mais, mais e mais. O que há de se fazer quando só se tem menos diante de quem quer mais? Nada. O que é pior... pois, em seu próprio malogro e subterfúgio de todas as coisas possíveis o outrem vai se encantar diante de tanta miséria. Serão: um menos e outro menos, menos.
Agora, só resta a mim transformar tudo em peças de quebra-cabeça de minha vida. Quebra-cabeça que eu não sei ao certo se causou um curativo enorme em alguma parte e, ainda se causou, o por quê disso. E montá-lo. Porque não dá para viver sem passado. E cada toque de reencontro talvez seja seguido de algum berro de dor, cheio de afetação. Pelo fato de não ser mais tudo novo, ser apenas continuação. Detestamos continuar, acho que é porque dá muita preguiça de tudo. A preguiça de persistir ainda é maior que o medo de qualquer coisa nova.
Porém, não dá para simplesmente passar o resto de vida deitada tendo fé de que " recordar é viver", sendo que a verdade é que " viver é recordar" - e algumas partes criar algo novo que mais tarde será revivido, claro-. Estamos sempre chorando no colo do passado implorando por mais. " Mais" o quê? Se vai chegar finalmente o dia em que não há de se querer mais. E vai sobrar o menos, menos de si mesmo diante de qualquer tentativa. Outrem cheio de expectativas por experiências vai querer mais, mais e mais. O que há de se fazer quando só se tem menos diante de quem quer mais? Nada. O que é pior... pois, em seu próprio malogro e subterfúgio de todas as coisas possíveis o outrem vai se encantar diante de tanta miséria. Serão: um menos e outro menos, menos.
Sonntag, August 31, 2008
Nem deve valer
Febre, febre, febre. Tanta coisa para ler que meus olhos estão caindo de vermelhos. E esticar as mãos para tentar arrancar o último pedaço da tentativa de vida. Nem habitantes meus sonhos tem mais. Sonhos : leve desconforto no estômago para ler ou falar sobre.
Olhar não para trás, mas para o meio do caminho. Bem ao centro. E saber que agora sim é tempo de cair de joelhos e agradecer, e chorar, e chorar nas bases de um crucifixo sobre como você tem sido bom comigo, meu Deus. E não saber agradecer com ações, mas sim com mais um malogro sobre como há algum ego em mim que é mais do que eu mesma.
Vão sobrar não as tentativas, mas o olhar por cima do ombro de nojinho e a fala toda, toda pedante: " I don't give a damn." Ou ainda, a dúvida que não vai se calar diante do grande mal-feito : " Era assim mesmo?"
Olhar não para trás, mas para o meio do caminho. Bem ao centro. E saber que agora sim é tempo de cair de joelhos e agradecer, e chorar, e chorar nas bases de um crucifixo sobre como você tem sido bom comigo, meu Deus. E não saber agradecer com ações, mas sim com mais um malogro sobre como há algum ego em mim que é mais do que eu mesma.
Vão sobrar não as tentativas, mas o olhar por cima do ombro de nojinho e a fala toda, toda pedante: " I don't give a damn." Ou ainda, a dúvida que não vai se calar diante do grande mal-feito : " Era assim mesmo?"
Dienstag, August 26, 2008
" Não posso trazer o passado de volta? É claro que posso!" Jay Gatsby
Um pouco após fazer esta afirmação, Gatsby foi assassinado. Espelhando-me nisso, não vou tentar arrancar o passado de trás e pô-lo em minhas mãos futuras, como quem guarda cartas na manga para ganhar o pôquer.
Nem mesmo posso pegar experiências passadas para tentar aprimorar os novos atos. Isso só dá certo quando se trata de um sabor de sorvete, ou restaurante ou algo que não seja abstrato. Em todas as tentativas, tento prender com os braços e dizer como fazer tudo, como as coisas em si funcionam. Mas não é assim que funciona e eu me perderia no infinito de lições de dizer como se portar diante de mim.
O pior é poder adivinhar exatamente o futuro - até nos pequenos gestos e palavras que serão feitos-ditos-, e saber que poderia ter sido diferente ( sempre sabemos, mas nunca conseguimos mudar certos rumos). Entretanto, vou fingir ser cega por dias... E por quê eu não o fiz enquanto você errava? Ah, ok. Aquela coisa de dignidade, ou ainda, orgulho.
Nem mesmo posso pegar experiências passadas para tentar aprimorar os novos atos. Isso só dá certo quando se trata de um sabor de sorvete, ou restaurante ou algo que não seja abstrato. Em todas as tentativas, tento prender com os braços e dizer como fazer tudo, como as coisas em si funcionam. Mas não é assim que funciona e eu me perderia no infinito de lições de dizer como se portar diante de mim.
O pior é poder adivinhar exatamente o futuro - até nos pequenos gestos e palavras que serão feitos-ditos-, e saber que poderia ter sido diferente ( sempre sabemos, mas nunca conseguimos mudar certos rumos). Entretanto, vou fingir ser cega por dias... E por quê eu não o fiz enquanto você errava? Ah, ok. Aquela coisa de dignidade, ou ainda, orgulho.
Samstag, August 16, 2008
Algo sobre paralelismo
Fazendo um paralelo perfeito comparando o post " 1 ano" com aquela frase que ficou ressoando na cabeça dos leitores do blog: " Hoje eu vi alguém que era como você costumava ser." Com o fato de que o "alguém" agora sou eu.
E não é que é exatamente como eu costumava ser? Toda a boa vontade, a dúvida sobre como se portar, a ingenuidade perante o relacionamento. Somando-se a afetação mais graciosa do mundo, claro.
E não é que é exatamente como eu costumava ser? Toda a boa vontade, a dúvida sobre como se portar, a ingenuidade perante o relacionamento. Somando-se a afetação mais graciosa do mundo, claro.
Freitag, August 08, 2008
Cause evebody has a poison heart...
A vida, os dias vão passando junto com o desgosto de solidão obrigatória. O fato de estar tudo ensolarado até revigora algo, mas não o suficiente para maquiar as rugas de tédio e vícios. Você está gastando suas últimas horas de lazer em um meio de comunicação que alcança milhares de seres humanos e, de repente, em sua frente aparece algo novo. Algo não, alguém.
Você está cansada de relacionamentos rápidos e objetivos, ele quer algo sério. Aliás, muito além do sério: ele quer casar. Porque acredita que você é a mulher da vida dele. Você quer procriar, passar seus genes adiante e, olhe só: ele quer filhos, ele também quer filhos! Você quer não a esperança, mas a certeza de que tudo vai dar certo, pois vida é isso: fazer dar certo; e ele fraqueja diante desse fato, da distância. O que faz que seu espírito esperançoso fique ativo novamente, o que possibilita que você possa não somente proferir verdades otimistas, mas também acreditar nelas e reunir suas últimas forças contra a inércia.
E, de repente também, você lembra que foram lições demais diante da caminhada. Que talvez você não possa se doar tanto quanto ele mereça. Que mesmo que todos os sonhos com toda a certeza dos céus possam ser realidades, não faz tanta diferença assim que sejam.
Não posso esquecer, não posso esquecer...
Você está cansada de relacionamentos rápidos e objetivos, ele quer algo sério. Aliás, muito além do sério: ele quer casar. Porque acredita que você é a mulher da vida dele. Você quer procriar, passar seus genes adiante e, olhe só: ele quer filhos, ele também quer filhos! Você quer não a esperança, mas a certeza de que tudo vai dar certo, pois vida é isso: fazer dar certo; e ele fraqueja diante desse fato, da distância. O que faz que seu espírito esperançoso fique ativo novamente, o que possibilita que você possa não somente proferir verdades otimistas, mas também acreditar nelas e reunir suas últimas forças contra a inércia.
E, de repente também, você lembra que foram lições demais diante da caminhada. Que talvez você não possa se doar tanto quanto ele mereça. Que mesmo que todos os sonhos com toda a certeza dos céus possam ser realidades, não faz tanta diferença assim que sejam.
Não posso esquecer, não posso esquecer...
Montag, Juli 21, 2008
" Será que vai explodir?!"
Foi o que eu disse em pensamento enquanto fumava meu último cigarro naquela calçada suja. Com uma das mãos no peito, olhos vidrados no desespero de olhar tudo como se fosse cenário de algo que não é real. Doía muito.
Freitag, Juli 18, 2008
Eu fingi na hora de rir
O que fazer com o sorriso que entrepôs todas as lágrimas? E de tudo fica a sensação de ter sido lida como um livro, interpretada e editada para um novo ser.
Respondendo a minha própria pergunta, talvez sirva para usar na hora do purgatório, no item " como não procriei". Porque é óbvio ululante que dessa vez meu ego não teve nada a ver com o despedaçar de nada. E ainda escapa do estômago uma verdadeira ânsia, que veio do desgosto absurdo de como o tempo transforma tudo ao nosso favor na época em que não são mais nossas. Época em que toda vontade inexiste. Mas, voltando a parte do "purgatório": eu tentei, meu Deus, como estou tentando!
Respondendo a minha própria pergunta, talvez sirva para usar na hora do purgatório, no item " como não procriei". Porque é óbvio ululante que dessa vez meu ego não teve nada a ver com o despedaçar de nada. E ainda escapa do estômago uma verdadeira ânsia, que veio do desgosto absurdo de como o tempo transforma tudo ao nosso favor na época em que não são mais nossas. Época em que toda vontade inexiste. Mas, voltando a parte do "purgatório": eu tentei, meu Deus, como estou tentando!
Dienstag, Juli 01, 2008
Como o Dimmy já dizia:
" Vou ter que voltar a cheirar clorofórmio!"
E a minha vida se precipitou diante de mim. Virou-se e deu um sorriso de quem já foi tarde. Arrastando-me, tentei alcançá-la, mas ela continuava sem mim, como se em todo meu esforço-fracasso ela necessitasse encontrar outra que fizesse sentido ao seu nome: Vida.
Quando olhei para trás, todos punham a mão na cabeça e diziam: " Meu Deus, era a sua vida, menina....Era a sua vida!". Todos eles esperavam que eu fizesse algo a respeito, mas havia mais abnegação do que vontade em mim.
Fica o poema que foi recomendação da Lyanna:
"Não tem nome de amor. Nem se parece a mim. Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso. Dançarino e novo, ter nome de ninguém. E preferir ausência e desconforto .Para guardar no eterno o coração do outro. "
Hilda Hilst
E a minha vida se precipitou diante de mim. Virou-se e deu um sorriso de quem já foi tarde. Arrastando-me, tentei alcançá-la, mas ela continuava sem mim, como se em todo meu esforço-fracasso ela necessitasse encontrar outra que fizesse sentido ao seu nome: Vida.
Quando olhei para trás, todos punham a mão na cabeça e diziam: " Meu Deus, era a sua vida, menina....Era a sua vida!". Todos eles esperavam que eu fizesse algo a respeito, mas havia mais abnegação do que vontade em mim.
Fica o poema que foi recomendação da Lyanna:
"Não tem nome de amor. Nem se parece a mim. Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso. Dançarino e novo, ter nome de ninguém. E preferir ausência e desconforto .Para guardar no eterno o coração do outro. "
Hilda Hilst
Dienstag, Juni 17, 2008
" Se eu morresse amanhã..."
E ficam todos os lamentos possíveis e impossíveis diante de tanta falta de consideração comigo mesma. Confesso que desta vez fui longe demais na trilha de malefícios do monóxido de carbono e confesso também que estou implorando ao Senhor por alguma esperança ou chance de vida e ainda assim uma qualidade nela.
Mas se não...
" Foi poeta, sonhou e amou em vida!"
Mas se não...
" Foi poeta, sonhou e amou em vida!"
Donnerstag, Juni 05, 2008
" A má influência dos signos do zodíaco...."
As lágrimas fazem cócegas nas pálpebras e eu simplesmente não sei o que fazer. E isso é perfeito, já que eu não vou juntar meia dúzia de insultos para sair atirando na cara do primeiro que aparecer. Agora meu ego se conforma com um "está bem, está bem", ou ainda, alguma frase sem sentido mas cheia de ironias.
A cabeça dói a cada manifestação do grande ego. Eu não aguento mais - juro que não...- meu grande ego que mais se parece com um polvo cheio de tentáculos a agarrar tudo que vê pela frente. Eu queria estar tão calma quanto aparento, e queria que os dois olhos tristes fossem prenúncio ou reflexo de algo semelhante a "tristeza pacífica". Agradecimentos à boca por não se manifestar diante de tanta inércia e preguiça e ao estômago, por aguentar tanta miséria.
A cabeça dói a cada manifestação do grande ego. Eu não aguento mais - juro que não...- meu grande ego que mais se parece com um polvo cheio de tentáculos a agarrar tudo que vê pela frente. Eu queria estar tão calma quanto aparento, e queria que os dois olhos tristes fossem prenúncio ou reflexo de algo semelhante a "tristeza pacífica". Agradecimentos à boca por não se manifestar diante de tanta inércia e preguiça e ao estômago, por aguentar tanta miséria.
Sonntag, Juni 01, 2008
Algumas explicações ao Paulo Victor...
...A arrogância-pedantismo foram tantas para com ele que talvez um post não cure...
1º - O "te amo, mas não muito" foi só uma tentativa malograda do meu ego se estabilizar. Vai ver que eu te amo tanto que estou brigando com o meu 'eu' para não amar sei lá pelo quê.
2º - É claro que eu sei que você me ama muito, "mas do que a mim mesmo", como você sempre diz, e eu também não necessito de milhões de "eu te amo" para poder entender ou subentender isso. E nem qualquer declaração do mesmo tipo direcionado de ou a outra pessoa me faz duvidar deste fato. Acontece que às vezes me dão uns ataques de ser humano e eu chego a acreditar que estou morta de ciúmes, entretanto, para quê ciúmes se está tudo subentendido?
3º- Eu acredito em você, mesmo.
Desculpas:
- Por ser tão egocêntrica e não dar sempre a atenção que você merece.
- Por te ligar bêbada e pela madrugada.
- Por ser tão pedante ao ponto de fazer você querer me impressionar sempre.
- Por não reconhecer sempre - eu tento...- seus esforços para me impressionar e sempre desdenhar disso.
Eu também amo você...Tanto ou mais do que você me ama, bobo.
1º - O "te amo, mas não muito" foi só uma tentativa malograda do meu ego se estabilizar. Vai ver que eu te amo tanto que estou brigando com o meu 'eu' para não amar sei lá pelo quê.
2º - É claro que eu sei que você me ama muito, "mas do que a mim mesmo", como você sempre diz, e eu também não necessito de milhões de "eu te amo" para poder entender ou subentender isso. E nem qualquer declaração do mesmo tipo direcionado de ou a outra pessoa me faz duvidar deste fato. Acontece que às vezes me dão uns ataques de ser humano e eu chego a acreditar que estou morta de ciúmes, entretanto, para quê ciúmes se está tudo subentendido?
3º- Eu acredito em você, mesmo.
Desculpas:
- Por ser tão egocêntrica e não dar sempre a atenção que você merece.
- Por te ligar bêbada e pela madrugada.
- Por ser tão pedante ao ponto de fazer você querer me impressionar sempre.
- Por não reconhecer sempre - eu tento...- seus esforços para me impressionar e sempre desdenhar disso.
Eu também amo você...Tanto ou mais do que você me ama, bobo.
Mittwoch, Mai 28, 2008
Tanta gentileza...
E se foi. Assim como já estava mais do que subentendido que iria... Eu sabia desde o começo, mas simplesmente não dá para jogar a toalha. Cheguei a conclusão que nessa vida não conseguimos nem ao menos desistir, pois é ciclo e não depende de nós.
Sim, eu via todas as vezes o seu rosto desgastado implorando para entender-me - só Deus sabe como eu tentava explicar...- mas na minha frieza era apenas desgate das leituras ou do trabalho. É, você também sempre soube que eu era mais matéria do que sentimento. Sabia, mas queria tentar. E foi tão, mas tão lindo seus esforços tão preciosos a cada momento comigo. Eu pude sentir cada vez que sua voz abaixava humilhada diante de tanto pedantismo, e eu tentava consertar passando as mãos em seus cabelos, entretanto, meu toque não podia pegar minhas palavras no ar e jogá-las de volta às cordas vocais.
Talvez um dia eu me perdoe por tanto sofrimento causado, ou, talvez eu já tenha pago com minha voz sempre embargada pelo choro, o nariz sempre entupido e vermelho e ainda o olhar que retrata todo malogro humano que se possa suportar.
Entende? No fim das contas você está salvo. Pode andar por aí que a sua ferida vai fechar em semanas... Não precisa fazer como eu e fingir que "estou bem, estou bem". É a proporção das coisas, o azar de andar de mãos dadas comigo e a sorte de se libertar de uma vez por todas de tanto desperdício.
Sim, eu via todas as vezes o seu rosto desgastado implorando para entender-me - só Deus sabe como eu tentava explicar...- mas na minha frieza era apenas desgate das leituras ou do trabalho. É, você também sempre soube que eu era mais matéria do que sentimento. Sabia, mas queria tentar. E foi tão, mas tão lindo seus esforços tão preciosos a cada momento comigo. Eu pude sentir cada vez que sua voz abaixava humilhada diante de tanto pedantismo, e eu tentava consertar passando as mãos em seus cabelos, entretanto, meu toque não podia pegar minhas palavras no ar e jogá-las de volta às cordas vocais.
Talvez um dia eu me perdoe por tanto sofrimento causado, ou, talvez eu já tenha pago com minha voz sempre embargada pelo choro, o nariz sempre entupido e vermelho e ainda o olhar que retrata todo malogro humano que se possa suportar.
Entende? No fim das contas você está salvo. Pode andar por aí que a sua ferida vai fechar em semanas... Não precisa fazer como eu e fingir que "estou bem, estou bem". É a proporção das coisas, o azar de andar de mãos dadas comigo e a sorte de se libertar de uma vez por todas de tanto desperdício.
Abonnieren
Kommentare (Atom)