- Alô?
A voz soou tão presente que tive de olhar para os lados para saber se ele não estava atrás de mim e, ao mesmo tempo, a mesma voz soou passado, do tipo distante. Do que era e estava voltando a ser.
Depois de tanto malogro literalmente comprado e inalado, pareceu-me que tinha restado ainda algo daquele ser humano. A surpresa veio no estado inteiro em que se encontrava e meus ouvidos que naquele instante estavam substituindo meus olhos - os mesmo olhos que resplandeciam no escuro - formava a última das imagens.
Foi então que a massa cinzenta mandou uma mensagem: " Eu lembro..." Tentando formar uma frase, porém constrangida. Pois, eu me lembro dos ematomas, o corpo sem banho, os cabelos multicolores e desgrenhados e a roupa que parecia ter vindo de alguma caridade. Lembro e não gosto. Dá piedade e a piedade é um sentimento muito doce para se afundar no meu estômago ácido e irônico.
A conversa telefônica estava fora de sintonia. Parecia mais uma linha que se cruzou e tentava desfazer a trombada. Os olhos percorriam o exterior da janela brilhante de sol, procurando algo a ser comentado e as mãos se retorciam no conflito da decisão para a resposta. As cordas vocais vacilavam e a língua conseqüentemente enrolou-se.
- Não posso ver-lhe, minha garganta dói.
Se pudesse dizer que simplesmente a misantropia estourara a sua conta nos últimos meses...Mas o problema maior era o outro lado conseguir decifrar nas entrelinhas que não havia abraço ou melhora que pudesse estapear Newton e quebrar a inércia e ócio.
- É a garganta que dói?
Foi quando entendi que tudo no mundo era dor, tão dolorido que só havia remédio e cura para dor e não para a inadaptação.
Donnerstag, Februar 28, 2008
Dienstag, Februar 26, 2008
Como eu quero?
Sentar no parque e balançar as perninhas finas e brancas do lado de não sei quem, ou, em uma praça de alimentação de Shopping, com muita batata frita e chicletes. O sacrifício? Apenas criar outra personalidade, que não seja Felluina, nem Ana e nem Carol.
Usar a si mesmo na espera de que algo mude se você mudar, construir castelos em ares rarefeitos... Almejar alguém que não tenha - também - o fígado e o pulmão estragados e mais ainda, que não tenha o estômago tão ácido. Deixar as maquiagens e as rendas que deixavam os garotos tão elétricos e optar por algo cristalino. E agora eu pergunto, com todas as forças, se isso diminuirá ou não a desgraça, se essa é a luz que eu tento abraçar no fundo do poço. E que a esperança seja de não ficar com os braços vazios novamente, ou apenas mais uma vez entre tantas que virão.
Usar a si mesmo na espera de que algo mude se você mudar, construir castelos em ares rarefeitos... Almejar alguém que não tenha - também - o fígado e o pulmão estragados e mais ainda, que não tenha o estômago tão ácido. Deixar as maquiagens e as rendas que deixavam os garotos tão elétricos e optar por algo cristalino. E agora eu pergunto, com todas as forças, se isso diminuirá ou não a desgraça, se essa é a luz que eu tento abraçar no fundo do poço. E que a esperança seja de não ficar com os braços vazios novamente, ou apenas mais uma vez entre tantas que virão.
Samstag, Februar 23, 2008
Down in the ocean....
A sensação é de sufocamento. Puxa-se o ar e só vem monóxido de carbono, tento apertar o coração com as mãos pequeninas mas só piora quando eu vejo que está algo vazio preenchido por sujeira.
Meu corpo se esvaziou e está repleto de doenças e chagas. A língua que empurra a saliva pra dentro, e a saliva volta em forma de catarro e nem ao menos é um catarro verde desses de gripes...É catarro translúcido que vem de prenúncio de como se deixa chegar a aquele ponto.
E o mesmo sufocamento cala as palavras de desgraça, antes tão pronunciadas com altivez e vivacidade e que agora desaparecem como se desaparecer não fosse o esforço, mas sim o existir. Hoje eu acordei muito lúcida, não como se estivesse para morrer, mas como se nunca tivesse existido.
Meu corpo se esvaziou e está repleto de doenças e chagas. A língua que empurra a saliva pra dentro, e a saliva volta em forma de catarro e nem ao menos é um catarro verde desses de gripes...É catarro translúcido que vem de prenúncio de como se deixa chegar a aquele ponto.
E o mesmo sufocamento cala as palavras de desgraça, antes tão pronunciadas com altivez e vivacidade e que agora desaparecem como se desaparecer não fosse o esforço, mas sim o existir. Hoje eu acordei muito lúcida, não como se estivesse para morrer, mas como se nunca tivesse existido.
Freitag, Februar 15, 2008
Meus oito anos
Nenhuma saudade tenho
Dos tempos que não mais voltam
E piores hão de vir
A infância ou vida
Pêndulo miserável
A tilintar de lado a outro
E passam de hora
E escorrem os meses
Já sinto o bafo quente da indesejada
Porque o hálito frio...foi a vida.
Dos tempos que não mais voltam
E piores hão de vir
A infância ou vida
Pêndulo miserável
A tilintar de lado a outro
E passam de hora
E escorrem os meses
Já sinto o bafo quente da indesejada
Porque o hálito frio...foi a vida.
Freitag, Januar 25, 2008
Estamos sempre fugindo de casa
...Sobre como eu diminuo até cair ou desaparecer...
Era mais um dia nublado, poderia ser sol ou meio-termo, já não importava muito. Abrir os olhos que resplandeceram a noite toda e bocejar com a boca mais amarga da face existente. Anteontem e ontem eu era só a garota mais deprimida do mundo, hoje sou apenas um holocausto. O holocausto de 1,58m, rosto pálido de fazer-se internar e grande sarcasmo, que não serviu de muita coisa até agora.
Encontra-se ainda amigos existentes na rua, na escola e na internet. Porém, de que adianta ter amigos quando não se pode apreciá-los?! Foi assim que eu aprendi a vê-los de longe, crescerem sem mim. Nunca fui de afundar, não precisava, afundaram-me por mim. Não é assim que se empurra com a barriga os anos a fio? A dona de casa a lavar louças, o empresário teclando no laptop até ter uma tendinite e ainda um operário a perder um membro e ainda conseguir no maior malabarismo alimentar seus 728 filhos.
Os dedos aflitos tentam ainda em vão substituir a boca amarga e a voz que vem de muito longe... Voz que não diz, voz de medo, na verdade, era para ser uma grande voz de perdão mas narcisismo serve para isso, para não nos deixar por baixo quando estamos realmente por baixo. Então, os dedos batem devagar as teclas na certeza de que se salvará ainda alguma parte pelo nada. Os olhos enormes olham ao redor, tão medrosos e suplicantes! Dedos não dizem o que a alma ordena, quando se perde a própria essência então a coisa toma proporções maiores. Não passo de muitos nervos, alguns os remédios, lamentações e a esquizofrenia destruíram.
Tudo em ordem. Na vida, eu nunca chuto o olho da pessoa ao qual eu rio sem vontade. Isso não faz diferença quando se é indiferente, entretanto, quando não se têm mais nada a perder...Bem, quando não se têm mais nada a perder é melhor dormir, o sono tenta enganar o choro, as lágrimas ficam em poças na fronha do travesseiro... E o nome...Qual era mesmo o meu nome?
Era mais um dia nublado, poderia ser sol ou meio-termo, já não importava muito. Abrir os olhos que resplandeceram a noite toda e bocejar com a boca mais amarga da face existente. Anteontem e ontem eu era só a garota mais deprimida do mundo, hoje sou apenas um holocausto. O holocausto de 1,58m, rosto pálido de fazer-se internar e grande sarcasmo, que não serviu de muita coisa até agora.
Encontra-se ainda amigos existentes na rua, na escola e na internet. Porém, de que adianta ter amigos quando não se pode apreciá-los?! Foi assim que eu aprendi a vê-los de longe, crescerem sem mim. Nunca fui de afundar, não precisava, afundaram-me por mim. Não é assim que se empurra com a barriga os anos a fio? A dona de casa a lavar louças, o empresário teclando no laptop até ter uma tendinite e ainda um operário a perder um membro e ainda conseguir no maior malabarismo alimentar seus 728 filhos.
Os dedos aflitos tentam ainda em vão substituir a boca amarga e a voz que vem de muito longe... Voz que não diz, voz de medo, na verdade, era para ser uma grande voz de perdão mas narcisismo serve para isso, para não nos deixar por baixo quando estamos realmente por baixo. Então, os dedos batem devagar as teclas na certeza de que se salvará ainda alguma parte pelo nada. Os olhos enormes olham ao redor, tão medrosos e suplicantes! Dedos não dizem o que a alma ordena, quando se perde a própria essência então a coisa toma proporções maiores. Não passo de muitos nervos, alguns os remédios, lamentações e a esquizofrenia destruíram.
Tudo em ordem. Na vida, eu nunca chuto o olho da pessoa ao qual eu rio sem vontade. Isso não faz diferença quando se é indiferente, entretanto, quando não se têm mais nada a perder...Bem, quando não se têm mais nada a perder é melhor dormir, o sono tenta enganar o choro, as lágrimas ficam em poças na fronha do travesseiro... E o nome...Qual era mesmo o meu nome?
Sonntag, Januar 20, 2008
E de tudo...
Não sobrou nada além da veia ferida pelos medicamentos, o estômago que virou um poço de acidez fazendo a pepsina se sentir inútil e uma certeza única, essencial, infelizmente essencial porque sustenta todo resto.
No hospital foi difícil. Dias deitada naquela cama eletrônica e ficava brincando com o controle remoto dela. O calor insuportável que nem o ar condicionado ponderava, o pescoço escorrendo, mas o rosto...O rosto era o mesmo, porém mudado. Estava tão branco e tão inocente como se tivesse 10 anos novamente. Eu estava envelhecendo dentro daquele quarto, menos meu rosto.
A camisola rosinha de gatinho talvez tenha ajudado ao fato das enfermeiras acharem que eu era da pediatria. Já nas últimas, quando o braço já estava inchado, mas inchado de não se aguentar mais, eu chorei. Chorei como há anos não fazia, porque normalmente meu choro se baseia em olhos marejados e em lágrimas retidas. Uma vez me disseram que quando eu choro o mundo pára para assistir, como uma peça de teatro. Dito e feito, a enfermeira ficou tão cheia de piedade que tirou o catéter do meu braço inchado.
Depois do calvário, a redenção. E a volta para casa, a cidade maravilhosa que na verdade é tão cinza quanto a nossa vizinha São Paulo, estava me esperando. Monóxido de carbono, estômago ardido, esquizofrenia, mentiras, olheiras, palidez e sofrimento. Eu sou um holocausto.
No hospital foi difícil. Dias deitada naquela cama eletrônica e ficava brincando com o controle remoto dela. O calor insuportável que nem o ar condicionado ponderava, o pescoço escorrendo, mas o rosto...O rosto era o mesmo, porém mudado. Estava tão branco e tão inocente como se tivesse 10 anos novamente. Eu estava envelhecendo dentro daquele quarto, menos meu rosto.
A camisola rosinha de gatinho talvez tenha ajudado ao fato das enfermeiras acharem que eu era da pediatria. Já nas últimas, quando o braço já estava inchado, mas inchado de não se aguentar mais, eu chorei. Chorei como há anos não fazia, porque normalmente meu choro se baseia em olhos marejados e em lágrimas retidas. Uma vez me disseram que quando eu choro o mundo pára para assistir, como uma peça de teatro. Dito e feito, a enfermeira ficou tão cheia de piedade que tirou o catéter do meu braço inchado.
Depois do calvário, a redenção. E a volta para casa, a cidade maravilhosa que na verdade é tão cinza quanto a nossa vizinha São Paulo, estava me esperando. Monóxido de carbono, estômago ardido, esquizofrenia, mentiras, olheiras, palidez e sofrimento. Eu sou um holocausto.
Montag, Januar 07, 2008
E os olhos resplandeceram imensos
Aquela tarde seria o total, ela sabia. Não passava em sua massa encefálica nem a provável idéia de desistir, era fato e conseqüência certos. Andara tanto pelas ruas, subidas e descidas atrás daquela coisinha que talvez nem espalhasse pelo seu sangue, mas todo esforço era válido.
O quarto negro, as persianas balançantes e o ventilador em seu rosto. O cinzeiro em mãos, a cada trago uma dormência. E como se o tempo não tivesse se movido, já atravessava a porta em direção à rua. O vento batia em seu rosto e olhos, mas ela não sentia seus olhos. Era como se fosse cega, mas enxergasse com algum mecanismo das fibras oculares. Os ombros tão dormentes e nada caídos.
Algum tipo de auto-confiança em restinhos verdes acenderam-se nela. Olhar calmo, confiante, mas não era altivo como outrora. Passeava assim até encontrar seu amigo de infância: short, all star e uma blusa caída nos ombros com as alças do sutiã à mostra.
- Olhe bem para mim. - disse ela.
Ele olhou-a, deu uma leve risada confiante e os dois saíram juntos, completamente verdes e calmos.
O quarto negro, as persianas balançantes e o ventilador em seu rosto. O cinzeiro em mãos, a cada trago uma dormência. E como se o tempo não tivesse se movido, já atravessava a porta em direção à rua. O vento batia em seu rosto e olhos, mas ela não sentia seus olhos. Era como se fosse cega, mas enxergasse com algum mecanismo das fibras oculares. Os ombros tão dormentes e nada caídos.
Algum tipo de auto-confiança em restinhos verdes acenderam-se nela. Olhar calmo, confiante, mas não era altivo como outrora. Passeava assim até encontrar seu amigo de infância: short, all star e uma blusa caída nos ombros com as alças do sutiã à mostra.
- Olhe bem para mim. - disse ela.
Ele olhou-a, deu uma leve risada confiante e os dois saíram juntos, completamente verdes e calmos.
Dienstag, Januar 01, 2008
01/01/2008
Depois do encontro, da cerveja e logo depois do porre de tequila e Absolut, sobra a certeza de pelo menos um início de ano novo muito próspero. E do ano anterior sobra as amizades, as músicas e os porres. E se vai - ou já até foi - a inércia e a importância que certas coisas devidamente não têm e insistem em se fazer presentes. A presença que se funde na esperança de cada minuto por cada palavra. Palavras que não necessariamente o tempo leva, mas a própria vontade de ter como o dito que não foi dito, mas foi e só porque não é mais não quer dizer que se perca em tempo ou espaço.
Para os que não puderam estar com os amigos se divertindo ou simplesmente acharam que não havia nada a comemorar que saibam que deixar para trás não só os próprios erros mas também os erros alheios já é um grande passo. Felicidade e sucesso para todos aqueles que merecem meus cumprimentos.
"Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade"
Los Hermanos.
Para os que não puderam estar com os amigos se divertindo ou simplesmente acharam que não havia nada a comemorar que saibam que deixar para trás não só os próprios erros mas também os erros alheios já é um grande passo. Felicidade e sucesso para todos aqueles que merecem meus cumprimentos.
"Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade"
Los Hermanos.
Sonntag, Dezember 30, 2007
Os lamentos fanfarrões
Não se contentam mais em apenas alisar franjas ou pintar os olhos para fingir as densas olheiras. Agora o novo cliché a nova "onda" da estação são os lamentos imperecíveis, daqueles que fazem os filmes água com açúcar cults parecem cheios de mensagens subliminares de até 4º grau.
Um indíviduo usa-se das medíocres aulas de descrição/narração que aprendeu muito mal na escola e descreve como se estivesse na própria cena que inventou, um lugar simples, com glamour decadente, achando-se o desgraçado do momento, o grande Gatsby! Quando na verdade mal sabem o que é um rabo de galo ( se quiserem saber, peçam em um balcão de bar), ou, nem mesmo sabem acender um cigarro. O que critico não é o indivíduo não fumar ou beber, mas quem não se utiliza de pelo menos um desses artifícios realmente sabe o que é estar nesses lugares de glamour decadente?! Obviamente não. E isso enxe o saco, até não poder mais e cria uma superávit de amolações emocionais falsos, imaginários-abstratos.
No fim, pessoas como eu e vários outros amigos que vivem ou viveram em desgraça, estiveram em bares imundos e nas situações descritas por esses losers, acabamos nos vendo descritos por seres que estão escrevendo sobre a desgraça alheia e recebendo todos os aplausos. Talvez daí significará a expressão "rir da desgraça alheia".
Um indíviduo usa-se das medíocres aulas de descrição/narração que aprendeu muito mal na escola e descreve como se estivesse na própria cena que inventou, um lugar simples, com glamour decadente, achando-se o desgraçado do momento, o grande Gatsby! Quando na verdade mal sabem o que é um rabo de galo ( se quiserem saber, peçam em um balcão de bar), ou, nem mesmo sabem acender um cigarro. O que critico não é o indivíduo não fumar ou beber, mas quem não se utiliza de pelo menos um desses artifícios realmente sabe o que é estar nesses lugares de glamour decadente?! Obviamente não. E isso enxe o saco, até não poder mais e cria uma superávit de amolações emocionais falsos, imaginários-abstratos.
No fim, pessoas como eu e vários outros amigos que vivem ou viveram em desgraça, estiveram em bares imundos e nas situações descritas por esses losers, acabamos nos vendo descritos por seres que estão escrevendo sobre a desgraça alheia e recebendo todos os aplausos. Talvez daí significará a expressão "rir da desgraça alheia".
Donnerstag, Dezember 27, 2007
Assim, sem nada
- Mas quando a noite chegar e você chorar...
- Eu não choro.
- E quando você se sentir sozinha...
- Eu sou misantropa.
- E quando você se sentir...
- Não, não e não! Eu não sinto.
- Eu não choro.
- E quando você se sentir sozinha...
- Eu sou misantropa.
- E quando você se sentir...
- Não, não e não! Eu não sinto.
Montag, Dezember 17, 2007
Para a causa dos desalentos e dos marionetes
Não, vocês não fazem idéia do que é dor ou crueldade, meus baratos. Isso, porque crueldade e dor não estão em refis à disposição em todos os supermercados ou então em chapinhas a R$19,90 no puxadinho da cidade ou ainda em make up's mal-feitas.
Dor e crueldade são palavras que não se limitam a fins de relacionamento com sentimentos profanos, são sentimentos que se perdem à proporção do entediamento e inércia que causam ao ser dolorido. Mas você por acaso sabe o que é sentimento, choldra?! Sabe, e sabe porque é idiota. Idiota o suficiente para achar que o real não é real, que tudo é refutação abstrata, que tudo vai voltar para o devido lugar, que coração tem correntes quando na verdade sabemos que ele bombeia sangue muito de má vontade, pois depois pára e você precisa por uma ponte de safena.
Não adianta dar tudo o que tiver que dar ( e até o que você nunca terá para dar), certas coisas não dependem de destino ou esforço. E acaba assim, a garota aqui a qual você não consegue escrever igual e nem falar como ela (eu), acaba ficando com o que você tanto quer e não vai ter de volta. Porque é isso o que acontece com os genéricos e com os (as) quebrados(as).
E malditos, mil vezes malditos, os blogueiros medíocres que tentam disfarçar com frases de efeito tiradas do google o que não pensam, mas sentem ( os idiotas!).
Dor e crueldade são palavras que não se limitam a fins de relacionamento com sentimentos profanos, são sentimentos que se perdem à proporção do entediamento e inércia que causam ao ser dolorido. Mas você por acaso sabe o que é sentimento, choldra?! Sabe, e sabe porque é idiota. Idiota o suficiente para achar que o real não é real, que tudo é refutação abstrata, que tudo vai voltar para o devido lugar, que coração tem correntes quando na verdade sabemos que ele bombeia sangue muito de má vontade, pois depois pára e você precisa por uma ponte de safena.
Não adianta dar tudo o que tiver que dar ( e até o que você nunca terá para dar), certas coisas não dependem de destino ou esforço. E acaba assim, a garota aqui a qual você não consegue escrever igual e nem falar como ela (eu), acaba ficando com o que você tanto quer e não vai ter de volta. Porque é isso o que acontece com os genéricos e com os (as) quebrados(as).
E malditos, mil vezes malditos, os blogueiros medíocres que tentam disfarçar com frases de efeito tiradas do google o que não pensam, mas sentem ( os idiotas!).
Dienstag, Dezember 04, 2007
O novo mendigo na rua
O sol escondido atrás das nuvens cheias e cinzas tentava luzir em meus olhos. Na calçada do condomínio me deparo com a criatura. Já idoso, sentado na calçada e com uns olhos tão meigos e piedosos que não saiu mais da minha cabeça.
Eu acho que o novo mendigo da rua conquistou meu coração. Isso mesmo. Arrebatou-me violentamente. Simplesmente não consigo evitar de chorar toda vez que passo por ele. Aqueles olhos...Meu Deus! Aqueles olhos!
Na semana, já não estava mais na calçada. Logo no dia que eu decidi prontamente ir comprar-lhe um lanche na lancheria da rua, ele já não estava lá. No lugar da calçada que era seu, um brioche e um copo de café largados. Entretanto, não foram largados de má vontade, apenas deixados lá como se ele agradecesse e fosse voltar. Só espero que ele tenha voltado para casa, ou, encontrado algo melhor para se hospedar. E que a desgraça caia sobre outras cabeças, e que rolem, e que essa coisa de destino-maktub-estava-escrito-por-Alah vá para as favas. Porque quem merece o que merece não são idosos de olhos meigos...Aqueles olhos!
Eu acho que o novo mendigo da rua conquistou meu coração. Isso mesmo. Arrebatou-me violentamente. Simplesmente não consigo evitar de chorar toda vez que passo por ele. Aqueles olhos...Meu Deus! Aqueles olhos!
Na semana, já não estava mais na calçada. Logo no dia que eu decidi prontamente ir comprar-lhe um lanche na lancheria da rua, ele já não estava lá. No lugar da calçada que era seu, um brioche e um copo de café largados. Entretanto, não foram largados de má vontade, apenas deixados lá como se ele agradecesse e fosse voltar. Só espero que ele tenha voltado para casa, ou, encontrado algo melhor para se hospedar. E que a desgraça caia sobre outras cabeças, e que rolem, e que essa coisa de destino-maktub-estava-escrito-por-Alah vá para as favas. Porque quem merece o que merece não são idosos de olhos meigos...Aqueles olhos!
Samstag, November 24, 2007
"Mas na sombra teus olhos resplandecem enormes"
Não interessa se não mudar, ou, se não voltar ao pretérito mais-que-perfeito. Eu não me importo e não digo isso como uma despeitada ou como uma raposa de La Fontaine que esnoba uvas verdes.
Passou, passou e foi só ver algumas fotos-lembranças para ver que nada faz falta mais do que meu egocentrismo. Tenho mantido meus olhos muito fechados de dia para não ter que me ver ou cuidar-me. Abro-os à noite, e eles resplandecem e causam pena, quase repugnância.
E doa a quem doer, Belo Horizonte e São Paulo aí vou eu. Chega de promessas não cumpridas e fatos internéticos, eu sou de carne e osso e não tenho mais medo ou vergonha de ser.
Passou, passou e foi só ver algumas fotos-lembranças para ver que nada faz falta mais do que meu egocentrismo. Tenho mantido meus olhos muito fechados de dia para não ter que me ver ou cuidar-me. Abro-os à noite, e eles resplandecem e causam pena, quase repugnância.
E doa a quem doer, Belo Horizonte e São Paulo aí vou eu. Chega de promessas não cumpridas e fatos internéticos, eu sou de carne e osso e não tenho mais medo ou vergonha de ser.
Mittwoch, November 21, 2007
Happy Birthday To Me
Bolo e guaraná, acordei muito cansada como sempre. Tomei banho e fui até o ponto de ônibus com os cabelos ainda molhados como sempre. Não copiei o dever, como sempre. Porém, minhas amigas muito fofas de sala me fizeram uma festinha surpresa. O bolo/torta muito over e que ninguém conseguiu engolir, o que fez com que distribuíssemos para todos os funcionários do colégio e o guaraná que ajudou a empurra o bolo/torta guela abaixo.
Bolo e guaraná, a Ju me buscando na escola com um sorriso enorme e me deixando perplexa me dando parabéns ( Ju nunca dá parabéns a ninguém).
- Ora essa, Carol! Eu não gosto de você, por isso te dou parabéns! - disse.
Bolo e guaraná, a cerveja única que podemos pagar hoje, dias de semana nos deixam duras. Os rapazes da UFF saindo da aula e nos desviando olhares, o sol tão forte e tão quente que me fez lembrar Novembro. Ressoando na cabeça N O V E M B R O!
Bolo e guaraná, para todos os outros que tiveram o privilégio de nascer no mesmo dia que a criadora da criatura Felluina.
E o post foi alterado mais uma vez, porque toda tentativa de fazer algo certo sempre irá por água abaixo.
Bolo e guaraná, a Ju me buscando na escola com um sorriso enorme e me deixando perplexa me dando parabéns ( Ju nunca dá parabéns a ninguém).
- Ora essa, Carol! Eu não gosto de você, por isso te dou parabéns! - disse.
Bolo e guaraná, a cerveja única que podemos pagar hoje, dias de semana nos deixam duras. Os rapazes da UFF saindo da aula e nos desviando olhares, o sol tão forte e tão quente que me fez lembrar Novembro. Ressoando na cabeça N O V E M B R O!
Bolo e guaraná, para todos os outros que tiveram o privilégio de nascer no mesmo dia que a criadora da criatura Felluina.
E o post foi alterado mais uma vez, porque toda tentativa de fazer algo certo sempre irá por água abaixo.
Montag, November 19, 2007
Querer muito e saber que não é poder
Eu sei que você precisa de ajuda. Talvez precise até mais do que eu e considerando que eu sou uma maníaca depressiva pré-esquizo, bem, isso é ruim. Porque cansa - e muito- fica horas pensando e despensando como e o que eu posso fazer para te tirar dessa apatia, desse ceticismo. Não posso, definitivamente.
Queria tanto, mas tanto - mas tanto!- que certas coisas nunca mudassem, como éramos crianças bobas e bêbadas e não tínhamos essa de " pensadores". Quem pensa, se ferra, essa é a verdade. Entretanto, já passou a hora de trocar de cérebro e atitude, não há mais jeito. E vou continuar a assistir você se desintegrar, sem poder lhe oferecer a mão [já que sei que seu machismo não vai deixar você agarrá-la]. Estamos lúcidos, como se tivéssemos para morrer. Ah, Pessoa! Cale a boca novamente!
Queria tanto, mas tanto - mas tanto!- que certas coisas nunca mudassem, como éramos crianças bobas e bêbadas e não tínhamos essa de " pensadores". Quem pensa, se ferra, essa é a verdade. Entretanto, já passou a hora de trocar de cérebro e atitude, não há mais jeito. E vou continuar a assistir você se desintegrar, sem poder lhe oferecer a mão [já que sei que seu machismo não vai deixar você agarrá-la]. Estamos lúcidos, como se tivéssemos para morrer. Ah, Pessoa! Cale a boca novamente!
Sonntag, November 18, 2007
Preto e Branco
A minha analogia agora é preto no branco. Sim, porque as coisas, gostos e pessoas estão com o ego cinza. E não é um preto e branco das fotos que disfarça imperfeições e dão charme à imagem.
Posso dizer que o mundo poderia estar colorido e super bandeira gay, mas não faz mais tanta diferença. Todos eles que eu tanto prezava e que deixei um a um se desintegrar como se tivessem alguma meia-vida. Mesmo querendo ainda morar no miocárdio de cada um deles.
Preto, branco e colorido, poderia até ser sepia, porém não muda o rumo de algo. Percebem? Eu utilizei "rumo" ao invés de "sentido", porque não há mais. E saber que o que poderia ter sido e não foi e nunca vai ser, e mais ainda, que eu não sou nada a não ser pelos meus sonhos, cansa. E não quero mais explicar o por quê, também cansa. Cansa na insignificância de saber que o lindo já se foi e o que é e vai ser ruim, ainda está por vir. Viver e só. A outra opção é deixar que os vermes façam o trabalho da meia-vida. Eu não sou nada. Não há sonhos. Pessoa, cale a boca.
Posso dizer que o mundo poderia estar colorido e super bandeira gay, mas não faz mais tanta diferença. Todos eles que eu tanto prezava e que deixei um a um se desintegrar como se tivessem alguma meia-vida. Mesmo querendo ainda morar no miocárdio de cada um deles.
Preto, branco e colorido, poderia até ser sepia, porém não muda o rumo de algo. Percebem? Eu utilizei "rumo" ao invés de "sentido", porque não há mais. E saber que o que poderia ter sido e não foi e nunca vai ser, e mais ainda, que eu não sou nada a não ser pelos meus sonhos, cansa. E não quero mais explicar o por quê, também cansa. Cansa na insignificância de saber que o lindo já se foi e o que é e vai ser ruim, ainda está por vir. Viver e só. A outra opção é deixar que os vermes façam o trabalho da meia-vida. Eu não sou nada. Não há sonhos. Pessoa, cale a boca.
Donnerstag, November 08, 2007
I'm so tired. I can't sleep (2)
Porque a hipnopédica não funciona mais, já que eu não posso nem dormir. Mas durmo e acordo como se nada tivesse acontecido ou como se tivesse perdido parte da minha vida em algumas horas. Mais uma paranóia.
O grito que não sai porque o choro preso na garganta não o deixa sair, a garganta que é seca e faz engasgar em poeira e sofrimento. Os olhos; "Olhos tão tristes" - como diria a Laís, perderam até a tristeza na tentativa de tentar salvar partes irreparáveis.
E a outra parte do post se foi, porque o choro conseguiu sair e fazia doer os olhos quando eu olhava para a lâmpada do banheiro. Os braços agarrando as pernas brancas e logo depois tentando agarrar as paredes planas, os azulejos... Mas todo mundo tem que viver sua vida e só Deus sabe como eu devo viver a minha.
O grito que não sai porque o choro preso na garganta não o deixa sair, a garganta que é seca e faz engasgar em poeira e sofrimento. Os olhos; "Olhos tão tristes" - como diria a Laís, perderam até a tristeza na tentativa de tentar salvar partes irreparáveis.
E a outra parte do post se foi, porque o choro conseguiu sair e fazia doer os olhos quando eu olhava para a lâmpada do banheiro. Os braços agarrando as pernas brancas e logo depois tentando agarrar as paredes planas, os azulejos... Mas todo mundo tem que viver sua vida e só Deus sabe como eu devo viver a minha.
Dienstag, November 06, 2007
A quase doce terça-feira
Ônibus, 7:10 da manhã. Hoje foi um dia nublado, mas com os raios solares tímidos por trás das densas nuvens cinzas. Uma menininha entra no ônibus, devia ter seus 8 ou 9 anos, senta-se do lado do que parecia ser um homem estranho. Não era. A menina sentou-se ao seu lado e lhe deu um abraço tão apertado e um beijo tão carinhoso que eu até fiquei comovida de algum modo.
Logo, a menina teve que descer para a escola. Eles se olharam e o homem que devia ser algum parente da menininha lhe olhou como se a fosse ver pela última vez. Um último beijo e um último abraço bem apertado e ela desapareceu sob a neblina de chuva.
Na volta da escola, me deparo com um mendigo na calçada. Ele estava desmaiado - provavelmente de muito bêbado- e um denso rio de vômito escorria-lhe da boca. Eu levei meu punho delgado até a boca, como se eu fosse vomitar com a cena. Como se realmente eu já não tivesse passado por situações - e pessoas - enojantes.
Depois do abraço, vem o vômito.
Logo, a menina teve que descer para a escola. Eles se olharam e o homem que devia ser algum parente da menininha lhe olhou como se a fosse ver pela última vez. Um último beijo e um último abraço bem apertado e ela desapareceu sob a neblina de chuva.
Na volta da escola, me deparo com um mendigo na calçada. Ele estava desmaiado - provavelmente de muito bêbado- e um denso rio de vômito escorria-lhe da boca. Eu levei meu punho delgado até a boca, como se eu fosse vomitar com a cena. Como se realmente eu já não tivesse passado por situações - e pessoas - enojantes.
Depois do abraço, vem o vômito.
Samstag, November 03, 2007
Chá e vermute
Ela repousou seu chá na mesa de mogno e deu um suspiro profundo. Tamborilando com os dedos e decidindo como transformar um dia abafado em algo produtivo. Já menina ficava horas com o olhar voltado para as chuvas de julho, chuva densa e suave em toda a sua magnificência. E estendia suas mãozinhas delgadas e se deixava encharcar, fascinada.
Abandonou o chá na pia de mármore e se atirou ao chuveiro. Ainda com os longos cabelos molhados, jogou por cima camiseta e calça, do tipo Levy's. " Jeans de hippie"; já dizia sua mãe. Foi ao Jack's Bar, há um bairro de distância. Sentou, pediu um vermute e engoliu de uma só tragada. Acendeu seu Camel e tragava como se fosse o último.
O garçom de dentes amarelados ofereceu outra dose. Quando já estava na 8ª dose, seus cotovelos repousavam no balcão, as nádegas se aconchegaram ao banco confortável mas tudo girava absurdamente. Apesar do ambiente á meia-luz, da porta de vidro dava para ver as luzes da cidade. Luzes que se misturavam e formavam cores que chamavam mas feriam os olhos.
Lágrimas surgiram. Não se sabe como e nem o por quê, mas surgiram. E lavavam seu rosto pálido como se quisessem refrescá-lo do calor. Voltou ao seu apartamento. As lágrimas ainda não tinham ido embora. Ela sentou, de cocoras no chão. " Meu sofá! Meu sofá! Ele só tem três lugares!". E se descabelava e grunhia e se espalhava ao chão. Talvez nesta metáfora trançoeira ela quisesse enganar-se contra o próprio abandono.
Abandonou o chá na pia de mármore e se atirou ao chuveiro. Ainda com os longos cabelos molhados, jogou por cima camiseta e calça, do tipo Levy's. " Jeans de hippie"; já dizia sua mãe. Foi ao Jack's Bar, há um bairro de distância. Sentou, pediu um vermute e engoliu de uma só tragada. Acendeu seu Camel e tragava como se fosse o último.
O garçom de dentes amarelados ofereceu outra dose. Quando já estava na 8ª dose, seus cotovelos repousavam no balcão, as nádegas se aconchegaram ao banco confortável mas tudo girava absurdamente. Apesar do ambiente á meia-luz, da porta de vidro dava para ver as luzes da cidade. Luzes que se misturavam e formavam cores que chamavam mas feriam os olhos.
Lágrimas surgiram. Não se sabe como e nem o por quê, mas surgiram. E lavavam seu rosto pálido como se quisessem refrescá-lo do calor. Voltou ao seu apartamento. As lágrimas ainda não tinham ido embora. Ela sentou, de cocoras no chão. " Meu sofá! Meu sofá! Ele só tem três lugares!". E se descabelava e grunhia e se espalhava ao chão. Talvez nesta metáfora trançoeira ela quisesse enganar-se contra o próprio abandono.
Sonntag, Oktober 28, 2007
Hipnopédica
Eu não estou aqui e isto não está acontecendo comigo.
Cansada de todos tentarem ser modelo no orkut, de toda a pressão para um vestibular que não irá se concluir nem que eu queira e da inércia total. Morrendo para tentar crescer, ou, ser a vida que não fui antes de ter que dançar o último tango.
Cansada de todos tentarem ser modelo no orkut, de toda a pressão para um vestibular que não irá se concluir nem que eu queira e da inércia total. Morrendo para tentar crescer, ou, ser a vida que não fui antes de ter que dançar o último tango.
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