Eu teimo ainda em vão provar que o tempo pode voltar e fazer acontecer as coisas como queria que tivessem acontecido há muito tempo antes. Não importa o quanto eu tenha lavado a alma e nem o milagre humorístico que isso me proporcionou. Lágrimas de outrem e risos meus, tão só.
Sofrimento quando é alheio é muito bom. Quando é meu ainda assim é bom. Porque de qualquer maneira eu não posso retardar nenhum sofrimento passado ou que há de vir. E sofrer, de coração partido e em prantos insistentes ainda é melhor que esse tédio de lugar comum. Olhar as ruas como se olhasse algum quadro e cair na esquizofrenia de que a minha vida é um quadro de mim mesma, debater-se na esperança que ele rompa e eu saia triunfante para um mundo de verdade ou da verdade. Mas o mundo é de mentira, eu não me incomodo mas padeço.
Sonntag, September 30, 2007
Sonntag, September 23, 2007
Neve
Mas é preciso que aconteça alguma coisa. Não posso sentar-me e esperar. Nesse caso ficaria coberto por toda essa simetria hexagonal, e Settembrini, se me procurasse com a corneta na mão, haveria de me achar acocorado aqui, com os olhos vidrados e com um boné de neve través na cabeça... - Hans Castorp percebeu que estava falando sozinho, e de um jeito um tanto esquisito. Proibiu-se, pois, de falar assim, mas fez também isso a meia voz e em palavras expressas, embora seus lábios estivessem tão atordoados que renunciou a utilizá-los e falou sem pronunciar aquelas consoantes que são formadas com auxílio deles, o que lhe chamou à memória uma situação anterior na qual ocorrera o mesmo. - Cala-te e trata de safar-te! - prosseguiu e acrescentou: - Parece-me até que estás desvairando e já não tens o cérebro muito claro. Isso é triste, sob certos aspectos.
A Montanha Mágica - Thomas Mann
Um dia eu descubro porque esse livro consegue ter tantos aforismos e ao mesmo tempo formam apenas situações corriqueiras aparentemente sem sentido.
A Montanha Mágica - Thomas Mann
Um dia eu descubro porque esse livro consegue ter tantos aforismos e ao mesmo tempo formam apenas situações corriqueiras aparentemente sem sentido.
Dienstag, September 18, 2007
Acabou.
E no tédio de mim mesma, eu pude perceber que enquanto meu nariz ardia e escorria devido a uma gripe somada a monóxido de carbono, eu não poderia fazer nada para apaziguar meu fracasso e sofrimento. Mas o que eu não sabia era que também não sabia e não podia apaziguar o sofrimento de outrem.
Samstag, September 15, 2007
In Mortal
Há poucos anos, achava que era imortal. Talvez porque sofresse como uma verdadeira mártir, mas enfim, tinha tanta certeza da imortalidade - e do sofrimento - que fazia riscos nos braços.
A lâmina fazia cortes bem finos e ficavam como pequenos rios de chagas sangrentos. O sangue contrastava de forma bem viva com a pele branca e também com as veias azuis que saltavam. Foram assim todos os dias de minha pré-adolescência.
Um dia eu adoeci. Tudo bem que é muito comum eu adoecer, mas nesse dia foi ímpar. A febre não cessava, os antibióticos me faziam vomitar e minhas hemácias caíram tanto que eu tive de ser internada. A médica falava com mamãe que a infecção estava se espalhando pelo corpo. Passei dias deitada naquela cama tão densa do hospital, as veias como eram muito finas estouravam na agulha com o soro contendo os medicamentos e eu acumulei mas de 5 marcas roxas e doloridas nos braços.
Eu ficava olhando o nascer e o pôr-do-sol da janela que era enorme. Era legal ver todos aqueles prédios altos recebendo luz e uma brisa da manhã, que logo se transformava em monóxido de carbono. Eu saí de lá. As marcas clarearam e eu nunca mais toquei em alguma lâmina. Não porque me faltasse malogro e o martírio, mas porque eu fui perdendo a força e a vontade de fazer e adorar qualquer coisa. Mas hoje, eu ainda olho para o lado de lá e sempre digo no tédio de mim mesma: Deus, eu era só uma criança.
A lâmina fazia cortes bem finos e ficavam como pequenos rios de chagas sangrentos. O sangue contrastava de forma bem viva com a pele branca e também com as veias azuis que saltavam. Foram assim todos os dias de minha pré-adolescência.
Um dia eu adoeci. Tudo bem que é muito comum eu adoecer, mas nesse dia foi ímpar. A febre não cessava, os antibióticos me faziam vomitar e minhas hemácias caíram tanto que eu tive de ser internada. A médica falava com mamãe que a infecção estava se espalhando pelo corpo. Passei dias deitada naquela cama tão densa do hospital, as veias como eram muito finas estouravam na agulha com o soro contendo os medicamentos e eu acumulei mas de 5 marcas roxas e doloridas nos braços.
Eu ficava olhando o nascer e o pôr-do-sol da janela que era enorme. Era legal ver todos aqueles prédios altos recebendo luz e uma brisa da manhã, que logo se transformava em monóxido de carbono. Eu saí de lá. As marcas clarearam e eu nunca mais toquei em alguma lâmina. Não porque me faltasse malogro e o martírio, mas porque eu fui perdendo a força e a vontade de fazer e adorar qualquer coisa. Mas hoje, eu ainda olho para o lado de lá e sempre digo no tédio de mim mesma: Deus, eu era só uma criança.
Samstag, September 08, 2007
A grande irritação
" -Covarde!- bradou Naphta, e com esse grito humano admitiu que era preciso maior coragem para atirar do que para servir de alvo. Levantou então a pistola de um modo que nada mais tinha em comum com um combate, e descarregou-a na própria cabeça.
Que cena trágica, inesquecível! Enquanto os cumes jogavam bolas com o ruído seco da sua façanha medonha, Naphta cambaleou ou precipitou-se alguns passos para trás, arremessando as pernas para o alto. Deu bruscamente meia volta à direita e caiu com o rosto na neve.
Todos permaneceram imóveis durante um momento. Settembrini, depois de arrojar a pistola para longe de si, foi o primeiro a aproximar-se de Naphta.
-Infelice! - exclamou. - Che cosa fai, per l'amor di Dio?
Hans Castorp ajudou-o a virar o corpo. Via-se o buraco vermelho, enegrecido, ao lado da têmpora. Cobriram-lhe o rosto com o lenço de seda cuja ponta sobressaía do bolsinho do casaco de Naphta."
Trecho de "A montanha mágica" (Thomas Mann)
Que cena trágica, inesquecível! Enquanto os cumes jogavam bolas com o ruído seco da sua façanha medonha, Naphta cambaleou ou precipitou-se alguns passos para trás, arremessando as pernas para o alto. Deu bruscamente meia volta à direita e caiu com o rosto na neve.
Todos permaneceram imóveis durante um momento. Settembrini, depois de arrojar a pistola para longe de si, foi o primeiro a aproximar-se de Naphta.
-Infelice! - exclamou. - Che cosa fai, per l'amor di Dio?
Hans Castorp ajudou-o a virar o corpo. Via-se o buraco vermelho, enegrecido, ao lado da têmpora. Cobriram-lhe o rosto com o lenço de seda cuja ponta sobressaía do bolsinho do casaco de Naphta."
Trecho de "A montanha mágica" (Thomas Mann)
Freitag, September 07, 2007
Anarquizando o Dimmy
Em uma conversa no MSN...
Dimmy: Meu Deus, Lolita! Onde esse mundo vai parar?! Sério, não se aflija.
Eu: Não é isso...É...que eu só descubro mais e mais a imensa complexidade humana...e quando vou ver é apenas tanta mesquinharia inserida em um só ser que as esperanças de encontrar algo para o futuro fica difícil.
Dimmy: Criança, não te culpe! O que dizer de ti? Vou parar de te encarar como um solzinho laranja? Jamais!
Eu: As pessoas são fáceis, deslumbradas e tão mesquinhas...mas tão mesquinhas que eu me pergunto se ao invés de carbono não temos mesquinharia em nosso corpo.
Dimmy: Pois é... esse povo é só carbono e nada mais... deixa esse povo cumprir o ciclo. Nós somos purpurina! Muito melhor.
[...]
Dimmy: Meu Deus, Lolita! Onde esse mundo vai parar?! Sério, não se aflija.
Eu: Não é isso...É...que eu só descubro mais e mais a imensa complexidade humana...e quando vou ver é apenas tanta mesquinharia inserida em um só ser que as esperanças de encontrar algo para o futuro fica difícil.
Dimmy: Criança, não te culpe! O que dizer de ti? Vou parar de te encarar como um solzinho laranja? Jamais!
Eu: As pessoas são fáceis, deslumbradas e tão mesquinhas...mas tão mesquinhas que eu me pergunto se ao invés de carbono não temos mesquinharia em nosso corpo.
Dimmy: Pois é... esse povo é só carbono e nada mais... deixa esse povo cumprir o ciclo. Nós somos purpurina! Muito melhor.
[...]
Sonntag, August 12, 2007
Anacoluteando minhas reflexões
É, eu mudei. Não exatamente na minha essência central, mas mudei e isso é um fato. E é praticamente um fato social, já que todas as pessoas têm mudado constantemente.
A prévia solução é ter sensibilidade e sorte para apostar se o outro mudou ou não. Eu não tenho sensibilidade e nem forças para apostar em um filme que eu já vi, rebobinei, vi novamente, chorei, esperneei, vi outra vez e pairei cansada no abcesso. O meu problema talvez seja mesmo eu ser um tipo de anacoluto. Dou tanta complexidade e pouca compreensão às coisas e pessoas que acabo sendo rapidamente substituída ou eliminada.
Eu recordo quando uma de minhas professoras de Biologia falou que, cientificamente nenhum ser humano é igual. Se não somos iguais, então não podemos ser substituídos e se não podemos ser substituídos, eu não existo. Concluí. Descartes mentiu para mim (Penso, logo existo).
Eu, a mim me parece que tudo vai bem. Me parece que tudo vai bem. Eu (alma) e mim (corpo) desapareceram. O "me" continua, talvez um dia ele sinta falta do "eu" e do "mim" e vá buscá-los.
A prévia solução é ter sensibilidade e sorte para apostar se o outro mudou ou não. Eu não tenho sensibilidade e nem forças para apostar em um filme que eu já vi, rebobinei, vi novamente, chorei, esperneei, vi outra vez e pairei cansada no abcesso. O meu problema talvez seja mesmo eu ser um tipo de anacoluto. Dou tanta complexidade e pouca compreensão às coisas e pessoas que acabo sendo rapidamente substituída ou eliminada.
Eu recordo quando uma de minhas professoras de Biologia falou que, cientificamente nenhum ser humano é igual. Se não somos iguais, então não podemos ser substituídos e se não podemos ser substituídos, eu não existo. Concluí. Descartes mentiu para mim (Penso, logo existo).
Eu, a mim me parece que tudo vai bem. Me parece que tudo vai bem. Eu (alma) e mim (corpo) desapareceram. O "me" continua, talvez um dia ele sinta falta do "eu" e do "mim" e vá buscá-los.
Freitag, Juli 27, 2007
Unintended
Pegar cinema sozinha é muita decadência, mas pegando a carona da célebre frase "Antes só do que mal acompanhada" alivia bem. Na frente um garoto lindo junto com uma monga, revolta. Mas aí vem o raciocínio de que se ele está com uma monga é porque deve ser um mongo também.
A pergunta é: Por que eu não consigo fazer ninguém feliz? Pode parecer um tanto cliché, mas tudo morre à minha volta. As flores murcham, as crianças param de sorrir e as pessoas perdem seu humor. Não seria esforço viver em absoluta solidão até porque eu sou uma misantropa convicta, mas ver tudo evoluindo e perceber que você só evoluiu intelectualmente é amargo demais. Quero um chinelo velho pra o meu pé degradado...[E olha que nem estamos no dia dos namorados para eu dar crise de solteirona...].
A pergunta é: Por que eu não consigo fazer ninguém feliz? Pode parecer um tanto cliché, mas tudo morre à minha volta. As flores murcham, as crianças param de sorrir e as pessoas perdem seu humor. Não seria esforço viver em absoluta solidão até porque eu sou uma misantropa convicta, mas ver tudo evoluindo e perceber que você só evoluiu intelectualmente é amargo demais. Quero um chinelo velho pra o meu pé degradado...[E olha que nem estamos no dia dos namorados para eu dar crise de solteirona...].
Sonntag, Juli 15, 2007
Viva ao câncer!
Por entre os goles gelados de Guaravita, pelo mastigar do Trident, pelas tragadas no LA de cereja e por todo esse monóxido de carbono....Estranho, os anéis aromáticos são tão lindinhos mas bem mais tarde se transformam em câncer. Esse câncer já faz muito tempo...E ninguém veio comê-lo.
Montag, Juni 11, 2007
13 minutos
É tudo o que eu tenho: 13 minutos. Para digerir todas as más novas, para pestenejar pela milésima vez de como o teclado da lanhouse é duro, para olhar o sol crescente lá fora e para procurar vestígios de lágrima nos meus olhos de ressaca.
Mas se 17 anos não foram o suficiente para fazer algum sorriso duradouro...
De qualquer forma: Algumas garotas ainda são maiores do que outras.
Mas se 17 anos não foram o suficiente para fazer algum sorriso duradouro...
De qualquer forma: Algumas garotas ainda são maiores do que outras.
Sonntag, Juni 03, 2007
Farther Away
Vivendo a fase mais crítica do meu egocentrismo. E eu achava que ele era falho...As desgraças estacionadas para o depois, os acertos de conta adiados para muito mais tarde e as preocupações dizimadas. Talvez tenha chegado aquela famosa hora que aqueles que faziam diferença agora vão sentir a sua falta nem que seja por dentro.
Nada de fiozinho de esperança, até porque essa palavra perdeu seu sentido. Nada de dramas porque também perdeu sentido. Apenas eu, minha pele - aliás muito pálida- , meu cérebro e o futuro que há por vir. Obrigada malogro.
Nada de fiozinho de esperança, até porque essa palavra perdeu seu sentido. Nada de dramas porque também perdeu sentido. Apenas eu, minha pele - aliás muito pálida- , meu cérebro e o futuro que há por vir. Obrigada malogro.
Freitag, Mai 25, 2007
I'll take a quiet life and a handshake of carbon monoxide...
A teoria de que eu sou uma garota incrivelmente vazia veio à tona. Foi mais simples do que eu achei que fosse provar isso. Estava eu em um concurso de redação, teria que fazer uma dissertação e o fiz. Obra-prima, extraordinário. Até saber que eu não fui convocada, meu Deus como eu fui esquecer que dissertações tem que ser vazias?!
A verdade é que eu nunca consegui escrever uma dissertação, se consegui com certeza foi com muito esforço e pressa. Acontece que quando se é vazia (como eu, claro), os textos saem com um espírito tão malogrado que parece até que o texto cria vida e pede ajuda. Meus textos pedem ajuda, eu não.
Sem mais dramas mexicanos, simplicidade... Acho que a simplicidade é prenúncio da paz. Não que seja condenável estilo de vida agitado, mas essa paz...De acordar de manhã respirando fundo, apreciar cada fio de cabelo, sorrir para seus amigos ( ou o que vocês acham que são seus amigos), fazer as coisas com calma e precisão. Sem alterações, sem medos, sem falhas. Vida, me dá mais uma chance?
A verdade é que eu nunca consegui escrever uma dissertação, se consegui com certeza foi com muito esforço e pressa. Acontece que quando se é vazia (como eu, claro), os textos saem com um espírito tão malogrado que parece até que o texto cria vida e pede ajuda. Meus textos pedem ajuda, eu não.
Sem mais dramas mexicanos, simplicidade... Acho que a simplicidade é prenúncio da paz. Não que seja condenável estilo de vida agitado, mas essa paz...De acordar de manhã respirando fundo, apreciar cada fio de cabelo, sorrir para seus amigos ( ou o que vocês acham que são seus amigos), fazer as coisas com calma e precisão. Sem alterações, sem medos, sem falhas. Vida, me dá mais uma chance?
Mittwoch, Mai 16, 2007
Meu egocentrismo ainda é muito falho
Parece até TOC ficar esperando algo que não se deve esperar. Fazer os mesmos movimentos, os mesmos pensamentos, as mesmas ilusões e enfim as mesmas decepções somadas a confusões. As minhas confusões se somam tanto que acabo exausta jogada na cama sem saber o que é bom ou ruim, para mim ou para vós? Vós? Não era nós? E seria nós dois ou nós três? Ou haveria um quarto(a)?!
Dentro disso tudo me sobra um pouquinho de vontade de entender...Entender, largar, abrir um livro, passar no vestibular, fazer o projeto voluntariado para hospícios e enfim poder dizer que posso procriar, pois fiz algo que valesse a pena com todo esses átomos de carbono (negativos) que me compõem...
Dentro disso tudo me sobra um pouquinho de vontade de entender...Entender, largar, abrir um livro, passar no vestibular, fazer o projeto voluntariado para hospícios e enfim poder dizer que posso procriar, pois fiz algo que valesse a pena com todo esses átomos de carbono (negativos) que me compõem...
Freitag, Mai 11, 2007
Help me, Newton!
1- A lei da inércia: meus sentimentos são constantes à medida que você não os anula criando amor malogrado por hipopótamos (só Deus sabe o que eu quero dizer com "hipopótamos"...) e estourando minha cota pré-inicial para humanos de imbecilidade.
2- A lei da aceleração: a aceleração de um corpo é diretamente proporcional à força que age sobre ele e inversamente proporcional à sua massa. Injusto, até em massa somos antagônicas mas se levarmos em conta a massa cerebral e estética, até que eu saio no lucro...tsc...tsc
3- A lei da reação: a cada ação corresponde uma reação de valor igual e de sentido contrário, ou seja, tenha a capacidade imbecil de se importar com acerebrados(as) e eu enxerei a cara no botequim da esquina (puxa vida, duas ações idiotas e de mesmo valor!).
2- A lei da aceleração: a aceleração de um corpo é diretamente proporcional à força que age sobre ele e inversamente proporcional à sua massa. Injusto, até em massa somos antagônicas mas se levarmos em conta a massa cerebral e estética, até que eu saio no lucro...tsc...tsc
3- A lei da reação: a cada ação corresponde uma reação de valor igual e de sentido contrário, ou seja, tenha a capacidade imbecil de se importar com acerebrados(as) e eu enxerei a cara no botequim da esquina (puxa vida, duas ações idiotas e de mesmo valor!).
Dienstag, Mai 08, 2007
A outra aula de Geografia no Colégio novo
E o professor começa seu discurso no meio da aula sobre Industrialização:
"Os países periféricos não estão no mesmo patamar industrial dos países desenvolvidos pelo fato do capitalismo ser perverso! Os países ricos não querem que os países pobres cresçam!"
[...]
" A China é um grande exemplo do Socialismo que deu certo!"
O meu dedo criando vontade própria pronto para se auto-levantar. O cérebro inchando de tanta retórica, o último suspiro antes da boca abrir e soltar inúmeros protestos direitistas. Mas não, respirei fundo e decidi que na próxima aula vou levar um MP3.
É...Certas coisas nunca mudam.
"Os países periféricos não estão no mesmo patamar industrial dos países desenvolvidos pelo fato do capitalismo ser perverso! Os países ricos não querem que os países pobres cresçam!"
[...]
" A China é um grande exemplo do Socialismo que deu certo!"
O meu dedo criando vontade própria pronto para se auto-levantar. O cérebro inchando de tanta retórica, o último suspiro antes da boca abrir e soltar inúmeros protestos direitistas. Mas não, respirei fundo e decidi que na próxima aula vou levar um MP3.
É...Certas coisas nunca mudam.
Dienstag, Mai 01, 2007
Náusea: o retrato da apatia
Antoine Roquentin, meia-idade, burguês. É em torno desse personagem que Sartre faz encarnar a profunda apatia. O Sr. Roquentin mora só em um hotel localizado em Bouville, cidade pequena na França. Faz o desjejum sozinho, almoça sozinho e janta sozinho. Tudo isso em Cafés espalhados pela cidade e ao som de "Some of these days", um jazz.
Roquentin narra o livro queixando-se incansavelmente de uma "náusea", que aparece sorrateiramente quando ele pára e analisa as pessoas e coisas à sua volta. O que fica subentendido é que essa "náusea" é produto de uma degradação emocional que ocorreu aos poucos, podemos ver no seguinte trecho: " Já não posso duvidar de que alguma coisa me aconteceu. Isso veio como uma doença, não como uma certeza comum, não como uma evidência. Instalou-se pouco a pouco, sorrateiramente: senti-me um pouco estranho, um pouco incômodo, e isso foi tudo. Uma vez no lugar, não mais se mexeu, ficou quieto e pude me persuadir de que não tinha nada, que era um alarme falso. E eis que agora a coisa se expande."
Ele passa horas na biblioteca na ânsia de ler todos os livros, mas também escreve, quer dizer, tenta escrever um livro de história sobre o Sr. de Rollebon. Devido a constante náusea somada às inúmeras reflexões existenciais, ele não consegue terminar o livro, desistindo de escrevê-lo. A biblioteca também é freqüentada pelo Autodidata, também homem de meia-idade que passa horas lendo e tem como diversão "alisar" rapazinhos mais novos.
Apesar da profunda indiferença com o mundo em si, Antoine ama Anny, uma antiga namorada um tanto excêntrica que vivia buscando "momentos perfeitos", como se as pessoas em determinada situação tivessem que interpretar quadros e figuras. No auge de sua debilidade, Anny culpava Antoine por estragar seus momentos perfeitos e afinal de contas, quem é apático não tem espiritualidade e nem ânimo para interpretar "momentos perfeitos", não tem a capacidade de delirar na própria imbecilidade. Pobre Anny...
Anny volta depois de alguns anos, querendo reencontrar Antoine. Depois de tanta apatia, tal fato desperta algum ânimo nele mas não por muito tempo. Quando se encontram, ela lhe explica a teoria dos momentos perfeitos e em seguida pede que Antoine se vá. Na despedida, ela o beija alegando que queria ter a lembrança de seus lábios. Inconformado, ele vai até a estação de trem para vê-la partir, como se quisesse ver sua desgraça se concretizar e se concretiza. Anny vai embora.
Em seus passeios pela pequena Bouville, vendo a paisagem, os humanos, a cor do céu e a natureza, ele concretiza a verossimilhança de todas as coisas existentes: " Todo ente nasce sem razão, se prolonga por fraqueza e morre por acaso." Outra máxima: " A existência é uma plenitude que o homem não pode abandonar." Concluindo que a existência não é ilusória mas apenas patética e relevante quando muito, incompreensível.
Quando Roquentin se prepara para partir para Paris, visita pela última vez a biblioteca e se depara com um infeliz episódio. O Autodidata é visto em situação suspeita com um rapazinho e em seguida surrado pelo corso da biblioteca que possuído pela revolta moral, sai distribuindo socos no Autodidata. E é nesse episódio que podemos ver a empatia e humanidade de Roquentin, pois ele pega o corso pelo pescoço para defender seu companheiro de leitura, ao qual mal dirigia a palavra e evitava encontrar. Mas o que é mais comovente, é Roquentin desprezar o ato pedófilo do Autodidata e compartilhar a desgraça alheia, pois a biblioteca era a vida do Autodidata.
Enfim, a hora da despedida chega e ele faz sua última refeição no Café que freqüentava. Se despede de sua amante, a dona do Café. Ele está partindo porque não lhe resta mais nada: " Sou livre: já não me resta nenhuma razão para viver, todas as que tentei já cederam e já não posso imaginar outras. Ainda sou bastante jovem, ainda tenho força bastante para recomeçar. Mas recomeçar o quê? Só agora compreendo o quanto, no auge de meus terrores, de minhas náuseas, tinha contado com Anny para me salvar. Meu passado está morto. O Sr. de Rollebon está morto, Anny só retornou para me tirar toda esperança. Estou sozinho nessa rua branca guarnecida de jardins. Sozinho e livre. Mas essa liberdade se assemelha um pouco à morte." E a atendente pergunta se ele não quer escutar pela última vez aquele jazz, Some of these days.
Apesar de velho, vesgo e comunista ( como diria um amigo meu), Sartre conseguiu sensibilidade o suficiente para criar um personagem mórbido, sozinho e cheio de dignidade que nos mostra que a existência é irreal, que as pessoas sempre têm que partir e que os momentos reflexivos são náuseas a nos queimar o esôfago.
A voz canta:
Some of these days
You'll miss me honey
Roquentin narra o livro queixando-se incansavelmente de uma "náusea", que aparece sorrateiramente quando ele pára e analisa as pessoas e coisas à sua volta. O que fica subentendido é que essa "náusea" é produto de uma degradação emocional que ocorreu aos poucos, podemos ver no seguinte trecho: " Já não posso duvidar de que alguma coisa me aconteceu. Isso veio como uma doença, não como uma certeza comum, não como uma evidência. Instalou-se pouco a pouco, sorrateiramente: senti-me um pouco estranho, um pouco incômodo, e isso foi tudo. Uma vez no lugar, não mais se mexeu, ficou quieto e pude me persuadir de que não tinha nada, que era um alarme falso. E eis que agora a coisa se expande."
Ele passa horas na biblioteca na ânsia de ler todos os livros, mas também escreve, quer dizer, tenta escrever um livro de história sobre o Sr. de Rollebon. Devido a constante náusea somada às inúmeras reflexões existenciais, ele não consegue terminar o livro, desistindo de escrevê-lo. A biblioteca também é freqüentada pelo Autodidata, também homem de meia-idade que passa horas lendo e tem como diversão "alisar" rapazinhos mais novos.
Apesar da profunda indiferença com o mundo em si, Antoine ama Anny, uma antiga namorada um tanto excêntrica que vivia buscando "momentos perfeitos", como se as pessoas em determinada situação tivessem que interpretar quadros e figuras. No auge de sua debilidade, Anny culpava Antoine por estragar seus momentos perfeitos e afinal de contas, quem é apático não tem espiritualidade e nem ânimo para interpretar "momentos perfeitos", não tem a capacidade de delirar na própria imbecilidade. Pobre Anny...
Anny volta depois de alguns anos, querendo reencontrar Antoine. Depois de tanta apatia, tal fato desperta algum ânimo nele mas não por muito tempo. Quando se encontram, ela lhe explica a teoria dos momentos perfeitos e em seguida pede que Antoine se vá. Na despedida, ela o beija alegando que queria ter a lembrança de seus lábios. Inconformado, ele vai até a estação de trem para vê-la partir, como se quisesse ver sua desgraça se concretizar e se concretiza. Anny vai embora.
Em seus passeios pela pequena Bouville, vendo a paisagem, os humanos, a cor do céu e a natureza, ele concretiza a verossimilhança de todas as coisas existentes: " Todo ente nasce sem razão, se prolonga por fraqueza e morre por acaso." Outra máxima: " A existência é uma plenitude que o homem não pode abandonar." Concluindo que a existência não é ilusória mas apenas patética e relevante quando muito, incompreensível.
Quando Roquentin se prepara para partir para Paris, visita pela última vez a biblioteca e se depara com um infeliz episódio. O Autodidata é visto em situação suspeita com um rapazinho e em seguida surrado pelo corso da biblioteca que possuído pela revolta moral, sai distribuindo socos no Autodidata. E é nesse episódio que podemos ver a empatia e humanidade de Roquentin, pois ele pega o corso pelo pescoço para defender seu companheiro de leitura, ao qual mal dirigia a palavra e evitava encontrar. Mas o que é mais comovente, é Roquentin desprezar o ato pedófilo do Autodidata e compartilhar a desgraça alheia, pois a biblioteca era a vida do Autodidata.
Enfim, a hora da despedida chega e ele faz sua última refeição no Café que freqüentava. Se despede de sua amante, a dona do Café. Ele está partindo porque não lhe resta mais nada: " Sou livre: já não me resta nenhuma razão para viver, todas as que tentei já cederam e já não posso imaginar outras. Ainda sou bastante jovem, ainda tenho força bastante para recomeçar. Mas recomeçar o quê? Só agora compreendo o quanto, no auge de meus terrores, de minhas náuseas, tinha contado com Anny para me salvar. Meu passado está morto. O Sr. de Rollebon está morto, Anny só retornou para me tirar toda esperança. Estou sozinho nessa rua branca guarnecida de jardins. Sozinho e livre. Mas essa liberdade se assemelha um pouco à morte." E a atendente pergunta se ele não quer escutar pela última vez aquele jazz, Some of these days.
Apesar de velho, vesgo e comunista ( como diria um amigo meu), Sartre conseguiu sensibilidade o suficiente para criar um personagem mórbido, sozinho e cheio de dignidade que nos mostra que a existência é irreal, que as pessoas sempre têm que partir e que os momentos reflexivos são náuseas a nos queimar o esôfago.
A voz canta:
Some of these days
You'll miss me honey
Freitag, April 20, 2007
À amiga ruiva e pré-esquizofrênica (de muito perto...)
Parece que foi a algumas horas que eu via você caminhar tranqüilamente até o hall do meu prédio, ajeitando a franja ruiva, dando o último gole na lata de cerveja e olhando em volta para ver se achava lixo para jogá-la. E me lançava um sorriso travesso, me abraçava e girava e girava para matar as saudades.
Você foi a única pessoa que eu vi ser consumida pelos próprios traumas, e isso para mim é bastante doloroso, já que os seus traumas são os meus traumas e isso quer dizer que eu posso ser a próxima. Para tentar lhe dar um pouco da minha força que na verdade não é força, e sim, um resto de bom senso e preguiça de suicídio, eu fui até você. Eu mal sabia onde você morava, andei de lá para cá, perguntei aos vizinhos até chegar embaixo do seu prédio. Só embaixo, pois você não me deixou sair de lá.
Não se desespere, minha querida! Eu não estou brava! Eu sei bem como é ter medo da alelobiose ao ponto de não reconhecer a sua outra metade da esquizofrenia... Mas foi tão difícil ver a sua mãe tão confusa e escutá-la dizer que você não suporta a idéia de falar ou ver alguém. mesmo que esse alguém seja eu. Eu mandei-a dizer a você que eu estava aqui para o que precisasse, mas eu sei que você não vai me procurar. Nem a mim e nem a ninguém e isso me apavora. O problema não seria eu ir e voltar do seu prédio de mãos vazias e sim eu ir até lá e um dia você não estar mais lá.
Se você quiser partir para sempre eu sei que eu não poderei impedir, mal consigo retardar sua dor. Eu só queria que você se espelhasse em mim, para poder ver que a desgraça pode sim ser digerida, não eliminada, mas o acumulo dela pode favorecer seus anti-corpos contra o mundo em si. A grande verdade é que eu estou tão fascinada pela dor como você, mas se você não mudar sua situação você vai morrer, por favor, não morra.
Você foi a única pessoa que eu vi ser consumida pelos próprios traumas, e isso para mim é bastante doloroso, já que os seus traumas são os meus traumas e isso quer dizer que eu posso ser a próxima. Para tentar lhe dar um pouco da minha força que na verdade não é força, e sim, um resto de bom senso e preguiça de suicídio, eu fui até você. Eu mal sabia onde você morava, andei de lá para cá, perguntei aos vizinhos até chegar embaixo do seu prédio. Só embaixo, pois você não me deixou sair de lá.
Não se desespere, minha querida! Eu não estou brava! Eu sei bem como é ter medo da alelobiose ao ponto de não reconhecer a sua outra metade da esquizofrenia... Mas foi tão difícil ver a sua mãe tão confusa e escutá-la dizer que você não suporta a idéia de falar ou ver alguém. mesmo que esse alguém seja eu. Eu mandei-a dizer a você que eu estava aqui para o que precisasse, mas eu sei que você não vai me procurar. Nem a mim e nem a ninguém e isso me apavora. O problema não seria eu ir e voltar do seu prédio de mãos vazias e sim eu ir até lá e um dia você não estar mais lá.
Se você quiser partir para sempre eu sei que eu não poderei impedir, mal consigo retardar sua dor. Eu só queria que você se espelhasse em mim, para poder ver que a desgraça pode sim ser digerida, não eliminada, mas o acumulo dela pode favorecer seus anti-corpos contra o mundo em si. A grande verdade é que eu estou tão fascinada pela dor como você, mas se você não mudar sua situação você vai morrer, por favor, não morra.
Donnerstag, April 05, 2007
A janela do ônibus
Mais um fim de tarde em um boteco sujo beira de esquina. Depois de milhares de copos esvaziados, ela se jogou na grama do Shopping e ficou a olhar o horizonte que revelava muitas luzes dos edifícios do outro lado do mar. Luzes coloridas que iam se misturando e formando um mix de cor pelos seus olhos já marejados.
- Vamos Mari, já está na hora.
E ela puxou sua amiga tanto ou mais embriagada que ela, deixou-a no ponto e foi para o seu. Entrou no ônibus e, quando este foi andando rezou para o seu estômago não revirar mais do que já estava revirando. E o ônibus passou pela rodoviária...Mil imagens passaram na sua cabeça como num flashback. A janela do ônibus refletiu a sua face. Um rosto abatido e com a maquiagem derretida se revelou diante do reflexo. "Deve ser isso" - pensou. Então teve a certeza que a atual, apesar de choldra não era tão complexa quanto ela.
- Vamos Mari, já está na hora.
E ela puxou sua amiga tanto ou mais embriagada que ela, deixou-a no ponto e foi para o seu. Entrou no ônibus e, quando este foi andando rezou para o seu estômago não revirar mais do que já estava revirando. E o ônibus passou pela rodoviária...Mil imagens passaram na sua cabeça como num flashback. A janela do ônibus refletiu a sua face. Um rosto abatido e com a maquiagem derretida se revelou diante do reflexo. "Deve ser isso" - pensou. Então teve a certeza que a atual, apesar de choldra não era tão complexa quanto ela.
Freitag, März 30, 2007
Fim de linha para mim
O tombo foi tão grande que a dor nem veio. Morri de vez. Eu vi meu futuro me dar adeus (puxa, logo meu futuro!), eu não pude fazer nada para impedir que ele se despedaçasse enquanto tentava caminhar para longe de mim. A imagem ridícula de planos e sonhos renegarem a própria criadora e irem se quebrando um a um sem auto-piedade.
E com isso tudo veio a depressão negra...A paranóia obsessiva e a esquizofrenia que nunca desiste de distorcer minha realidade. E eu não posso mais perguntar " E agora?"; já que não há mais perguntas também não há mais respostas, e eu não passo de um monte de moléculas que ainda se mexe por pura lei física e biológica.
E com isso tudo veio a depressão negra...A paranóia obsessiva e a esquizofrenia que nunca desiste de distorcer minha realidade. E eu não posso mais perguntar " E agora?"; já que não há mais perguntas também não há mais respostas, e eu não passo de um monte de moléculas que ainda se mexe por pura lei física e biológica.
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