O filtro amarelo do Camel continuava entre meus dedos. Cílios úmidos, apertados. Sentada com "perninha-de-índio", mas acho que os índios não têm pernas tão finas. Tentei levantar, entretanto, antes mesmo que os dois pés firmassem no chão eu caí com as pernas cruzadas e lá fiquei. Morria de medo de me olhar no espelho, porque o tempo estava nublado e a luz fria desse tempo me deixa mais branca, quase azulada, igual a uma imagem, uma figura decorativa. E é tudo o que tenho sido nos últimos anos, daqui do pedestal.
A Ludy disse que não merece nenhuma das desgraças que lhe acontecem. Eu concordo. Mas nem posso arquejar e falar que também não mereço, porque mereço e muito. E a cada palavra, cada ação, estremeço ao imaginar o revés que me aguarda. Na verdade, mesmo que eu nada fizesse ou falasse resultaria em malogro. É o preço a se pagar por ter virado as costas à natureza, essa dívida eu nunca pude pagar e por isso sempre ajoelho diante do crucifixo pedindo uma audiência. Deus com toda sua doçura me traz paz, paciência. Ele até mostra com sutileza os caminhos que virão. De quê adianta? Como disse Neruda: "Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos."
O Rê sempre fala entre risos que nossa vida nunca foi fácil. Não foi, mas era cômico, sem as complicações que a vida traz. Os problemas aumentam, ou melhor, os problemas deixam de ser problemas para se tornarem incertezas. Se perdem de nós, então, nunca conseguimos resolvê-los. Com o tempo misturam-se ao nosso sangue, saem, coagulam impedindo que respiremos, dando a sensação de que algo está errado, mas não pode ser visto, tocado ou eliminado. Repito uma quase-paráfrase de um post anterior: hoje acordei lúcida, não como se estivesse para morrer, mas como se nunca houvesse existido.
Freitag, Januar 30, 2009
Mittwoch, Januar 28, 2009
Cadê Hitler quando eu preciso dele?
É brincadeirinha, tá?
Não bastasse a frente fria ter voltado à Niterói, eu ter sido chutada pela Banca da UFRJ, ter ficado sem falar com minha melhor amiga por uma semana inteira pela TPM, ter dado o maior bafón de todos os tempos na madrugada em que dormi na casa de uma outra amiga, ter ligado pro quase-ex-que-nunca-vai-ser-nem-ex-e-nem-atual e não só ter ouvido como repetido todas as juras pela zilhonésima vez, agora o governo está pensando em aprovar uma lei para cotas de afro-descendentes em cargos públicos e privados. Ah, Lula... Ah!
Não bastasse a frente fria ter voltado à Niterói, eu ter sido chutada pela Banca da UFRJ, ter ficado sem falar com minha melhor amiga por uma semana inteira pela TPM, ter dado o maior bafón de todos os tempos na madrugada em que dormi na casa de uma outra amiga, ter ligado pro quase-ex-que-nunca-vai-ser-nem-ex-e-nem-atual e não só ter ouvido como repetido todas as juras pela zilhonésima vez, agora o governo está pensando em aprovar uma lei para cotas de afro-descendentes em cargos públicos e privados. Ah, Lula... Ah!
Montag, Januar 26, 2009
Último romance
O problema é que o " eu te amo" sempre explode antes mesmo de ser pronunciado. E sai assim, como se fosse uma imposição, um engasgo, um segredo vergonhoso, uma necessidade. De que me adianta não te escutar, fechar a porta na sua face? Sempre abro novamente a porta, saio correndo, pulo em seu colo e os olhos lacrimejam, e sou obrigada a escutar repetidas vezes o "eu te amo" dito com tanta força que me atravessa e faz eu enxergar novamente o mundo, me tirando de meu egocentrismo.
E sei que a culpa nem é sua. Migalhas que o destino nos oferece e que não temos como recusar. Não tem como - e eu nunca permitiria que você o fizesse- jogar tudo para o alto e correr para os braços de quem você sempre quis, da "mulher da sua vida" - não é assim que você costuma me chamar?-. O problema é que eu não saí dessa categoria, o que traz mais dúvida, mais sofrimento pra ti. Confesso que não sofro mais, já estou acostumada com os agravos que a vida traz sempre para tomar algum sentimento e fazer a situação escapar totalmente do nosso controle.
Ainda estou me recuperando daquela madrugada. Passei tanto dos limites que a cara de pau sumiu e até estou sentindo um pouco de vergonha. Talvez o álcool faça com que nós abracemos nossos sonhos novamente, mesmo que eles estejam voando com o vento em forma de pó. Mesmo que eles abram buracos na alma e acabem na mesma coisa : " eu te amo".
Do nosso amor a gente é que sabe, pequeno.
E sei que a culpa nem é sua. Migalhas que o destino nos oferece e que não temos como recusar. Não tem como - e eu nunca permitiria que você o fizesse- jogar tudo para o alto e correr para os braços de quem você sempre quis, da "mulher da sua vida" - não é assim que você costuma me chamar?-. O problema é que eu não saí dessa categoria, o que traz mais dúvida, mais sofrimento pra ti. Confesso que não sofro mais, já estou acostumada com os agravos que a vida traz sempre para tomar algum sentimento e fazer a situação escapar totalmente do nosso controle.
Ainda estou me recuperando daquela madrugada. Passei tanto dos limites que a cara de pau sumiu e até estou sentindo um pouco de vergonha. Talvez o álcool faça com que nós abracemos nossos sonhos novamente, mesmo que eles estejam voando com o vento em forma de pó. Mesmo que eles abram buracos na alma e acabem na mesma coisa : " eu te amo".
Do nosso amor a gente é que sabe, pequeno.
Sonntag, Januar 25, 2009
Os risos garantidos da semana
No MSN:
" Não vai dar pra esse idiota, né?!" - Mari.
Na rave:
" Droga! Show do Tristania de novo?!" - Renan, quando os metaleiros chegaram.
" Up the irons!" - Eu, quando avistei um "tr00".
Na minha casa:
" Estão com esse preconceito todo só porque eles são muçulmanos?! Ah, porque eles não mudam de religião?!" - Mamãe.
" Não vai dar pra esse idiota, né?!" - Mari.
Na rave:
" Droga! Show do Tristania de novo?!" - Renan, quando os metaleiros chegaram.
" Up the irons!" - Eu, quando avistei um "tr00".
Na minha casa:
" Estão com esse preconceito todo só porque eles são muçulmanos?! Ah, porque eles não mudam de religião?!" - Mamãe.
Dienstag, Januar 20, 2009
Outro pecado
Andar, andar, escovar os cabelos, parar na cama de mamãe abraçando os joelhos sem vontade de acender a luz. Ver os prédios iluminados - através da janela- se transformarem em uma mistura de cores enquanto as próprias pestanas tentam tragar as lágrimas.
Tentar fazer um cego enxergar foi o limite da minha arrogância para com os céus. Ou inocência-boa-vontade minha. Ou ainda, tentativa malograda de usurpar Jesus. Porque o único que fez um cego enxergar acabou na cruz, não? E eu nunca, nunca poderia fornecer perdão ou abraços. Jamais conseguiria receber o beijo de Judas já sabendo previamente o que ele tinha feito. Penso que jogaria a primeira pedra em Maria Madalena, espalmaria minhas mãos ao ar para proferir maldições aos romanos.
É muita arrogância, é muito peso. Que venha um tempo de doçura.
Tentar fazer um cego enxergar foi o limite da minha arrogância para com os céus. Ou inocência-boa-vontade minha. Ou ainda, tentativa malograda de usurpar Jesus. Porque o único que fez um cego enxergar acabou na cruz, não? E eu nunca, nunca poderia fornecer perdão ou abraços. Jamais conseguiria receber o beijo de Judas já sabendo previamente o que ele tinha feito. Penso que jogaria a primeira pedra em Maria Madalena, espalmaria minhas mãos ao ar para proferir maldições aos romanos.
É muita arrogância, é muito peso. Que venha um tempo de doçura.
Freitag, Januar 16, 2009
"Só Deus sabe quanto amei você.’’ (Márquez - tirado do profile da Ly)
Só por um momento - por favor-, não entendam a frase como o que ela quis dizer. E se entendessemos não como uma declaração, mas como se só Deus soubesse o quanto vocês amam e apenas só ele soubesse, só. Realmente, só Deus sabe porque nem eu sei. Talvez alguns de vocês cheguem a esse ponto um dia: saber-se amado, procurar sentimentos dentro de si e não achar. Como se estivessem se escondendo. Meus sentimentos têm medo de mim ou meus sentimentos se retiraram por compaixão?
E se Deus deixar de saber? Às vezes acho que há um complô entre os anjos, como se todos eles cochichassem entre si quando me vêem. " Olha lá, é aquela..." ; " Não fale alto, Gabriel!"; " Ela não tem sensibilidade para nos escutar mais, Miguel!".
Não faz mais sentido. Lembro quando meu fígado não doía e tudo fazia grande sentido pra mim - e com grandes significados-. Era aquilo: sorrisos de longe, mas não doídos como o são hoje. Meu Deus, será que eu me tornei tão egocêntrica assim?
Senhor, pare por favor. Eu já aprendi, eu juro que já aprendi. Mas chega. Os vestidos estão largos, os braços cada dia mais finos. Jatos de sangue saem pela garganta, fígado dói. haverá alguma chance ainda?
Alguém aí?
E se Deus deixar de saber? Às vezes acho que há um complô entre os anjos, como se todos eles cochichassem entre si quando me vêem. " Olha lá, é aquela..." ; " Não fale alto, Gabriel!"; " Ela não tem sensibilidade para nos escutar mais, Miguel!".
Não faz mais sentido. Lembro quando meu fígado não doía e tudo fazia grande sentido pra mim - e com grandes significados-. Era aquilo: sorrisos de longe, mas não doídos como o são hoje. Meu Deus, será que eu me tornei tão egocêntrica assim?
Senhor, pare por favor. Eu já aprendi, eu juro que já aprendi. Mas chega. Os vestidos estão largos, os braços cada dia mais finos. Jatos de sangue saem pela garganta, fígado dói. haverá alguma chance ainda?
Alguém aí?
Montag, Januar 12, 2009
"Agora ainda vives pra mim porque te sei." ( V. Ferreira)
Que adianta o amor ter chegado? Ou ainda : que adianta o amor ter ido embora? Que adianta o amor permanecer? E continuar? E criar outro? E criar frutos? Tenho tentado inserir em mim mesma alguma explicação - que beira à fé de que há algo pela frente- sobre como ter motivos sim para fazer os próprios pés caminharem acompanhando uma estrada em que não há chegada, fim, saída, descanso e nem ao menos banheiro.
Ontem mal acordei e já fui surpreendida por um jato de sangue que saía de minha garganta. Câncer do cigarro? Talvez. Pneumonia-tuberculose devido às noites de boemia? Facto. Castigo de Deus? Bem, eu sou campeã em pegar castigos que nem são para mim, só de intrometida mesmo, então, não o é. Chorar-se-iam meus amigos se soubessem destas possibilidades. Chorar-me-ia se por acaso eu conseguisse achar algum carinho por mim mesma. Se eu conseguisse recuperar minhas emoções, ou, minha vontade.
Ontem mal acordei e já fui surpreendida por um jato de sangue que saía de minha garganta. Câncer do cigarro? Talvez. Pneumonia-tuberculose devido às noites de boemia? Facto. Castigo de Deus? Bem, eu sou campeã em pegar castigos que nem são para mim, só de intrometida mesmo, então, não o é. Chorar-se-iam meus amigos se soubessem destas possibilidades. Chorar-me-ia se por acaso eu conseguisse achar algum carinho por mim mesma. Se eu conseguisse recuperar minhas emoções, ou, minha vontade.
Dienstag, Januar 06, 2009
Ella canta...

... com intensidade não comprada em refis de supermercado. Penso sobre como ainda prefiro ser uma alcólatra em estado terminal que engole verdades -ao invés de atirá-las-, do que ter a profundidade de um vaso sanitário. Não passe mais em minha porta, seu passaporte ao mundo dos "com-cérebro" já expirou. Ou ainda, minha vacina anti-mediocridade já perdeu o efeito, sinto-me enjoada e contagiada.
Donnerstag, Januar 01, 2009
Do 31 ao 1
Foi incrível como o sol tentava furar o céu de nuvens para que ninguém desanimasse em comemorar. A garrafa de bebida até o fim da viagem, outra garrafa de bebida e outra e outra. E guimbas de cigarros que se perdiam no calçadão e na areia. Meus pés, meu corpo se mexiam ao som da música agitada, todos loucos. Uns de forma natural, outros sinteticamente.
A contagem regressiva que não foi contada, percebi que era outro ano apenas pelos fogos que explodiam por toda a parte, e pelo abraço coletivo dos amigos-fofura. Delineador borrado - que foi escondido pelos enormes óculos- , rosto de sono e a madrugada estava virando dia. O céu estava tão cinzento que achei que o mundo fosse cair em chuva. Mas não. Os tênues raios logo apareceram e o céu ficou assim: cinzento com raios de sol forçosos pelo chão... Agora ele está tentando ficar azul no esforço de fazer o primeiro dia ficar bonito. Deus é de uma doçura sem tamanho.
A contagem regressiva que não foi contada, percebi que era outro ano apenas pelos fogos que explodiam por toda a parte, e pelo abraço coletivo dos amigos-fofura. Delineador borrado - que foi escondido pelos enormes óculos- , rosto de sono e a madrugada estava virando dia. O céu estava tão cinzento que achei que o mundo fosse cair em chuva. Mas não. Os tênues raios logo apareceram e o céu ficou assim: cinzento com raios de sol forçosos pelo chão... Agora ele está tentando ficar azul no esforço de fazer o primeiro dia ficar bonito. Deus é de uma doçura sem tamanho.
Sonntag, Dezember 28, 2008
Some hearts are true
O mundo caía em chuva quando você percebeu que a culpa não era sua. A voz tinha virado algo que parecia um barulho de algum filhote assustado dentro de uma caixa de papelão, eu não entendia nada. Mas tentava entender e desvendar já que não eram barulhos de filhote e sim algum dialeto de malogros. Quando então o dialeto virou choro e só choro, e a voz logo reapareceu fina, suplicante de alguma coisa que certamente não seria resolvida.
Então, eu respirei para tentar fazer tudo ficar bem. O gás carbônico saiu e não trouxe nenhuma palavra de conforto com ele. Só restava desligar o meio de comunicação desejando melhoras, como se fosse doença. Um dos personagens de Mann dizia isso, "vai até as trevas e volta em forma de doença." E não curou. E todos estavam chorando por você, por ver uma pele tão jovem se desmanchar em rugas de preocupação, e ainda, por ver que não havia de ser feito nada.
Não, não era justo e eu sei que não era, meu amor. Não contigo. Sua alma não era daquelas feitas em moldes para aturar as desgraças e as maldades que o mundo traz. Eu me pergunto até agora por que não eu? - todo mundo também se perguntou isso-. Eu que permanecia de pé, eu que fui chamada de monstro sagrado a vida toda, eu que sempre dizia para o destino: " Te pego lá fora!". Mas foi você. Você que estava quase sempre sozinha e não estava acostumada à solidão. A vida tinha desses maldades: mandar ficar em pé quem não tinha muitas chances de ficar. E eu ficaria não é, amor? Eu quebraria minhas próprias pernas só pelo prazer de empinar o nariz e exclamar:"Olha aqui!".
Pra quê e por que toda essa lição se estava claro que você não estaria disposta a aprender? Tão sensível, sua alma era a de uma criança que saía abraçando todos, porque todos eram bons e não iam lhe causar mal algum. Até que ela se perdeu. Talvez estivesse nas ruas procurando o colo de algo que parecesse materno, talvez. Está aí o motivo pelo qual meu nariz amanheceu inflamado novamente: a dor de meus braços que se esticavam para tentar aliviar você do mundo, e a garganta que doía ainda mais por tentar transformar minha voz quase inexistente em algo berrante, só para você me escutar.
Então, eu respirei para tentar fazer tudo ficar bem. O gás carbônico saiu e não trouxe nenhuma palavra de conforto com ele. Só restava desligar o meio de comunicação desejando melhoras, como se fosse doença. Um dos personagens de Mann dizia isso, "vai até as trevas e volta em forma de doença." E não curou. E todos estavam chorando por você, por ver uma pele tão jovem se desmanchar em rugas de preocupação, e ainda, por ver que não havia de ser feito nada.
Não, não era justo e eu sei que não era, meu amor. Não contigo. Sua alma não era daquelas feitas em moldes para aturar as desgraças e as maldades que o mundo traz. Eu me pergunto até agora por que não eu? - todo mundo também se perguntou isso-. Eu que permanecia de pé, eu que fui chamada de monstro sagrado a vida toda, eu que sempre dizia para o destino: " Te pego lá fora!". Mas foi você. Você que estava quase sempre sozinha e não estava acostumada à solidão. A vida tinha desses maldades: mandar ficar em pé quem não tinha muitas chances de ficar. E eu ficaria não é, amor? Eu quebraria minhas próprias pernas só pelo prazer de empinar o nariz e exclamar:"Olha aqui!".
Pra quê e por que toda essa lição se estava claro que você não estaria disposta a aprender? Tão sensível, sua alma era a de uma criança que saía abraçando todos, porque todos eram bons e não iam lhe causar mal algum. Até que ela se perdeu. Talvez estivesse nas ruas procurando o colo de algo que parecesse materno, talvez. Está aí o motivo pelo qual meu nariz amanheceu inflamado novamente: a dor de meus braços que se esticavam para tentar aliviar você do mundo, e a garganta que doía ainda mais por tentar transformar minha voz quase inexistente em algo berrante, só para você me escutar.
Freitag, Dezember 26, 2008
Feliz Natal
- E que blusa era aquela? PelamordeDeus...
- Ana, eu te entendo.
- Aposto que devia estar combinando com umas sandálias ridículas de borracha.
- Eu te entendo...
[ Ela põe uma das mãos em meu ombro]
- Pior que idiotia pura, só falta de gosto no guarda-roupa...
- Chega! Entendeu? Chega! Eu te entendo, eu juro que entendo!
[ Olhar baixo. Ela me puxou para uma abraço forçado. Meu nariz estava vermelho e eu tentava me desvencilhar do abraço]
- Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu entendo...Eu entendo...
- Ana, eu te entendo.
- Aposto que devia estar combinando com umas sandálias ridículas de borracha.
- Eu te entendo...
[ Ela põe uma das mãos em meu ombro]
- Pior que idiotia pura, só falta de gosto no guarda-roupa...
- Chega! Entendeu? Chega! Eu te entendo, eu juro que entendo!
[ Olhar baixo. Ela me puxou para uma abraço forçado. Meu nariz estava vermelho e eu tentava me desvencilhar do abraço]
- Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu entendo...Eu entendo...
Freitag, Dezember 19, 2008
As mentiras da geopolítica
Nos três anos em que cursei o Ensino Médio, sempre ouvi os mesmos discursos nas aulas de Geografia - em todas as aulas, principalmente em Geopolítica-, sobre quão o sistema capitalista é injusto e gera desigualdades por si só.
Não contentes com seus discursos inflamados, cheios de retóricas tiradas das orelhas da Carta Capital, eles ainda se propunham a citar Smith. Mas qual o problema em citar Smith? Ora pois, problema algum, quando não se utilizam de sofismas para isso, claro.
Era um tal de "Maximização das capacidades individuais que dizia que um vendedor de bananada teria que ser o melhor vendedor de bananada", que a coisa ficou mais ridícula do que eu previa. Smith via a "maximização das capacidades individuais" como a forma mais simples de gerar riqueza e prosperidade não só para o trabalhador, como também para a sociedade. Isso até hoje é uma medida certa e eficaz e não sou eu quem está dizendo. É só assistir ao Globo Repórter ou observar os judeus.
Ok, mas " as relações burguesia X proletariado são injustas, desumanas, insalubres!" Smith que foi um dos maiores pensadores capitalista diz:
"Não é porém difícil ver qual das duas partes tem, em ocasiões normais, vantagem nessa disputa e pode forçar a outra a aceitar um contrato nos termos que mais lhe interessam. Os patrões, sendo em número mais reduzido, podem facilmente chegar a um entendimento entre si a fim de manterem um dado nível de salários; aliás, são os próprios regulamentos que os autorizam, ou melhor, que não proíbem as suas combinações, enquanto que já proíbem as dos trabalhadores. Nunca assistimos a atos do parlamento contra as decisões de baixar os preços do trabalho; mas já soubemos de muitos contra as decisões de os aumentar. Em todas essas disputas os patrões podem aguentar-se muito mais tempo. Um proprietário, um agricultor, um industrial ou um comerciante, mesmo que não empreguem nenhum operário, podem normalmente viver um ano ou dois gastando os capitais já anteriormente adquiridos. Mas poucos trabalhadores poderiam resistir uma semana, menos ainda um mês, e quase nenhum um ano inteiro sem renovar pelo trabalho os meios de sua subsistência. A longo prazo, o trabalhador pode ser tão necessário ao seu patrão como este o é para aquele; mas tal necessidade não se verifica de imediato." ( "A riqueza das nações", p.63).
Fica aí claro que não se trata de injustiça, mas de fatos. O que pode tornar o sistema capitalista injusto não são as práticas capitalistas, mas o caráter de quem as pratica. Qualquer dúvida leiam o Riqueza das Nações e fechem o Manifesto, porque afetação comunista já está mais do que "last week".
Não contentes com seus discursos inflamados, cheios de retóricas tiradas das orelhas da Carta Capital, eles ainda se propunham a citar Smith. Mas qual o problema em citar Smith? Ora pois, problema algum, quando não se utilizam de sofismas para isso, claro.
Era um tal de "Maximização das capacidades individuais que dizia que um vendedor de bananada teria que ser o melhor vendedor de bananada", que a coisa ficou mais ridícula do que eu previa. Smith via a "maximização das capacidades individuais" como a forma mais simples de gerar riqueza e prosperidade não só para o trabalhador, como também para a sociedade. Isso até hoje é uma medida certa e eficaz e não sou eu quem está dizendo. É só assistir ao Globo Repórter ou observar os judeus.
Ok, mas " as relações burguesia X proletariado são injustas, desumanas, insalubres!" Smith que foi um dos maiores pensadores capitalista diz:
"Não é porém difícil ver qual das duas partes tem, em ocasiões normais, vantagem nessa disputa e pode forçar a outra a aceitar um contrato nos termos que mais lhe interessam. Os patrões, sendo em número mais reduzido, podem facilmente chegar a um entendimento entre si a fim de manterem um dado nível de salários; aliás, são os próprios regulamentos que os autorizam, ou melhor, que não proíbem as suas combinações, enquanto que já proíbem as dos trabalhadores. Nunca assistimos a atos do parlamento contra as decisões de baixar os preços do trabalho; mas já soubemos de muitos contra as decisões de os aumentar. Em todas essas disputas os patrões podem aguentar-se muito mais tempo. Um proprietário, um agricultor, um industrial ou um comerciante, mesmo que não empreguem nenhum operário, podem normalmente viver um ano ou dois gastando os capitais já anteriormente adquiridos. Mas poucos trabalhadores poderiam resistir uma semana, menos ainda um mês, e quase nenhum um ano inteiro sem renovar pelo trabalho os meios de sua subsistência. A longo prazo, o trabalhador pode ser tão necessário ao seu patrão como este o é para aquele; mas tal necessidade não se verifica de imediato." ( "A riqueza das nações", p.63).
Fica aí claro que não se trata de injustiça, mas de fatos. O que pode tornar o sistema capitalista injusto não são as práticas capitalistas, mas o caráter de quem as pratica. Qualquer dúvida leiam o Riqueza das Nações e fechem o Manifesto, porque afetação comunista já está mais do que "last week".
Dienstag, Dezember 16, 2008
Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me
Eu tinha então 17 anos. Meus cabelos caíam na testa e eu ainda era um menino. E os meus olhos costumavam brilhar com a chuva ou quando eu jogava bola com os amigos. Até que a conheci. Com seus tantos anos a mais de vida, com a sua experiência, com o seu organismo danificado pelas drogas. Achava-a doce, tão doce que eu costumava viajar para onde ela estava nas minhas noites de insônia.
Eu queria ser ela, ou simplesmente poder sentí-la, vê-la. Nem que fosse só para saber que não era alguma miragem, alguma ilusão. Quando eu sumia, sonhava com ela todas as noites. Quando ela me ligava só me restava não só abrir meu coração, mas dilacerá-lo em juras de amor eternas, em planos de um futuro bom. Pensei em largar tudo só para poder viver ao seu lado.
Mas eu menti. Nunca a amei. Apenas o meu egoísmo de menino pouco conhecedor dos causos do destino me guiava até a destruição dela. Ela era tudo para mim, mas não porque eu a amasse, não. Eu queria vê-la completamente destruída. Eu a via se desintegrar, mas eu queria ter esse prazer, eu queria arrancar daqueles grandes olhos lágrimas que jamais se dissipassem. Queria provar que ela tinha um coração, não para amar, mas para aguentar todas as dores que eu poderia lhe proporcionar... Entretanto, também haveria de humilhá-la! Só por todas as vezes que ela com a sua paciência e serenidade me explicava as coisas ou me dava broncas por ser um afetadinho.
Parti o seu pedestal me entregando à outra paixão. Fui aproveitando cada silêncio dela nas conversas, silêncios que eu tinha certeza que eram de choro. Mas eu simplesmente não poderia vê-la chorando, não? Eu tinha que ter a certeza de meu mal. Como não havia jeito de saber, me contentei em metralhá-la com todos os absurdos infantis do mundo. Então, ela sumiu. Na verdade ela havia ido embora... E agora? O meu trabalho não havia acabado. Insisti em machucá-la, acho que consegui. Talvez ela esteja com um suéter lilás agora, talvez o céu cinza-brilhante de chuva esteja iluminando seus olhos marejados e talvez sua boca esteja contraída até agora de dor, talvez.
Acordei e meus cabelos não batiam na testa, eram longos. Eu não tinha nada de menino e já tinha dezenove anos fazia 1 mês. E eu não havia me machucado, não havia dor alguma. Ludmilla me avisava por mensagem : " Foi só um sonho ruim...Foi apenas um sonho ruim, ma belle..."
Player: Keane - A Bad Dream
Eu queria ser ela, ou simplesmente poder sentí-la, vê-la. Nem que fosse só para saber que não era alguma miragem, alguma ilusão. Quando eu sumia, sonhava com ela todas as noites. Quando ela me ligava só me restava não só abrir meu coração, mas dilacerá-lo em juras de amor eternas, em planos de um futuro bom. Pensei em largar tudo só para poder viver ao seu lado.
Mas eu menti. Nunca a amei. Apenas o meu egoísmo de menino pouco conhecedor dos causos do destino me guiava até a destruição dela. Ela era tudo para mim, mas não porque eu a amasse, não. Eu queria vê-la completamente destruída. Eu a via se desintegrar, mas eu queria ter esse prazer, eu queria arrancar daqueles grandes olhos lágrimas que jamais se dissipassem. Queria provar que ela tinha um coração, não para amar, mas para aguentar todas as dores que eu poderia lhe proporcionar... Entretanto, também haveria de humilhá-la! Só por todas as vezes que ela com a sua paciência e serenidade me explicava as coisas ou me dava broncas por ser um afetadinho.
Parti o seu pedestal me entregando à outra paixão. Fui aproveitando cada silêncio dela nas conversas, silêncios que eu tinha certeza que eram de choro. Mas eu simplesmente não poderia vê-la chorando, não? Eu tinha que ter a certeza de meu mal. Como não havia jeito de saber, me contentei em metralhá-la com todos os absurdos infantis do mundo. Então, ela sumiu. Na verdade ela havia ido embora... E agora? O meu trabalho não havia acabado. Insisti em machucá-la, acho que consegui. Talvez ela esteja com um suéter lilás agora, talvez o céu cinza-brilhante de chuva esteja iluminando seus olhos marejados e talvez sua boca esteja contraída até agora de dor, talvez.
Acordei e meus cabelos não batiam na testa, eram longos. Eu não tinha nada de menino e já tinha dezenove anos fazia 1 mês. E eu não havia me machucado, não havia dor alguma. Ludmilla me avisava por mensagem : " Foi só um sonho ruim...Foi apenas um sonho ruim, ma belle..."
Player: Keane - A Bad Dream
Freitag, Dezember 12, 2008
E é assim que as coisas são
A Ludmilla e eu tivemos uma discussão homérica ontem. Ela falava, aliás berrava, sobre como o mínimo de reembolso que Deus poderia dar a ela é ser canonizada. Se a conversa tivesse sido concebida pessoalmente, provavelmente eu espalmaria minhas mãos ao ar, declamaria todos os malogros de minha vida e por fim amanheceria envenenada, só para testar a ordem divina, ou ainda, para tentar copiar Mynheer Peeperkorn.
De engraçado ficou amargo. Ela falava sobre como tudo - não só nesse momento- está sendo difícil, e teve o básico ataque de pedantismo-depressivo de dizer que só ela sofre, que sua dor era a maior e que achava o cúmulo da patotinha esses jovens "humanóides" considerarem as suas poucas misérias alguma dor. A essa altura já estávamos chutando uma a costela da outra.
Talvez por isso hoje eu tenha acordado arrasada. Não que meus olhos estivessem marejados, não. Porque eles estavam secos. O rosto não tinha expressão. O coração parecia ter se volatilizado. E o corpo, bem, o corpo não se movia e eu não tinha forças para brigar com a inércia e movê-lo. Me contentei em ficar na cama, olhando a janela cinza. Ameaçava chover.
Então, lembrei de quando eu era um pouco mais nova. Uma vez corri de meus amigos, já muito ébria, e parei estática numa pracinha que fica de frente para a Baía de Guanabara. Era noite e estava relativamente frio. Eu explodi, meu nariz inflamou de coriza e meus olhos começaram a ficar manchados de delineador. Estava doendo. O meu rosto se desfigurava na maquiagem enquanto as ondas da Baía batiam perto.
E não era uma dor do tipo dor. Porque se fosse apenas dor, um bom psicólogo e muitas caixas de Rivotril resolveriam. A principal questão é o referencial. O meu referencial é tão amplo que engloba a dor de cada pedacinho de ser humano que passa por mim. O idoso sem dentes procurando atendimento no hospital, o olhar triste que vi em um mendigo ( ele devorava algo que parecia um doce de padaria com tanto desgosto...), os amores de minha vida que não me querem e também não me deixam seguir e claro, o Grande Ego que controla tudo com seus tentáculos. Eu não alimento meu ego, ele me alimenta.
O referencial não pára de crescer. Talvez eu imite Édipo Rei e fure meus olhos na esperança de uma cegueira completa, quase alienação, ao contrário do que queria o personagem. Talvez eu continue acordando arrasada, sem saber exatamente o porquê. Alguma coisa, alguma lenbrança...Eu não sei o que é. Está aqui, mas foi absorvida pelo Grande Ego de tal forma que eu realmente não me lembro quem ou o quê fez isso. Grande Ego, se era um sonho...devolva.
De engraçado ficou amargo. Ela falava sobre como tudo - não só nesse momento- está sendo difícil, e teve o básico ataque de pedantismo-depressivo de dizer que só ela sofre, que sua dor era a maior e que achava o cúmulo da patotinha esses jovens "humanóides" considerarem as suas poucas misérias alguma dor. A essa altura já estávamos chutando uma a costela da outra.
Talvez por isso hoje eu tenha acordado arrasada. Não que meus olhos estivessem marejados, não. Porque eles estavam secos. O rosto não tinha expressão. O coração parecia ter se volatilizado. E o corpo, bem, o corpo não se movia e eu não tinha forças para brigar com a inércia e movê-lo. Me contentei em ficar na cama, olhando a janela cinza. Ameaçava chover.
Então, lembrei de quando eu era um pouco mais nova. Uma vez corri de meus amigos, já muito ébria, e parei estática numa pracinha que fica de frente para a Baía de Guanabara. Era noite e estava relativamente frio. Eu explodi, meu nariz inflamou de coriza e meus olhos começaram a ficar manchados de delineador. Estava doendo. O meu rosto se desfigurava na maquiagem enquanto as ondas da Baía batiam perto.
E não era uma dor do tipo dor. Porque se fosse apenas dor, um bom psicólogo e muitas caixas de Rivotril resolveriam. A principal questão é o referencial. O meu referencial é tão amplo que engloba a dor de cada pedacinho de ser humano que passa por mim. O idoso sem dentes procurando atendimento no hospital, o olhar triste que vi em um mendigo ( ele devorava algo que parecia um doce de padaria com tanto desgosto...), os amores de minha vida que não me querem e também não me deixam seguir e claro, o Grande Ego que controla tudo com seus tentáculos. Eu não alimento meu ego, ele me alimenta.
O referencial não pára de crescer. Talvez eu imite Édipo Rei e fure meus olhos na esperança de uma cegueira completa, quase alienação, ao contrário do que queria o personagem. Talvez eu continue acordando arrasada, sem saber exatamente o porquê. Alguma coisa, alguma lenbrança...Eu não sei o que é. Está aqui, mas foi absorvida pelo Grande Ego de tal forma que eu realmente não me lembro quem ou o quê fez isso. Grande Ego, se era um sonho...devolva.
Montag, Dezember 08, 2008
A Ludy me odiava, fato
... Sinceridades que me fariam matá-la de forma silenciosa...
Ana : Eu não sou idiota! Eu não sou idiota!
Ludy: Nem eu, mas sempre acabamos sendo...
Ana: Você. Eu não. Eu sou aluna de Olavo de Carvalho e Levy, jamais serei idiota. ( ataque de pedantismo).
Ludy: E se aparecesse?
Ana: Eu poria um enorme saco de papel na cabeça, relembrando os tempos de misantropia.
Ludy: Escrito " tô aqui, pega".
Ana: Vai...
(...)
Ludy: Sabe, eu te odiei um dia.
Ana: Como foi isso?
Ludy: Em um dia que ele demorava a me responder, e voltava rindo dizendo que estava falando contigo. Eu sabia que você era a menina que gostava dele.
Ana: Sério? O Grande Ego agradece, vou dormir feliz agora.
Ludy: Peste diabólica... Arruinou uma noite de minha vida!
Ana: Que glória!
(Ludy começou a escutar "What goes around...Comes around" do Justin Timberlake)
Ana: Era brincadeira. Não precisa escutar essa música e planejar minha morte. Até porque você teria que entrar na fila e herdaria milhões publicando meus textos...
Ludy: Anazinha :)
Ana : Eu não sou idiota! Eu não sou idiota!
Ludy: Nem eu, mas sempre acabamos sendo...
Ana: Você. Eu não. Eu sou aluna de Olavo de Carvalho e Levy, jamais serei idiota. ( ataque de pedantismo).
Ludy: E se aparecesse?
Ana: Eu poria um enorme saco de papel na cabeça, relembrando os tempos de misantropia.
Ludy: Escrito " tô aqui, pega".
Ana: Vai...
(...)
Ludy: Sabe, eu te odiei um dia.
Ana: Como foi isso?
Ludy: Em um dia que ele demorava a me responder, e voltava rindo dizendo que estava falando contigo. Eu sabia que você era a menina que gostava dele.
Ana: Sério? O Grande Ego agradece, vou dormir feliz agora.
Ludy: Peste diabólica... Arruinou uma noite de minha vida!
Ana: Que glória!
(Ludy começou a escutar "What goes around...Comes around" do Justin Timberlake)
Ana: Era brincadeira. Não precisa escutar essa música e planejar minha morte. Até porque você teria que entrar na fila e herdaria milhões publicando meus textos...
Ludy: Anazinha :)
Samstag, Dezember 06, 2008
Inércia
Quando chego a vomitar de fome, o alimento vai até a boca mas não desce. Escapa a tão famosa ânsia da boca de um cardíaco. Os shorts estão largos, os seios sumindo e o egocentrismo voltando. Na verdade, não sei decidir o que é meu egocentrismo : se a minha arrogância de achar que tudo é direcionado à mim, ou, achar que não há nada para ser superado.
Freitag, November 28, 2008
" Show me, show me, show me how you do that trick..?"
Definitivamente o acontecimento mais fúnebre do ano - e talvez de toda a minha vida - : meus amigos saíram para comemorar o aniversário sem mim. Mamãe, como sempre, procurou descamar todas as suas dores para cima da pessoa aqui. Olho o céu que já está quase todo limpo, a semana toda ele pareceu carregado. Limpou pelo propósito da natureza me mostrar o quanto pode me bater, me machucar e voltar a machucar sempre...
Meus queridos amigos. Comemorando mais um ano meu de vida com a minha ausência. Deve ser difícil para eles, como minha morte. Talvez seja apenas um treinamento prévio para minha total desintegração, porque eu sempre pensei que fosse ficar perdendo pedacinho por pedacinho e esses pedacinhos eram infinitos. Mas não são. E pensar na possibilidade de catar um a um deles aumenta o rumo do malogro...
Na mesa do bar: " Um brinde à Ana!" E uma lágrima de saudade ébria nos olhos de cada um. Do outro lado da cidade, meus olhos inchados. E o show do Nando Reis sendo ouvido em meu estado totalmente sóbrio : dores.
Meus queridos amigos. Comemorando mais um ano meu de vida com a minha ausência. Deve ser difícil para eles, como minha morte. Talvez seja apenas um treinamento prévio para minha total desintegração, porque eu sempre pensei que fosse ficar perdendo pedacinho por pedacinho e esses pedacinhos eram infinitos. Mas não são. E pensar na possibilidade de catar um a um deles aumenta o rumo do malogro...
Na mesa do bar: " Um brinde à Ana!" E uma lágrima de saudade ébria nos olhos de cada um. Do outro lado da cidade, meus olhos inchados. E o show do Nando Reis sendo ouvido em meu estado totalmente sóbrio : dores.
Sonntag, November 23, 2008
Sobre o meu aniversário
Os braços estavam pesados de sono. Os braços, não os olhos. Uma voz antiga e baixinha sussurrou em meu ouvido, combinada a uma respiração que lembrava alguma região de clima temperado: "Aufwachen meine Tochter." Então, abri meus olhos. Pude ver a luz fria de fora que invadia o quarto e me deparei com ele. A expressão dura, os cabelos já tão brancos e os olhos pequeninos que mesmo antigos brilhavam.
Depois de vestir o suéter fomos ao parque da cidade. Não chovia, os bancos estavam secos e passamos a manhã toda aspirando algo. Ele o seu cachimbo de anos, eu um cigarro de canela. Arthur me repassou toda a sua filosofia, mas de forma tão viva, tão convincente que os livros que já tinha lido pareceram meros livros de receita de algo que não se pode realizar. Ele também me falou sobre a dor de caminhar tantos anos, sobre como acusar certas verdades - e não digo verdades políticas- não era tão compensante assim : "Schmerzen akkumulieren ..." Eu o interrompi: " Meu alemão está atrasado." Ele com um muxoxo e com o sotaque arrastado prosseguiu: " Uma pessoa sofrida é o mesmo que uma pessoa gorda. Não consegue parar de acumular dor/gordura, é duro. Ambos acabam com sua saúde, mas da mesma forma que há dietas, há também alívios."
O dia todo observando àquela grama mal espalhada e cheia de folhas. Ao final da tarde, ele deitou sua xícara de chá enquanto me observava. Meu Deus, o que eu tentava comer? Um muffin? Tentei abraçar a vontade de me alimentar e devorar aquele muffin, mas quando a boca estava cheia me subiu algo. Enjôo e algo subindo...E subia, subia... Levei minha mão à boca. Arthur disse: "Die Übelkeit que se escapa da boca de um hipocondríaco que dos Anjos tanto falava, não?" Mas não era. Algo veio á tona sim, mas não vinha do esôfago. O sistema respiratório se anulou e eu estava vermelha. Ele me olhou surpreso. Talvez decepcionado. A verdade é que não era digno alguém da sua extirpe ainda ter certas reações. Mas os olhos estavam secos e tudo foi apenas mera encenação de um choro que poderia ter acontecido sim, mas dir-se-ia que não era de minha natureza, não mesmo.
Com um bolo em mãos cheio de velas suas últimas palavras foram: " Nada de desejos. Desejos beiram à vontade e eu critiquei isso minha vida inteira. Apenas assopre, como que para longe, meine Tochter." Também me entregou um embrulho e nele havia espinhos, mas em formato de coroa, deu uma piscadela: "Enquanto o palhaço do Nietzsche chorava mágoas para Cristo eu peguei "emprestado" essa coisinha, haha." E eu assoprei e acordei com o despertador que tocava. Foi sonho e o gosto amargo da saliva matinal já me enjoava. Mas quando olhei para o criado mudo havia uma garrafa de whisky. Sobressaltei-me. Na porta quase encostando ele me olhava, sorria de longe e seu sorriso parecia familiar. Os cabelos brancos viraram-se e a porta fechou. Um dia começava.
Depois de vestir o suéter fomos ao parque da cidade. Não chovia, os bancos estavam secos e passamos a manhã toda aspirando algo. Ele o seu cachimbo de anos, eu um cigarro de canela. Arthur me repassou toda a sua filosofia, mas de forma tão viva, tão convincente que os livros que já tinha lido pareceram meros livros de receita de algo que não se pode realizar. Ele também me falou sobre a dor de caminhar tantos anos, sobre como acusar certas verdades - e não digo verdades políticas- não era tão compensante assim : "Schmerzen akkumulieren ..." Eu o interrompi: " Meu alemão está atrasado." Ele com um muxoxo e com o sotaque arrastado prosseguiu: " Uma pessoa sofrida é o mesmo que uma pessoa gorda. Não consegue parar de acumular dor/gordura, é duro. Ambos acabam com sua saúde, mas da mesma forma que há dietas, há também alívios."
O dia todo observando àquela grama mal espalhada e cheia de folhas. Ao final da tarde, ele deitou sua xícara de chá enquanto me observava. Meu Deus, o que eu tentava comer? Um muffin? Tentei abraçar a vontade de me alimentar e devorar aquele muffin, mas quando a boca estava cheia me subiu algo. Enjôo e algo subindo...E subia, subia... Levei minha mão à boca. Arthur disse: "Die Übelkeit que se escapa da boca de um hipocondríaco que dos Anjos tanto falava, não?" Mas não era. Algo veio á tona sim, mas não vinha do esôfago. O sistema respiratório se anulou e eu estava vermelha. Ele me olhou surpreso. Talvez decepcionado. A verdade é que não era digno alguém da sua extirpe ainda ter certas reações. Mas os olhos estavam secos e tudo foi apenas mera encenação de um choro que poderia ter acontecido sim, mas dir-se-ia que não era de minha natureza, não mesmo.
Com um bolo em mãos cheio de velas suas últimas palavras foram: " Nada de desejos. Desejos beiram à vontade e eu critiquei isso minha vida inteira. Apenas assopre, como que para longe, meine Tochter." Também me entregou um embrulho e nele havia espinhos, mas em formato de coroa, deu uma piscadela: "Enquanto o palhaço do Nietzsche chorava mágoas para Cristo eu peguei "emprestado" essa coisinha, haha." E eu assoprei e acordei com o despertador que tocava. Foi sonho e o gosto amargo da saliva matinal já me enjoava. Mas quando olhei para o criado mudo havia uma garrafa de whisky. Sobressaltei-me. Na porta quase encostando ele me olhava, sorria de longe e seu sorriso parecia familiar. Os cabelos brancos viraram-se e a porta fechou. Um dia começava.
Samstag, November 22, 2008
A esquizofrenia de meus amigos
Primeiro, Schopenhauer encarnado na Ludy:
"Quando te conheci nosso nível evoluiu.... Teve mutação no DNA... E cada vez mais e mais nos tornaremos um mito.Somos irredutíveis, o mundo nos amará e curvará sobre nós Anazinha."
Depois, quase sem afetação, o Matt:
" Eu não sei se você consegue ou apenas finge que consegue. Um pedaço de bife acebolado no lugar do coração, é isso! Você é capaz de levar o maior tombo, levantar cheia de escoriações e com um sorriso ( aquele seu sorriso de longe) dizer que não foi nada. Eu queria lamentar por você, a verdade é que todos queriam. Mas você montada nesse sorriso e arrogância, chuta Sísifo da montanha, se suicida no lugar do Kirilov que você tanto fala... E o pior: desde que te conheço você disputa como criança mimada a coroa de espinhos com Cristo."
"Quando te conheci nosso nível evoluiu.... Teve mutação no DNA... E cada vez mais e mais nos tornaremos um mito.Somos irredutíveis, o mundo nos amará e curvará sobre nós Anazinha."
Depois, quase sem afetação, o Matt:
" Eu não sei se você consegue ou apenas finge que consegue. Um pedaço de bife acebolado no lugar do coração, é isso! Você é capaz de levar o maior tombo, levantar cheia de escoriações e com um sorriso ( aquele seu sorriso de longe) dizer que não foi nada. Eu queria lamentar por você, a verdade é que todos queriam. Mas você montada nesse sorriso e arrogância, chuta Sísifo da montanha, se suicida no lugar do Kirilov que você tanto fala... E o pior: desde que te conheço você disputa como criança mimada a coroa de espinhos com Cristo."
Mittwoch, November 19, 2008
A pior das metáforas
Visualizem em seu córtex cerebral uma criança por algum canto. A mãe a deixa para fazer alguma coisa como ver a panela, pegar alguma fralda, etcétera. Então, como ser inocente ela avista um grande bolo de fezes de cachorro no quintal. Ela pega nas fezes, passa em suas bochechas rosadas, lambe com sua pequenina língua e feliz olha para as paredes, toda defecada, toda feliz.
A criança acaba fedendo até o céu de tanta "brincadeira fecal". A mãe volta, horrorizada, acolhe a criança, lava-a e passa talcos e colônias até ela parar de feder. E até pára, mas a questão é : por que mexer em algo que saiu de dentro de alguém foi tão horrorizante?
Aluísio Azevedo deve estar batendo palmas do túmulo, eu sei.
A criança acaba fedendo até o céu de tanta "brincadeira fecal". A mãe volta, horrorizada, acolhe a criança, lava-a e passa talcos e colônias até ela parar de feder. E até pára, mas a questão é : por que mexer em algo que saiu de dentro de alguém foi tão horrorizante?
Aluísio Azevedo deve estar batendo palmas do túmulo, eu sei.
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